quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Olho da Mulher-Gioconda Belli



Para adquirir um exemplar desse maravilhoso livro de poemas, traduzido por Silvio Diogo- Jornalista uberabense-radicado em Diamantina-nas Minas Gerais, basta clicar no link abaixo. Vale a pena conferir.

http://artedesemboque.wordpress.com/

Histórias da infância Thiago Mariano Do Diário do Grande ABC

Um mundo de fantasias, aventuras, amizades e boas lições sempre se descortina com um livro infantil. Clássicos do gênero são eternos para adultos e crianças, viram hábito que instiga a leitura geração após geração e traz o compartilhamento de memórias e sonhos.

Hoje, na data de nascimento de Monteiro Lobato, é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil. Um dos maiores escritores do País de todos os tempos, Lobato conquistou fãs pela maneira inédita com que os cativou.

"Ele foi o fundador da literatura infantil brasileira. Antes tínhamos livros meio aportuguesados, com texto complicado, prosódia difícil, histórias medievais. Os personagens dele eram pessoas, gente como a gente, que falavam e pensavam como nós", diz Cláudio Feldman, poeta e escritor andreense que tem 12 livros infantis e um juvenil publicados.

Para ele, apenas no século passado os livros passaram a ser escritos exclusivamente para crianças. De histórias adultas com fundo moralista elaboradas para educar, a literatura infantil passou a ser feita com a perspectiva dos menores e centrada em seu universo.

"Histórias como 'Robson Crusoé' e 'As Viagens de Gulliver' foram escritas para adultos. As fábulas dos Irmãos Grimm, mesmo, vieram de lendas populares alemãs. Somente depois começaram a escrever para crianças."

Andréa Del Fuego, de São Bernardo, que tem no currículo um livro infantil e um juvenil, sempre busca escrever para os pequenos sobre experiências que eles podem viver. Para ela, num texto infantojuvenil não deve haver pergunta sem resposta e o público-alvo tem de ser contemplado pelas mãos do autor em sua perspectiva: "Busco pensar como se pensa na idade para a qual escrevo. Criança e adolescente não são seres de outro mundo, nós adultos já fomos também. Escrever para eles é questão de observação, de olhar para onde eles estão olhando."

Poesia e humor, para Feldman, são ingredientes indispensáveis na receita dos clássicos infantojuvenis. "O importante é fazer literatura com linguagem que a criança e o adolescente entendam, mas sem baixar o nível, facilitar. Isso se consegue com poesia e humor. Esses ingredientes contrabalanceam a literatura infantil moralista e melosa de antigamente."




Comentário1.

Um mundo de fantasias, aventuras, amizades e boas lições sempre se descortina com um livro infantil. Clássicos do gênero são eternos para adultos e crianças, viram hábito que instiga a leitura geração após geração e traz o compartilhamento de memórias e sonhos. Hoje, na data de nascimento de Monteiro Lobato, é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil. Um dos maiores escritores do País de todos os tempos, Lobato conquistou fãs pela maneira inédita com que os cativou. "Ele foi o fundador da literatura infantil brasileira. Antes tínhamos livros meio aportuguesados, com texto complicado, prosódia difícil, histórias medievais. Os personagens dele eram pessoas, gente como a gente, que falavam e pensavam como nós", diz Cláudio Feldman, poeta e escritor andreense que tem 12 livros infantis e um juvenil publicados.



Junia Pereira da Costa

18/04/2012 11:02

O que falta é incentivar a leitura! Menos televisão e mais leitura seria bem melhor para todos!


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

“AS PALAVRAS SABEM MUITO MAIS LONGE."



“AS PALAVRAS SABEM MUITO MAIS LONGE."
(Bartolomeu Campos Queirós)

Estive com Bartolomeu inúmeras vezes em Uberaba. A primeira vez foi em uma escola em que eu atuava como professora de Literatura Infanto-Juvenil. Ele foi conversar com os alunos sobre o livro “Correspondências”. A segunda, foi em um Congresso de educadores, em que ele proferiu uma palestra inesquecível. Essas que nos aquece a alma para toda vida. E por diversas vezes ele nos prestigiou com sua presença em eventos de Educação.Encenei inúmeros textos dele com meus alunos em Festivais de Declamação de poesias em Uberaba. Tinha ele um domínio das palavras, do que fazer com elas, de como informar, emocionar e inspirar como eu nunca vi. Eram coisas como “fui um menino muito silencioso”, “quando eu falo a palavra e ela cai no ouvido de vocês, eu não pego nunca mais”, “eu bebia a mentira dele” (contando de quando ele pedia água para o pai e o pai fingia que dava) “porque ele lia em mim que eu não queria água, queria ele” e, lindo: “a beleza pesa muito, tanto que a gente só dá conta de vê-la com o outro. Eu preciso do outro para ver comigo”.
Bartolomeu nos deixou sua poesia para estarmos com ela sempre que quisermos. Os livros, para ele, eram como bênçãos. “A educação pela arte é a educação pela paz”. “É conduzir o aluno a tomar posse do que é ser humano. É estar assustado com o mistério que é viver”.


Sobre o livro: Correspondências

Palavras que amamos tanto, há muitos anos, dormem em dicionário. Hoje tirei do sono três palavras para dar de presente a você: Livre, Terra e Irmão.
Quando escritas, lê-se poesia; se faladas, são melodia; somadas, fazem um novo dia.

Com saudades, despede a
Ana”

“Sara, amada,

Como são fortes as palavras! Elas dizem coisas que só o coração escuta. Se escritas sobre papel claro, ficam mais iluminadas e eternas. Sei que as palavras podem abrir novo caminho.
Procurei dentro de mim alguma palavra dormindo. Só encontrei uma: Igualdade. Ela nos permite viver as diferenças.

Até muito em breve,
Lucas”

"Amigo Marcos,

Eu já falei do meu carinho pelas palavras. Mateus me escreveu. Dentro do envelope estavam três palavras escolhidas. Disse-me que Pátria, Trabalho e Justiça não podem ficar esquecidas. Guardei, com cuidado, no coração o seu presente. Sinto vontade de gritá-las. Sei que a terá inteira vai gostar de ouvi-las. Não vou acordar palavras para dar de presente a você. Peço sua ajuda para fazer dormir palavras que a muito andam acordadas: Fome, Opressão e Violência.

Todo carinho da Maria

(Bartolomeu Campos Queirós)


A Notícia- a realidade- mas a poesia vive em nós.
Morreu na madrugada desta segunda (16), em Belo Horizonte, o escritor Bartolomeu Campos de Queirós. O autor, que tinha 66 anos e sofria de problemas nos rins, foi vítima de insuficiência renal.

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Nascido em Papagaios, Minas Gerais, Bartolomeu publicou seu primeiro livro, "O peixe e o pássaro", em 1974. Desde então não parou de escrever, acumulando mais de 40 títulos e prêmios como o Jabuti, o Selo de Ouro, o diploma de honra do International Board on Books for Young People, o prêmio francês Quatrième Octogonal e o Prêmio Rosa Blanca.

Em 2008 publicou "Nascemos Livres – A Declaração Universal dos Direitos Humanos em imagens" (Edições SM), uma adaptação do documento humanitário para o público jovem.

Além do papel de escritor, Bartô (como era chamado pelos amigos) idealizou o Movimento por um Brasil Literário, presidiu a Fundação Clóvis Salgado e foi membro do Conselho Estadual de Cultura em Minas Gerais

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Morre Bartolomeu Campos Queirós

http://www.inteligemcia.com.br/58728/2012/01/18/morre-aos-66-anos-um-dos-grandes-nomes-da-literatura-infantojuvenil-brasileira/

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Viver vale a pena. Vale as penas. Apenas, vale.




Viver vale a pena. Vale as penas. Apenas, vale.
Se olharmos para uma criança encontraremos com certeza, motivação para viver e sermos felizes. Aprendemos a ver a vida com outros olhos. Vale a pena viver para ter nos braços o filho tão desejado. Vê-lo, pela primeira vez, sorrir, Segurar sua mãozinha... Ensiná-lo a andar, ouvir, encantado seu primeiro balbuciar! Por isso e por muito mais, apesar dos solavancos da vida, vale a pena aqui chegar e caminhar apenas. Ser feliz é apenas isso: amar. Amar a vida como ela nos chega diariamente já é o presente suficiente para sermos felizes. Basta apenas vê-la com olhos de agradecimento.

2012 seja um abençoado e iluminado ano novo!

Espero que 2012 seja um abençoado e iluminado ano novo! Que possamos amar mais e nos tornar pessoas sempre melhores. Que muitas flores de amor e de esperanças, possam nos fortalecer nessa estrada.
Os espinhos que existiram em 2011, os recebi como incentivo para prosseguir minha jornada evolutiva, como ser humano, como profissional. Junto ao saldo positivo de alegria, soma-se a satisfação maior de ter contado com o apoio incondicional de meus filhos e dos amigos. Agradeço-lhes por terem me dado a mão na subida ingreme. Não me deixaram esmorecer.
A saudade, a distância, o silêncio, jamais deixarão retirar de meu coração a imagem dos que me cativaram e deixaram a marca de uma presença eterna dos momentos que juntos estivemos. Como é bom estar junto...
Beijos na alma.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

"Um chão cor-de-rosa" Memorial de leitura

Escrito em maio de 2009


“Entre o sono e o sonho/entre mim e o que em mim é o que eu me suponho/
corre um rio sem fim.” (Fernando Pessoa)


As leituras que tenho feito ao longo do caminho é que me possibilitam a escritura desse texto. Quantas vezes temos que nos reportar aos livros para sustentar nosso dizer e nosso fazer como educadores?
Falar de minhas experiências com a leitura é falar de amor e de muita dor. É tocar o dedo nas feridas.
Como começar?
Começo do fim?
Não é melhor começar pelo início. Ao final vejo como amarro esse tecido textual com o tecido da minha vida. Ambos se confundem, enlaçam fios e cores numa tessitura única. Porque assim é cada vida. Assim é cada ser.
Eu fui atrás das letras. Segui uma trilha solitária.
E as encontrei. Elas sorriram para mim e jamais me abandonaram.
Foi por volta dos meus 4 ou 5 anos. Minhas irmãs iam para a escola e eu as acompanhava de longe. Se me vissem não me deixariam ir. A escola era uma casa. A professora era a dona da casa. Aprendera a ler e ensinava as crianças dela e as crianças das fazendas vizinhas. Eu ficava do lado de fora. Tudo que a professora falava lá dentro eu repetia baixinho: ma-ta, ta-tu... O quadro negro era feito de tábuas. Ela copiava lá e eu escrevia no chão duro, de terra batida, com um pedaço de pau. Lembro-me do dia que aprendi o R maiúsculo. O R de Rosa.
Primeira leitura foi em uma lata que minha mãe guardava polvilho. Eu li: “Óleo de amendoim”.Guardei segredo.
Guardar segredo desse momento mágico! Por quê?
É que certo dia estava no quarto folheando os livros de minhas irmãs, as cartilhas, e uma delas viu e saiu correndo e gritando meu pai. Levei uma surra. Estava proibida de mexer nos objetos de escola delas. Objetos de desejo. Como eu os desejava! Chorei muito e não dormi à noite. Eu só queria ver! Pegava escondidos pedaços de jornais e de revistas que vinham embrulhando as compras e levava para o milharal. E lá eu lia. Lia em voz alta, gesticulava. Apontava as montanhas, o céu.
Nessa época morávamos no alto da serra. Alto-Porã, município de Pedregulho, no Estado de São Paulo. Lá do alto avistava o Rio Grande e as montanhas que ficavam do outro lado do rio. Uma paisagem magnífica que jamais saiu de meus olhos e de minha alma.
Corria o ano de 1963, estava com 7 anos, quando atravessamos a ponte. Fomos morar em Uberaba, Minas Gerais. Seis meses depois de nossa mudança papai faleceu.
Fui morar com uma família. Fazia pequenos serviços domésticos em troca de comida, roupa, calçados. Em 1966, estava eu com 10 anos, quando me matricularam no Grupo Escolar.
Já no primeiro dia de aula, a professora nos deu uma cartilha. Novinha. Estava encapada com papel pardo. E eu li. Li em voz alta como se estivesse lendo para o cafezal em flor, para as montanhas. Ignorei a presença da professora, dos alunos. Finalmente eu estava na escola e tinha nas mãos uma cartilha. Foi o dia mais feliz da minha infância.
Quando acabei de ler a professora levou-me para o primeiro ano “adiantado”.
Ao final de cada ano eu ganhava um presente por ser a primeira aluna da sala. Lembro-me apenas de um que ganhei na segunda série: Um livro que veio com dedicatória da professora Áurea Celeste. “A Cabana do Pai Tomaz”. Era a triste história de um escravo em fuga.
Outra lembrança de leitura que me marcou deu-se no quarto ano. Toda sexta-feira, depois do recreio, a professora entrava na sala com um enorme livro vermelho, de capa dura, e lia uma história para nós. Rapunzel, João e o pé de feijão, A bonequinha preta... A voz suave da professora ecoava pela sala e ficou guardada para sempre em minha memória.
Concluí o ensino primário no final de 1969 com direito à solenidades de formatura. Missa, entrega de certificados e discursos políticos.
Fui oradora da turma. No meu texto fiz um breve relato sobre meu ingresso no mundo dos letrados. Lembro-me de que muito dos presentes choraram. Eu estava feliz. Só isso.
Neste momento, a lembrança desse dia dói em minha alma. Aos 13 anos, eu lia as palavras, mas não aprendera ainda a ler a vida.“Na escola primária/Ivo viu a uva/e aprendeu a ler.”
No início do ano seguinte, fui morar e trabalhar em Brasília. Era babá. Foram três anos sem ver minha família, três anos sem férias, três anos fora da escola. Lia muito. Jornais e revistas, e li ainda A moreninha, Meu pé de laranja lima, e Senhora. Escrevia cartas. Muitas cartas.
Retornei a Uberaba no final de 1973 e não cheguei a ficar um mês com a minha família.
Estava com 16 anos, e conheci meu primeiro amor Ao ficar rapaz/Ivo viu a Eva/e aprendeu a amar.
Mudei-me para Presidente Prudente, estado de São Paulo, com outra família. Era um casal e 4 filhos. Fiz o exame de admissão. Retornei à escola. Ficamos em Prudente um ano e nos mudamos para Pariquera-Açu, cidadezinha litorânea próxima a Iguape. Perdi meu grande amor sem ao menos tê-lo namorado. Trocamos centenas de cartas. Devia tê-las guardado, porque eram belíssimos poemas. Eu lia muito.A biblioteca da casa era riquíssima e estava sempre sendo atualizada.
Em meados de 1976, retornei para Uberaba. Fui morar com uma tradicional família da cidade.
Era então dama de companhia de uma senhora acamada. Ela perdera a visão por causa da doença. Das 19 às 23 horas uma funcionária me substituía para eu ir para o colégio. Fiz o colegial no COC. Numa madrugada, a senhora percebeu que estava acordada e perguntou-me o que eu estava fazendo. Disse que estava lendo um livro. Era Grande sertão: Veredas. – Veja que lindo! – eu dissera – e li um longo trecho para ela. Depois daquele dia, tornou-se rotina eu ler para ela os romances, os poemas, indicados pelos professores. Numa fria manhã de abril ela acordou sorrindo e disse que havia sonhado comigo. Perguntei-lhe como eu era em seu sonho. Ela respondeu: – Como você é. Linda! Chorei muito. Poucas horas depois ela dormiria para não mais acordar. Nessa época eu já estava na Universidade e dava aulas no COC no turno matutino. Inúmeros questionamentos foram tornando-se relevantes, fazendo com que buscasse melhor fundamentação para reflexões que, desde o início de minha formação acadêmica, surgiam como fundamentais. Tematizava a importância da linguagem na constituição de formas de significação da existência. Como diz Foucault, “é preciso compreender um acontecimento como uma relação de forças que se inverte, um poder confiscado, um vocabulário retomado e voltado contra seus utilizadores, uma dominação que se enfraquece, se amplia e se envenena e uma outra que faz entrada mascarada”. O ano era 1980. Passei a trabalhar dois períodos no colégio, no período vespertino, eu era professora “eventual”.
Casei-me no início de 1981. Nesse mesmo ano nascera minha filha Sílvia Beatriz e em 1982 nasceu meu filho, Sílvio Diogo.
De 81 a 83 dividia minha vida entre a universidade e a educação dos meus filhos. Comprava muitos livros para eles, mas à noite as histórias vinham de minha memória. E eu as contava dramatizando, cantando...
Meus filhos foram o maior legado que a vida reservou para mim. Com eles e por eles aprendi a arte de viver. Foram eles que despertaram em mim o olhar atento para o grande espetáculo da vida. Aprendi a olhar e aprendi a ver além. Muito além das aparências.
Em 1986 fiz minha primeira Especialização em Língua Portuguesa. Tive a felicidade de conhecer e de aprender com Eni Orlandi, Eduardo Guimarães, Eugênio Estevam, Maria Luiza Braga, Kanavillil Rajagopalan, Silvana Mabel Serrani. Eles vieram da Unicamp para dar as aulas no Curso. Muitas leituras. Aprendizado e vivência.
Nesse mesmo ano retornei à escola como professora do Ensino Médio. Acompanharam-me Paulo Freire, Rubem Alves, Edgar Morin, Moacir Gadotti, Pedro Demo e tantos outros estudiosos, que sustentaram minha prática pedagógica. Considerando que duas características dos discursos são a dispersão e a polissemia, concebo que conceitos e teorias são fenômenos culturais, socialmente construídos e legitimados. Assim, entendo o conhecimento não como algo a ser possuído, mas algo que se constrói de modo dinâmico e processual. Sendo assim, o rigor e a avaliação na aplicação do procedimento metodológico são fenômenos da ordem da intersubjetividade e estão vinculados à possibilidade de socializar o processo interpretativo.

Minha trajetória profissional tem estado vinculada, durante esses 22 anos, na área de educação, tendo trabalhado em todos os níveis educacionais (Educação Básica e Ensino Superior – Graduação, Projetos de Pesquisa e de Extensão). Atuei com coordenadora pedagógica da área de Língua Portuguesa. Minha experiência de docência é basicamente como professora.

A segunda especialização foi em Lingüística Aplicada ao ensino de Língua materna. Mais uma caminhada ao lado de grandes mestres: Doutora Ormezinda Maria Ribeiro, Aya, UnB; Dr. João Bosco e Dr Cleudemar, UFU; Dra Vânia Maria Resende, USP; Dr. Carlos Brandão e tantos outros mestres. Além desses havia Vigotsky, Sírio Possenti, Bakhtin, Barthes, Kleiman...
O trabalho de conclusão foi orientado pela professora Aya. “O texto poético em sala de aula: para além do dizível”. Artigo publicado na Revista Athos&Ethos.
O caminho profissional foi sempre partilhado com a tarefa prazerosa de ser mãe.
Em minha trajetória humana fui Gata Borralheira, Cinderela, Macabéa, Ana Moura, Clarissa, Madalena (Paulo Honório).
Hoje sou mais eu. Eu mesma. A professora Rosa Maria Olimpio. A rosa do alto da serra.
Atualmente trabalho como formadora do GESTAR pela UnB, Brasília. Viajo pelo Brasil levando aos educadores a crença do programa GESTAR, que é chegar aos alunos – crianças como eu fui em minha infância – o acesso ao mundo da cidadania assegurada pela aprendizagem da leitura. Leitura da palavra. Leitura do mundo.
No fino tear do destino, teci um final feliz para a história daquela menina que de sua mais profunda solidão atravessou o rio, as montanhas e se lançou por inteira no mundo da arte, cuja matéria prima está sempre à espera de ser lapidada: a palavra
A poética da palavra como paixão criativa, que gesta discursos provocadores. Recordo-me de uma declaração de Friedrich Nietzsche, em seu livro Humano, demasiado humano: “Há tensão e paixão que caracterizam aqueles que arriscam deslocar-se para lugares desconhecidos, desafiam verdades prontas, movem-se em busca de conhecimentos novos, viajam pelo conhecimento. Aquele que pretende apenas em certa medida alcançar a liberdade da razão não tem durante muito tempo o direito de se sentir sobre a terra, senão como um viajante – e nem sequer como um viajante que se encaminhe para um ponto de chegada; pois este não existe. Terá em vista, isso sim, observar bem e manter os olhos abertos para tudo o que realmente se passa no mundo; [...] é necessário que nele haja sempre algo de viajante, cujo prazer reside na mudança e na passagem”.
Acrescento minha experiência pessoal ao comentário de Nietzsche, com a poesia existencial de Clarice Lispector, e encerro esse memorial.
“Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”
E creio que, nos caminhos por onde andei, o chão ficou cor-de-rosa.






PRIMEIRA LIÇÃO


Na escola primária
Ivo viu a uva
e aprendeu a ler.

Ao ficar rapaz
Ivo viu a Eva
e aprendeu a amar.

E sendo homem feito
Ivo viu o mundo
seus comes e bebes.

Um dia no muro
Ivo soletrou
a lição da plebe.
E aprendeu a ver.

Ivo viu a ave?
Ivo viu o ovo?
Na nova cartilha
Ivo viu a greve
Ivo viu o povo.

Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte

 2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles