quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MENINO


O grande pregador Padre Antonio Vieira, cujos sermões em nossa língua são de beleza indescritível, deixou lindas e profundas reflexões sobre o amor divino e o amor humano. Lembra, porém, que o amor pode ser destruído por muitos perigos que ele chama de “remédios” que podem curar o amor.
O que, em primeiro lugar, pode esfriar e até destruir o amor, diz o Padre Vieira, é o tempo que “tudo gasta, tudo digere, tudo acaba”. Compara ele o afeto amoroso com a vida. Quanto mais longa for, é certo de passar a durar menos. É a motivação que levava os antigos, na sua sabedoria que o tempo ensina, a pintar o amor como se fora um menino, “porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho”. Com o correr do tempo o amor cria asas, com que voa e foge.
Mas isto acontece quando, quem ama, não toma os necessários cuidados de fazer de cada dia o primeiro dia.
O amor – se verdadeiro – tem de ser eterno, porque se vier a desaparecer, nunca de fato foi amor. Em tudo mais na vida, quando desaparece, prova que existiu. Só com o amor se dá o contrário: se deixa de ser, é certo que nunca foi. Se desaparecer, esfria e morre. Se fora, nunca deixará de ser...
Esta é a razão pela qual, sempre orientei meus filhos a fazerem de cada dia de suas existências, sempre o primeiro dia. O mesmo vale para o casal. Já que não existe casal infeliz no dia do casamento.
Nem vale querer justificar o fim do amor por motivos que pareçam razoáveis. É só lembrar a sábia advertência de Camões: “É tanto mais o amor depois que amais / quanto são mais as causas de ser menos”.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Educação e formação de homens de bem.



Escultura: "Homem sentado" Cândido Portinari)
A Filosofia, assim como a Sociologia, foi banida das escolas, tanto do Ensino Básico, como do Superior. Quando voltou aos currículos dos cursos superiores, com a volta da democracia, encontrou ambiente pouco propício. Não só faltavam professores, como faltava, o que é pior, a consciência dos gestores em educação sobre a sua importância na formação dos profissionais.

Para muitos, a formação que interessa é a técnica, aquela que municia o estudante com conhecimentos que o habilitam a exercer sua profissão de forma mais ou menos competente. Olvida-se, então, que este profissional é um ser humano e um cidadão antes de ser profissional. Que somente será um bom profissional quando souber refletir sua prática e tiver instrumentos conceituais que lhe permitam fazer perguntas e lançar-se na aventura de buscar novas respostas.

Este papel, inegavelmente e historicamente, compete à Filosofia, porque uma atitude filosófica é aquela que pensa nos fundamentos, reclama os princípios, analisa as consequências, destaca as origens, resgata as incongruências. Quem afirmaria que esta atitude não é importante na formação da juventude?

Infelizmente, percebemos que, em alguns cursos superiores, a Filosofia somente consta na grade curricular com função estética. As disciplinas filosóficas (que têm outros nomes, mas conteúdo filosófico, inclusive a ética) não são levadas a sério, porque professores de qualquer formação são chamados a ministrá-la. Encontramos professores com formação em História, Pedagogia, Letras, Direito etc., considerando-se habilitados a ensinar aquilo que não constava de sua área de formação. Talvez 60 horas-aula ou um pouco mais na sua graduação já são considerados o suficiente para torná-lo "professor".

Façamos uma analogia, aqui, para compreendermos o que isso significa: se no curso de Medicina encontra-se uma disciplina que exige conhecimento de Biologia, o seu coordenador procurará um biólogo, e não uma pessoa que, quando fez a graduação em Medicina, estudou esta disciplina. Caso este coordenador não encontre um profissional na cidade, irá procurá-lo em outros centros. Se na grade curricular do curso de Engenharia Ambiental há uma disciplina do tipo "Legislação Ambiental", o coordenador deste curso chamará um professor com formação em Direito. E poderíamos nos estender nos exemplos.

Os gestores dos cursos superiores sempre procuram os melhores profissionais para ser professores e cuidam para que tenham a formação necessária. Isto, porém, não acontece quando a disciplina é filosofia ou sociologia. Há um descaso, um desrespeito para com o aluno. Alguém poderia afirmar que se pode aprender Filosofia de forma autodidata, sem necessariamente cursar um Bacharelado ou Licenciatura em Filosofia. É verdade que isto pode ocorrer, mesmo com outras áreas do conhecimento, como direito, história, geografia, biologia etc. Mas ninguém contrataria, a nível de Ensino Superior, um autodidata para outras disciplinas consideradas técnicas.

Um professor que teve uma formação inicial em outra área realmente e é um apaixonado pela Filosofia teria procurado pelo menos fazer uma Pós-graduação nessa área. Vejam o caso de Wittgenstein (ele era engenheiro de formação inicial) e de Russel (era matemático), entre tantos exemplos de filósofos que começaram sua vida acadêmica por outra porta e depois foram seduzidos pela filosofia.

Como se pode transmitir um conhecimento não assimilado, utilizando manuais, sem ter lido o pensamento dos filósofos nos seus originais? Lamentavelmente, presenciamos disciplinas filosóficas sendo tratadas em cursos superiores, sem o mínimo rigor. O que confirma nossa tese inicial: a desimportância da filosofia no Ensino Superior praticado nas instituições de Ensino Superior particulares de Uberaba.

A Filosofia representa o potencial de libertação racional do homem, porque lhe oferece instrumentos que lhe permitem, por meio de ligações lógicas, estabelecer relações e atribuir sentido aos fenômenos por ele estudados. Estamos incorrendo no pecado de formar bons técnicos, mas péssimos homens. Acredito que os estudantes têm direito de conhecer o pensamento filosófico acumulado durante séculos, para, a partir dele, se lançar em sua própria aventura de produzir conhecimento.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CAUSA E EFEITO

A cada dia fico mais convencida de que nem felicidade nem sucesso permanentes são alcançados se não houver merecimento.Podemos até conhecer muitas pessoas bem-sucedidas, ou que aparentam felicidade e que, na verdade, não são pessoas de bem, e e compreendemos, pela nossa evolução espiritual, que toda essa prosperidade que mostram ao mundo são simplesmente castelos de areia, sem a menor consistência e que, mais dia menos dia, vão desabar e deixar apenas poeira no ar.

O que nos torna merecedores da felicidade e do sucesso duradouros é a nossa conduta reta, a postura de compaixão diante da dor do outro, a forma honesta de nos relacionar com as pessoas. Neste mundo ainda imperfeito em que vivemos, é deplorável constatar quantas pessoas há que se mostram mascaradas de amigas, companheiras e incentivadoras, mas que, ao menor deslize, são descobertas em suas mentiras e ações de má-fé.

As pessoas desonestas não percebem que mesmo que ninguém esteja presenciando suas trapaças, o Universo e sua própria consciência sabem de tudo e dia virá em que a vida lhes trará de volta tudo aquilo que elas transmitiram, através dos fracassos e das decepções com outros embusteiros, e a própria consciência lhes punirá através das doenças que vão surgindo, sem nenhuma explicação aparente.

Dias atrás, no aeroporto, escutei o seguinte depoimento de uma moça para uma amiga que estava com ela: -"Não sei o que acontece comigo, mas sou alvo de ladrões ou de gente querendo me passar para trás. Na minha última viagem, acredita que aqui, no aeroporto, mexeram em minha mala e roubaram um estojo de bijuterias? Reclamei na companhia aérea e eles, depois de comprovarem que o peso da mala chegou menor do que estava quando pesaram na saída, disseram que iam me ressarcir o valor do conteúdo do estojo. Na verdade, eu não tinha coisas de valor, não, mas aproveitei a chance e declarei que tinha seiscentos reais em bijuterias perdidas. É desaforo, não é? Como é que mexem assim nas minhas coisas?” Então, depois de ouvir essa lamentável declaração, fiquei refletindo comigo mesma: Infelizmente, ela vai continuar passando por golpes e decepções, porque ela não foi honesta quando deveria ter sido. Ela poderia ter feito a reclamação à companhia aérea e declarado o valor real do conteúdo daquele estojo. Dessa forma, ela estaria sinalizando ao Universo que é uma pessoa merecedora de prosperidade.

Por isso, observemos, dia-a-dia, as nossas atitudes, lembrando-nos de que a vida é um eterno dar e receber.Atraímos para nós exatamente aquilo que pensamos, falamos ou fazemos.

