O quadro atual de crise de leitura foi desenhado aqui diante das concepções de
leitura dos cursandos da Especialização em Letramento, oferecido pelo MEC-UnB.É sabido que durante a Educação Básica,e, principalmente, durante o Ensino Médio, a leitura é percebida apenas
como uma tarefa de “obrigação” para passar de ano, para exercícios gramaticais e
para a prova do vestibular. Perdeu-se , portanto, o valor de adquirir conhecimento
e interagir com o mundo, embora seja “revigorado” na academia não consegue atingir o objetivo e a necessidade de ler e de gostar de ler. Para modificar esse quadro, é necessário rever o modelo de ensino atual.Importante que a escola e os educadores apoiem-se em um objetivo que vá além
da prova do vestibular ou do ENEM e que o ensino das práticas sociais, por meio
das diferentes linguagens, seja colocado em primeiro lugar. Observo pelas atividades realizadas pelos cursandos que eles enfrentaram muitas dificuldades
no ensino de leitura em sua Educação Básica e que essas se transformaram em
consequências negativas no Ensino Superior. Esses alunos só recebiam exercícios
gramaticais, leituras fragmentadas e impostas para trabalhos, fichamento de
biografia de autores, ou seja, sem uma interligação de conhecimentos comunicativos
para que eles pudessem desfrutar de diferentes leituras.
Isso causou certa frustração no início do Ensino Superior, pois não sabiam
como processar os diferentes textos, como dialogar em sala de aula e questionavam-se
como deveriam proceder enquanto professores, a fim de começarem a fazer uma
mudança significativa no processo de ensino-aprendizagem. O que esses professores aprenderam sobre linguagem? Seria o
ensino precário de leitura um dos motivos pelos baixos índices de jovens que
querem seguir a carreira de professor?
O estudo mostrou que é necessária a busca constante de aprofundamentos
acerca da leitura, para que se possa, efetivamente, “construir” leitores
conscientes de seu papel na sociedade e da leitura como um meio de inclusão
cidadã e de emancipação dos indivíduos. É necessário que, nas aulas de leitura
(independentemente da disciplina), construa-se uma contextualização do texto
para a vida do aluno. Só quando a leitura faz sentido para o indivíduo é que se
apreende os significados dos signos impressos em uma folha de papel, revista,
livro ou nas telas de um computador. É, portanto, o sentido atribuído pelo leitor ao
texto que irá constituir a significação para a vida do leitor.
Conforme Saveli (2007, p. 119-120), “é fundamental considerar a sala de
aula como um espaço composto por um grupo engajado num projeto comum de
desenvolver os conhecimentos individuais no contato com os conhecimentos dos
outros”. Ao ter esse espaço como prioritário, o ensino de língua(gem) flui sem a
necessidade de imposições de leituras por parte do professores, ocorrendo de fato as
trocas de conhecimento, nas quais o professor é um orientador e não mero facilitador. Entendo que
a leitura precisa ser concebida como aquilo que vai em busca
do ponto de vista, que leva ao questionamento, à investigação.Os professores tem dificuldade em dinamizar atividades diferenciadas de leitura e acabam repetindo o modelo vivenciado, por eles, no ensino básico e no ensino médio.É urgente a necessidade de recuperar a interação
professor, texto e leitor, de modo a transformar a leitura em um ato prazeroso de modo a não servir apenas para decodificação, ou ainda pior, como um pretexto para o ensino de
conteúdos gramaticais.Aprender a ler e a escrever é o primeiro passo a caminho do saber.A leitura possibilita o desenvolvimento, o burilamento da emoção e da razão. Que as crianças e os jovens encontrem em sua vida escolar professores sedutores. A sedução é construção sintonizada, é atributo que se desenvolve quando compartilhado. Para que essa sintonia possa equilibrar o trabalho da mente com a sabedoria do coração, é imprescindível a intervenção do professor. Um professor que observa suas palavras e faz com que elas se tornem ações. Que observa suas ações pois sabe que elas se fazem exemplos. E esses exemplos é que possibilitam a harmonia entre a poesia da palavra que encanta e emociona e a palavra que liberta e constrói a cidadania. A harmonia na arte resulta da combinação cuidadosa de cores. A harmonia entre a palavra que possibilita a aquisição de conhecimentos linguísticos e a palavra que constrói o gosto pela leitura é trabalho de mente e coração. O prazer de ler é mais que um sentimento, é como ver e ouvir, é um acontecimento.

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