sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mulher

A novela Insensato Coração, de Gilberto Braga, que vai ao ar em horário nobre na principal emissora do país, a TV Globo, tem me feito refletir muito sobre a imagem da mulher nos meios de comunicação.

Causa-me incômodo observar uma novela repleta de mulheres “fáceis”, desesperadas pelos seus homens; mulheres casadas traindo seus maridos escancaradamente; mulheres interesseiras e outras vulgares; mulheres inseguras, que aceitam ser maltratadas por seus companheiros; além das ingênuas, que acreditam em cafajestes que fazem questão de depois as chamarem de “vagabundas”. E culminamos com a personagem Bibi, interpretada pela atriz Maria Clara Gueiros. Ela me parece uma ninfomaníaca que deveria ter sua doença tratada com seriedade, e não como uma brincadeira. Entendo que a personagem faz parte do núcleo de humor da novela, mas a questão é: o sexo pelo sexo, o sexo sem preservativo e o sexo com desconhecidos podem trazer consequências sérias, como gravidez indesejada e DSTs. Será que a novela vai mostrar isso? Porque não me lembro de nenhuma cena sequer em que a personagem fale sobre preservativo.

E isso tudo justamente no melhor horário em que as famílias podem se reunir para relaxar, conversar e assistir televisão.

O que mais me deixa triste é que a novela retrata uma realidade – o mundo está cheio de mulheres com a autoestima em frangalhos, de todas as idades, lotando baladas e bares, em busca de companhia a qualquer custo, e isso é muito lamentável. Entretanto, voltando à novela, todos esses exemplos podem deixar informações erradas no subconsciente feminino, principalmente das mais jovens. A meu ver a televisão precisa ter uma função mais educativa e tranquilizadora. Se na vida real algumas mulheres não sabem medir o seu verdadeiro valor, seria muito bom se elas pudessem ao menos se inspirar em mulheres fortes e determinadas na novela, em que estas personagens as ensinassem sobre relacionamentos e superação. Aí sim a televisão estaria exercendo o seu papel social.

Com a novela Insensato Coração, minha maior preocupação é em relação à mente das crianças e jovens que assistem à trama, pois o desrespeito à mulher e à família é algo corriqueiro nos capítulos diários e acaba por fortalecer essa inversão de valores que, infelizmente, estamos vivendo, na atualidade.

Espero que, ao longo da novela, o autor promova mudanças em algumas personagens femininas, tal como está fazendo com Carol (Camila Pitanga), que, depois de tanta insegurança, começou a fortalecer sua autoestima e está se mostrando emocionalmente independente de André (Lázaro Ramos), o pai de seu filho.

Quero ver essas mulheres tomando posse da sua coragem, da sua força, da sua garra.

Afinal, ninguém valoriza quem não se valoriza!


Texto de: Eliana Barbosa

(*)Palestrante, apresentadora de TV e rádio e autora de livros motivacionais
www.elianabarbosa.com.br

terça-feira, 29 de março de 2011

Estamos com fome de amor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!
Arnaldo Jabor

quarta-feira, 23 de março de 2011

QUEM DIZ QUE O AMOR É FALSO



POEMA DE: Luís Vaz de Camões

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piedoso;
Quem o contrário diz não seja crido:
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens e inda aos deuses odioso.

Se males faz Amor, em mi se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
Todos estes seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

terça-feira, 22 de março de 2011

Jaguartribais poema de Edmundo Diógenes

És caminho das águas milenares

que se arrastam pelos campos tribais,

dando aos povos urbano e rurais

o sustento às culturas seculares;

essas margens de motos e muares,

e de cruzes do tempo dos tropeiros

contam casos de grandes cangaceiros

e de tantos heróis trabalhadores.

Jaguaribe conserva os seus valores,

na memória dos seus filhos ordeiros.

2

Aboiando nas matas, os vaqueiros

estremecem num brado, o pé da serra;

os motores, nas estradas de terra

vêm trazendo seus tambores leiteiros;

o trabalho dos loucos motoqueiros,

e os queijeiros com a técnica na mão

nos dão queijo como alimentação

e incentivo ao cultivo da pastagem,

é a fé no trabalho, é a coragem,

é o progresso adentrando no sertão.

3

O trator descompacta o duro chão,

surge o grão donde tudo era poeira;

ao estudos da prática pesqueira

nos conduzem a boa produção;

quem trabalha recebe educação

à inserção de uma tecnologia;

uma parte fala de Economia

e d’um Meio Ambiente sustentável;

outra parte se torna abominável,

intragável ao termo “Ecologia”.

4

O futuro que a gente propicia

não está no veneno ou na queimada;

não quer margem de rio, assoreada

nem criança de barriga vazia;

não podemos viver só de utopia,

todavia se quer realidade

somos frutos da irracionalidade,

na verdade somos seres tribais,

sabedores das armas culturais,

que se atiram mostrando outra verdade.

quinta-feira, 10 de março de 2011

“Não vale a caminhada do homem só.”

Abaixo a solidão dos que se isolam para não repartir: nem o pão, ou o fruto, que preferem ver apodrecer a doá-los aos necessitados; nem a palavra que preferem evolar-se no ar, ou prendê-la nos lábios a transmiti-la; nem o afeto que preferem murchar-se no coração a, com ele, aquecer o coração dos sofredores; muito menos o sorriso, pois o querem congelado para o não sensibilizar pelo sorriso do outro.

Abaixo a solidão dos que se isolam para não receber. Criam, dentro de si, a barreira do orgulho. Por isso rejeitam o apoio do outro: ignoram a voz do outro, o sofrimento do outro. São sós e querem vencer sozinhos, movidos pela petrificação dos que não dividem, nem mesmo os momentos de alegria. Comemoram sós, face ao espelho, refletindo o sorriso igual, o gesto igual, reflexos de si mesmos. Sem permuta de nada.

Abaixo a solidão dos entristecidos sem esperança. Sem coragem de agarrar a mão do próximo e pedir-lhe que os conduza, numa caminhada diferente, rumo ao encontro que os realize. Sem coragem para abandonar a trilha do des-caminho, para seguir outros passos, mais sólidos, mais seguros.

Quero cantar, hoje, a caminhada dos homens-irmãos. Dos que se sabem apenas passageiros de uma viagem com destino certo. Dos que não se julgam heróis. Nem semideuses. Muito menos imortais. Dos que sabem ver, nos olhos do outro, reflexos dos próprios olhos, com os mesmos anseios, as mesmas procuras, as mesmas dúvidas, as mesmas fraquezas, as mesmas esperanças.

Quero cantar, hoje, a caminhada dos que sabem “chorar com os que choram; alegrar-se com os que se alegram”. Dos que sabem despojar-se das peias da mudez, para libertar-se pela luminosidade da palavra.

“Não vale a caminhada do homem só.” Ninguém poderá ser feliz sozinho. Porque não passará de projeto. A verdadeira vida se faz de permutas: o Eu com o Outro. Caso contrário, haverá apenas o Eu+Eu, noves fora=zero.

Nota: Texto do livro Temas do Cotidiano de Terezinha Hueb de Menezes (Uberaba-MG)


thuebmenezes@hotmail.com

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Medo da solidão.

O apego, sob o disfarce de amor excessivo, é uma demonstração de insegurança ou de medo da solidão.
É importante amar sem apego por isso é necessário estar convicto de que:
- Ninguém é dono de ninguém, a não ser de si próprio. Amigos vêm e vão, assim como qualquer romance pode acabar. Nenhum relacionamento tem garantia de eternidade, a não ser o nosso, com nós mesmos.
- Tratemo-nos com absoluto carinho e respeito, porque a única pessoa que temos certeza que sempre estará com conosco até o nosso último suspiro nesta vida sou eu mesma.
-Quanto mais tentamos controlar a vida de outra pessoa, mais ela escapa de nosso controle.
- Não há nada mais degradante do que se apegar a pessoas que não nos querem bem ou que nos machucam a alma.
- Não adianta ficar segurando o amor dos outros, porque amor não se compra e não se prende, amor se conquista e se cultiva. Como? Sem pressão nem cobranças, e sim com companheirismo, amizade, confiança.
- Praticamos o desapego quando aprendemos a voltar nossos olhos e nosso coração para a pessoa mais especial da nossa vida: nós mesmos!
Dessa forma, libertemo-nos dessa prisão emocional chamada apego e permitamos a nós mesmos viver intensamente o presente. Deixemos o tempo correr e abramos para novas e maravilhosas experiências.
E lembremos sempre que, independente de nossa vontade, a vida é feita de ganhos e perdas. Se tivermos que perder, aceitemos nossas perdas e apeguemos somente a algo que ninguém pode tirar de nós: a lição!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

MULHERES por:Luís Fernando Veríssimo

"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Pare para refletir sobre o sexto-sentido. Alguém duvida de que ele exista?

E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?

E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece?
O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
"Leve um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça..."
Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...

O sexto-sentido não faz sentido!

É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil...
As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...

Tudo isso é meio mágico...
Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?

Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?

Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM !

E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro!
Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".
Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus.
E com as mulheres também é assim.

O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.
E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor.
É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.
E levitam.
Algumas até voam.
Mas os homens não sabem disso.
E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora."

Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte

 2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles