quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

AMOR ao Próximo.



 
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Público
Tenhamos sensibilidade, aprendamos a ouvir quem implora socorro sem dizer uma palavra.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

A EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL

 PRECISAMOS FALAR SOBRE A EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL


Ao longo do ano pretendo escrever muito (mesmo) sobre as teorias das aprendizagens. Por quê? Porque elas fazem (muita) falta na formação docente e, principalmente, no dia a dia das escolas de Educação Básica no Brasil. Quando afirmo isso, não estou exagerando: experimente conversar com um professor qualquer e pergunte ao profissional: afinal, qual é a sua em termos de teorias das aprendizagens? Ou melhor, quais teorias permeiam seus saberes e fazeres pedagógicos? Por absoluta falta de noção do que se está a falar, é possível que se escutem as seguintes "pérolas":
- eu não preciso de teorias das aprendizagens, pois o meu "negócio" é ensinar e o dos alunos é aprender (!);
- ah, eu me lembro de ter estudado os estágios de desenvolvimento de Piaget e algo sobre construtivismo, então eu acho que sou piagetiano/ construtivista;
- isso é papo de pedagoga e eu sou professor de _______________ (complete a lacuna), não tenho com que me preocupar...;
- teorias das aprendizagens? não, eu não tenho nenhuma, assim, que eu siga, só dou aula mesmo;
- ah, eu conheço e faço assim: um "mix" do que cada uma tem de melhor!
E por aí (não) vai!
Insistirei no tripé da Educação Básica, construído sobre três pilares: a ciência de referência/ o que ensinar (seja ela História, Arte, Geografia, Matemática etc.), as metodologias de ensino/ o como ensinar e, finalmente, as teorias das aprendizagens; como as gentes aprendem. Nas licenciaturas do Brasil zil zil por aí afora, a ciência de referência (popularmente chamada de "conteúdo/ matéria") é o carro-chefe da formação. Professores doutores, mestres, especialistas - todos pesquisadores que não aprenderam a lecionar em curso superior (por isso, dá-lhe seminário) - estão pouco ou nada preocupados com formas/ maneiras/ jeitos de aprender. Pensam que ensinar é falar por horas diante de uma plateia sonolenta, passar slides (antes eram as lâminas, no retroprojetor) e pedir uma carrada de trabalhos escritos que, se sabe, ninguém vai ler com atenção. Os ratinhos, ops, acadêmicos em formação - ávidos por notas 10, diplomas e outras distinções - aceitarão fazer parte do jogo de faz-de-conta. A conta sai muito cara para todos nós! O resultado, desastroso, é que chegam aos bancos universitários, em grandes quantidades, jovens que escrevem mal, interpretam (quando o fazem) textos, de maneira vergonhosa, exigindo de professores como eu um exercício infinito de paciência. Muitos, infelizmente, "viciados" nessa forma canhestra de (des)fazer educação, não querem aprender. Lembro-me bem de uma aluna do curso de História que me pedia: "me passa na sua disciplina, eu sei que não fui boa aluna, mas deixa a vida se encarregar de me reprovar...". Com ela e com tantos outros admito que fracassei retumbantemente! Não consegui fazer com que aprendessem o mais elementar, o necessário para que rompessem com o círculo vicioso instalado entre nós há séculos, desde as casas de be-a-bá ou escolas de ler e escrever dos tempos coloniais.








Por essa razão, insisto que o tripé seja restaurado e que se dê a atenção necessária às formas/ maneiras/ jeitos de aprender. Isso não significa fazer como um colega de trabalho, adepto das ideias de Vygostsky, que impunha aos alunos apenas uma forma de ver as coisas durante a sua formação profissional (isso acontece frequentemente, bastando você substituir Vygotsky por Marx, Foucault, Bourdieu ou qualquer outro desses teóricos que fazem tanto sucesso na "acadimia"). O Ensino Superior deve(ria) ser um espaço plural, onde uma miríade de teorias, ideias, noções, conceitos sejam apresentados, debatidos, para que escolhas possam ser feitas. Esse é o caminho da heteronomia para a autonomia e enquanto não o (re)fizermos, ainda escutaremos muito sobre "doutrinações" e "balbúrdias" nas universidades/ faculdades/ centros universitários...
Em tempo, qual é a minha em termos de teorias das aprendizagens? Ontem, dia 24, dei um exemplo de como a teoria de Célestin Freinet, a Pedagogia do Labor ou do Bom Senso, pode ser colocada em prática na sala de aula. Não quero servir de modelo/ exemplo para alguém, mas, sim, de fonte de inspiração. Antes de chegar a Freinet, adotei como principal teoria da Educação (mais do que teoria das aprendizagens, para mim) as ideias de Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997) e sua pedagogia crítica. Com Freire aprendi e tento (juro que tento) ensinar que a Educação liberta da opressão e não pode ou deve ser usada para oprimir, humilhar, rebaixar, situações ainda tão corriqueiras vistas/ sentidas nas escolas de nosso país, seja na Educação Básica e/ ou no Ensino Superior...

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Professor Dr. Renato Rezende-UnB

 8 min

 Brasília 






Hoje foi mais um dos dias da Universidade pública plural pela qual luto e na qual tanto acredito.
Na turma de Variação Linguística no Brasil, do curso de Letras - Português do Brasil como Segunda Língua (PBSL), tivemos a presença do indígena Paulo Tikuna, também estudante de PBSL da UnB, que falou sobre seu povo (área 26, no mapa, no extremo oeste do rio Solimões), sobre a língua tikuna e sobre sua aquisição do português como L2, e sobre o (tortuoso?) conceito de “português indígena”.
Paulo compartilhou, em português e em tikuna, suas experiências e vivências como indígena em Brasília e os desafios que enfrenta, como o racismo.
Obrigado, caro Paulo, pela aula tão rica como a de hoje! Em tempos de genocídio do povo Yanomami (área 31 no mapa) promovido pelo governo Bolsonaro, escutar uma visada de cosmovisão indígena nos mostra o quanto nós, país fundado na violência brutal da colonização, temos a aprender e a superar.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

CORRESPONDÊNCIA BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS

 Apresento aqui o livro “Correspondência” do escritor Bartolomeu Campos Queirós e da ilustradora Angela Lago. O exemplar que eu tenho foi publicado pelo Governo de Minas Gerais em 1986.

Então lá vai o texto na íntegra:
As palavras sabem muito mais longe.
Querido Mateus
Palavras que amamos tanto, há muitos anos, dormem em dicionário. Hoje tirei do sono três palavras para dar de presente a você: Livre, Terra e Irmão.
Quando escritas, lê-se poesia; se faladas, são melodia: somadas, fazem novo dia.
Com saudade, despede a
Ana
Maria, amiga minha
Recebi carta de Ana. Carta pequena, mas grande em amor. Veio de longe, com três palavras de presente. No silêncio entre as palavras, eu li seu coração muito livre. Ao me falar de nossa terra, me chamou de Irmão.
Acordei três outras palavras para enviar a você: Pátria, Trabalho e Justiça. Prometa-me não deixá-las dormir de novo.
Com saudade, despede o
Mateus
Amigo Marcos
Eu já lhe falei do meu carinho pelas palavras. Mateus me escreveu. Dentro do envelope estavam três palavras escolhidas. Disse-me que Pátria, Trabalho e Justiça não podem ficar esquecidas. Guardei, com cuidado, no coração o seu presente. Sinto vontade de gritá-las. Sei que a terra inteira vai gostar de ouvi-las.
Não vou acordar palavras para dar de presente a você. Peço sua ajuda para fazer dormir palavras que há muito andam acordadas: Fome, Opressão e Violência.
Todo o carinho da
Maria
Marta, amiga querida
Quando o dia amanhece, vejo o sol entrar por debaixo da porta. Hoje, junto com sua luz chegou uma carta. Trouxe notícias de Maria, que me pedia um favor: ajudar a fazer dormir palavras que há muito nos machucam. Ao levar as palavras para o sono, descobri outras que estavam acordando.
Abri as páginas do dicionário. Elas voaram céu adentro: Paz, Esperança e Respeito. Penso que muito em breve nós vamos ler estas palavras no rosto de cada um.
Com a amizade de sempre.
Marcos
Caro Lucas
A chuva, nesta amanhã, lavou os campos. Ao abrir a janela, vi uma fita colorida abraçando o mundo. Tomei do arco-íris três cores para você: Verde, Amarelo e Azul.
Não sei se o carteiro vai descobrir meu presente. Estou lhe enviando o Brasil. Abra a carta e deixe a liberdade voar sobre nós.
Sua amiga
Marta
Sara, amada
Como são fortes as palavras! Elas dizem coisas que só o coração escuta. Se escritas sobre papel claro, ficam mais iluminadas e eternas. Sei que as palavras podem abrir novo caminho.
Procurei dentro de mim alguma palavra dormindo. Só encontrei uma: Igualdade. Ela nos permite viver as diferenças.
Até muito em breve,
Lucas
Meu caro João
Um dia todos nós vamos receber uma carta. Ela chegará como um sonho, nos acordando para nossos Direitos e Deveres. Todas as palavras serão conhecidas. Será uma carta clara como os nossos desejos. Passaremos a morar em um país correspondido.
Mando ainda três palavras para nossa correspondência: Eleitor, Expressão e Escola.
Sua amiga,
Sara
Caríssima Ana
No princípio você deu palavras de presente a Mateus. Ele acordou outras e multiplicou as cartas. Agora muitas palavras moram acordadas em nosso sonho.
É tempo de escolher quem saiba somar nossas palavras em uma grande carta, Carta Maior (1), feita de pequenas cartas.
Que esses nossos representantes sejam Justos, Próximos e Verdadeiros. E que sejamos atentos, para não ficar uma só palavra esquecida.
Assim, as palavras vão sair do nosso sonho para viver entre nós – sempre.
Com muito amor,
João
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos. Correspondência. Belo Horizonte: Governo de Minas Gerais, 1986.
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domingo, 22 de janeiro de 2023

Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte

 2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles