sexta-feira, 17 de setembro de 2010

sejamos autênticos

A decepção existe tão-somente porque costumamos idealizar as pessoas, ou seja, ao invés de aceitar os outros como são, ficamos tentando moldá-los conforme nossas expectativas, e esse comportamento é extremamente prejudicial para qualquer tipo de relacionamento, pessoal ou profissional. Temos de estar conscientes de que vivemos em um mundo ainda imperfeito e, muitas vezes, é comum nos decepcionarmos com os que nos cercam.
Muitas das vezes, para não perder a admiração e a aprovação dos familiares e amigos, mudamos nossa natureza e passamos a agir de forma a agradar aos outros, o que causa um verdadeiro estrago em nossa autoestima. E quantas vezes, diante das injustiças ou das desavenças, escolhemos a vingança e passamos a trilhar caminhos de ressentimentos e de dores. Tudo isso, é claro, resulta em sofrimento e na descrença no sentido de nossa vida. Passamos a desvalorizar a nós mesmos e a desconfiar do ser humano em geral.É essencial que sejamos autênticos, buscando viver de bem com a vida, nutrindo-nos dos mais puros sentimentos, cultivando a compaixão e, principalmente, cuidando para não nos contaminarmos com a revolta, o azedume e as mágoas das pessoas que nos são próximas.
E a melhor forma de nos protegermos das influências negativas é fortalecermos nossa autoconfiança e nosso amor-próprio. Quem se ama e confia nos próprios talentos possui uma natureza determinada e exemplifica aos outros o poder da valorização pessoal. Quem tem a autoestima desenvolvida pratica o bem pelo grande prazer que é fazer a diferença na vida das pessoas, e não em busca de aprovação ou de gratidão pelos seus atos. Não precisa cobrar de ninguém, porque sabe que a vida é um eterno dar e receber.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"Que nem mesmo a morte nos separe"



Aproveitando a importante matéria de capa da Revista Veja, da última semana, intitulada “Casar faz bem”, faço uma breve reflexão sobre os segredos da felicidade conjugal. Na verdade, estes segredos são pequenos detalhes que fazem a diferença nos relacionamentos afetivos, capazes de garantir acesa a chama do amor e do companheirismo, mesmo depois de muito tempo de casamento.

No meu ponto de vista, o detalhe fundamental para a felicidade a dois é o fato de cada cônjuge estar bem consigo próprio, ou seja, ter uma autoimagem positiva e confiança em seu próprio valor. A questão da autoestima é básica, porque, se uma pessoa não se valoriza como vai querer ser valorizada pelo outro? Impossível! E quando os cônjuges estão em paz com a sua própria pessoa, são mais respeitosos em relação à individualidade de cada um, sabendo que o casal é formado por duas pessoas inteiras, que se uniram não para se completarem – pois que são inteiras –, mas para caminharem juntas em direção a um objetivo comum.

Uma união fadada à felicidade é aquela em que cada um dos companheiros se interessa pela vida do outro e o estimula ao crescimento integral, criando uma forte conexão emocional entre eles.

É importante também respeitar as diferenças, conhecendo como o outro se comunica e entende o mundo. Por exemplo, um parceiro mais visual, ou seja, que usa mais o que vê, ou o que escreve ou lê para se comunicar, terá alguma dificuldade em se relacionar com uma parceira mais sinestésica – que gosta de abraços e carinhos e lhe cobra essas atitudes, ou com uma parceira mais auditiva, que aprecia ouvir elogios e declarações de amor, e insiste em dialogar o tempo todo. Quem é mais visual não se sente confortável com muitos toques e “amassos”, nem gosta de pessoas que falam demais. Muitas vezes, a pessoa mais visual é considerada fria e insensível, mas isso não é um defeito dela, e sim uma característica na sua forma de ser e de se comunicar. A conscientização desse fato traz muito alívio aos relacionamentos, porque cada par pode buscar sua própria mudança, desenvolvendo novas habilidades na interação familiar.

Outro fator interessante e que tempera o casamento é manter o romantismo através da troca de bilhetes amorosos e ousados, bem como os parceiros se olharem mais nos olhos um do outro e cultivarem o diálogo construtivo e afetuoso – sem queixas, críticas e prejulgamentos.

Viver ancorado no momento presente é de grande valia na vida a dois, porque fatos dolorosos do passado, ao serem relembrados, acabam por deixar sombras e arestas no relacionamento.

E, finalmente, entender que os filhos precisam ter o seu próprio espaço na vida familiar, não devendo ocupar o espaço do casal. Para isso, os cônjuges devem preservar a sua privacidade e a afetividade dos primeiros tempos, com amor e maturidade.

Viver a dois em harmonia é um dos grandes desafios do ser humano, mas, segundo pesquisas mais recentes, é também uma das maiores fontes de alegria, saúde e prosperidade.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MENINO


O grande pregador Padre Antonio Vieira, cujos sermões em nossa língua são de beleza indescritível, deixou lindas e profundas reflexões sobre o amor divino e o amor humano. Lembra, porém, que o amor pode ser destruído por muitos perigos que ele chama de “remédios” que podem curar o amor.
O que, em primeiro lugar, pode esfriar e até destruir o amor, diz o Padre Vieira, é o tempo que “tudo gasta, tudo digere, tudo acaba”. Compara ele o afeto amoroso com a vida. Quanto mais longa for, é certo de passar a durar menos. É a motivação que levava os antigos, na sua sabedoria que o tempo ensina, a pintar o amor como se fora um menino, “porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho”. Com o correr do tempo o amor cria asas, com que voa e foge.
Mas isto acontece quando, quem ama, não toma os necessários cuidados de fazer de cada dia o primeiro dia.
O amor – se verdadeiro – tem de ser eterno, porque se vier a desaparecer, nunca de fato foi amor. Em tudo mais na vida, quando desaparece, prova que existiu. Só com o amor se dá o contrário: se deixa de ser, é certo que nunca foi. Se desaparecer, esfria e morre. Se fora, nunca deixará de ser...
Esta é a razão pela qual, sempre orientei meus filhos a fazerem de cada dia de suas existências, sempre o primeiro dia. O mesmo vale para o casal. Já que não existe casal infeliz no dia do casamento.
Nem vale querer justificar o fim do amor por motivos que pareçam razoáveis. É só lembrar a sábia advertência de Camões: “É tanto mais o amor depois que amais / quanto são mais as causas de ser menos”.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Educação e formação de homens de bem.



Escultura: "Homem sentado" Cândido Portinari)
A Filosofia, assim como a Sociologia, foi banida das escolas, tanto do Ensino Básico, como do Superior. Quando voltou aos currículos dos cursos superiores, com a volta da democracia, encontrou ambiente pouco propício. Não só faltavam professores, como faltava, o que é pior, a consciência dos gestores em educação sobre a sua importância na formação dos profissionais.

Para muitos, a formação que interessa é a técnica, aquela que municia o estudante com conhecimentos que o habilitam a exercer sua profissão de forma mais ou menos competente. Olvida-se, então, que este profissional é um ser humano e um cidadão antes de ser profissional. Que somente será um bom profissional quando souber refletir sua prática e tiver instrumentos conceituais que lhe permitam fazer perguntas e lançar-se na aventura de buscar novas respostas.

Este papel, inegavelmente e historicamente, compete à Filosofia, porque uma atitude filosófica é aquela que pensa nos fundamentos, reclama os princípios, analisa as consequências, destaca as origens, resgata as incongruências. Quem afirmaria que esta atitude não é importante na formação da juventude?

Infelizmente, percebemos que, em alguns cursos superiores, a Filosofia somente consta na grade curricular com função estética. As disciplinas filosóficas (que têm outros nomes, mas conteúdo filosófico, inclusive a ética) não são levadas a sério, porque professores de qualquer formação são chamados a ministrá-la. Encontramos professores com formação em História, Pedagogia, Letras, Direito etc., considerando-se habilitados a ensinar aquilo que não constava de sua área de formação. Talvez 60 horas-aula ou um pouco mais na sua graduação já são considerados o suficiente para torná-lo "professor".

Façamos uma analogia, aqui, para compreendermos o que isso significa: se no curso de Medicina encontra-se uma disciplina que exige conhecimento de Biologia, o seu coordenador procurará um biólogo, e não uma pessoa que, quando fez a graduação em Medicina, estudou esta disciplina. Caso este coordenador não encontre um profissional na cidade, irá procurá-lo em outros centros. Se na grade curricular do curso de Engenharia Ambiental há uma disciplina do tipo "Legislação Ambiental", o coordenador deste curso chamará um professor com formação em Direito. E poderíamos nos estender nos exemplos.

Os gestores dos cursos superiores sempre procuram os melhores profissionais para ser professores e cuidam para que tenham a formação necessária. Isto, porém, não acontece quando a disciplina é filosofia ou sociologia. Há um descaso, um desrespeito para com o aluno. Alguém poderia afirmar que se pode aprender Filosofia de forma autodidata, sem necessariamente cursar um Bacharelado ou Licenciatura em Filosofia. É verdade que isto pode ocorrer, mesmo com outras áreas do conhecimento, como direito, história, geografia, biologia etc. Mas ninguém contrataria, a nível de Ensino Superior, um autodidata para outras disciplinas consideradas técnicas.

Um professor que teve uma formação inicial em outra área realmente e é um apaixonado pela Filosofia teria procurado pelo menos fazer uma Pós-graduação nessa área. Vejam o caso de Wittgenstein (ele era engenheiro de formação inicial) e de Russel (era matemático), entre tantos exemplos de filósofos que começaram sua vida acadêmica por outra porta e depois foram seduzidos pela filosofia.

Como se pode transmitir um conhecimento não assimilado, utilizando manuais, sem ter lido o pensamento dos filósofos nos seus originais? Lamentavelmente, presenciamos disciplinas filosóficas sendo tratadas em cursos superiores, sem o mínimo rigor. O que confirma nossa tese inicial: a desimportância da filosofia no Ensino Superior praticado nas instituições de Ensino Superior particulares de Uberaba.

A Filosofia representa o potencial de libertação racional do homem, porque lhe oferece instrumentos que lhe permitem, por meio de ligações lógicas, estabelecer relações e atribuir sentido aos fenômenos por ele estudados. Estamos incorrendo no pecado de formar bons técnicos, mas péssimos homens. Acredito que os estudantes têm direito de conhecer o pensamento filosófico acumulado durante séculos, para, a partir dele, se lançar em sua própria aventura de produzir conhecimento.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CAUSA E EFEITO

A cada dia fico mais convencida de que nem felicidade nem sucesso permanentes são alcançados se não houver merecimento.Podemos até conhecer muitas pessoas bem-sucedidas, ou que aparentam felicidade e que, na verdade, não são pessoas de bem, e e compreendemos, pela nossa evolução espiritual, que toda essa prosperidade que mostram ao mundo são simplesmente castelos de areia, sem a menor consistência e que, mais dia menos dia, vão desabar e deixar apenas poeira no ar.

O que nos torna merecedores da felicidade e do sucesso duradouros é a nossa conduta reta, a postura de compaixão diante da dor do outro, a forma honesta de nos relacionar com as pessoas. Neste mundo ainda imperfeito em que vivemos, é deplorável constatar quantas pessoas há que se mostram mascaradas de amigas, companheiras e incentivadoras, mas que, ao menor deslize, são descobertas em suas mentiras e ações de má-fé.

As pessoas desonestas não percebem que mesmo que ninguém esteja presenciando suas trapaças, o Universo e sua própria consciência sabem de tudo e dia virá em que a vida lhes trará de volta tudo aquilo que elas transmitiram, através dos fracassos e das decepções com outros embusteiros, e a própria consciência lhes punirá através das doenças que vão surgindo, sem nenhuma explicação aparente.

Dias atrás, no aeroporto, escutei o seguinte depoimento de uma moça para uma amiga que estava com ela: -"Não sei o que acontece comigo, mas sou alvo de ladrões ou de gente querendo me passar para trás. Na minha última viagem, acredita que aqui, no aeroporto, mexeram em minha mala e roubaram um estojo de bijuterias? Reclamei na companhia aérea e eles, depois de comprovarem que o peso da mala chegou menor do que estava quando pesaram na saída, disseram que iam me ressarcir o valor do conteúdo do estojo. Na verdade, eu não tinha coisas de valor, não, mas aproveitei a chance e declarei que tinha seiscentos reais em bijuterias perdidas. É desaforo, não é? Como é que mexem assim nas minhas coisas?” Então, depois de ouvir essa lamentável declaração, fiquei refletindo comigo mesma: Infelizmente, ela vai continuar passando por golpes e decepções, porque ela não foi honesta quando deveria ter sido. Ela poderia ter feito a reclamação à companhia aérea e declarado o valor real do conteúdo daquele estojo. Dessa forma, ela estaria sinalizando ao Universo que é uma pessoa merecedora de prosperidade.

Por isso, observemos, dia-a-dia, as nossas atitudes, lembrando-nos de que a vida é um eterno dar e receber.Atraímos para nós exatamente aquilo que pensamos, falamos ou fazemos.

Rosa Maria Olimpio

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

TRISTE RETROCESSO


É grande equívoco querer separar totalmente a vida pessoal da vida profissional. É uma grande teia, na verdade. Pessoal e profissional estão interligados e não há como negar isso. Também, é verdade, não há como um não influenciar no outro.
Certa vez, uma beata viu o sacristão da igreja tomando cerveja com o amigo em um barzinho perto da casa dela. Nada de errado, não é mesmo?
No entanto, para ela, aquilo era um verdadeiro sacrilégio, um absurdo, um pecado com direito a excomunhão.
Tomando conhecimento do caso, o padre acabou não mandando o sacristão embora. Ele, sensato e justo, escutou a versão do rapaz. No fim, o sacristãozinho continuou empregado e feliz. Porém, nervoso demais com a beata fofoqueira...
Ora, é assim também no futebol. Por mais que muitos digam que a vida pessoal do cara é dele e só dele, é preciso uma discussão mais abrangente sobre o assunto.
Jogadores, além de milionários, também são ídolos. Na grande maioria, são ídolos de crianças. Crianças pobres, sem um plano na vida, a não ser... tornarem-se jogadores de futebol.
Entende a seriedade desse assunto? Há milhares de crianças e jovens, por exemplo, que adoram ser o goleiro quando brincam de jogar bola. “Bruuuuuuno!!!”, gritavam, ou ainda gritam muitos deles, a cada defesa feita. Agora, o ídolo deles, o maior goleiro do mundo – para eles – é apontado como suspeito de participar de um crime macabro.
No entanto, infelizmente, o caso do goleiro Bruno é só mais um entre tantos casos parecidos. Já tivemos casos de atletas batendo em namorada; jogador negociando com traficante; boleiro saindo com prostitutas adolescentes, artilheiros alcoólatras e viciados em outras drogas...
Tudo bem que é preciso entender que estamos falando de seres humanos. Humanos erram. É normal. Não sou moralista, nem juíza da humanidade, porém, certos erros são perfeitamente evitáveis. Achar que por ser ídolo se pode fazer tudo é um erro. Achar que dinheiro compra tudo, é outro erro ainda maior.
É preciso que o jogador entenda que muitos órfãos, por exemplo, se espelham neles! Houve um tempo em que o garoto escutava que seu ídolo cresceu na favela e venceu na vida, apesar de todas as dificuldades. Naquele tempo, contudo, não se ouvia dizer que depois de ficar rico e famoso, o jogador, que fora pobre, voltou para ajudar traficantes, assassinos e ladrões. Lembro de já ter lido e visto reportagens em que os craques abrem instituições de apoio aos menores em situação de risco; compram comida, dão roupas e oferecem educação. Hoje, para tristeza de muitos e decepção da maioria, o dinheiro que poderia ser gasto com atitudes nobres e de caridade está sendo colocado nas mãos de advogados de defesa...
Triste, muito triste. Em muitos casos, o homem caminha para trás, regride, quando o que se espera é o progresso. Eu ainda acredito na evolução humana a caminho do bem.

Rosa Maria Olimpio

Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte

 2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles