Por
trás desse desafio está um importante princípio do comportamento humano:
somos muito influenciados pelos nossos problemas e pela aceitação que o outro tem a respeito de nós.E repetimos essa atitude em relação ao outro. Aceitar o outro desde que ele esteja em acordo com o que nós convencionamos como certo. A
cultura explica nossa dificuldade de interagir com o "diferente".É importante e necessário aprender com o outro.Aceitar a diferença como aprendizagem e como crescimento emocional e intelectual é um jeito sábio de melhorar as relações humanas.
Em sua obra-O Povo brasileiro-Darcy Ribeiro constroi por meio de longas pesquisas, muito estudo e dedicação à escrita, o retrato falado de um Brasil de ontem e de hoje."Composta por uma constelação de áreas culturais, a configuração histórico-cultural brasileira conforma uma cultura nacional com alto grau de homogeneidade.Em cada uma delas,com milhões de brasileiros,através de gerações,nascem e vivem toda a sua vida encontrando soluções para seus problemas vitais, motivações e explicações que se lhe afiguram como o modo natural e necessário de exprimir sua humanidade e sua brasilidade."(1996-pág.254)
Em sua obra-O Povo brasileiro-Darcy Ribeiro constroi por meio de longas pesquisas, muito estudo e dedicação à escrita, o retrato falado de um Brasil de ontem e de hoje."Composta por uma constelação de áreas culturais, a configuração histórico-cultural brasileira conforma uma cultura nacional com alto grau de homogeneidade.Em cada uma delas,com milhões de brasileiros,através de gerações,nascem e vivem toda a sua vida encontrando soluções para seus problemas vitais, motivações e explicações que se lhe afiguram como o modo natural e necessário de exprimir sua humanidade e sua brasilidade."(1996-pág.254)
Mas como criar uma cultura humana e humanizadora das interações afetivas e sociais?Tenho lido inúmeras sugestões, concordo com algumas e refuto tantas outras e, na minha percepção, erramos ao tentar encontrar modelos a serem seguidos - como se um padrão de práticas pudesse ser
deslocado de seu contexto de origem e replicado em outro. Percebo que o caminho é conhecer nossa cultura e buscar práticas que
estejam em sintonia com nossa essência. Nesse sentido nós deveríamos tentar responder a seguinte pergunta: como a educação pode favorecer o amadurecimento emocional e ajudar a tecer relações saudáveis de cordialidade e de respeito mútuo? O primeiro passo deve ser o conhecimento das crenças e dos valores que pertencem ao outro.É difícil respeitar o que nos é desconhecido.Isso pode desenvolver novas práticas ou tentar
mitigar algumas outras. Mas é importante focar nos elementos fundamentais dos quais somos tecidos,sem ferir o direito do outro de tecer sua própria vida por meio de suas escolhas.
Chico Buarque escreveu:"As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem." A cultura deve favorecer nosso desejo de mudar a forma como vemos, como pensamos, como sentimos e como agimos em relação ao outro. E, principalmente, não desejar fazer o inverso-desejar mudar o outro para que ele se adeque às nossas crenças e aos nossos valores. Esse ainda é um desafio em
aberto.A cultura envolve a
análise de práticas que favorecem, ou não, a interatividade com outro e nos incentiva a rever e a reconstruir nossos pensamentos, nossas falas e nossas atitudes.
A
educação é a principal ferramenta de mudança da cultura, porque cultura é
comportamento, e para desenvolver comportamentos nada melhor que
a educação - ela não fere o grupo, ao contrário, ela o desenvolve. Porém,
a educação nesse contexto deve ir muito além do que a educação
tem tradicionalmente ido, em sala de aula. Sabemos, e os grandes educadores e filósofos nos ensinaram que quem leva a inovação
adiante é a educação. Os processos educativos de mudança de comportamento
devem considerar que admiramos pessoas que pensam por si, e que são capazes de tomar
decisões, de transpor barreiras e riscos, de gerar ideias, enfim, que sejam
ativas tanto no processo de educação quanto no processo de formação humana.
Desse
modo,a educação toma para si as premissas de colaboração e participação
fazendo com que a aprendizagem seja um processo que emerge de vivências,
discussões e de teoria aplicada ao cotidiano.Essa educação é que tece práticas
culturais em benefício da interação afetiva e da sociabilidade necessária e
urgente para as relações humanas.A escola tem o poder e a legitimidade para selecionar os saberes que serão passados às crianças e aos adolescentes e pode dar voz ou não a determinados personagens, histórias locais e patrimônios culturais e transmitir ou não diferentes modos de saber e de fazer instalados na sociedade como um todo.
Rosa Maria Olimpio
Brasília,25 de junho de 2015
Brasília,25 de junho de 2015





Nenhum comentário:
Postar um comentário
Faça seu comentário abaixo: