Eu e vocês
Há momentos de lembranças
tão felizes da relação que eu construí com vocês, meus filhos.
Não havia tanta
concorrência para a mídia. Tínhamos em casa somente uma televisão na sala da
pequena casa.
Raramente vocês assistiam
sozinhos à TV. Tudo a que assistíamos era comentado com sensatez, sempre
procurando tirar proveito do que víamos e ouvíamos para suscitar alguma
reflexão acerca da vida, das pessoas, dos lugares. E lógico, havia risos e
muita “zoação”.
À noite era momento de
contar histórias para dormir e das histórias sempre surgiam também assuntos
para o dia seguinte.
Deitava-me chão com vocês,
fazia-me de herói e de vilão e assim ia estreitando meus laços afetivos e
construindo a história da infância de vocês, misturada com a minha, de mãe.
Hoje, meus filhos, sinto
o tempo passar rápido e a cada dia aumenta a vontade de
estar mais perto de vocês. A geografia nos separou e tem sido muito difícil
conviver com a distância e a saudade.
Não quero que esta distância nos afaste dos laços que foram criados durante anos porque a família pode ser nosso porto seguro uma vez que é na família que encontramos o afeto sincero e o abraço a nos acolher e nos fortalecer nos momentos felizes e também na tristeza, na dúvida e na solidão.
Importante deixar claro que não criamos nós que aprisionam e impedem o crescimento individual de cada um. Criamos laços que se estreitam na exata medida do amor e do respeito.
Vocês, meus filhos, são
seres humanos do bem. Para o bem eu os criei com afeto e com bondade. Mas, sei
que onde menos errei foi quando os fiz sentir o valor da simplicidade e do
amor.




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