Amigos rebatem texto de Roberto Vieira e esclarecem como Mário Quintana foi ajudado por Falcão.
O texto de Roberto Vieira havia sido publicado em 2012.
Compartilhado nas redes sociais em 2020, o texto causou polêmica e foi rebatido por parentes e amigos do poeta.
Um conto a respeito de Mario Quintana, que narra como o poeta teria sido retirado da sarjeta pelo jogador de futebol Paulo Roberto Falcão na década de 1980, viralizou nas redes sociais na semana passada. O texto do médico e escritor pernambucano Roberto Vieira conta que Quintana estaria “desempregado, sem dinheiro e que teria sido expulso do Hotel Majestic”.
A situação relatada comoveu internautas e chegou a amigos próximos de Quintana. Em publicação em seu perfil oficial, o músico Henrique Mann destaca que a história contada é uma inverdade. O único fato é que o escritor foi convidado por Falcão para viver um período no Hotel Royal, de propriedade do ex-jogador, em dezembro de 1983.
Na ocasião, Quintana já havia deixado o Hotel Majestic, onde viveu por quase 12 anos, e estava morando no Hotel Presidente. Ele havia realizado uma cirurgia há pouco tempo. Em entrevista ao jornal Lance!, em maio, Falcão contou que ficou emocionado com o encontro e comovido com o procedimento médico pelo qual o poeta tinha passado.
— Diante de uma pessoa admirável como ele, você escuta mais do que fala, né?! E ele sempre humilde, fazendo piadas sobre a cirurgia. Mario é um poeta muito intuitivo, escreve com naturalidade sobre a vida — disse Falcão.
Conforme Mann, naquele período, Quintana era “apoiado e cuidado por pessoas maravilhosas, como a sua sobrinha-neta Elena, teve apoio da Sandra Ritzel, de Dulce Helfer, das empresas Samrig e Ipiranga, mas, fundamentalmente, de um homem de extremo valor chamado Enio Lindenbaum”.
Também amigo de Mario Quintana, o professor e ensaísta Armindo Trevisan aponta que o escritor era solitário, mas que “jamais era alguém de se humilhar”. A única preocupação, naquela fase, era que ele não ficasse sem companhia.
— Ele saiu de lá muito tranquilo e era muito independente, um senhor de si. É uma total falta de respeito e de conhecimento de quem ele era esse conto — afirma.
Trevisan ainda recorda que Quintana viveu somente por um ano no hotel de Falcão, pois o quarto era pequeno para seus pertences e a rua em que se localizava (Marechal Floriano Peixoto) era íngreme, o que complicava suas andanças.
As informações foram confirmadas por Milton Quintana, 64 anos, sobrinho-neto do poeta. Ele comenta que o escritor tinha muitos amigos e que chegou a frequentar casa de familiares em São Gabriel e Alegrete, mas era “um cara habituado a viver em hotéis”.
— Ele se sentia bem em hotéis. Mas, pelo texto, parece que ele era miserável, o que não é verdade, porque tinha duas aposentadorias e recebia dinheiro pelos livros. A Elena (Quintana) o ajudou a cuidar sempre das finanças, ele nunca ficou por aí exposto. Para mim, foi uma tentativa de “lacração” — explica Milton.
Em nota, a Casa de Cultura Mario Quintana detalha a história real vivida pelo poeta, recontada por Paula Quintana Biazu, sobrinha-bisneta dele, e duas amigas dele: Dulce Helfer e Sandra Ritzel. O texto, que pode ser conferido neste link, reforça que Quintana ficou hospedado por cerca de um ano no hotel de Falcão "pois, além de queixar-se do tamanho diminuto do quarto, o poeta se recuperara de uma fratura de fêmur e a localização do Hotel Royal, em uma ladeira, dificultava sua locomoção. Mario Quintana então mudou-se para o Porto Alegre Residence Hotel, na Rua Desembargador André da Rocha, onde residiu ao longo de sua última década de vida".
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