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Artigo publicado na Revista Especializada Athos e Ethos
Autora:
Rosa Maria Olimpio
Lembrete
“Se
procurar bem, você acaba encontrando
Não a explicação
(duvidosa) da vida
Mas a poesia (inexplicável) da
vida.”
(Carlos Drummond de Andrade, 1984, p.
95)
RESUMO: Este ensaio traz como tema
a importância de privilegiar os valores estéticos e éticos da
poesia trabalhada em sala de aula questionando sua utilização
exclusivamente para estudos gramaticais.
PALAVRAS CHAVE:
Estética, poesia, ética
ABSTRACT: This essay is aimed at
privileging ethical importance of poetrys aesthetical and ethical
values which were worked in the classroom as a way of questioning
their exclusively use for grammar studies.
KEYWORDS:
Aesthetics, poetry, ethics
INTRODUÇÃO
A
escolarização da poesia tem sido objeto de reflexão de
professores, pedagogos e autores que defendem o texto poético
considerando-o em sua função de arte, deleite, sensibilização,
emoção.
A desescolarização do texto poético é a solução
apontada por esses estudiosos da literatura. Compreendemos que o que
eles pretendem, na verdade, é que a poesia não seja usada somente
pelo aspecto sintático e semiótico; que a interpretação desses
textos contemplem as especificidades que eles contêm e ainda, que a
produção poética seja instrumento de aprendizagem do fazer
poético com todas as suas singularidades. Assim, não se trata de
desescolarizar a poesia, mas de ensiná-la fundamentando-se em
estudos teóricos de literatura e com a sensibilidade necessária
que a arte requer. Escola é espaço de ensino-aprendizagem da
matemática, da geografia...e de poesia. Por que não?
Ensinar
e aprender poesia subentende vivenciar a ética, o estético, a
emoção que a permeiam.O aluno, leitor em formação, necessita do
apoio do professor para intervir de modo a encorajá-lo e a
instigá-lo à aptidão necessária que lhe permita alcançar as
competências de um bom leitor. Necessita também de um professor
que oportunize os princípios organizadores e que o torne capaz de
ligar os saberes e lhes dar sentido. Morin (2001, p.101-102) reitera
nossa reflexão, ao escrever: “Exige algo que não é mencionado
em nenhum manual, mas que Platão já acusava como condição
indispensável a todo ensino: o Eros, que é, a um só tempo,
prazer, desejo, e amor; desejo e prazer de transmitir, amor pelo
conhecimento e amor pelos alunos.”
1. O TEXTO
POÉTICO E O ENSINO DA GRAMÁTICA
O ensino da modalidade
culta da língua portuguesa deve ser contextualizado, por isso os
autores de livros didáticos e os professores de Português têm
feito uso constante dos diferentes tipos de textos como suporte para
o ensino da gramática. Os textos poéticos têm sido escolhidos,
freqüentemente para esse fim.
Para Duarte Jr. (1981, p.80) ”Na
poesia as palavras são radicalmente transubstanciadas, adquirindo
estatuto totalmente diverso daquele que mantém na linguagem
discursiva. Pois o poeta, utilizando-as também e enquanto
sonoridade, transgride a sintaxe da língua e nela imprime novos
sentidos em cada poema. O verso poético não é jamais uma frase ou
uma oração, mas uma imagem, um símbolo, onde o sentido do todo
prevalece sobre as partes.” E por isso mesmo, estamos convictos de
que a poesia não pode ser objeto exclusivamente de aprendizagem da
norma padrão da língua.
O poema “Pardalzinho” de Manuel
Bandeira, por exemplo, aparece em um livro didático, orientando a
compreensão dos termos essenciais e integrantes da oração e
ainda, a transitividade verbal.
O pardalzinho nasceu
livre.
Quebraram-lhe a asa.
Sacha lhe deu casa, comida e
carinho.
Foram cuidados em vão.
A casa era uma prisão.
O
pardalzinho morreu.
O corpo, Sacha enterrou no jardim.
A
alma, essa voou para o céu dos passarinhos.
(NICOLA, 1994, p.
182)
O livro traz questões do tipo: Classifique o
predicado da primeira oração do texto. “Quebraram-lhe a asa.”
Classifique o predicado dessa oração. E a análise sintática
segue frase a frase, desconsiderando totalmente a estrutura
característica do texto poético. Cabe ao professor, promover o
primeiro contato do aluno com o poema. A leitura oral, feita pelo
professor, e depois pelo aluno, faz com que a emoção se manifeste
e os valores estéticos sejam evidenciados. É necessários que o
professor atente para a função da arte, a construção da arte, a
beleza, o simbólico, a metáfora e todos os outros mecanismos de
linguagem que permeiam a expressão poética. um professor sensível,
compromissado é ético, é capaz de seduzir-se e seduzir pelo poder
da palavra que se faz arte e vai tecendo a arte da vida Dufrenne
(1969, p.53), a respeito da palavra poética, afirma: "Ela será
tanto mais signo quanto for coisa, mas esse signo não serve para
dizer algo a respeito do objeto, no interior de empreendimento
intelectual ou prático, diz o próprio objeto não como o descreve
a ciência, mas antes, como o experimenta o sentimento.”
Reiterando nossas reflexões nesse sentido, é importante considerar
o que escreve Regina Zilberman (1982, p.32) “Se a escola
estabelece uma ruptura entre o ludismo infantil e a iniciação no
código verbal escrito, a poesia parece oferecer um meio de remediar
a brusquidão da passagem de uma experiência a outra.” Aprender a
ler e a escrever é o primeiro passo a caminho do saber e do sabor
poético. A leitura possibilita o desenvolvimento, o burilamento da
emoção e da razão. Que as crianças e os jovens encontrem em sua
vida escolar professores sedutores. A sedução poética é
construção sintonizada, é atributo que se desenvolve quando
compartilhado. Para que essa sintonia possa equilibrar o trabalho da
mente com a sabedoria do coração, é imprescindível a intervenção
do professor. Um professor que observa suas palavras e faz com que
elas se tornem ações. Que observa suas ações pois sabe que elas
se fazem exemplos. E esses exemplos é que possibilitam a harmonia
entre a poesia da palavra que encanta e emociona e a palavra que
liberta e constrói a cidadania. A harmonia na arte resulta da
combinação cuidadosa de cores. A harmonia entre a palavra que
possibilita a aquisição de conhecimentos lingüísticos e a
palavra que constrói o poema é trabalho de mente e coração. É
mais que um sentimento, é como ver e ouvir, é um acontecimento. A
harmonia no poema resulta da combinação cuidadosa das palavras que
lhe dão vida e razão.
2. A INTERPRETAÇÃO DO
TEXTO POÉTICO
Os valores éticos também precisam ser
abordados. Continuando o estudo do texto pardalzinho, pode-se
discutir questões sobre a liberdade, a morte (inclusive a
metafórica viver em vão em troca de bens materiais, por exemplo) e
ainda convém questionar porque quebraram a asa do pássaro, a
importância de se respeitar os animais no seu habitat, e muito
mais... Nesse sentido lemos em Morin (2003, p. 81): "Literatura,
poesia e cinema, devem ser considerados, não apenas, nem,
principalmente, objetos de análises gramaticais, sintáticas e
semióticas, mas também escola de vida, em seus múltiplos
sentidos." O texto poético deve ser lido em todos os aspectos:
semânticos, estilísticos e estruturais. A relação leitor e texto
precisa subsidiar a atividade intelectual, emotiva, sensorial.
Precisa orientar e desenvolver o que há de melhor e mais belo na
alma humana, evidenciando a capacidade de compreender a vida e
vivê-la com amor, encantamento, dignidade, compromisso, ética.
Resende (1997, p.167) assim se expressa nessa perspectiva
fenomenológica: “A linguagem literária é linguagem de arte,
trazendo afinidades estéticas como qualquer produto de criação.
Por isso, privilegiar a convivência exclusiva com ela, isolando-a
de outras formas de comunicação artística, seria uma atitude
restritiva, que fecha limites e provoca o seccionamento de planos. A
educação estética deve integrar perspectivas que levem ao mesmo
fim: o aprimoramento dos sentidos, da sensibilidade e do senso
crítico”. O principal papel da escola é formar leitores que
reconheçam a profundidade, as sutilezas e o sentido da linguagem
literária.A consciência ética do educador é fundamental para que
a educação estética esteja aliada à sensibilidade e ao senso
crítico. A seriedade e o comprometimento do educador, se conduzidos
pelo senso da justiça, asseguram novos rumos à história.
Zilberman
(1982, p.29) acrescenta importantes questionamentos quando se trata
do trabalho com a interpretação dos poemas em sala de aula: "O
ditadismo que orienta a manipulação dos textos na escola é
responsável pela insensibilidade ao poético manifestada na atitude
de desinteresse do aluno. Depois da experiência escolar, as
crianças, precisam ser reconduzidas ao prazer da espontaneidade
poética, perdido entre a aprendizagem da gramática e o exercício
interpretativo do tipo o-que-que-o autor-quis-dizer." As
palavras de Zilberman vão ao encontro de nossas convicções uma
vez que a leitura é um ato solitário, no qual o leitor infere ao
texto sua experiência existencial. De acordo com os Parâmetros
Curriculares Nacionais, os objetivos do ensino da Língua Portuguesa
são: “Adquirir progressivamente uma competência em relação à
linguagem que possibilite resolver problemas da vida cotidiana, ter
acesso aos bens culturais e a alcançar a participação plena no
mundo letrado”. Nessa linha de condução da leitura como
capacidade de ler para compreender o que lê, compreender-se,
compreender o outro, compreender o mundo; leva-se em conta a
mensagem do texto favorecendo a compreensão literária aliada à
história de vida de cada leitor. Barthes (1984, p.53) sustenta
nossa compreensão ao escrever: “Assim se revela o ser total da
escrita: um texto é feito de escritas múltiplas, saídas de várias
culturas e que entram uma com as outras em diálogos, em paródias,
em contestação, mas há um lugar em que essa multiplicidade se
reúne, e esse lugar não é o autor, como se tem dito até aqui, é
o leitor: o leitor é o espaço exato em que se inscrevem, sem que
nenhuma se perca todas as citações de que uma escrita é feita; a
unidade de um texto não está na sua origem, mas no seu destino”.É
necessário formar o leitor pela análise discursiva, sem impor a
ele a leitura do professor ou a leitura do livro didático.
Jonathan
Culler (apud Vitor Manuel, 1976, p.226) denomina "Persona
Poética", o que chamamos "Eu-poético." O eu-poético
é construído pela linguagem que vai revelando máscaras que o
constitui e conseqüentemente revela os Outros, que com ele convivem
e constroem o ser poético. Ao tecer o poema cria uma trama que se
revela pouco a pouco para o leitor. O movimento perfeito da
linguagem é capaz de criticar, revelar, emocionar, seduzir. As
máscaras do autor acabam por se confundir com as máscaras dos
leitores. À medida que vai desvelando a intrincada rede de
significados, o leitor se emociona, se indigna, se descobre,
descobre o outro, descobre o mundo. Está seduzido pela trama
poética. Caem as máscaras.
Personagem
[...]
Todas
as máscaras da vida
Se debruçam para o meu rosto
Na alta
noite desprotegida
Em que experimento o meu gosto.
Todas
as mãos vindas ao mundo
Desfalecem sobre o meu peito,
E
escuto o suspiro profundo
De um horizonte
insatisfeito.
(Cecília Meireles, 1982, p.115)
3.
A PRODUÇÃO POÉTICA EM SALA DE AULA
A sala de aula
também é espaço de criação. Se o professor oportuniza um clima
propício e atua como mediador da linguagem do intelecto, do
coração, do sonho que nasce da leitura e se transforma em poesia,
o fazer poético flui naturalmente. A composição do texto poético
traz consigo a vivência e o vivido pelo aluno e dá sentido ao
conhecimento, ao saber viver, saber lidar com o outro, com as
situações complexas, com suas próprias incertezas. Resende (1997,
p.197) afirma: “O caminho básico da livre expressão requer do
professor atitudes e meios que estimulem, desinibem, valorizem. Os
atos de ler e escrever tem afinidade quando abrem, para as crianças
e os jovens caminhos de liberdade, que estão de pleno acordo com a
natureza do jogo. Para jogar bem, é preciso participar, com
fantasia e sensibilidade, das regras da palavra com suas relações,
que criam sentidos e formas inesperados”.
A criação poética
em sala de aula tem resultado em alguns questionamentos quanto à
sua finalidade e ao modo como os professores, às vezes, conduzem
tal atividade. Muitas construções dos alunos evidenciam alguns
equívocos cometidos na orientação de produção poética das
crianças e dos jovens... Temos visto poemas escritos com linguagem
referencial, que em lugar de se remeterem a outras perspectivas de
enfoque da realidade, recorrem ao lugar comum, ao usual, ao
convencional e ao rotineiro. Essa observação nos faz recorrer ao
comentário de Resende (1997, p. 203) “Seria totalmente
despropositado pedir aos alunos que tirassem uma folha de papel e
escrevessem um poema”. E acrescenta: “A expressão poética
através da palavra deve ter a finalidade educativa de proporcionar
às crianças e aos jovens oportunidades de manifestação criadora.
Preservar a alma poética infantil é papel da educação, que deve
ser desempenhado por todos os educadores, respeitando a
originalidade do ser e a natureza estética. Originalidade aqui se
traduz por: estado de pureza da mente, estado originário que define
o ser poético”. (Grifos da autora).
Os educadores precisam
estar em constante sintonia com poder da linguagem lúdica, com o
jogo de palavras e de idéias que permeiam e sustentam a produção
de texto, principalmente, das especificidades do texto poético. É
imprescindível a leitura de textos literários e de teorias
pertinentes. Há uma extensa e rica bibliografia a respeito do tema.
Autores sérios que tratam do assunto com poeticidade,
sensibilidade, competência. Lidar com poesia é lidar com a
essência humana e isso não é brincadeira. Apesar de que pode e
deve ser um exercício de prazer e ludicidade. Duarte Jr. (1981, p.
42-43) teceu o seguinte comentário:
“Como cantou o
compositor (Lupicínio Rodrigues): O pensamento parece uma coisa à
toa/Mas com é que a gente voa/Quando começa a pensar. A imaginação
é o vôo humano desde a facticidade bruta onde estão presos os
animais, até a construção de um universo significativo. Portanto,
podemos concluir que o ato do conhecimento e da aprendizagem é, em
sua essência, dirigido e orientado pela imaginação”. (Grifos do
autor)
Os sonhos e os projetos de vida do autor formam o fio
que vai tecer o poema. Esse fio remete o leitor às próprias
tessituras, organizadas por sua experiência individual. Assim, ao
escolher as palavras que vão compor o tecido poético, o escritor
há que observar a que se destina, que quer enfatizar, o poder das
metáforas, as mensagens explicitadas e as mensagens implícitas e
os sonhos de vida a que pode remeter. O ser-humano-leitor pode
assumir ou incorporar diversos papéis, ou diversas máscaras, seja
pelas relações com o seu dia-a-dia, seja pelo contexto que vai
constituindo à medida que convive com os elementos culturais que o
cercam.
Parece evidente que não há necessidade de aqui
esclarecer que não se cogita a possibilidade de a escola formar
poetas. O objetivo da criação poética em sala de aula é promover
uma autoridade pessoal. Fazer com que crianças e jovens se
conheçam, conheçam o outro, saiba se relacionar com ele mesmo e
com o outro. Que ao criar o poema saiba distinguir a realidade
literal dos vocábulos e a plurissignificação que individualiza e
caracteriza a linguagem literária. Máscaras, redes, fios e tramas
são tecidas e destecidas ao longo do processo criativo. Se ao
lermos um texto poético levamos em conta as máscaras que o
constitui, é forçoso considerar que elas se reconstroem pelo e no
texto. Desse modo, a tessitura de um poema contempla as máscaras da
vida do autor que o tece. Tecer nos remete a fios. Fios de
racionalidade, sensibilidade, razão, emoção, risos, dores...
entrelaçando fios do eu-poético a outros fios, tecidos por
inúmeros autores que, lidos e compartilhados, vão se formando
redes e tecendo tramas inéditas a partir de um campo semântico
pré-existente.
Alunos de uma escola pública da periferia da
cidade, depois de ouvir canções, assistir a filmes, ler romances,
contos, crônicas, poemas, criaram o poema “Caminheiros”
inspirados nas seguintes leituras: Brasileiros cem-milhões
(crônica) de Carlos Drummond de Andrade, in: De notícias e não
notícias, faz-se a crônica, Edição Especial, Fundação Nestlé
de Cultura, 2004; A moça tecelã (crônica) de Marina Colassanti, e
a Flor no asfalto (crônica) de Otto Lara Resende in: Linguagem
Nova. Faraco & Moura, 8ª. Série, Ed. Ática; A flor e a náusea
(poema) de Carlos Drummond de Andrade, in: Português – Palavra e
Arte de Tânia Pellegrini e Marina Ferreira, Vol. 3, Atual Editora;
haicais de Guilherme de Almeida, in: Melhor Poema. Seleção de
Carlos Vogt. Edição Especial, Fundação Nestlé de Cultura, 2004;
poemas e telas de Portinari, in: Caderno Pedagógico da Viagem
Nestlé pela Literatura. Fundação Nestlé de Cultura, 2004; A hora
da estrela (romance) de Clarice Lispector, O Carteiro e o Poeta –
filme dirigido por Michael Radford, baseado em romance de Antônio
Skarmeta, músicas de Chico Buarque e Vinícius de Moraes e vários
outros músicos da MPB.
Caminheiros
(fragmentos)
(3.º
Colegial - Bruna, Elisabete, Glauber, Juliana, Marlon, Nayara e
Raulino Jr.)
Na rua das rimas, à luz da lua,
Caminheiros
recolhem um fio de prata e tecem o poema
O carteiro e o poeta
traçam a meta
Escolhem a metáfora para a poesia do
caminho.
Uma flor nasceu no asfalto
Era notícia, virou
crônica
Pode ser ela, a menina brasileira cem milhões
Apolo,
deus da força, mostra que a vida é bela
Salpicada de
emoções.
[...]
Vamos de mãos dadas, na grande
ciranda
Roda-viva, Roda-pião
Brincadeira de criança é
jogo de botão,
Pique-pega, Pega -ladrão.
E por falar em
criança, nos vem à lembrança
Poetas peregrinos.
Há um
que nasceu homem, morreu menino
Chegou a Hora da Estrela para
Fernando Sabino.
Drummond encontrou uma pedra no meio do
caminho,
O amor bateu na aorta e o levou para o
infinito.
Portinari, nosso Candinho,
Virou pintor de
estrelas
Guilherme de Almeida nos convida: – Vem
vê-las!
[...]
4.CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Espírito da gente, dizia Guimarães Rosa, é
cavalo que escolhe estrada, quando ruma para a tristeza e morte, vai
não vendo o que é bonito e bom.
Fechamos nossas reflexões
sobre esse tema recorrendo aos versos do prosador poeta, Guimarães
Rosa.
Primeiro, porque desejamos que os educadores e os
educandos caminhem pela estrada do bem e do belo. Que não fechem os
olhos para a violência, a injustiça, o preconceito, o desamor, a
indiferença... Por outro lado, que não sigam feito cavalo
desembestado, para o pessimismo, a tristeza, a morte.
Segundo,
porque desejamos que o texto poético seja o fio forte e belo de um
texto entrelaçado de amor, conhecimento, cognição e afetividade.
Que o educador-artesão, com arte e competência, siga tecendo novos
rumos para a história.
Educar por meio da poesia supõe
interação, clareza da realidade, ousadia para provocar mudanças
necessárias e significativas, tendo a justiça e a ética como
eixos norteadores. Assim, o educador há de fazer do cotidiano um
processo que favoreça ao educando, buscar com doçura e coragem os
verdadeiros sentidos e significados de uma vida plena. Plena de
atitudes coerentes na qual todos tenham igual direito à felicidade.
Que a poética da vida seja uma leitura crítica, para fazer com que
a criança e o jovem sejam capazes de construir com poesia, novos
caminhos.
Poesia é obra-prima de complexidade, que implica uma
equivalência semântica e acompanha o desenvolvimento lingüístico
do aluno aliado à sua experiência pessoal, ao vivido e ao
vivenciado. O trabalho com o texto poético em sala de aula prevê
essa complexidade da língua, deve ir além do dizível e captar a
essência, o sutil, que nos leva à dimensão poética da existência
humana.
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