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Foto: Rogerio Albuquerque
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
sexta-feira, 5 de julho de 2019
“Entre o sono e o sonho/entre mim e o que em mim é o
que eu me suponho/
corre um rio sem fim.”
(Fernando Pessoa)
Nasci em Alto-Porã, município de Pedregulho, no
Estado de São Paulo. Lá do alto avistava o Rio Grande e as montanhas que
ficavam do outro lado do rio. Uma paisagem magnífica que jamais saiu de meus
olhos e de minha alma.
Corria o ano de 1963, estava com sete anos, quando
atravessamos a ponte. Viemos para Uberaba, Minas Gerais. Seis meses depois de
nossa mudança papai faleceu.
Fui morar com uma família. Fazia pequenos serviços
domésticos em troca de comida, roupa, calçados. Em 1966, estava eu com 10 anos,
quando me matricularam no Grupo Escolar.
Já no primeiro dia de aula, a professora nos deu uma
cartilha. Novinha. Estava encapada com papel pardo. E eu li. Li em voz alta
como se estivesse lendo para o cafezal em flor, para as montanhas. Ignorei a
presença da professora, dos alunos. Finalmente eu estava na escola e tinha nas
mãos uma cartilha. Foi o dia mais feliz da minha infância.
Quando acabei de ler a
professora levou-me para o primeiro ano “adiantado”.
Ao final de cada ano eu ganhava um presente por ser
a primeira aluna da sala. Lembro-me apenas de um que ganhei na segunda série:
Um livro que veio com dedicatória da professora Áurea Celeste. “A Cabana do Pai
Tomaz”. Era a triste história de um escravo em fuga.
Concluí o ensino primário no final de 1969 com
direito à solenidades de formatura. Missa, entrega de certificados e discursos
políticos.
Fui oradora da turma. No meu texto fiz um breve
relato sobre meu ingresso no mundo dos letrados. Lembro-me de que muito dos
presentes choraram. Eu estava feliz. Só isso.
Neste momento, a lembrança desse dia dói em minha
alma. Aos 13 anos, eu lia as palavras, mas não aprendera ainda a ler a vida. “Na
escola primária/Ivo viu a uva/e aprendeu a ler.”
No início do ano seguinte, fui morar e trabalhar em
Brasília. Era babá. Foram três anos sem ver minha família, três anos sem
férias, três anos fora da escola. Lia muito. Jornais e revistas, e li ainda A
moreninha, Meu pé de laranja lima, e Senhora. Escrevia cartas. Muitas cartas.
Retornei a Uberaba no final de 1973 e não cheguei a
ficar um mês com a minha família.
Mudei-me para Presidente Prudente, estado de São
Paulo, com outra família. Era um casal e quatro filhos. Fiz o exame de
admissão. Retornei à escola. Ficamos em Prudente um ano e nos mudamos para
Pariquera-Açu, cidadezinha litorânea próxima a Iguape. Perdi meu grande amor
sem ao menos tê-lo namorado. Trocamos centenas de cartas. Devia tê-las guardado,
porque eram belíssimos poemas. Eu lia muito.A biblioteca da casa era riquíssima
e estava sempre sendo atualizada.
Em meados de 1976, retornei para Uberaba. Fui morar
com uma tradicional família da cidade.
Era então dama de companhia de uma senhora acamada.
Ela perdera a visão por causa da doença. Das 19 às 23 horas uma funcionária me
substituía para eu ir para o colégio. Fiz o colegial no COC. Numa madrugada, a
senhora percebeu que estava acordada e perguntou-me o que eu estava fazendo.
Disse que estava lendo um livro. Era Grande sertão: Veredas. – Veja que lindo!
– eu dissera – e li um longo trecho para ela. Depois daquele dia, tornou-se
rotina eu ler para ela os romances, os poemas, indicados pelos professores.
Numa fria manhã de abril ela acordou sorrindo e disse que havia sonhado comigo.
Perguntei-lhe como eu era em seu sonho. Ela respondeu: – Como você é. Linda!
Chorei muito. Poucas horas depois ela dormiria para não mais acordar. Nessa
época eu já estava na Universidade e dava aulas no COC no turno matutino.
Inúmeros questionamentos foram tornando-se relevantes, fazendo com que buscasse
melhor fundamentação para reflexões que, desde o início de minha formação
acadêmica, surgiam como fundamentais. Tematizava a importância da linguagem na
constituição de formas de significação da existência. Como diz Foucault, “é
preciso compreender um acontecimento como uma relação de forças que se inverte,
um poder confiscado, um vocabulário retomado e voltado contra seus
utilizadores, uma dominação que se enfraquece, se amplia e se envenena e outra
que faz entrada mascarada”. O ano era 1980. Passei a trabalhar dois períodos no
colégio, no período vespertino, eu era professora “eventual”.
Casei-me no início de 1981. Nesse mesmo ano nascera
minha filha Sílvia Beatriz e em 1982 nasceu meu filho, Sílvio Diogo.
De 81 a 83 dividia minha vida entre a universidade e
a educação dos meus filhos. Comprava muitos livros para eles, mas à noite as
histórias vinham de minha memória. E eu as contava dramatizando, cantando...
Meus filhos foram o maior legado que a vida reservou
para mim. Com eles e por eles aprendi a arte de viver. Foram eles que despertaram
em mim o olhar atento para o grande espetáculo da vida. Aprendi a olhar e
aprendi a ver além. Muito além das aparências.
Em 1986 fiz minha primeira Especialização em Língua
Portuguesa. Tive a felicidade de conhecer e de aprender com Eni Orlandi,
Eduardo Guimarães, Eugênio Estevam, Maria Luiza Braga, Kanavillil Rajagopalan,
Silvana Mabel Serrani. Eles vieram da Unicamp para dar as aulas no Curso.
Muitas leituras. Aprendizado e vivência.
Nesse mesmo ano retornei à escola como professora do
Ensino Médio. Acompanharam-me Paulo Freire, Rubem Alves, Edgar Morin, Moacir
Gadotti, Pedro Demo e tantos outros estudiosos, que sustentaram minha prática
pedagógica. Considerando que duas características dos discursos são a dispersão
e a polissemia, concebo que conceitos e teorias são fenômenos culturais,
socialmente construídos e legitimados. Assim, entendo o conhecimento não como
algo a ser possuído, mas algo que se constrói de modo dinâmico e processual.
Sendo assim, o rigor e a avaliação na aplicação do procedimento metodológico
são fenômenos da ordem da intersubjetividade e estão vinculados à possibilidade
de socializar o processo interpretativo.
Minha trajetória profissional tem estado vinculada,
durante esses 22 anos, na área de educação, tendo trabalhado em todos os níveis
educacionais (Educação Básica e Ensino Superior – Graduação, Projetos de
Pesquisa e de Extensão). Atuei com coordenadora pedagógica da área de Língua
Portuguesa. Minha experiência de docência é basicamente como professora.
A segunda especialização foi em Linguística Aplicada
ao ensino de Língua materna. Mais uma caminhada ao lado de grandes mestres:
Doutora Ormezinda Maria Ribeiro, Aya, UnB; Dr. João Bosco e Dr Cleudemar, UFU;
Dra Vânia Maria Resende, USP; Dr. Carlos Brandão e tantos outros mestres. Além
desses havia Vigotsky, Sírio Possenti, Bakhtin, Barthes, Kleiman...
O trabalho de conclusão foi orientado pela
professora Aya. “O texto poético em sala de aula: para além do dizível”. Artigo
publicado na Revista Athos&Ethos.
O caminho profissional foi sempre partilhado com a
tarefa prazerosa de ser mãe.
Em minha trajetória humana fui Gata Borralheira,
Cinderela, Macabéa, Ana Moura, Clarissa, Madalena (Paulo Honório).
.
Morei e trabalhei em Brasília de 2009 a 2016 atuando
como Tutora da EAD e como avaliadora de redações pelo CESPE.
Atuei como formadora do GESTAR pela UnB, Brasília.
Viajava pelo Brasil levando aos educadores a crença do programa GESTAR, que é
chegar aos alunos – crianças como eu fui em minha infância – o acesso ao mundo
da cidadania assegurada pela aprendizagem da leitura. Leitura da palavra.
Leitura do mundo
Aposentei no final de 2016, ano em que meu filho
Silvio Diogo foi diagnosticado com câncer na medula. Mudei-me para Belo
Horizonte para acompanhá-lo em seu tratamento.
No dia 11 de novembro de 2018 meu filho faleceu. Retornei a Brasília e estou me reinventando
na difícil arte de viver.
No fino tear do destino, estou tecendo um final feliz para a história daquela menina
que de sua mais profunda solidão atravessou o rio, as montanhas e se lançou por
inteira no mundo da arte, cuja matéria prima está sempre à espera de ser
lapidada: a palavra.
A poética da palavra como paixão criativa, que gesta
discursos provocadores. Recordo-me de uma declaração de Friedrich Nietzsche, em
seu livro Humano, demasiado humano: “Há tensão e paixão que caracterizam
aqueles que arriscam deslocar-se para lugares desconhecidos, desafiam verdades
prontas, movem-se em busca de conhecimentos novos, viajam pelo conhecimento.
Aquele que pretende apenas em certa medida alcançar a liberdade da razão não
tem durante muito tempo o direito de se sentir sobre a terra, senão como um
viajante – e nem sequer como um viajante que se encaminhe para um ponto de
chegada; pois este não existe. Terá em vista, isso sim, observar bem e manter
os olhos abertos para tudo o que realmente se passa no mundo; [...] é
necessário que nele haja sempre algo de viajante, cujo prazer reside na mudança
e na passagem”.
Acrescento minha experiência pessoal ao comentário
de Nietzsche, com a poesia existencial de Clarice Lispector, e encerro o meu
relato.
“Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”
segunda-feira, 3 de junho de 2019
O amor por mim mesma
O sonho
Picasso tinha 50 anos de idade e mantinha um relacionamento com Marie-Thérèse Walter,sua amante de 22 anos, quando criou essa obra de arte.
Chegou o mês dos namorados. As vitrines já se encheram de corações. O amor custa caro. Qual o valor de alguém especial em nossa vida? Não há como mensurar. Ele vale um diamante.Eterno.Pode custar um sacrifício.
Aprendi, indo ao encontro de mim, o quanto é bom estar só.Uma solidão que me completa, que me faz feliz. Aprendi a me amar.É isso. Isso não tem preço.
Decidi:Vou escrever mais sobre "isso".
segunda-feira, 15 de abril de 2019
domingo, 14 de abril de 2019
quarta-feira, 3 de abril de 2019
domingo, 10 de março de 2019
Silvio Diogo Lourenço dos Santos- 4 meses sem meu filho-
Somente os amigos que se
comunicavam com Diogo assiduamente sabiam da doença, do tratamento e da energia
sublime que fluía em seus olhos e em suas palavras, dando a cada um de nós a
certeza de que a morte não o alcançaria. Afinal um ser humano como ele é
eterno.
Silvio Diogo havia
passado a virada do ano comigo em Brasília. Há anos isso não acontecia porque
nós dois sempre estávamos no trabalho na última semana do ano, pois optávamos
por passar o natal em família aqui em Uberaba.
Ele estava tão bem.
Saudável. Feliz e cheio de planos para aquele ano de 2016.
Em março recebi um
telefonema dele na manhã de uma terça-feira e ele se queixava de uma dor na
perna.
Dor a que ele
atribuía ao exaustivo evento que ele coordenava, e que havia se encerrado no
sábado anterior. Era a “Semana ENVOLVER”, projeto da UFVJM (Universidade
Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri) em Diamantina.
Disse que havia
procurado a fisioterapeuta e ela o aconselhou a procurar o ortopedista, porque
a dor não era muscular.
Ele disse que já havia
feito uma tomografia e o médico o
encaminhara para um oncologista ortopédico em Belo Horizonte.
Como era de costume,
ele se mostrava sereno e disposto a enfrentar o que viesse.
Pediu-me que não
comentasse com ninguém até que saísse os resultados finais dos exames.
Fiquei apreensiva,
coração apertado e iniciei um diálogo interminável com Deus suplicando saúde
para meu filho.
Ia todos os dias à FEB (Federação Espírita
Brasileira, que ficava há alguns quarteirões da UnB. Lá eu podia desabafar,
falar da minha dor e receber o acolhimento dos amigos.
No início do mês de
maio, Silvio Diogo já receberia o resultado da biópsia e eu viajei para Belo
Horizonte para ir com ele ao médico.
O diagnóstico
indicava um tumor cancerígeno na bacia.
O ortopedista o encaminhou
para Dra. Ana Alice, médica oncologista que prescreveu 35 sessões de radioterapia.
Hospedamos-nos em um
Hostel no Bairro Santa Teresa e eu o acompanhei durante todo o tratamento.
Sempre sorrindo,
brincando com os médicos e enfermeiros, cativava a todos.
No mês de outubro foi
liberado para retornar ao trabalho na UFVJM. Estava feliz e bem disposto. Retornei ao trabalho, em Brasília.
No final de 2016 fui
para Rondonópolis acompanhar minha filha, Sílvia Beatriz, que se submeteu a uma
pequena cirurgia.
Silvio Diogo passou o
natal com a filha, Joana, em Belo Horizonte e a passagem de ano em São Paulo,
com amigos.
Falava sempre com
ele, e o visitara muitas vezes em Diamantina.
Era final de março,
certa tarde, ele me ligou sentindo muita dor. Combinamos de nos encontrar na manhã seguinte em Belo Horizonte. Diogo estava no Rio de Janeiro celebrando o aniversário de seis anos da filha Joana, naquele 28 de março.
Nos encontramos, em Belo Horizonte, na manhã seguinte e nos hospedamos no Hostel em Santa Teresa. A consulta foi marcada para o dia 30 de março.
Dra. Ana Alice solicitou novos
exames e foi então diagnosticado Mieloma Múltiplo, um câncer agressivo na medula.
Dia 03 de abril eu o levei ao hospital com dores horríveis nas pernas e ali antes de internar, ele perdeu os movimentos da cintura para baixo.
Dia 03 de abril eu o levei ao hospital com dores horríveis nas pernas e ali antes de internar, ele perdeu os movimentos da cintura para baixo.
Ele foi operado, dia
05/04, para fazer uma descompressão medular. A cirurgia devolveu-lhe parte dos
movimentos, mas as pernas continuavam inertes e sem sensibilidade. Nessa mesma
cirurgia deveria ter sido feita a artrodese, colocação de pinos de titânio para firmar os ossos da coluna, contudo, houve início
de hemorragia e o procedimento foi adiado.
Na semana seguinte,
12/04, foi realizada a segunda cirurgia. Foram 47 dias de internação. Meses de
fisioterapia. Oito meses de cadeira de rodas. Depois o andador, a bengala e,
finalmente, caminhando com desenvoltura.
A cirurgia abriu uma
ferida profunda na cicatriz. Ferida que não chegou a fechar totalmente, o que
restringia a vida social de Diogo.
Durante o tratamento
Silvio Diogo fez a tradução do livro de Maria Zambrano, Clareiras Del Bosque,
que foi encaminhado às editoras para publicação, mas ainda não foi publicado.
Concluiu o terceiro
livro de poemas intitulado “Cambalhota” que foi publicado pela Arte Desemboque
Casa Editorial. Foram feitos lançamentos em Diamantina e em Belo Horizonte.
Semanalmente, fazia a
leitura de poemas de autores consagrados ou amigos e publicava no seu Blog
Desenhares, sempre aos domingos.
Silvio Diogo tem uma
coleção de vinis que sempre foi o xodó e que ele ouvia diariamente e se
deleitava com as letras e as melodias. A arte primorosa das capas era
encantamento à parte.
Somente os amigos que
se comunicavam com Diogo assiduamente sabiam da doença, do tratamento e da
energia sublime que fluía em seus olhos e em suas palavras, dando a cada um de
nós a certeza de que a morte não o alcançaria. Afinal um ser humano como ele é
eterno.
A partir de fevereiro
de 2018, Diogo iniciou preparação para prestar exame de seleção para o mestrado
da UFMG. Adquiriu toda a bibliografia, estudou, fez a inscrição.
No dia 22 de outubro
sentiu um mal estar e o levei ao hospital, estava com anemia. Foi internado. Pediu-me
que não comunicasse o fato com ninguém.
-” Daqui a dois dias
estarei em casa, não vamos alarmar as pessoas.”
Um exame de
ultrassonografia acusou dois enormes tumores no fígado e orientado pela médica,
estava à espera de uma biópsia.
Diogo hospitalizado levantava
cedo, tomava o banho, se arrumava, sentava-se na poltrona e lia em voz alta
(seu jeito de estudar) os livros que o preparavam para a prova de mestrado que
seria realizada no dia 30 de outubro.
Dormia bem, se alimentava
bem, sorria, brincava.
Embora soubesse da gravidade
de seu quadro clínico, solicitou à médica que o liberasse para fazer os exames
para o mestrado. Ficou extremamente abatido com a recusa dela.
Diogo pensava somente na vida, e queria seguir seus projetos.
Diogo pensava somente na vida, e queria seguir seus projetos.
Às vésperas do dia 02 de novembro, iniciou com todos os funcionários do hospital, um mirabolante plano de fuga para não passar no hospital, o feriado. Eram
risos e brincadeiras que anunciavam vida, amor e brilho do além tempo.
Naquela
segunda-feira, 04/11, Diogo acordou abatido e com a saturação muito baixa. Sílvio, o pai, chegou por volta de 11 horas trazendo o notebook para que ele pudesse
pagar as contas e transferir a pensão de Joana. Ele fez essas tarefas e fez
algumas postagens no facebook e dialogou
com amigos no whatsap.
Naquele noite não
dormimos. Ele sentava-se na cama conversava comigo. Por volta de três horas, daquele dia 05/11, a
enfermeira colocou o oxigênio. O médico veio e depois de examiná-lo chamou-me e
perguntou se eu sabia da gravidade do quadro de saúde de Diogo. Respondi
afirmativamente, em lágrimas e ele disse que estava levando-o para o CTI para
entubá-lo e amenizar o sofrimento dele e que ele não regressaria.
Liguei para Alcione e
Ronaldo, meus amigos espíritas que iam semanalmente em nossa casa para o evangelho no lar, para que viessem fazer uma prece pelo meu
filho antes que o levassem.
O enfermeiro chegou
uns 30 minutos depois e pedi que ele esperasse a chegada de meus amigos que
estavam a caminho.
Diogo olhou-me e
disse:
“–Deixa eu ir, mãe! Eu preciso ir”. Olhei-o com
um sorriso e disse: vai meu filho. Deus o abençoe.
Acompanhei-o
sorridente até o elevador. Assim que as portas do elevador se fecharam desabei num choro silencioso e compulsivo. Meus
amigos me encontraram assim, me abraçaram e choraram comigo.
Comuniquei com os
amigos e familiares que se assustaram pois a maioria dos amigos sequer sabiam
que Diogo lutava contra o câncer.
A recepção do
Hospital Belo Horizonte se tornou uma sala de visitas que estava sempre lotada
de amigos que vieram de todos os cantos do país. Minha filha Silvia chegou com
a minha sobrinha Paula Maria, viajaram de carro de Rondonópolis a BH. Minhas
irmãs Lenice e Maria do Pilar chegaram de Uberaba, a filha do Diogo, Joana, de
7 anos, a mãe dela Themis, se juntaram a
nós. A visita ao CTI foi liberada e de
terça a sábado foi feita uma vigília com orações, leitura de poemas pelos amigos
e familiares. Sem contar os desenhos e as emocionantes cartinhas de Joana para
o pai.
A 1 hora e 40 minutos
do domingo dia 11 de novembro de 2018, Diogo faleceu.
Às três horas o amigo
médium Ivani, enviou-me a seguinte mensagem pelo celular:
“-
Estamos em atendimento ao Sílvio neste momento. Oração e fé. Ele está na
espiritualidade”.
Ivani não havia sido
informado do falecimento de Silvio Diogo. Para mim, que sou espírita, foi um
alento, uma certeza de a vida não acaba com a morte. Ele não está morto. Mudou
de casa.
Assim que amanheceu o
dia ligamos para os amigos e familiares e comunicamos o falecimento de meu
filho e anunciamos o velório de 10 minutos na Funerária de Belo Horizonte. O
evento acabou durando mais de uma hora.
Amigos cantaram, declamaram poemas e fizeram orações para Diogo numa cerimônia
linda e cheia de poesia, de dor e de amor.
Trouxemos o corpo
para ser velado em Uberaba, Funerária LIV, centenas de amigos e parentes muito
emocionados foram nos abraçar e falar sobre o amor pelo meu filho. Diogo era um
ser humano doce e forte que tinha tempo marcado para viver entre nós.
Trouxe com ele sua
doçura, sua bondade, sua sabedoria, sua beleza e sua luz esplêndida.
Diogo marcou com suas
palavras, seu olhar, seus gestos cada pessoa que cruzou o seu caminho.
Diogo levou com ele o
amor que semeou por aqui entre risos e lágrimas, poemas e canções, ternura e
mansidão.
Diogo,
meu filho, levo comigo a doce certeza de que há entre nós apenas um fino véu que
cobre a nossa visão, você vive em minha mente e em meu coração.
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Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte
2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles
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Hoje é dia da minha mãe do Céu, sob o título de Nossa Senhora das Graças. Sinto o amor e a proteção da Virgem Maria em vários momentos da mi...


