domingo, 10 de março de 2019

Silvio Diogo Lourenço dos Santos- 4 meses sem meu filho-



Silvio Diogo Lourenço dos Santos

 Diogo.

Nascimento: 16/12/1982

Falecimento: 11/11/ 2018 





Somente os amigos que se comunicavam com Diogo assiduamente sabiam da doença, do tratamento e da energia sublime que fluía em seus olhos e em suas palavras, dando a cada um de nós a certeza de que a morte não o alcançaria. Afinal um ser humano como ele é eterno.



Silvio Diogo havia passado a virada do ano comigo em Brasília. Há anos isso não acontecia porque nós dois sempre estávamos no trabalho na última semana do ano, pois optávamos por passar o natal em família aqui em Uberaba.
Ele estava tão bem. Saudável. Feliz e cheio de planos para aquele ano de 2016.
Em março recebi um telefonema dele na manhã de uma terça-feira e ele se queixava de uma dor na perna.
Dor a que ele atribuía ao exaustivo evento que ele coordenava, e que havia se encerrado no sábado anterior. Era a “Semana ENVOLVER”, projeto da UFVJM (Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri) em Diamantina.
Disse que havia procurado a fisioterapeuta e ela o aconselhou a procurar o ortopedista, porque a dor não era muscular.
Ele disse que já havia feito uma tomografia e o médico  o encaminhara para um oncologista ortopédico em Belo Horizonte.
Como era de costume, ele se mostrava sereno e disposto a enfrentar o que viesse.
Pediu-me que não comentasse com ninguém até que saísse os resultados finais dos exames.
Fiquei apreensiva, coração apertado e iniciei um diálogo interminável com Deus suplicando saúde para meu filho.
Ia todos os dias à FEB (Federação Espírita Brasileira, que ficava há alguns quarteirões da UnB. Lá eu podia desabafar, falar da minha dor e receber o acolhimento dos amigos.
No início do mês de maio, Silvio Diogo já receberia o resultado da biópsia e eu viajei para Belo Horizonte para ir com ele ao médico.
O diagnóstico indicava um tumor cancerígeno na bacia.
O ortopedista o encaminhou para Dra. Ana Alice, médica oncologista que prescreveu 35 sessões de radioterapia.
Hospedamos-nos em um Hostel no Bairro Santa Teresa e eu o acompanhei durante todo o tratamento.
Sempre sorrindo, brincando com os médicos e enfermeiros, cativava a todos.
No mês de outubro foi liberado para retornar ao trabalho na UFVJM. Estava feliz e bem disposto. Retornei ao trabalho, em Brasília.
No final de 2016 fui para Rondonópolis acompanhar minha filha, Sílvia Beatriz, que se submeteu a uma pequena cirurgia.
Silvio Diogo passou o natal com a filha, Joana, em Belo Horizonte e a passagem de ano em São Paulo, com amigos.
Falava sempre com ele, e o visitara muitas vezes em Diamantina.
Era final de março, certa tarde, ele me ligou sentindo muita dor. Combinamos de nos encontrar na manhã seguinte em Belo Horizonte. Diogo estava no Rio de Janeiro celebrando o aniversário de seis anos da filha Joana, naquele 28 de março.

Nos encontramos, em Belo Horizonte, na manhã seguinte e nos hospedamos no Hostel em Santa Teresa. A consulta foi marcada para o dia 30 de março.
Dra. Ana Alice solicitou novos exames e foi então diagnosticado Mieloma Múltiplo, um câncer agressivo na medula.
Dia 03 de abril eu o levei ao hospital com dores horríveis nas pernas e ali antes de internar, ele perdeu os movimentos da cintura para baixo.
Ele foi operado, dia 05/04, para fazer uma descompressão medular. A cirurgia devolveu-lhe parte dos movimentos, mas as pernas continuavam inertes e sem sensibilidade. Nessa mesma cirurgia deveria ter sido feita a artrodese, colocação de pinos de titânio para firmar os ossos da coluna, contudo, houve início de hemorragia e o procedimento foi adiado.

Na semana seguinte, 12/04, foi realizada a segunda cirurgia. Foram 47 dias de internação. Meses de fisioterapia. Oito meses de cadeira de rodas. Depois o andador, a bengala e, finalmente, caminhando com desenvoltura.
A cirurgia abriu uma ferida profunda na cicatriz. Ferida que não chegou a fechar totalmente, o que restringia a vida social de Diogo.
Durante o tratamento Silvio Diogo fez a tradução do livro de Maria Zambrano, Clareiras Del Bosque, que foi encaminhado às editoras para publicação, mas ainda não foi publicado.
Concluiu o terceiro livro de poemas intitulado “Cambalhota” que foi publicado pela Arte Desemboque Casa Editorial. Foram feitos lançamentos em Diamantina e em Belo Horizonte.
Semanalmente, fazia a leitura de poemas de autores consagrados ou amigos e publicava no seu Blog Desenhares, sempre aos domingos.
Silvio Diogo tem uma coleção de vinis que sempre foi o xodó e que ele ouvia diariamente e se deleitava com as letras e as melodias. A arte primorosa das capas era encantamento à parte.
Somente os amigos que se comunicavam com Diogo assiduamente sabiam da doença, do tratamento e da energia sublime que fluía em seus olhos e em suas palavras, dando a cada um de nós a certeza de que a morte não o alcançaria. Afinal um ser humano como ele é eterno.
A partir de fevereiro de 2018, Diogo iniciou preparação para prestar exame de seleção para o mestrado da UFMG. Adquiriu toda a bibliografia, estudou, fez a inscrição.
No dia 22 de outubro sentiu um mal estar e o levei ao hospital, estava com anemia. Foi internado. Pediu-me que não comunicasse o fato com ninguém.
-” Daqui a dois dias estarei em casa, não vamos alarmar as pessoas.”
Um exame de ultrassonografia acusou dois enormes tumores no fígado e orientado pela médica, estava à espera de uma biópsia.
Diogo hospitalizado levantava cedo, tomava o banho, se arrumava, sentava-se na poltrona e lia em voz alta (seu jeito de estudar) os livros que o preparavam para a prova de mestrado que seria realizada no dia 30 de outubro.
Dormia bem, se alimentava bem, sorria, brincava.
Embora soubesse da gravidade de seu quadro clínico, solicitou à médica que o liberasse para fazer os exames para o mestrado. Ficou extremamente abatido com a recusa dela.

Diogo pensava somente na vida, e queria seguir seus projetos.

Às vésperas do dia 02 de novembro, iniciou com todos os funcionários do hospital, um mirabolante plano de fuga para não passar no hospital, o feriado. Eram risos e brincadeiras que anunciavam vida, amor e brilho do além tempo.
Naquela segunda-feira, 04/11, Diogo acordou abatido e com a saturação muito baixa. Sílvio, o pai, chegou por volta de 11 horas trazendo o notebook para que ele pudesse pagar as contas e transferir a pensão de Joana. Ele fez essas tarefas e fez algumas postagens no facebook  e dialogou com amigos no whatsap.

