Acabei de reler TEMPO DE DELICADEZA de Affonso Romano de Sant'Anna. Livro de crônicas, presente de meu filho. publico aqui trecho de uma crônica:
O homem das rosas
“Quando ele andava nos lugares (barbearia, igreja, supermercado) e escutava histórias de alguém que estava passando por uma hora difícil, por doença, perda de alguém, perda de emprego, etc., ele enviava, anonimamente, uma rosa para a pessoa. E tinha um pacto com a florista da cidade para ela não divulgar o seu nome, um segredo que ela guardou (não é um tesouro isso??)até que a mulher do homem resolveu contar a história no dia do enterro dele. A última rosa que ele enviou foi para sua mulher. Disse que para ela reservava a rosa mais bela. Não é de arrepiar?”
Sim, é também de se invejar.
Sei que alguém pode resmungar, “mas que coisa mais piegas!” Talvez seja.Mas também é verdade que a aspereza de nossas vidas fez com que embotássemos os sentidos, que tivéssemos vergonha de nossos sentimentos e emoções. E, no entanto, oferecer uma rosa seria tão simples. Tão simples e urgentemente necessário.
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