quarta-feira, 9 de março de 2022

Mário Lago

 

Mário Lago



'Fiz o que quis e fiz com paixão. Se a paixão estava errada, paciência. Não fiquei vendo a vida passar, sempre acompanhei o desfile.''

(Mário Lago)

terça-feira, 8 de março de 2022

Dia Internacional da MULHER!


Por meio destas mulheres lindas, fortes, doces,leais,sensíveis...quero homenagear a todas as mulheres da minha família, a todas as minhas amigas, e a todas as mulheres do mundo.
 

AMOR



Retrato de um momento...



 Como são fortes as palavras! Elas dizem coisas que só o coração escuta. Se escritas sobre papel claro, ficam mais iluminadas e eternas. Sei que as palavras podem abrir novo caminho. A ternura e a coragem da mulher é que dão colorido ao caminho da existência humana.

Parabéns a todas nós, mulheres!

sábado, 5 de março de 2022

Clareiras Del Bosque Maria Zambrano

 



Apresento aqui uma passagem da versão em português do livro Claros del bosque, de María Zambrano. A circunstância da tradução de uma obra escrita por uma filósofa, em linguagem dotada de forte sentido poético — a fronteira tênue em que Zambrano constrói conceitos e metáforas —, estabelece desafios para o exercício do trânsito entre idiomas.

O intenso diálogo da filosofia com a poesia marca toda a trajetória intelectual de María Zambrano (1904-91). Sobre a singularidade de Claros del bosque, publicado em 1977, assim se expressa a própria pensadora: “Creio portanto que, como livro, é o que mais responde a essa ‘ideia’ há tempos formulada de que ‘pensar é antes de tudo — como raiz, como ato — decifrar o que se sente’, entendendo por sentir o ‘sentir originário’, expressão usada por mim já há muito anos”.

O excerto a seguir está no quinto capítulo do livro, “La metáfora del corazón”.

Texto de Silvio Diogo Lourenço dos Santos


CLAREIRAS DO BOSQUE
— A metáfora do coração

É profeta o coração, tal como aquilo que se encontra no centro e num confim, sempre na iminência de ir ainda mais além do que já foi. Está a ponto de romper a falar, de que o seu reiterado som se articule nesses instantes em que quase se detém para recobrar o alento. O novo que habita no homem, a palavra; mas não as que dissemos, ou no mínimo como as dissemos; uma palavra que fosse nova apenas porque brotasse, porque nos surpreendesse como o alvor da palavra. Visto que o homem padece por não haver assistido à sua própria criação. E à criação de todo o universo conhecido e desconhecido. A sua ânsia de conhecer parece ter precisamente como fonte essa ânsia de não haver assistido à criação em sua totalidade, desde a luz primeira, desde antes: desde as trevas não dilaceradas. A teologia das grandes religiões — e também a filosofia, de modo mais circunspecto — dá testemunho do caráter ineludível desta revelação.

E não parece que se tenha considerado suficientemente este grande ressentimento, este ressentimento “fundamental” que o ser humano leva no seu coração, como raiz de todos os ressentimentos que o povoam: não haver assistido — e seria, por sinal, testemunha única — ao ato criador. Se tomamos por base o relato sagrado do Gênesis, o homem sucumbiu à sedução promissora do futuro: “Sereis como deuses”, não em apetite de felicidade, mas, ao contrário, saindo da felicidade que o inundava para ir buscar uma criação própria, de algo que ele fizesse; não se restringindo a contemplar o que se lhe oferecia, para fugir da pura presença dos seres de quem sabia o nome, mas não o segredo. Todavia, a palavra que não chega a sair do coração não se perde, essa palavra nova na qual resplandeceria, com claridade inextinguível, o novo da palavra. A palavra diáfana, virginal, sem pecado de intelecto, nem de vontade, nem de memória. E a sua claridade teria o que nenhuma palavra nos dá certeza de alcançar: ser inextinguível. Não se perde, desata-se em voz, uma voz que suspira sozinha e, tal como o suspiro, eleva-se atravessando angústia e espera; transcendendo.

E é a voz que se infiltra em certas palavras de uso cotidiano e, com ainda maior ênfase, nas mais simples, as que dão certeza. E se não se tornam por isso inextinguíveis, têm uma espécie de firmeza e até de fórmula sagrada.

E é a voz interior que se identifica com algumas vozes, com algumas palavras que se escutam não se sabe bem se dentro ou fora, porque se escutam do íntimo. E ao sair para escutá-las, é de si mesmo que se sai. E entre dentro e fora, todo o ânimo fica suspenso, como fica sempre em toda identificação de algo que pulsa no coração e algo que existe objetivamente. É o terror supremo que se precipita ao escutar como certo aquilo que se teme. E o total esquecimento de si, quando se escuta o que nem sequer se sabia estar aguardando. E nesta feliz situação dá-se a música perfeita; o canto.

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Tradução: Sílvio Diogo Lourenço dos Santos

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quinta-feira, 3 de março de 2022

Charles Chaplin Filme: Tempos Modernos





 A utilização de novos recursos didáticos no processo de ensino-aprendizagem é de fundamental importância para se obter aulas mais dinâmicas e interessantes.

Filmes relacionados ao conteúdo aplicado é uma metodologia eficaz, pois os alunos conseguem visualizar o conteúdo fazendo relação com o filme.
Para abordar o conteúdo referente aos modelos de produção Taylorismo e Fordismo, o filme Tempos Modernos, protagonizado por Carlitos - personagem clássico de Charles Chaplin, é ideal para ser trabalhado em conjunto com o material teórico.


Tempos Modernos é um filme que retrata a vida urbana nos Estados Unidos no ano de 1930, demonstrando os modos de produção industrial baseados na divisão e especialização do trabalho na linha de montagem.


Charles Chaplin, no Filme Tempos Modernos

O Taylorismo e o Fordismo são modelos de produção baseados na divisão do trabalho, ou seja, cada operário fica responsável por uma etapa do processo produtivo. A produção em massa deve ser realizada no menor tempo possível, a repetição de exercícios por parte do operário causa a alienação do mesmo.

Esse fato é retratado no filme onde Carlitos, figura principal, é um operário que trabalha em uma linha de montagem apertando parafusos, em razão da quantidade excessiva de exercícios repetitivos, Carlitos, mesmo fora da função industrial, continua efetuando movimentos como se estivesse apertando os parafusos na linha de montagem.

Várias características do Taylorismo e do Fordismo são expressas no filme. A questão da alienação física e ideológica causada por esses modelos de produção são abordadas em forma de arte e com muita ironia por Charles Chaplin. O filme é uma crítica ao sistema capitalista e ao modo de produção industrial.

Após uma aula expositiva sobre o Taylorismo e o Fordismo, o filme Tempos Modernos pode ser passado para os alunos. Em seguida um debate sobre os pontos em comum entre o conteúdo teórico e o filme deve ser realizado com o intuito de que os alunos exponham suas percepções.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Uberaba: 202 anos de História

Catedral Metropolitana Nossa Igreja Matriz

Localizada na Praça Rui Barbosa


 Uberaba tem sua origem na ocupação do Triângulo Mineiro, que ficou sob a jurisdição de Goiás até 1816. A região começou a ter importância preciosa, que consistia em uma das metas administrativas da Coroa Portuguesa, o governador da Capitania de São Paulo e Minas Gerais articulou a abertura de uma estrada. Esta missão ficou a cargo de Bartolomeu Bueno da Silva Filho (filho de Anhanguera). A expedição era composta por 152 homens, entre os quais 20 índios carregadores, 3 religiosos e 39 cavalos. Ela partiu de São Paulo pelos rios Atibaia, Camanducaia, Moji-Guaçu, Rio Grande, Rio das Velhas e penetrando em Goiás pelo Corumbá. Segundo alguns relatos da época, a expedição passou por terras de Uberaba. Esta rota ficou conhecida como Estrada Real ou Anhanguera que consistia em um importante caminho para que as autoridades portuguesas implementassem a colonização, a produção e escoamento dos minerais preciosos. Na verdade, a maioria das riquezas minerais do Brasil foram levadas para Portugal e utilizadas para o pagamento de suas dívidas em relação à Inglaterra. Posteriormente, a expedição do filho de Anhanguera fundou em 1725 o povoado de Vila Boa em Goiás.

Outra estrada mais a Oeste foi aberta em 1736, passando por terras de Araxá em direção à Vila Boa denominada Picada de Goiás.

A exploração e o povoamento de todo o Triângulo Mineiro, de modo geral, se fez como em todo o Brasil - Colônia, pelo amansamento e extermínio das populações indígenas e dos negros nos quilombos.

As estradas para Goiás tornaram-se palco de batalhas, entre os exploradores dos sertões e os nativos.

