domingo, 8 de abril de 2018

A menina e o pássaro encantado Rubem Alves



Um livro infantil , uma história para nós adultos lermos e repensarmos... Lindo e poético texto.

Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…




A menina e o pássaro encantado

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.


Concurso SEE MG

Prova hoje na PUC

Aguardando.

sábado, 7 de abril de 2018

Tudo é energia



A cada instante que passa tudo muda... 
A cada gesto ou movimento, a cada pensamento ou sentimento, mudanças acontecem em nossa Vida...
Tudo é energia, tudo é história que vamos criando e reformulando para tentar viver melhor!...
Vamos dar à nossa vida um colorido especial para torná-la melhor, mais alegre e mais bonita.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Lula - e o cerco

"Prenda-me se for capaz": 

Polícia Federal "desiste" de prender Lula hoje! O que fica óbvio diante do episódio de hoje? A grande inteligência de Lula - que resiste sem descumprir em momento algum as leis - e a burrice suprema de Sérgio Moro, que achou que estava lidando com uma inteligência mediana como a dele!!! 


Lula será preso e passará à história como um verdadeiro líder, idolatrado pelo seu povo; mas Moro será lembrado para sempre como um grande idiota que não sabe quem é "Lula"!

Lula- A prisão




Com ódio estamos sempre a desenhar a guerra em sua acepção mais cruel.
Vejo inocentes, humildes e ignorantes alimentando a vaidade dos poderosos.


Penso nos milhares de trabalhadores que saíram de lugares distantes, sem recursos, para apoiar o ex presidente Lula, em São Bernardo do Campo-SP.

Amor e espiritualidade





Minha religião é o amor. 

Urge termos consciência de que o amor pressupõe respeito, admiração, gratidão, humildade, generosidade e verdade.
Somente o amor nos assegura a certeza de que haja verdadeiras famílias e verdadeiros amigos.
Por esta razão é que temos a certeza de que o fundamento de toda prática espiritual é o amor.


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Beleza: desenho do caráter


Receita de Mulher

“As muito feias que me perdoem 
Mas beleza é fundamental.”
Vinicius de Moraes (poema de 1959)



Inicio este texto compartilhando uma experiência pessoal que vivi na tarde de ontem, 03 de abril, aqui em Contagem, Minas Gerais.
Caminhava pela rua rumo à livraria quando me deparei com um casal de deficientes visuais.
Observei que eles precisavam que alguém os ajudasse a chegar até o outro lado da rua. Dispus-me a ajudá-los.
Durante o pequeno trajeto, foi possível coletar algumas informações, como o local de trabalho dos dois, formação profissional e o ano em que disseram “sim” e se casaram.
Foi então que os deixei no local desejado e segui meu caminho, pensando emocionada sobre a conexão de amor que emanava entre aqueles seres. Aquele casal emanava amor em seus gestos e em suas palavras. Em um mundo onde a beleza física reina sob todos os poros, como sobrevive um casal que não pode “ver” seu companheiro? Qual a cor dos cabelos e dos olhos da pessoa amada? Como ela se veste como anda, como sorri?
Se perdêssemos nossa visão hoje, conseguiríamos nos relacionar com alguém sem saber como ela é fisicamente? A maneira como encaramos a beleza física pode influenciar muito em nossa felicidade. Ninguém tem dúvidas quanto à magnitude e perfeição da criação de Deus. A capacidade do corpo humano é incrível. Temos sim que cuidar muito bem dele, afinal, é nosso templo.
Talvez, um dos termos mais comuns do nosso século seja “O que é bonito é para se mostrar”. Segundo relatório da American Psychological Association (APA), nas culturas onde esse pensamento é comum, meninas adolescentes e pré-adolescentes aprendem a se ver como “objetos de desejo, a ser admiradas e avaliadas por sua aparência”. Esse conceito é perigoso e já se tornou uma grande preocupação social e questão de saúde pública. Triste realidade.
Que a beleza não seja somente os traços físicos, externos… mas seja a pessoa secreta do coração com a beleza imperecível do espírito calmo e brando, que é nosso caráter.
A vaidade em equilíbrio é fundamental, pois nos ajuda a cuidar da saúde e demonstra respeito a nós mesmos e ao próximo.
 Minha reflexão é no sentido de não nos tornarmos pessoas infelizes, com dificuldade de aceitar o desenho do nosso corpo e com as mudanças que ocorrem com o decorrer do tempo.
É imprescindível que saibamos nos amar e nos valorizar cada dia um pouco mais.A beleza que vem da nossa auto estima e do amor que brilha em nosso olhar, seguramente, nos faz dar a nós mesmas o nosso real valor. 
Por isso, nos ocupemos em cuidar mais do nosso interior, que é o que ficará para sempre, pois essa beleza não desaparece com a idade. Na verdade, ela pode até melhorar com nossa serenidade e sabedoria que somente o tempo é capaz de burilar em nós.
Não  percamos nosso precioso tempo preocupando com o que o outro está pensando a respeito do nosso corpo. Se o homem que está ao nosso lado nos ama, ele vê em nós encantos especiais que estão além de algumas celulites, de alguns poucos quilos ganhados com a maternidade, por exemplo. São os valores ocultos que dão brilho e cor ao nosso sorriso e ao nosso olhar.
Estou convencida de que quanto menor é a autoestima de um homem, mais importância ele dá a aparência da esposa ou namorada.
Já aqueles que são seguros de si mesmos não dão demasiada importância à aparência física e, seguramente, são felizes. Sentem-se completos porque quem ama, não ama só a aparência porque o amor vê além, vê a essência, vê com o coração, o coração da amada.
“As muito feias que me perdoem 
Mas beleza é fundamental.”
Sim, Vinicius! A beleza de gestos, de atitudes, o encantamento de um sorriso sincero, o brilho de um olhar amoroso.
O quanto é linda uma mão que afaga. O quanto é envolvente a voz que sussurra o amor em forma de poesia. O quanto encanta a mulher que harmoniza a sensualidade da amante, a autoridade e a ternura da mãe e a competência da profissional que labora fora do lar.

A beleza é lapidada dia a dia pela mulher que se ama e que sabe o quanto é preciosa! Sua beleza é desenhada em sua personalidade como uma obra de arte que requer inteligência, sabedoria, sensibilidade, força, fragilidade e amor.
Vinicius que me perdoe, mas fico com Labrosvsky, que afirmou: “aposto na beleza da alma que é nosso universo interior”.  

Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte

 2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles