quinta-feira, 17 de outubro de 2019

interações sociais nas instituições escolares


Interações sociais nas unidades escolares


As interações sociais são imprescindíveis para que as metas e os objetivos propostos pela comunidade escolar sejam alcançados.
O diálogo aberto e franco, as tomadas de decisões em equipe com o apoio da comunidade escolar e dos alunos, asseguram o sucesso no processo ensino-aprendizagem e nas atividades culturais desenvolvidas na escola.
É possível, em um mesmo contexto, gestar pessoas com problemas diferentes, sonhos diferentes, ideais diferentes?
A gestão de uma escola pressupõe a convivência harmoniosa entre os pares valorizando competências e habilidades individuais para a interação em equipe.
A construção de um projeto pedagógico dentro da gestão democrática viabiliza a troca de  conhecimentos pedagógicos indispensáveis na compreensão do processo educacional, além da compreensão sobre a função da instituição escola, para articular políticas de formação com a política de gestão, o que sugere a visão estratégica quanto à construção de um projeto político-pedagógico como viabilizador da gestão democrática.
A gestão de conflitos na escola é um conjunto de ações para alcançar a harmonia entre os funcionários – sem afetar a potencialidade e a competência individual, de modo a solucionar  divergências que surgem no ambiente de trabalho decorrente da reunião de pessoas com diferentes opiniões e personalidades.
Administrar a gestão de conflitos na escola sempre foi uma preocupação para os gestores. Sabemos que conflitos, até um certo nível, são normais no ambiente de trabalho – o qual geralmente reúne pessoas de diferentes opiniões e personalidades. No entanto, para alcançar a harmonia entre os funcionários sem afetar a qualidade do ensino, toda a atenção deve ser dada ao assunto.
Ou seja, acompanhar o clima organizacional e o relacionamento entre as pessoas é responsabilidade diária do gestor de modo a valorizar individualmente cada profissional e somar competências e habilidades em prol do todo.
Cada pessoa tem uma personalidade própria e por isso mesmo administrar conflitos começa por é  conhecer bem os  colaboradores procurando a  aproximação com  eles, de modo a  conhecer sobre suas expectativas, seus desejos e seus gostos pessoais.
Quanto mais sincero o gestor  for com eles, mais próximos eles ficarão e isso se transformará em confiança mútua e auxiliará na administração dos  recursos humanos.
É normal que surjam problemas de relacionamento ou conflitos entre os integrantes de uma equipe. Por mais homogêneo que seu pessoal seja, as diferenças sempre existem, e elas podem ocasionar dificuldades de convivência. Um problema pequeno pode se transformar em um sério desentendimento se não for diagnosticado a tempo e se sua solução não for trabalhada.
Primeiro, é necessário identificar o problema ou conflito e avaliar  a postura de cada um, a forma como está trabalhando, o modo como trata as outras pessoas e a ocorrência de erros funcionais no dia-a-dia. O diálogo com os interlocutores daquela pessoa que identificada como parte do problema. Pegar o máximo de informações e exemplos válidos para embasá-lo. Ademais, tentar se colocar no lugar de cada envolvido para facilitar a interpretação dos fatos.
Após a identificação de um problema e o reconhecimento dos envolvidos no conflito, a convocação de  uma reunião é necessária para  ouvir  cada lado, procurando não interromper durante a explanação. Se necessário, envolver outras pessoas que estejam próximas dos implicados.
O gestor sempre deve incentivar a participação de todos na resolução de conflitos. Explique que não se trata de uma “caça às bruxas”: o objetivo é resolver a questão da melhor forma possível, com o mínimo de consequência.
Deixar claro que passamos a maior parte de nosso dia com nossos colegas de trabalho e que, para o bem tanto da escola quanto dos funcionários, é preciso um ambiente tranquilo, harmonioso e sem perturbações.
Diante dos conflitos o gestor deve permitir que cada um fale sobre a sua interpretação dos fatos, mas sempre estando atento a uma eventual intensificação e potencialização do conflito.
O gestor deve  ter a habilidade de escutar todos os lados e não emitir inicialmente nenhum juízo de valor. Todos precisam entender que a escola não pode ser sacrificada e nem prejudicada por conflitos evitáveis.
Utilize algumas técnicas de condução de reunião: use um quadro branco ou um flip-chart para anotar as considerações que julgar importantes, deixando-as visíveis para todos. Tente também manter uma relação amistosa com os componentes da reunião, não tomando qualquer partido.
A tomada de decisões  sempre em busca do consenso de modo a apaziguar o ambiente, tentando retornar ao status anterior ao conflito, é o melhor para a escola  e para toda a comunidade escolar.
Porém, sempre haverá uma ou outra situação em que será necessária a intervenção do superior para a solução da desavença. Neste cenário, a tomada de decisão deve ser feita o quanto antes e não é prudente demorar na solução dos conflitos tendo sempre em mente que o melhor para a escola deve prevalecer em todas as situações.
Um trabalho de engajamento com todos os colaboradores da escola com o objetivo de mantê-los unidos e com o mesmo propósito. Importante deixar  claro que todos estão no mesmo barco e que o sucesso da escola será o sucesso de todos.
È importante chamar sempre atenção para os valores da escola e a conduta que cada um deve ter. O feedback  com a apresentação dos êxitos conseguidos e também onde cada um pode melhorar.
Outra sugestão é procurar na internet livros, filmes e palestras motivacionais que possam ser de utilidade e as divulgue para seus colaboradores.
É imprescindível a motivação da equipe para isso o elogio às pessoas que mantêm um bom relacionamento com os outros e que desempenham suas tarefas com bom humor. Pessoas positivas normalmente não se envolvem em conflitos e sabem manter um bom convívio com todos.
Para motivar ainda mais os profissionais, é necessário fazer confraternizações nas datas importantes e promover sempre o trabalho em equipe, salientando que ninguém consegue se destacar isoladamente e sem a participação dos outros.


Rosa Maria Olimpio








Como chamar a intuição nas horas difíceis?

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

https://novaescola.org.br/conteudo/940/entrevista-com-emilia-ferreiro?fbclid=IwAR1mvT8RcBaJUJGbJkjslNExXuIFVwOUKse8KTL7nMO7xu1rlvcmAOzKcyA

Entrevista com Emilia Ferreiro

Para a psicolinguista argentina, o que se espera de um leitor muda com o tempo. Na era da internet, seletividade e rapidez são características essenciais. 

Emilia Ferreiro: "Todo profissional deve querer sempre mais"   


                                                      Foto: Rogerio Albuquerque

Nos anos 70, ela revolucionou a alfabetização ao explicar como as crianças aprendem. Passou a defender a utilização de textos variados, em substituição às cartilhas. Após a polêmica inicial, suas teses se tornaram referência internacional. A fama não a desviou, no entanto, da preocupação em desvendar o processo de aquisição da leitura e da escrita. Aos 64 anos, Emilia Ferreiro agora avalia a interferência das inovações trazidas pela internet. "Todo profissional deve querer saber sempre mais", ensina. "Se não há inquietude, repetimos coisas que podem estar ultrapassadas." Em abril, a psicolingüista argentina (que vive no México) passou pelo Brasil e concedeu a seguinte entrevista a NOVA ESCOLA.

No livro Cultura Escrita e Educação, a senhora afirma que adora pesquisar e descobrir que entendeu algo que a intrigava. O que a deixa intrigada atualmente? 
EMILIA FERREIRO Continuo tentando compreender melhor o funcionamento dos sistemas e das tecnologias de escrita. Indagações surgem a respeito dos modos de comunicação e estilos que estão sendo criados. Um exemplo é o chat, que parece um intercâmbio informal, cara a cara, só que por texto. Outro é o e-mail, que não é uma carta em papel nem um telegrama. Essas novas formas de diálogo possuem propriedades que não conhecemos. São temas a ser pesquisados, assim como a interface entre a aquisição da escrita com letras e com números... 

Como isso se dá? 
As duas são ensinadas simultaneamente porque a escola e o ambiente pedem. Já conhecemos bastante o sistema de aquisição da leitura com letras e a maneira de escrever números em situações vinculadas a representações de quantidade. Quero averiguar como se descobre quando usar um ou outro. Quando escrevo casa, leio casa e posso traduzir para house, se souber inglês. No entanto, se escrevo 5, posso ler cinco ou five. Nesse caso não está escrito o nome do número mas o sentido que ele passa. E esse sentido pode ser passado em qualquer língua. Não posso redigir a palavra casa com números, mas a palavra cinco posso escrever também com um algarismo. É interessante ver como crianças muito pequenas, de 4 ou 5 anos, lidam com isso.

O professor deve tentar desvendar problemas em seu dia-a-dia? 
Não. O ofício do pesquisador e o do professor são distintos. Digo isso porque exerço os dois. Quando estou ensinando, minha atitude sobre os problemas é diferente da que tenho quando estou pesquisando. É importante ensinar os alunos a pesquisar, mas isso é parte de meu trabalho de professora.

Mas não é também papel do docente buscar novos conhecimentos?
Com certeza. Só que isso é diferente de pesquisar. Querer saber sempre mais deve ser próprio de qualquer profissional. Um médico também tem de se atualizar e não se contentar com o que aprendeu na universidade. Se não há uma certa inquietude em continuar descobrindo coisas novas terminamos repetindo as antigas ? e o que era válido há vinte anos não continua necessariamente bom hoje. 

O significado de saber ler e escrever também muda com o tempo?
Usamos esses mesmos verbos na Grécia clássica, na Idade Média, na revolução industrial ou na era da internet. Por isso, temos a impressão de que designam a mesma coisa. O real significado, no entanto, vem se modificando. Ambos têm a ver com marcas visuais, mas o que se espera do leitor é determinado socialmente, numa certa época ou cultura. Na Antigüidade clássica não se esperava o mesmo que no século XVIII, nem o que se espera agora.

O que determina a eficiência de um leitor na era da internet? 
O trabalho na internet exige rapidez na leitura e muita seletividade, porque não se pode ler tudo o que está na tela. E a capacidade de selecionar não é algo que, há alguns anos, fosse uma exigência importante na formação do leitor. No contexto escolar, não tinha lugar preponderante mesmo. Na rede mundial de computadores, as páginas estão cheias de coisas que não têm relação com o que procuro e existe a possibilidade de um texto me conduzir a outros por meio de um click. Além disso, quando tenho um livro em mãos e o abro em qualquer página, sei claramente se é o começo, o meio ou o fim. Quando abro uma página na internet nem sempre tenho noção de onde estou. 

Mas os jovens têm facilidade para se adaptar a essas mudanças...
Eles aprenderam a usar a internet sozinhos e rapidamente, sem instrução escolar nem paraescolar. Eles conhecem essa tecnologia melhor que os adultos? Os alunos sabem mais do que seus mestres. Essa é uma situação de grande potencial educativo, porque o professor pode dizer: "Sobre isso eu não sei nada. Você me ensina?" A possibilidade de uma relação educativa realmente dialógica é fantástica. Mas o docente não está acostumado a fazer isso e, num primeiro momento, fica com muito medo de não poder ensinar. Em casa, ele recorre aos filhos. No espaço público, na escola, ele tem mais dificuldades. 

Além da questão tecnológica, existe a da língua. A senhora acha que quem não souber inglês será um analfabeto nesta era da internet?
É preciso aprender o inglês, sem dúvida, mas não só esse idioma. Nestes tempos de globalização, vemos ao mesmo tempo um movimento de homogeneização (de um lado) e grupos que manifestam um desejo de manter a própria identidade (de outro). As duas coisas estão funcionando simultaneamente. No início da internet tínhamos a impressão de que ela seria uma das tantas maneiras de converter o inglês na única língua de comunicação. Hoje a situação mudou bastante. Há cada vez mais uma diversidade de idiomas na rede. Temos duas direções a seguir: consultar somente sites na nossa língua ou tomar consciência de que a rede nos dá acesso, por exemplo, a jornais escritos em países distintos ? e procurar entendê-los. 





sexta-feira, 5 de julho de 2019


“Entre o sono e o sonho/entre mim e o que em mim é o que eu me suponho/
corre um rio sem fim.” (Fernando Pessoa)                                                   
Nasci em Alto-Porã, município de Pedregulho, no Estado de São Paulo. Lá do alto avistava o Rio Grande e as montanhas que ficavam do outro lado do rio. Uma paisagem magnífica que jamais saiu de meus olhos e de minha alma.
Corria o ano de 1963, estava com sete anos, quando atravessamos a ponte. Viemos para  Uberaba, Minas Gerais. Seis meses depois de nossa mudança papai faleceu.
Fui morar com uma família. Fazia pequenos serviços domésticos em troca de comida, roupa, calçados. Em 1966, estava eu com 10 anos, quando me matricularam no Grupo Escolar.
Já no primeiro dia de aula, a professora nos deu uma cartilha. Novinha. Estava encapada com papel pardo. E eu li. Li em voz alta como se estivesse lendo para o cafezal em flor, para as montanhas. Ignorei a presença da professora, dos alunos. Finalmente eu estava na escola e tinha nas mãos uma cartilha. Foi o dia mais feliz da minha infância.
Quando acabei de ler a professora levou-me para o primeiro ano “adiantado”.                  
Ao final de cada ano eu ganhava um presente por ser a primeira aluna da sala. Lembro-me apenas de um que ganhei na segunda série: Um livro que veio com dedicatória da professora Áurea Celeste. “A Cabana do Pai Tomaz”. Era a triste história de um escravo em fuga.
Concluí o ensino primário no final de 1969 com direito à solenidades de formatura. Missa, entrega de certificados e discursos políticos.
Fui oradora da turma. No meu texto fiz um breve relato sobre meu ingresso no mundo dos letrados. Lembro-me de que muito dos presentes choraram. Eu estava feliz. Só isso.
Neste momento, a lembrança desse dia dói em minha alma. Aos 13 anos, eu lia as palavras, mas não aprendera ainda a ler a vida. “Na escola primária/Ivo viu a uva/e aprendeu a ler.”
No início do ano seguinte, fui morar e trabalhar em Brasília. Era babá. Foram três anos sem ver minha família, três anos sem férias, três anos fora da escola. Lia muito. Jornais e revistas, e li ainda A moreninha, Meu pé de laranja lima, e Senhora. Escrevia cartas. Muitas cartas.
Retornei a Uberaba no final de 1973 e não cheguei a ficar um mês com a minha família.
Mudei-me para Presidente Prudente, estado de São Paulo, com outra família. Era um casal e quatro filhos. Fiz o exame de admissão. Retornei à escola. Ficamos em Prudente um ano e nos mudamos para Pariquera-Açu, cidadezinha litorânea próxima a Iguape. Perdi meu grande amor sem ao menos tê-lo namorado. Trocamos centenas de cartas. Devia tê-las guardado, porque eram belíssimos poemas. Eu lia muito.A biblioteca da casa era riquíssima e estava sempre sendo atualizada.
Em meados de 1976, retornei para Uberaba. Fui morar com uma tradicional família da cidade.
Era então dama de companhia de uma senhora acamada. Ela perdera a visão por causa da doença. Das 19 às 23 horas uma funcionária me substituía para eu ir para o colégio. Fiz o colegial no COC. Numa madrugada, a senhora percebeu que estava acordada e perguntou-me o que eu estava fazendo. Disse que estava lendo um livro. Era Grande sertão: Veredas. – Veja que lindo! – eu dissera – e li um longo trecho para ela. Depois daquele dia, tornou-se rotina eu ler para ela os romances, os poemas, indicados pelos professores. Numa fria manhã de abril ela acordou sorrindo e disse que havia sonhado comigo. Perguntei-lhe como eu era em seu sonho. Ela respondeu: – Como você é. Linda! Chorei muito. Poucas horas depois ela dormiria para não mais acordar. Nessa época eu já estava na Universidade e dava aulas no COC no turno matutino. Inúmeros questionamentos foram tornando-se relevantes, fazendo com que buscasse melhor fundamentação para reflexões que, desde o início de minha formação acadêmica, surgiam como fundamentais. Tematizava a importância da linguagem na constituição de formas de significação da existência. Como diz Foucault, “é preciso compreender um acontecimento como uma relação de forças que se inverte, um poder confiscado, um vocabulário retomado e voltado contra seus utilizadores, uma dominação que se enfraquece, se amplia e se envenena e outra que faz entrada mascarada”. O ano era 1980. Passei a trabalhar dois períodos no colégio, no período vespertino, eu era professora “eventual”.
Casei-me no início de 1981. Nesse mesmo ano nascera minha filha Sílvia Beatriz e em 1982 nasceu meu filho, Sílvio Diogo.
De 81 a 83 dividia minha vida entre a universidade e a educação dos meus filhos. Comprava muitos livros para eles, mas à noite as histórias vinham de minha memória. E eu as contava dramatizando, cantando...
Meus filhos foram o maior legado que a vida reservou para mim. Com eles e por eles aprendi a arte de viver. Foram eles que despertaram em mim o olhar atento para o grande espetáculo da vida. Aprendi a olhar e aprendi a ver além. Muito além das aparências.
Em 1986 fiz minha primeira Especialização em Língua Portuguesa. Tive a felicidade de conhecer e de aprender com Eni Orlandi, Eduardo Guimarães, Eugênio Estevam, Maria Luiza Braga, Kanavillil Rajagopalan, Silvana Mabel Serrani. Eles vieram da Unicamp para dar as aulas no Curso. Muitas leituras. Aprendizado e vivência.
Nesse mesmo ano retornei à escola como professora do Ensino Médio. Acompanharam-me Paulo Freire, Rubem Alves, Edgar Morin, Moacir Gadotti, Pedro Demo e tantos outros estudiosos, que sustentaram minha prática pedagógica. Considerando que duas características dos discursos são a dispersão e a polissemia, concebo que conceitos e teorias são fenômenos culturais, socialmente construídos e legitimados. Assim, entendo o conhecimento não como algo a ser possuído, mas algo que se constrói de modo dinâmico e processual. Sendo assim, o rigor e a avaliação na aplicação do procedimento metodológico são fenômenos da ordem da intersubjetividade e estão vinculados à possibilidade de socializar o processo interpretativo.
Minha trajetória profissional tem estado vinculada, durante esses 22 anos, na área de educação, tendo trabalhado em todos os níveis educacionais (Educação Básica e Ensino Superior – Graduação, Projetos de Pesquisa e de Extensão). Atuei com coordenadora pedagógica da área de Língua Portuguesa. Minha experiência de docência é basicamente como professora.
A segunda especialização foi em Linguística Aplicada ao ensino de Língua materna. Mais uma caminhada ao lado de grandes mestres: Doutora Ormezinda Maria Ribeiro, Aya, UnB; Dr. João Bosco e Dr Cleudemar, UFU; Dra Vânia Maria Resende, USP; Dr. Carlos Brandão e tantos outros mestres. Além desses havia Vigotsky, Sírio Possenti, Bakhtin, Barthes, Kleiman...
O trabalho de conclusão foi orientado pela professora Aya. “O texto poético em sala de aula: para além do dizível”. Artigo publicado na Revista Athos&Ethos.
O caminho profissional foi sempre partilhado com a tarefa prazerosa de ser mãe.
Em minha trajetória humana fui Gata Borralheira, Cinderela, Macabéa, Ana Moura, Clarissa, Madalena (Paulo Honório).
.
Morei e trabalhei em Brasília de 2009 a 2016 atuando como Tutora da EAD e como avaliadora de redações pelo  CESPE.
Atuei como formadora do GESTAR pela UnB, Brasília. Viajava pelo Brasil levando aos educadores a crença do programa GESTAR, que é chegar aos alunos – crianças como eu fui em minha infância – o acesso ao mundo da cidadania assegurada pela aprendizagem da leitura. Leitura da palavra. Leitura do mundo
Aposentei no final de 2016, ano em que meu filho Silvio Diogo foi diagnosticado com câncer na medula. Mudei-me para Belo Horizonte para acompanhá-lo em seu tratamento.
No dia 11 de novembro de 2018 meu filho faleceu.  Retornei a Brasília e estou me reinventando na difícil arte de viver.
No fino tear do destino, estou tecendo  um final feliz para a história daquela menina que de sua mais profunda solidão atravessou o rio, as montanhas e se lançou por inteira no mundo da arte, cuja matéria prima está sempre à espera de ser lapidada: a palavra.
A poética da palavra como paixão criativa, que gesta discursos provocadores. Recordo-me de uma declaração de Friedrich Nietzsche, em seu livro Humano, demasiado humano: “Há tensão e paixão que caracterizam aqueles que arriscam deslocar-se para lugares desconhecidos, desafiam verdades prontas, movem-se em busca de conhecimentos novos, viajam pelo conhecimento. Aquele que pretende apenas em certa medida alcançar a liberdade da razão não tem durante muito tempo o direito de se sentir sobre a terra, senão como um viajante – e nem sequer como um viajante que se encaminhe para um ponto de chegada; pois este não existe. Terá em vista, isso sim, observar bem e manter os olhos abertos para tudo o que realmente se passa no mundo; [...] é necessário que nele haja sempre algo de viajante, cujo prazer reside na mudança e na passagem”.
Acrescento minha experiência pessoal ao comentário de Nietzsche, com a poesia existencial de Clarice Lispector, e encerro o meu relato.
“Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”



segunda-feira, 3 de junho de 2019

O amor por mim mesma

O sonho 
Picasso tinha 50 anos de idade e mantinha um relacionamento com Marie-Thérèse Walter,sua amante de  22 anos, quando criou essa obra de arte.
Chegou o mês dos namorados. As vitrines já se encheram de corações. O amor custa caro. Qual o valor de alguém especial em nossa vida? Não há como mensurar. Ele vale um diamante.Eterno.Pode custar um sacrifício.
Aprendi, indo ao encontro de mim, o quanto é bom estar só.Uma solidão que me completa, que me faz feliz. Aprendi a me amar.É isso. Isso não tem preço. 
Decidi:Vou escrever mais sobre "isso".

domingo, 10 de março de 2019

Silvio Diogo Lourenço dos Santos- 4 meses sem meu filho-



Silvio Diogo Lourenço dos Santos

 Diogo.

Nascimento: 16/12/1982

Falecimento: 11/11/ 2018 





Somente os amigos que se comunicavam com Diogo assiduamente sabiam da doença, do tratamento e da energia sublime que fluía em seus olhos e em suas palavras, dando a cada um de nós a certeza de que a morte não o alcançaria. Afinal um ser humano como ele é eterno.



Silvio Diogo havia passado a virada do ano comigo em Brasília. Há anos isso não acontecia porque nós dois sempre estávamos no trabalho na última semana do ano, pois optávamos por passar o natal em família aqui em Uberaba.
Ele estava tão bem. Saudável. Feliz e cheio de planos para aquele ano de 2016.
Em março recebi um telefonema dele na manhã de uma terça-feira e ele se queixava de uma dor na perna.
Dor a que ele atribuía ao exaustivo evento que ele coordenava, e que havia se encerrado no sábado anterior. Era a “Semana ENVOLVER”, projeto da UFVJM (Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri) em Diamantina.
Disse que havia procurado a fisioterapeuta e ela o aconselhou a procurar o ortopedista, porque a dor não era muscular.
Ele disse que já havia feito uma tomografia e o médico  o encaminhara para um oncologista ortopédico em Belo Horizonte.
Como era de costume, ele se mostrava sereno e disposto a enfrentar o que viesse.
Pediu-me que não comentasse com ninguém até que saísse os resultados finais dos exames.
Fiquei apreensiva, coração apertado e iniciei um diálogo interminável com Deus suplicando saúde para meu filho.
Ia todos os dias à FEB (Federação Espírita Brasileira, que ficava há alguns quarteirões da UnB. Lá eu podia desabafar, falar da minha dor e receber o acolhimento dos amigos.
No início do mês de maio, Silvio Diogo já receberia o resultado da biópsia e eu viajei para Belo Horizonte para ir com ele ao médico.
O diagnóstico indicava um tumor cancerígeno na bacia.
O ortopedista o encaminhou para Dra. Ana Alice, médica oncologista que prescreveu 35 sessões de radioterapia.
Hospedamos-nos em um Hostel no Bairro Santa Teresa e eu o acompanhei durante todo o tratamento.
Sempre sorrindo, brincando com os médicos e enfermeiros, cativava a todos.
No mês de outubro foi liberado para retornar ao trabalho na UFVJM. Estava feliz e bem disposto. Retornei ao trabalho, em Brasília.
No final de 2016 fui para Rondonópolis acompanhar minha filha, Sílvia Beatriz, que se submeteu a uma pequena cirurgia.
Silvio Diogo passou o natal com a filha, Joana, em Belo Horizonte e a passagem de ano em São Paulo, com amigos.
Falava sempre com ele, e o visitara muitas vezes em Diamantina.
Era final de março, certa tarde, ele me ligou sentindo muita dor. Combinamos de nos encontrar na manhã seguinte em Belo Horizonte. Diogo estava no Rio de Janeiro celebrando o aniversário de seis anos da filha Joana, naquele 28 de março.

Nos encontramos, em Belo Horizonte, na manhã seguinte e nos hospedamos no Hostel em Santa Teresa. A consulta foi marcada para o dia 30 de março.
Dra. Ana Alice solicitou novos exames e foi então diagnosticado Mieloma Múltiplo, um câncer agressivo na medula.
Dia 03 de abril eu o levei ao hospital com dores horríveis nas pernas e ali antes de internar, ele perdeu os movimentos da cintura para baixo.
Ele foi operado, dia 05/04, para fazer uma descompressão medular. A cirurgia devolveu-lhe parte dos movimentos, mas as pernas continuavam inertes e sem sensibilidade. Nessa mesma cirurgia deveria ter sido feita a artrodese, colocação de pinos de titânio para firmar os ossos da coluna, contudo, houve início de hemorragia e o procedimento foi adiado.

Na semana seguinte, 12/04, foi realizada a segunda cirurgia. Foram 47 dias de internação. Meses de fisioterapia. Oito meses de cadeira de rodas. Depois o andador, a bengala e, finalmente, caminhando com desenvoltura.
A cirurgia abriu uma ferida profunda na cicatriz. Ferida que não chegou a fechar totalmente, o que restringia a vida social de Diogo.
Durante o tratamento Silvio Diogo fez a tradução do livro de Maria Zambrano, Clareiras Del Bosque, que foi encaminhado às editoras para publicação, mas ainda não foi publicado.
Concluiu o terceiro livro de poemas intitulado “Cambalhota” que foi publicado pela Arte Desemboque Casa Editorial. Foram feitos lançamentos em Diamantina e em Belo Horizonte.
Semanalmente, fazia a leitura de poemas de autores consagrados ou amigos e publicava no seu Blog Desenhares, sempre aos domingos.
Silvio Diogo tem uma coleção de vinis que sempre foi o xodó e que ele ouvia diariamente e se deleitava com as letras e as melodias. A arte primorosa das capas era encantamento à parte.
Somente os amigos que se comunicavam com Diogo assiduamente sabiam da doença, do tratamento e da energia sublime que fluía em seus olhos e em suas palavras, dando a cada um de nós a certeza de que a morte não o alcançaria. Afinal um ser humano como ele é eterno.
A partir de fevereiro de 2018, Diogo iniciou preparação para prestar exame de seleção para o mestrado da UFMG. Adquiriu toda a bibliografia, estudou, fez a inscrição.
No dia 22 de outubro sentiu um mal estar e o levei ao hospital, estava com anemia. Foi internado. Pediu-me que não comunicasse o fato com ninguém.
-” Daqui a dois dias estarei em casa, não vamos alarmar as pessoas.”
Um exame de ultrassonografia acusou dois enormes tumores no fígado e orientado pela médica, estava à espera de uma biópsia.
Diogo hospitalizado levantava cedo, tomava o banho, se arrumava, sentava-se na poltrona e lia em voz alta (seu jeito de estudar) os livros que o preparavam para a prova de mestrado que seria realizada no dia 30 de outubro.
Dormia bem, se alimentava bem, sorria, brincava.
Embora soubesse da gravidade de seu quadro clínico, solicitou à médica que o liberasse para fazer os exames para o mestrado. Ficou extremamente abatido com a recusa dela.

Diogo pensava somente na vida, e queria seguir seus projetos.

Às vésperas do dia 02 de novembro, iniciou com todos os funcionários do hospital, um mirabolante plano de fuga para não passar no hospital, o feriado. Eram risos e brincadeiras que anunciavam vida, amor e brilho do além tempo.
Naquela segunda-feira, 04/11, Diogo acordou abatido e com a saturação muito baixa. Sílvio, o pai, chegou por volta de 11 horas trazendo o notebook para que ele pudesse pagar as contas e transferir a pensão de Joana. Ele fez essas tarefas e fez algumas postagens no facebook  e dialogou com amigos no whatsap.

Naquele noite não dormimos. Ele sentava-se na cama conversava comigo. Por volta de três horas, daquele dia 05/11, a enfermeira colocou o oxigênio. O médico veio e depois de examiná-lo chamou-me e perguntou se eu sabia da gravidade do quadro de saúde de Diogo. Respondi afirmativamente, em lágrimas e ele disse que estava levando-o para o CTI para entubá-lo e amenizar o sofrimento dele e que ele não regressaria. 
Liguei para Alcione e Ronaldo, meus amigos espíritas que iam semanalmente em nossa casa para o evangelho no lar, para que viessem fazer uma prece pelo meu filho antes que o levassem.
O enfermeiro chegou uns 30 minutos depois e pedi que ele esperasse a chegada de meus amigos que estavam a caminho.
Diogo olhou-me e disse:
 “–Deixa eu  ir, mãe!  Eu preciso ir”. Olhei-o com um sorriso e disse: vai meu filho. Deus o abençoe.
Acompanhei-o sorridente até o elevador. Assim que as portas do elevador se fecharam desabei num choro silencioso e compulsivo. Meus amigos me encontraram assim, me abraçaram e choraram comigo.
Comuniquei com os amigos e familiares que se assustaram pois a maioria dos amigos sequer sabiam que Diogo lutava contra o câncer.
A recepção do Hospital Belo Horizonte se tornou uma sala de visitas que estava sempre lotada de amigos que vieram de todos os cantos do país. Minha filha Silvia chegou com a minha sobrinha Paula Maria, viajaram de carro de Rondonópolis a BH. Minhas irmãs Lenice e Maria do Pilar chegaram de Uberaba, a filha do Diogo, Joana, de 7 anos,  a mãe dela Themis, se juntaram a nós. A visita ao CTI foi liberada  e de terça a sábado foi feita uma vigília com orações, leitura de poemas pelos amigos e familiares. Sem contar os desenhos e as emocionantes cartinhas de Joana para o pai.
A 1 hora e 40 minutos do domingo dia 11 de novembro de 2018, Diogo faleceu.
Às três horas o amigo médium Ivani, enviou-me a seguinte mensagem pelo celular:
“- Estamos em atendimento ao Sílvio neste momento. Oração e fé. Ele está na espiritualidade”.
Ivani não havia sido informado do falecimento de Silvio Diogo. Para mim, que sou espírita, foi um alento, uma certeza de a vida não acaba com a morte. Ele não está morto. Mudou de casa.
Assim que amanheceu o dia ligamos para os amigos e familiares e comunicamos o falecimento de meu filho e anunciamos o velório de 10 minutos na Funerária de Belo Horizonte. O evento acabou  durando mais de uma hora. Amigos cantaram, declamaram poemas e fizeram orações para Diogo numa cerimônia linda e cheia de poesia, de dor e de amor.
Trouxemos o corpo para ser velado em Uberaba, Funerária LIV, centenas de amigos e parentes muito emocionados foram nos abraçar e falar sobre o amor pelo meu filho. Diogo era um ser humano doce e forte que tinha tempo marcado para viver entre nós.
Trouxe com ele sua doçura, sua bondade, sua sabedoria, sua beleza e sua luz esplêndida.
Diogo marcou com suas palavras, seu olhar, seus gestos cada pessoa que cruzou o seu caminho.
Diogo levou com ele o amor que semeou por aqui entre risos e lágrimas, poemas e canções, ternura e mansidão.

Diogo, meu filho, levo comigo a doce certeza de que há entre nós apenas um fino véu que cobre a nossa visão, você vive em minha mente e em meu coração.


quinta-feira, 7 de março de 2019

Preces A Luz e Energia da Paz - A Luz do Espiritismo





Pai nosso que estás no céu,

e em toda parte estás manifesto,

meu coração canta a alegria

de sentir-Te aqui juntinho de mim.

Gratidão.

♫ MULHER ♫ - ♫ ERASMO CARLOS ♫







Não receberei o abraço afetuoso e poético de meu filho neste dia.


Mas, abraço aqui minha filha Silvia Lour, Silvinha, e envolvo neste abraço todas as mulheres da minha família, todas as minhas amigas, todas as mulheres que fizeram parte da minha vida profissional, todas as mães, todas as mulheres do mundo.
Há muito por conquistar e com nossa sensibilidade, doçura e força, vamos vencendo dia-a-dia.




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/bombeiros-evacuam-cerca-de-200-pessoas-que-moram-perto-de-barragem-em-nova-lima,3a8a2c495e0279bbd83476726c2be179kh5vbu6c.html

Desocupação Macacos- MG

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/bombeiros-evacuam-cerca-de-200-pessoas-que-moram-perto-de-barragem-em-nova-lima,3a8a2c495e0279bbd83476726c2be179kh5vbu6c.html

  Fala da mãe (sobre a filha) O relacionamento com minha filha, em criança, foi de muitos momentos mágicos. E, por vezes, engraçados. Silv...