Naquele noite não dormimos. Ele sentava-se na cama conversava comigo. Por volta de três horas, daquele dia 05/11, a enfermeira colocou o oxigênio. O médico veio e depois de examiná-lo chamou-me e perguntou se eu sabia da gravidade do quadro de saúde de Diogo. Respondi afirmativamente, em lágrimas e ele disse que estava levando-o para o CTI para entubá-lo e amenizar o sofrimento dele e que ele não regressaria. 
Liguei para Alcione e Ronaldo, meus amigos espíritas que iam semanalmente em nossa casa para o evangelho no lar, para que viessem fazer uma prece pelo meu filho antes que o levassem.
O enfermeiro chegou uns 30 minutos depois e pedi que ele esperasse a chegada de meus amigos que estavam a caminho.
Diogo olhou-me e disse:
 “–Deixa eu  ir, mãe!  Eu preciso ir”. Olhei-o com um sorriso e disse: vai meu filho. Deus o abençoe.
Acompanhei-o sorridente até o elevador. Assim que as portas do elevador se fecharam desabei num choro silencioso e compulsivo. Meus amigos me encontraram assim, me abraçaram e choraram comigo.
Comuniquei com os amigos e familiares que se assustaram pois a maioria dos amigos sequer sabiam que Diogo lutava contra o câncer.
A recepção do Hospital Belo Horizonte se tornou uma sala de visitas que estava sempre lotada de amigos que vieram de todos os cantos do país. Minha filha Silvia chegou com a minha sobrinha Paula Maria, viajaram de carro de Rondonópolis a BH. Minhas irmãs Lenice e Maria do Pilar chegaram de Uberaba, a filha do Diogo, Joana, de 7 anos,  a mãe dela Themis, se juntaram a nós. A visita ao CTI foi liberada  e de terça a sábado foi feita uma vigília com orações, leitura de poemas pelos amigos e familiares. Sem contar os desenhos e as emocionantes cartinhas de Joana para o pai.
A 1 hora e 40 minutos do domingo dia 11 de novembro de 2018, Diogo faleceu.
Às três horas o amigo médium Ivani, enviou-me a seguinte mensagem pelo celular:
“- Estamos em atendimento ao Sílvio neste momento. Oração e fé. Ele está na espiritualidade”.
Ivani não havia sido informado do falecimento de Silvio Diogo. Para mim, que sou espírita, foi um alento, uma certeza de a vida não acaba com a morte. Ele não está morto. Mudou de casa.
Assim que amanheceu o dia ligamos para os amigos e familiares e comunicamos o falecimento de meu filho e anunciamos o velório de 10 minutos na Funerária de Belo Horizonte. O evento acabou  durando mais de uma hora. Amigos cantaram, declamaram poemas e fizeram orações para Diogo numa cerimônia linda e cheia de poesia, de dor e de amor.
Trouxemos o corpo para ser velado em Uberaba, Funerária LIV, centenas de amigos e parentes muito emocionados foram nos abraçar e falar sobre o amor pelo meu filho. Diogo era um ser humano doce e forte que tinha tempo marcado para viver entre nós.
Trouxe com ele sua doçura, sua bondade, sua sabedoria, sua beleza e sua luz esplêndida.
Diogo marcou com suas palavras, seu olhar, seus gestos cada pessoa que cruzou o seu caminho.
Diogo levou com ele o amor que semeou por aqui entre risos e lágrimas, poemas e canções, ternura e mansidão.

Diogo, meu filho, levo comigo a doce certeza de que há entre nós apenas um fino véu que cobre a nossa visão, você vive em minha mente e em meu coração.


quinta-feira, 7 de março de 2019

Preces A Luz e Energia da Paz - A Luz do Espiritismo





Pai nosso que estás no céu,

e em toda parte estás manifesto,

meu coração canta a alegria

de sentir-Te aqui juntinho de mim.

Gratidão.

♫ MULHER ♫ - ♫ ERASMO CARLOS ♫







Não receberei o abraço afetuoso e poético de meu filho neste dia.


Mas, abraço aqui minha filha Silvia Lour, Silvinha, e envolvo neste abraço todas as mulheres da minha família, todas as minhas amigas, todas as mulheres que fizeram parte da minha vida profissional, todas as mães, todas as mulheres do mundo.
Há muito por conquistar e com nossa sensibilidade, doçura e força, vamos vencendo dia-a-dia.




  Fala da mãe (sobre a filha) O relacionamento com minha filha, em criança, foi de muitos momentos mágicos. E, por vezes, engraçados. Silv...