"Desperto sempre antes que raie o dia
E escrevo com o sono que perdi.
Depois, neste torpor em que a alma é fria
Aguardo a aurora, que já tantas vi.
E escrevo com o sono que perdi.
Depois, neste torpor em que a alma é fria
Aguardo a aurora, que já tantas vi.
Fito-a sem atenção, cinzento verdeQue se azula de galos a cantar.
Que mau é não dormir? A gente perde
O que a morte nos dá pra começar.
Que mau é não dormir? A gente perde
O que a morte nos dá pra começar.
Oh Primavera quietada, aurora,
Ensina ao meu torpor, em que a alma é fria,
O que é que na alma lívida e colora
Com o que vai acontecer no dia."
Ensina ao meu torpor, em que a alma é fria,
O que é que na alma lívida e colora
Com o que vai acontecer no dia."
(Fernando Pessoa, in "Desperto sempre antes que raie o dia".)

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