Diante disso, o governo de Goiás viabilizou a segurança das estradas e por isso nomeou em 1742, o Coronel Antônio Pires de Campos para policiar, amansar e até mesmo exterminar os silvícolas rebeldes, fato constatado com a matança dos Caiapós.

Em 1766 foi criado o Julgado de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque, sob a administração de Goiás, local rico em minas auríferas e de intensa exploração. A posse desse Arraial por Goiás era vantajosa aos moradores, pois estavam livres do pagamento de imposto sobre minerais, denominado "derrama", cobrado em Minas Gerais.

Desemboque teve o seu esplendor até 1781, quando as minas auríferas se esgotaram.

Prosseguindo a exploração das terras, o governo de Goiás para dinamizar a administração dos Sertões, nomeou pela Portaria de 1809 Antônio Eustáquio da Silva Oliveira (natural de Ouro Preto) para a função de Comandante Regente dos Sertões da Farinha Podre (Triângulo Mineiro), e em 1811 foi nomeado pelo Ato Governamental, Curador de índios.

Em 1810, Major Eustáquio liderou uma Bandeira até o Rio da Prata, passando por terras de Uberaba.

Outra expedição chefiada por José Francisco Azevedo, atingiu a cabeceira do Ribeirão Lajeado, fundando o Arraial da Capelinha, aproximadamente a 15 km do Rio Uberaba. Entretanto este local não se desenvolveu por falta de água e terras férteis, conforme constatou Major Eustáquio em visita ao Arraial.

Consequentemente, o Regente dos Sertões comanda outra Bandeira com 30 homens e procura novas terras para se estabelecerem. Atingem o Rio Uberaba e fixam-se na margem esquerda do Córrego das Lages, onde foi edificada a Chácara da Boa Vista (hoje Fazenda Experimental da Epamig).

Junto com Major Eustáquio vieram fazendeiros e aventureiros que passaram a produzir e comercializar com as caravanas que ligavam Goiás a São Paulo.

Algum tempo depois, Major Eustáquio construiu sua residência na Praça Rui Barbosa (atual Hotel Chaves).

Grande número de pessoas sabendo das condições propícias de Uberaba e do prestígio e segurança que o comandante Major Eustáquio oferecia, imigraram para o novo Arraial. Eram boiadeiros, mascates, comerciantes, criadores de gado, ferreiros, etc...

Os moradores logo ergueram uma Capela tendo como oragos Santo Antônio e São Sebastião, benzida em 1818 pelo padre Hermógenes Cassimiro de Araújo Brunswick, do Desemboque. Assim foi estabelecido o reconhecimento do povoado pela Igreja. Esta instituição representava prestígios decisórios junto aos governos.

Visto que em 2 de março de 1820, o rei D. João VI decreta a elevação de Uberaba à condição de Freguesia.

O Decreto Real constituiu um grande avanço para a comunidade. Significou a emancipação e gerência própria em assuntos de ordem civil, militar e religioso. Foi o reconhecimento oficial tanto pela Igreja como pelo Governo Real.

Uberaba foi crescendo e as terras foram ocupadas formando-se extensas propriedades devidas o baixo valor da terra e isenção de impostos sobre elas. Em pouco tempo reuniu-se seleta população de agricultores, pecuaristas e comerciantes e outras profissões, fato que viabilizou o Governo Provincial de Minas Gerais a criar o Município de Santo Antônio de Uberaba em 1836.

Uberaba, em 1840 passou a sediar uma Comarca para distribuir a justiça na região.

A importância regional da Vila de Santo Antônio de Uberaba era próspera que ela mereceu o título de Cidade em 1856, tornando-se um importante centro comercial que se acentuou com a inauguração da Estrada de Ferro em 1889, que foi um acontecimento facilitador da imigração européia para a cidade e do desenvolvimento da pecuária zebuína.

A riqueza econômica refletiu na estrutura urbana onde surgiram requintadas construções no estilo eclético.

No século XX, a cidade demonstra um crescimento da agricultura, da pecuária, da indústria e do comércio, atendendo as demandas nos aspectos econômicos, culturais e de serviços essenciais à população.

Hoje Uberaba representa um centro comercial dinâmico, uma agricultura produtiva, um parque industrial diversificado e uma planejada estrutura urbana.

Dada à importância histórica de 02/03/1820, quando a cidade foi elevada à Freguesia, o Município instituiu oficialmente como a data que se comemora o aniversário de Uberaba.

Parabéns para os uberabenses que de maneira harmônica tem cumprido sua cidadania, preservando os valores culturais de nossa terra e valorizando a qualidade de vida da população.



Texto da Historiadora Marta Zednik de Casanova

terça-feira, 1 de março de 2022

Memorial do Convento. José Saramago

Este livro, assim como vários outros, foi presente do meu filho Silvio Diogo. Eu o li demoradamente porque tive que voltar à leitura inúmeras vezes no início da história.
Por diversas vezes tentei produzir uma resenha desse este livro e do  livro "Ensaio sobre a cegueira", no entanto faltou-me coragem para fazê-lo. Como gostaria que tantas outras pessoas o leiam encontrei essa resenha feita por Luiz  Marcatto. Trago-aqui como incentivo à leitura. Vale a pena. Garanto que vale.






 Memorial do Convento faz parte da leva de romances históricos produzidos por Saramago ao longo de sua carreira – para quem não sabe, um romance histórico é aquele que se situa em um momento histórico real para falar de personagens e situações fictícias. Desses livros, o único do autor que havia lido era O Evangelho Segundo Jesus Cristo, e encontrei no relançamento de Memorial do Convento pela Companhia das Letras a oportunidade perfeita de ler esse que foi um dos primeiros livros publicados pelo escritor português.

Memorial do Convento é muito relevante quando falamos desse caráter histórico da narrativa: o livro é exemplo perfeito da forma como Saramago consegue aliar o pessoal e o global. A história se inicia com os motivos que levarem à construção do convento do título. Como bom memorial, o romance tem na lembrança um ponto forte: vemos o desejo do rei D. João V de Portugal por um filho do sexo masculino, e como ele promete construir um convento na cidade de Mafra caso sua mulher engravide. A gravidez acontece e, embora seja uma menina sua primeira herdeira, a promessa feita deve ser cumprida.

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Entre um evento real e outro, somos apresentados a Baltasar Sete-Sóis e Blimunda. Ele, um ex-combatente que perdera na guerra uma de suas mãos. Ela, uma mulher de dons especiais, cuja mãe havia sido julgada e condenada bruxa pela Santa Inquisição. Blimunda enxerga o que os outros não vêem. Diferentemente da mulher do médico em Ensaio Sobre a Cegueira, a protagonista de Memorial do Convento tem realmente algo de mágico na sua visão: quando está em jejum, ela vê dentro dos olhos daqueles à sua volta e conhece seus desejos e medos mais profundos. Blimunda promete a Baltasar nunca olhar dentro dele, e cumpre sua promessa comendo um pão todos os dias, logo que acorda.

Outro personagem importante na narrativa é padre Bartolomeu de Gusmão e sua passarola. O padre (que foi uma figura real na monarquia lusitana), sonha em voar. Para isso, desenvolve um projeto para construção de uma engenhoca que imite o vôo dos pássaros e, aproveitando-se de conceitos da alquimia e das artes ocultas, suba aos céus usando a força dos raios solares e de poderosos ímãs. Quem auxilia padre Bartolomeu nessa empreitada é o casal Baltasar e Blimunda. Conhecendo o sobrenome de Baltasar, o padre dá a sua mulher um novo sobrenome: Blimunda Sete-Luas. Juntos, os três formam uma trindade (santíssima ou não, pouco importa) que tira o sonho da passarola do papel e o leva – literalmente – às nuvens.

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Memorial do Convento é, ao mesmo tempo, um relato dos inúmeros anos levados para a construção do convento de Mafra (que é hoje o Palácio Nacional de Mafra), e um olhar na vida de Baltasar e Blimunda. É como se o relacionamento simulasse a complicada construção: a primeira decisão é impulsiva, quase inconsciente. Vem depois a colocação da primeira-pedra, o marco zero na configuração do relacionamento. A isso segue-se o erguer das paredes, o fazer de si uma muralha que proteja dos perigos de fora. Há pedras de tamanho e peso descomunais que devem ser carregadas, há perdas ao longo do caminho. No final, o que se tem é uma linha de chegada que é, de fato, pouco importante se considerarmos todos os caminhos que tiveram de se cruzar e interligar para chegarmos ali.

- Blimunda é, sem dúvida alguma, uma das personagens mais fortes nos romances de Saramago. Também por isso, seu nome foi dado à publicação eletrônica mensal da Fundação José Saramago.

Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte

 2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles