Abertura de processo
foi autorizada pelo presidente da Câmara.
Pedido foi formulado
pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.
O que acontece agora?
A autorização é
apenas o primeiro passo. Agora, o pedido será analisado por uma comissão
especial formada por deputados de todos os partidos, proporcional ao tamanho de
cada bancada. A presidente terá um prazo para se defender. A comissão vai dar
um parecer a favor ou contra a abertura do processo, que vai ao plenário. Se os
parlamentares decidirem pela abertura do processo de impeachment, por
dois terços dos deputados, Dilma será obrigada a se afastar do cargo por 180
dias, e o processo seguirá para julgamento do Senado. Veja abaixo a tramitação
completa.
O que está sendo analisado?
Os juristas atacam as
chamadas "pedaladas fiscais”, prática atribuída ao governo de atrasar
repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão
orçamentária, o que atentaria contra a probidade da administração e contra a
lei orçamentária. A denúncia é de que houve crime de responsabilidade, uma das
hipóteses em que um presidente poderia ser impedido de continuar exercendo seu
mandato.
O que é um crime de responsabilidade?
São infrações
cometidas por agentes políticos no desempenho de sua função que atentem contra
a Constituição, a probidade da administração, lei orçamentária, entre outros,
que estão previstos em lei.
Isso significa que a presidente será
impedida?
Não. O que existe
agora é uma denúncia, que passará pelo crivo de uma comissão especial, que
proferirá um parecer sobre se ela pode ou não ser julgada. Ainda serão ouvidas
testemunhas, poderão ser realizadas diligências, e a presidente poderá
apresentar sua defesa.
O que Dilma disse sobre o pedido de
impeachment?
A presidente se
manifestou algumas vezes após a apresentação de pedidos de impeachment contra
ela na Câmara. Em outubro, ela afirmou que a oposição tenta chegar ao poder por
meio de "golpe"
e busca "construir de forma artificial o impedimento de um governo
eleito".
Qual a argumentação de Eduardo Cunha
para decidir acolher o pedido?
Em entrevista
coletiva na Câmara, Cunha afirmou que, "quanto ao pedido mais comentado
por vocês proferi a decisão com o acolhimento da denúncia". "Ele traz
a edição de decretos editados em descumprimento com a lei. Consequentemente
mesmo a votação do PLN 5 não supre a irregularidade", disse.
A presidente continua no cargo?
Sim. O afastamento do
presidente do cargo só ocorre se a Câmara aprovar, por votos de dois terços de
seus membros (342 votos dos 513 deputados). Nesse caso, são até 180 dias de
afastamento.
Quem apresentou o pedido?
Os juristas Hélio
Bicudo e Miguel Reale Junior registraram o pedido no 4º cartório de notas de
São Paulo. Ele também é assinado pela advogada Janaina Paschoal, professora da
Universidade de São Paulo, e por representantes de movimentos contra a
corrupção.

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