domingo, 28 de junho de 2015

Toda forma de amor vale a pena!







Artigo XI    
Fica decretado, por definição, 
que o homem é um animal que ama  
e que por isso é belo, 
muito mais belo que a estrela da manhã. 


Thiago de Mello
Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony



Toda forma de amor vale a pena!
Concordo.
Amor pelo homem da minha vida,amor pelo filho,amor pela arte, amor pela vida, amor pelo cão, amor pelo amor.

Os “dias de” foram criados para expressarmos o amor.
Dia dos pais. Dia das mães. Dia dos namorados. Dia das
crianças (dia dos filhos)-Dia das avós.Dia do índio.Dia do negro.
Hoje é Dia do orgulho LGBT.

Cadê o dia do caipira. Cadê o dia do branco.Dia da loira.Cadê o Dia do Magro. Cadê o Dia do gordo. Dia do muito alto.Dia do baixinho. Dia do careca.

A partir de hoje inauguro o Dia do homem sábio.

E ao criar esta data, eu a dedico a todas as pessoas que amam a todos- sem distinção de cor- raça- idade-opção sexual-magreza –estatura- opção religiosa-profissão...

A maturidade cultural e a evolução humana necessitam urgentemente trabalhar a igualdade das pessoas sem levantar bandeiras coloridas- ou não. Não sou a favor do casamento gay. Não sou contra o casamento gay. E não estou em cima do muro. Sou a favor da liberdade. Thiago de Mello- em seu poema dedicado a Carlos Heitor Cony- escreveu: "Fica proibido o uso da palavra liberdade,a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas.A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou como um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem."

Sou a favor de que cada um seja o que deseja ser.Segregar os seres humanos pela cor da pele, pela raça... Para mim é retroceder séculos e partir da premissa de que devemos lutar para ter o direito de ser quem somos. Enquanto se erguem bandeiras para defender o amor, o ódio vai sendo tecido na alma e na mente humana.Drummond, já o disse, como somente ele sabe dizê-lo: "Porque o amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo..."

Respeito e amor não se conquista por decretos. Se há amor há respeito.E o amor não precisa de defesa. O amor deve ser a razão em si mesmo.
O amor necessita ser vivido, vivenciado compartilhado.
Quando isso de fato ocorrer, cada um de nós há de sentir o orgulho de ser o que é




Rosa Maria Olimpio

27 de junho de 2015.




Dércio Marques - Segredos Vegetais (1988)



Som Divino!!!



No meu jardim as flores falam
e sabem ler, sabem entender
a dor que calam.
Quem cala não consente
as flores sabem mais
da dor que a gente sente...
adornos vegetais.
Um girassol, um girassol mudou de rua
virou de costas para o sol
namora a lua



Brasília - bela e acolhedora Brasília!

Brasília no começo da noite! Emoticon heart
Foto: Tony Winston/Agência Brasília


Dedico a você minha Brasília


Este poema com amor

Pois já estive em muitas cidades


Mais nunca vi nada igual


As luzes que dão vida ,a vida


Dessa mais linda capital


Do centro de um planalto vazio


De onde o concreto já rachou


No traço do arquiteto


Que Caetano cantou


Cidade que Osvaldo amou


Que plebe rude retratou


Que lançou paralamas


E natiruts estourou


Cidade dos grandes poetas


Cassia Eller e dos Renatos


Renato Russo,Renato Rocha


E do eterno Renato Matos


Todos dizem que estão na França


A cidade que seduz


Mais estão mesmo em Brasília


A mais linda cidade luz


É com brilho no olhar


Que eu fico por aqui


Brasília minha cidade


Um dia eu volto pra ti...



Dalmo Sergio.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Orquestra Filarmônica de Brasília

A Orquestra Filarmônica de Brasília foi criada em 1985 por jovens músicos denominando-se inicialmente Orquestra Jovem de Brasília. Teve o maestro Claudio Santoro como primeiro regente e patrono. Vem se apresentando com convidados especiais como Bibi Ferreira. Oferece ao público repertório com composições eruditas e populares com o objetivo de agradar todas as faixas etárias e camadas sociais.

Delicadeza


Uma pessoa que vive a delicadeza passa pela vida do outro, toca-o com leveza e marca-o, na alma.


Havia uma  menina  que sempre saia com seu avô pela rua. Ele era uma figura agradável e prestativa,e não economizava sorrisos ou negava favores. A menina jamais o vira  reclamando de alguém.Brincava com as meninas da padaria, dava gorjeta, ajudava aos irmãos, aos filhos e mimava os netos. Quando trabalhava, fazia-o assoviando. Era amado e querido por todos.O que o mantinha nesse estado de equilíbrio com o ambiente? Esse avô era gentil consigo e com a vida e, sem nenhuma teoria, falava de delicadeza com  aquela menina.

Affonso Romano de Santa´Anna em sua crônica-Tempo de Delicadeza-que dá título ao livro dele-publicado em 2011-escreve: "A delicadeza não é só uma categoria ética.Alguém devia lançar um manifesto apregoando que a delicadeza é uma categoria estética."



Como é bonita a delicadeza.



Todos passamos por situações complicadas. Somos ludibriados, destratados e, muitas vezes, até mal amados. Sofremos com a falta de dinheiro, temos preocupações com a nossa saúde, com a saúde dos filhos, dos nossos pais, do nosso cachorro. Entretanto, o que difere o ser gentil é que ele não coloca seus problemas no centro do mundo e nem acha que todos têm que parar com suas vidas porque ele não está bem. O verdadeiro entendedor da delicadeza sabe ser gentil com o outro, percebe que somos interligados por algo maior que nossos próprios interesses, que as relações humanas são pétalas de uma mesma flor.

Ainda hoje, embora tenham se tornado espécimes raros, diz a lenda que, quando vistos, são facilmente reconhecíveis. São aqueles que nos olham verdadeiramente nos olhos, que, quando íntimos, nos dão abraços apertados, que cumprem suas promessas e que não pensam antes de se levantar e oferecer seu lugar no banco.

Uma pessoa educada, é naturalmente gentil e trata a todos com delicadeza.Valoriza o outro como pessoa. Sabe que respeito é afeto, que delicadeza é cuidado e que toda gentileza é uma declaração de amor.


Rosa Maria Olímpio


Brasília, 26 de junho de 2015




quinta-feira, 25 de junho de 2015

Cultura e relações humanas





Cultura é o conjunto de práticas de  comportamento compartilhado por um grupo.Compreendemos o elemento histórico que explica  as práticas selecionadas e perpetuadas pelo grupo como a forma certa de agir e de pensar, porque tiveram ou ainda têm sucesso, uma vez que ajudaram o grupo a enfrentar seus problemas.
Por trás desse desafio está um importante princípio do comportamento humano: somos muito influenciados pelos nossos problemas e pela aceitação que o outro tem a respeito de nós.E repetimos essa atitude em relação ao outro. Aceitar o outro desde que ele esteja em acordo com o que nós convencionamos como certo. A cultura explica nossa dificuldade de interagir com o "diferente".É importante e necessário aprender com o outro.Aceitar a diferença como aprendizagem e como crescimento emocional e intelectual é um jeito sábio de melhorar as relações humanas.

Em sua obra-O Povo brasileiro-Darcy Ribeiro constroi por meio de longas pesquisas, muito estudo e dedicação à escrita, o retrato falado de um Brasil de ontem e de hoje."Composta por uma constelação de áreas culturais, a configuração histórico-cultural brasileira conforma uma cultura nacional com alto grau de homogeneidade.Em cada uma delas,com milhões de brasileiros,através de gerações,nascem e vivem toda a sua vida encontrando soluções para seus problemas vitais, motivações e explicações que se lhe afiguram como o modo natural e necessário de exprimir sua humanidade e sua brasilidade."(1996-pág.254)  

Mas como criar uma cultura humana e humanizadora das interações afetivas e sociais?Tenho lido inúmeras sugestões, concordo com algumas e refuto tantas outras e,  na minha percepção,  erramos ao tentar encontrar modelos a serem seguidos - como se um padrão de práticas pudesse ser deslocado de seu contexto de origem e replicado em outro. Percebo que o caminho é conhecer nossa cultura  e buscar práticas que estejam em sintonia com nossa essência. Nesse sentido nós  deveríamos tentar responder a seguinte pergunta: como a educação pode favorecer o amadurecimento emocional e ajudar a tecer relações saudáveis de cordialidade e de respeito mútuo? O primeiro passo deve ser o conhecimento das crenças e dos valores que pertencem ao outro.É difícil respeitar o que nos é desconhecido.Isso pode desenvolver novas práticas ou tentar mitigar algumas outras. Mas é importante focar nos elementos fundamentais dos quais somos tecidos,sem ferir o direito do outro de tecer sua própria vida por meio de suas escolhas. 

Chico Buarque escreveu:"As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem." A cultura deve favorecer nosso desejo de mudar a forma como vemos, como pensamos, como sentimos  e como  agimos em relação ao outro. E, principalmente, não desejar fazer o inverso-desejar mudar o outro para que ele se adeque às nossas crenças e aos nossos valores.  Esse ainda é um desafio em aberto.A cultura envolve a análise de práticas que favorecem, ou não, a interatividade com outro  e nos incentiva a rever e a reconstruir nossos pensamentos, nossas falas e nossas atitudes.

A educação é a principal ferramenta de mudança da cultura, porque cultura é comportamento, e para desenvolver comportamentos nada melhor que a educação - ela não fere o grupo, ao contrário, ela o desenvolve. Porém, a educação nesse contexto deve ir muito além do que a educação tem tradicionalmente ido, em sala de aula. Sabemos, e os grandes educadores e filósofos  nos ensinaram que quem leva a inovação adiante é a educação.  Os processos educativos de mudança de comportamento devem considerar que admiramos pessoas que pensam por si, e que são capazes de tomar decisões, de transpor barreiras e riscos, de gerar ideias, enfim, que sejam ativas tanto no processo de educação quanto no processo de formação humana.

Desse modo,a educação toma para si as premissas de colaboração e participação fazendo com que a aprendizagem seja um processo que emerge de vivências, discussões e de teoria aplicada ao cotidiano.Essa educação é que tece práticas culturais em benefício da interação afetiva e da sociabilidade necessária e urgente para as relações humanas.A escola tem o poder e a legitimidade para selecionar os saberes que serão passados às crianças e aos adolescentes e pode dar voz ou não a determinados personagens, histórias locais e patrimônios culturais e transmitir ou não diferentes modos de saber e de fazer instalados na sociedade como um todo.



Rosa Maria Olimpio

Brasília,25 de junho de 2015


Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte

 2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles