sexta-feira, 16 de outubro de 2026
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
terça-feira, 28 de julho de 2026
Fala da mãe (sobre a filha)
O relacionamento com minha filha, em criança, foi de muitos
momentos mágicos. E, por vezes, engraçados. Silvinha era meiga e doce. Uma
menina loirinha, cheia de cachinhos. Quando o irmão nasceu, ela tinha apenas 1
ano e 4 meses. Era muito paparicada pelas priminhas que lidavam com ela como se
fora, de fato, uma boneca. Andou e falou muito cedo. Quando o irmão chorava ela
deixava os brinquedos e saia para “acudir”.
_ Ó, o Diogo!
Quando ele aprendeu a falar ele a chamava de Sisinha.
- Sisinha, dá águ”
- Agu não, Diogo, ÁGUA! Fala “á g u a”
Ela questionava tudo, não aceitava “NÃO” como resposta.
Certa vez pediu algo ao pai que negou. Ela botou as duas mãos na cintura e falou – Dá um tivo! (motivo) o pai caiu na risada.
Ele saía todo começo de noite para ir à “venda” do seu
Joaquim, conversar com os amigos.
Ela queria ir, chorava, pedia. Ele sempre dizia. _ você não
pode ir você não pode tomar sereno.
- Certa vez ele disse chorando – me leva, pai, eu quero ver
você tomar sereno.
Silvinha era estudiosa, tinha uma letra linda. Ainda tem.
Hoje ela está casada tem 27 anos. É uma advogada muito bem
sucedida. Mora em Rondonópolis em Mato Grosso desde 2006. Tornou-se uma linda
mulher. Silvinha é minha melhor amiga. Conversamos sobre todos os assuntos e
aprendemos muito uma com a outra. Dra Silvia Lourenço é uma pessoa
extraordinária e talentosa.Tem um futuro brilhante a sua espera.
Fala da mãe (sobre o filho)
quinta-feira, 9 de julho de 2026
Esses dias me veio a lembrança um momento que mudou minha
postura física e emocional diante da vida.
E essa mudança foi graças a intercessão de uma jovem
professora de Didática: Antonina Deusdará!
Ontem eu a procurei, na redes sociais, e lá está ela.
Linda! Como sou grata!
Eu estava no terceiro ano de LETRAS na Faculdade Santo
Tomaz de Aquino, aqui em Uberaba.
Como sempre, eu era uma pessoa extremamente tímida. Achava-me
feia. Sem graça. E tinha vergonha de existir. Andava na rua “curvada”. Ombros
caídos. Olhando o chão. Tinha vergonha de olhar nos olhos das pessoas.
Essa maneira de me ver e ver o mundo muito maior que eu
parecia fazer parte da triste pessoa que habitava minha alma desde menina. Mas
havia momentos em que eu me transformava. Quando eu lia ou declamava algum
texto. Eu era gigante. Poderosa. A voz que calava em mim se explodia com força
e luz!
Não era diferente nos momentos de apresentar os trabalhos
orais em sala de aula. Eu me erguia no timbre da voz, na convicção do que eu
estava falando e na necessidade que eu sentia de fazer com que o outro me
entendesse e que o conhecimento alcançasse a todos.
Eu ainda era uma jovem universitária quando a professora
Antonina, ao final de uma aula de Didática, aproximou-se da minha carteira e,
quase em segredo, disse:
— Rosa, espere um instante. Preciso conversar com você.
Meu pensamento correu mais depressa do que meu coração.
Tive medo. Imaginei que ela fosse comentar minha apresentação no seminário
daquela noite. Revirei mentalmente cada palavra que havia pronunciado, tentando
descobrir onde havia errado.
A sala foi se esvaziando. O burburinho dos colegas deu
lugar ao silêncio. Então ela se aproximou, fitou meus olhos com uma serenidade
que jamais esqueci e disse:
— Hoje eu a vi na rua.
Sorri, imaginando que ouviria um cumprimento. Mas ela
continuou:
— Chamei você. Mais de uma vez. Você não me viu. Não me
ouviu. Caminhava olhando para o chão, completamente alheia ao mundo. Seus
ombros estavam caídos. Havia tanta tristeza na sua postura que você parecia
carregar um peso muito maior do que a própria idade permitia.
Aquelas palavras atravessaram meu peito como quem abre uma
janela em um quarto escuro.
Ela permaneceu alguns segundos em silêncio e, com a
delicadeza de quem recolhe uma flor sem machucá-la, acrescentou:
— Rosa, você é uma moça bonita. Tem um sorriso que ilumina
o rosto. Quando fala, seus olhos brilham, e esse brilho alcança quem a escuta.
Você talvez ainda não saiba, mas possui uma presença que merece ser vista.
Então fez algo que nunca mais saiu da minha memória.
Levantou-se e começou a caminhar lentamente pela sala.
Endireitou os ombros.
Ergueu a cabeça.
Olhou para frente.
Cada passo era uma lição.
Sem perceber, eu já não prestava atenção apenas às
palavras, mas ao modo como elas ganhavam vida naquele corpo sereno da
professora.
Ela parou diante de mim e disse:
— Caminhe assim.
Depois repetiu, pausadamente:
— Erga a cabeça.
— Levante os ombros.
— Assuma o poder que existe dentro de você.
— Assuma a sua vida.
Respirou fundo e concluiu:
— Quando você entrar em uma sala de aula, as pessoas
precisam perceber que você chegou. Não porque faz barulho, mas porque sua
presença fala antes das palavras. Entre inteira. Entre de corpo, alma e
coração.
Aquela recomendação ultrapassava os muros da universidade.
Ela estava me ensinando muito mais do que a ser professora.
Estava me ensinando a existir.
Antes de nos despedirmos, segurou minhas mãos por um
instante e disse algo que se transformaria em uma companhia para toda a minha
vida:
— Vamos lá, menina. Eu confio em você. Mas você precisa
acreditar em você.
Naquele dia, saí da universidade caminhando diferente.
Talvez meus passos fossem os mesmos.
Talvez o caminho fosse igual.
Mas havia algo novo dentro de mim.
Pela primeira vez, compreendi que a maneira como caminhamos
também conta nossa história.
Muitas vezes a vida voltou a pesar. Houve perdas,
despedidas, lágrimas e dias em que a vontade era, novamente, olhar apenas para
o chão.
Nesses momentos, bastava fechar os olhos para ouvir a voz
da professora Antonina:
"Erga a cabeça."
E eu me erguia.
Hoje, depois de tantos anos dedicados ao magistério,
compreendo que aquela aula nunca terminou.
E levo também a professora que enxergou, antes de mim, a
mulher que eu ainda me tornaria.
Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte
2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles
-
Hoje é dia da minha mãe do Céu, sob o título de Nossa Senhora das Graças. Sinto o amor e a proteção da Virgem Maria em vários momentos da mi...



