domingo, 5 de agosto de 2018

“Corpo portátil”, de Fernando Fiorese.

Na luminosa companhia do livro “Corpo portátil”, de Fernando Fiorese.
Copio este poema para a minha mãe, Rosa Maria.
DONA RUTH, LIÇÃO DE CASA
— Fernando Fiorese
Mãe não sara.
Mãe não senta.
Mãe não sílaba.
Inteira palavra
com vasos de planta
e camas largas,
travesseiro de penas
e uma terrina de canja
quando o corpo separa
para espiar a mancha.
Que matéria mãe leciona,
senão um alfabeto de letras redondas
a linhagem das compotas
a caligrafia do varal
o noves-fora da despensa
a geografia das cicatrizes
a clínica da salmoura
e do açúcar.
com amor, de Silvio Diogo
em 04-08-2013

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