terça-feira, 26 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
domingo, 24 de março de 2013
Formação humana
Pensemos com carinho e passemos a agir priorizando o ser humano que estamos formando em nosso lar.
Rosa Maria Olímpio
70 autores nacionais que vão participar da feira de Frankfurt
O Brasil é o país homenageado no evento deste ano,
que acontece entre 9 e 13 de outubro e é considerado o maior do mercado
editorial
A seleção foi feita por meio de uma
curadoria compartilhada entre o crítico literário Manuel da Costa Pinto,
Antonio Martinelli, representando o Sesc, e Antonieta Cunha, diretora de Livro,
Leitura e Literatura da Fundação Biblioteca Nacional.
Segundo eles, os critérios escolhidos
para a formação da lista foram a diversidade e a pluralidade, o equilíbrio
entre escritores consagrados e a nova geração, a variedade de gêneros (prosa,
poesia, ensaio, biografia e crítica literária, literatura infantojuvenil e
obras técnicas e científicas) e a qualidade estética. Além disso,
privilegiou-se o convite a autores publicados ou em vias de publicação na
Alemanha e em outros idiomas estrangeiros, bem como os principais premiados de
literatura do Brasil, de 1994 até hoje.
"Toda curadoria pressupõe
estabelecer um recorte, que pode ser temático e estético, mas que acima de tudo
apresenta um panorama, uma amostragem da produção literária e dos saberes em
torno do livro e da literatura no Brasil", afirma Martinelli, em material
de divulgação enviado para a imprensa.
Além dos autores, o Brasil contará
com uma intensa programação cultural, que ocupará importantes espaços culturais
de Frankfurt, de agosto a outubro. Outros escritores foram convidados, mas não
puderam acertar como Lygia Fagundes Telles, que justificou ainda estar em
recuperação de uma fratura na bacia. "Mesmo assim, temos representantes da
cultura indígena, afro, europeia, bem como temáticas de imigração e migração,
além de representantes da literatura marginal e de diferentes estratos sociais
e estéticas que marcam a obra plural desses autores", explica Galeno
Amorim, presidente do Comitê Organizador.
De fato, a composição da lista mostra
que há 33 autores de prosa, 11 de infantojuvenil, 8 de poesia, outros 8 de
conhecimentos que incluem saberes e biografias, 6 dedicados à crítica e 4
representantes de quadrinhos e graphic novel. Segundo Manuel da Costa Pinto, a
formação atende às necessidades pedidas pela organização da feira para o país
homenageado. Assim, é possível não apenas apresentar um instantâneo de sua
variedade literária, estética e ensaística, mas também reunir escritores que
sintetizam suas transições culturais mais recentes, segundo o crítico
literário.
"Muitos autores presentes na
Feira de Frankfurt foram testemunhas e intérpretes desse processo e todos
representam uma dinâmica que é expressa nos aspectos mais incandescentes,
híbridos, da sociedade contemporânea como um todo - tal como será materializado
nos encontros de escritores e no Pavilhão Brasil", completa Costa Pinto.
Para a abertura oficial da feira, no
dia 9 de outubro, é esperada a presença da presidente Dilma Rousseff. O
pavilhão do país homenageado será criado pelos cenógrafos e diretores Daniela
Thomas e Felipe Tassara.
A presença brasileira na Alemanha, na
verdade, já começou nesta quinta, com a abertura da Feira do Livro de Leipzig,
com a participação de diversos autores nacionais na programação que se estende
até segunda-feira. Lá estão nomes como Tatiana Salem Levy, João Almino, Ronaldo
Correia de Brito, Carola Saavedra e Ronaldo Wrobel, entre outros. Todos
participam de debates ao lado de tradutores e escritores alemães.
Em junho, será divulgada toda a
programação cultural brasileira na Alemanha e, entre agosto e outubro, cerca de
15 espaços culturais em Frankfurt (como museus, teatros, galerias e cinemas)
oferecerão com destaque a programação nacional.
OS 70 ESCOLHIDOS
·
Adélia Prado
·
Adriana Lisboa
·
Affonso Romano de u Sant'Anna Age de
Carvalho
·
Alice Ruiz
·
Ana Maria Machado
·
Ana Miranda
·
André Sant’Anna
·
Andrea del Fuego
·
Angela Lago
·
Antonio Carlos Viana
·
Beatriz Bracher
·
Bernardo Ajzenberg
·
Bernardo Carvalho
·
Carlos Heitor Cony
·
Carola Saavedra
·
Chacal
·
Cíntia Moscovich
·
Cristovão Tezza
·
Daniel Galera
·
Daniel Munduruku
·
Eva Furnari
·
Fábio Moon
·
Fernando Gonsales
·
Fernando Morais
·
Fernando Vilela
·
Ferréz
·
Flora Süssekind
·
Francisco Alvim
·
Gabriel Bá
·
Ignácio de Loyola Brandão
·
João Almino
·
João Gilberto Noll
·
João Ubaldo Ribeiro
·
Joca Reiners Terron
·
José Miguel Wisnik
·
José Murilo de Carvalho
·
Lelis
·
Lilia Moritz Schwarcz
·
Lourenço Mutarelli
·
Luiz Costa Lima
·
Luiz Ruffato
·
Manuela Carneiro da Cunha
·
Marçal Aquino
·
Marcelino Freire
·
Maria Esther Maciel
·
Maria Rita Kehl
·
Marina Colasanti
·
Mary del Priori
·
Mauricio de Sousa
·
Michel Laub
·
Miguel Nicolelis
·
Nélida Piñon
·
Nicolas Behr
·
Nuno Ramos
·
Patricia Melo
·
Paulo Coelho
·
Paulo Henriques Britto
·
Paulo Lins
·
Pedro Bandeira
·
Roger Mello
·
Ronaldo Correia de Brito
·
Ruth Rocha
·
Ruy Castro
·
Sérgio Sant’Anna
·
Silviano Santiago
·
Teixeira Coelho
·
Veronica Stigger
·
Walnice Nogueira Galvão
·
Ziraldo
quinta-feira, 21 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
ENEM e regras ortográficas.
Como têm surgido muitas e diferentes versões sobre o que se tem feito no
ENEM, aqui vai a minha análise:
Regras ortográficas estão longe de ser a totalidade de uma língua, o processo
de aquisição dessas regras é longo, árduo e não se esgota nos limites do Ensino
Médio. A ortografia está longe de representar um cenário claro sobre a relação
entre fonemas e letras. Alguém que se encontra no Ensino Médio ainda apresenta
muitas dúvidas acerca disso. Exemplo claro é estarmos em meio a um processo
lento de implementação de um acordo ortográfico que suscitou diversas
discussões e sobre as quais muitos estudiosos ainda divergem. Uma correção de
provas da natureza do ENEM leva em conta muito mais do que apenas o uso de s ou
z, leva em conta a capacidade de expressão em língua verbal, a apreensão de
informações sobre determinado assunto posto em pauta. O número de redações que
atingiu notas acima de 9,0 é extremamente baixo, refere-se a uma minoria em
universo de 6 milhões, sequer chega aos 2%. A grade de correção da prova é
pautada em competências e habilidades em cinco dimensões, sendo apenas uma
delas referente à estrutura gramatical e às regras ortográficas, uma vez que
ainda precisamos lançar olhos sobre a tipologia, o domínio do tema, a presença
de proposta de solução, a coesão, a coerência, a argumentação e muito mais. Em
nenhum momento, levantou-se bandeira alguma contra a gramática prescritiva, o
que se busca trilhar e sempre com base em diversos estudos acadêmicos sobre a
língua portuguesa, é o caminho para um sistema avaliativo macro, isonômico, e
de qualidade. Ao apontar um ou outro erro de ortografia em um texto, ele deve
ser sim identificado, e deve figurar igualmente dentro de todos os outros
parâmetros de correção, assim como propõe a grade de correção adotada no ENEM.
Um texto de nota máxima nesse exame não está totalmente livre de algumas falhas, mas a análise reducionista para somente esse tipo de falha mostra-se um caminho contrário para a reestruturação do cenário da educação brasileira. Devemos, antes de tudo, envidar esforços para que um processo seletivo com as proporções do ENEM seja consolidado como meio de se encarar o texto não mais como colcha de retalhos, e sim como unidade de sentido, um espaço no qual o autor se posicione sobre assuntos pertinentes à vida em sociedade, sempre de forma crítica e reflexiva. Essa é a educação que queremos.
Um texto de nota máxima nesse exame não está totalmente livre de algumas falhas, mas a análise reducionista para somente esse tipo de falha mostra-se um caminho contrário para a reestruturação do cenário da educação brasileira. Devemos, antes de tudo, envidar esforços para que um processo seletivo com as proporções do ENEM seja consolidado como meio de se encarar o texto não mais como colcha de retalhos, e sim como unidade de sentido, um espaço no qual o autor se posicione sobre assuntos pertinentes à vida em sociedade, sempre de forma crítica e reflexiva. Essa é a educação que queremos.
Janaína de Aquino Ferraz (Professora/Doutora/UnB)
ENEM: "erros" de grafia.
Regras de
grafia são complexas e, muitas vezes, complicadas - por causa da nada
intrínseca relação som-letra (vide a loucura que é para aprovarem um Novo
Acordo Ortográfico para a língua portuguesa e as dúvidas que cercam muitos de
nós quando estamos escrevendo e podemos consultar um dicionário e/ou
gramática).
Quem conhece a história da língua portuguesa sabe que, em muitos períodos, duas ou até três grafias de uma mesma palavra conviveram (até em documentos oficiais - diga-se de passagem).
Muitos de nossos estudantes estão no nível do alfabetismo básico por não saberem ler e escrever um texto, entendendo a leitura e a escrita aqui como algo muito mais amplo e significativo do que a simples grafia das palavras! A leitura e a escrita demandam muito mais do que a decodificação - são experiências, grosso modo, de construção, interpretação e reconstrução de sentidos.
Isto que deve ser, mais ampla e profundamente, valorizado pela escola e pela sociedade: sujeitos que entendam o que escreveram e que leram, que possam reconstruir sentido para o que leram, a fim de que sejam plenamente cidadãos, apoderem-se realmente de seus direitos e sejam agentes das transformações sociais.
A Educação tem esse poder. A Educação pode ser mais profunda do que ela vem sendo há anos. Ela pode ser integral e real. Não uma máscara travestida de regras que não servirão para a vida prática de nenhum de nós.
Saber escrever dentro das normas gráficas de uma língua é importante? SIM! Saber escrever é importante? SIM! Não se trata de desvalorizar o aprendizado da escrita da língua, mas de valorizar outros aspectos realmente mais importantes para que um texto seja um texto.
Caroline Cardoso.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Palavras do ator Wagner Moura sobre o Pânico na TV.
“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.
” O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”
O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.
” Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência ”
Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.
No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?”
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