Rosa Maria Olimpio

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

TRISTE RETROCESSO


É grande equívoco querer separar totalmente a vida pessoal da vida profissional. É uma grande teia, na verdade. Pessoal e profissional estão interligados e não há como negar isso. Também, é verdade, não há como um não influenciar no outro.
Certa vez, uma beata viu o sacristão da igreja tomando cerveja com o amigo em um barzinho perto da casa dela. Nada de errado, não é mesmo?
No entanto, para ela, aquilo era um verdadeiro sacrilégio, um absurdo, um pecado com direito a excomunhão.
Tomando conhecimento do caso, o padre acabou não mandando o sacristão embora. Ele, sensato e justo, escutou a versão do rapaz. No fim, o sacristãozinho continuou empregado e feliz. Porém, nervoso demais com a beata fofoqueira...
Ora, é assim também no futebol. Por mais que muitos digam que a vida pessoal do cara é dele e só dele, é preciso uma discussão mais abrangente sobre o assunto.
Jogadores, além de milionários, também são ídolos. Na grande maioria, são ídolos de crianças. Crianças pobres, sem um plano na vida, a não ser... tornarem-se jogadores de futebol.
Entende a seriedade desse assunto? Há milhares de crianças e jovens, por exemplo, que adoram ser o goleiro quando brincam de jogar bola. “Bruuuuuuno!!!”, gritavam, ou ainda gritam muitos deles, a cada defesa feita. Agora, o ídolo deles, o maior goleiro do mundo – para eles – é apontado como suspeito de participar de um crime macabro.
No entanto, infelizmente, o caso do goleiro Bruno é só mais um entre tantos casos parecidos. Já tivemos casos de atletas batendo em namorada; jogador negociando com traficante; boleiro saindo com prostitutas adolescentes, artilheiros alcoólatras e viciados em outras drogas...
Tudo bem que é preciso entender que estamos falando de seres humanos. Humanos erram. É normal. Não sou moralista, nem juíza da humanidade, porém, certos erros são perfeitamente evitáveis. Achar que por ser ídolo se pode fazer tudo é um erro. Achar que dinheiro compra tudo, é outro erro ainda maior.
É preciso que o jogador entenda que muitos órfãos, por exemplo, se espelham neles! Houve um tempo em que o garoto escutava que seu ídolo cresceu na favela e venceu na vida, apesar de todas as dificuldades. Naquele tempo, contudo, não se ouvia dizer que depois de ficar rico e famoso, o jogador, que fora pobre, voltou para ajudar traficantes, assassinos e ladrões. Lembro de já ter lido e visto reportagens em que os craques abrem instituições de apoio aos menores em situação de risco; compram comida, dão roupas e oferecem educação. Hoje, para tristeza de muitos e decepção da maioria, o dinheiro que poderia ser gasto com atitudes nobres e de caridade está sendo colocado nas mãos de advogados de defesa...
Triste, muito triste. Em muitos casos, o homem caminha para trás, regride, quando o que se espera é o progresso. Eu ainda acredito na evolução humana a caminho do bem.

Rosa Maria Olimpio

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A vida é simples assim...


A felicidade está dentro de cada um. Ela não depende de ninguém. O sentimento de apreço e consideração que sentimos por nós mesmos, que nos dá autoconfiança em nossas atitudes e decisões, é que nos faz felizes. A partir do momento em que nos valorizamos como “ser humano” e valorizamos a nossa capacidade pessoal, nós começamos a nos preparar para as realizações positivas que a vida nos reserva. Muitos transtornos acontecem por causa da baixa autoestima: desavenças, invejas, ciúmes, fofocas e tristeza. Muita tristeza.
Quando estamos com a nossa autoestima equilibrada, passamos a ser uma pessoa mais dedicada, mais interessada em aprender e muito mais confiante em nosso potencial produtivo. Com isso, não vamos nos sentir ameaçado com os talentos de nossos colegas e nem com inveja do brilho dos outros, porque sabemos que somos também capazes de crescer, ser reconhecido, ser amado, ser feliz.
Com a autoestima elevada, não nos perturbamos com as decepções que sofremos, porque as vemos como desafios que nos levam a uma melhor compreensão de nós mesmos. l.
Confiando em nossa força interior, em nossa capacidade de aceitar as perdas e recomeçarmos, riscamos de nosso dicionário a expressão “não consigo”, porque sabemos que o impossível só existe até que alguém prove que é possível. Acreditamos em nossas possibilidades!
Quando nos valorizamos, não nos ofendemos com as críticas e sabemos distinguir aquelas que são invejosas daquelas que são construtivas e fazemos bom uso delas.
‘Sentindo-nos bem em nossa própria companhia, não seremos uma pessoa que não tem medo de ouvir um “não”, e, sendo assim, somos corajosos nas solicitações, porque sabemos que o máximo que vamos ouvir é um “não” e isso não vai nos fazer desistir dos nossos objetivos.
Demonstramos autoconfiança quando caprichamos mais em nossa imagem pessoal, no nosso modo de vestir, falar e agir. Façamos as pazes com o espelho e cuidemos mais de nossa autoimagem, porque, quer gostemos ou não, a forma como nos cuidamos diz muito de nós mesmos para as pessoas que convivem conosco. Elevando o nosso amor-próprio, deixamos de pensar que nascemos para agradar a todo mundo e não sofremos tanto quando percebemos que não somos amados por todos. Paramos de mendigar a atenção e a aprovação dos outros e aprendemos a nos interiorizarmos mais. E, olhando para dentro de nós, descobrimos quão rico de talentos somos e quão longe podemos caminhar!
A verdade é que somos únicos e especiais, embora tentemos, muitas vezes, esconder os nossos talentos por medo das críticas ou por um medo inconsciente de crescer e aparecer.
Sabendo disso, levantemo-nos já e tomemos posse da nossa importância, distribuindo a nossa experiência, a nossa boa-vontade e os nossos dons para o mundo! Afinal, somos muito importantes!Seja qual for a nossa dor, não nos menosprezemos, mas antes confiemos em nossa capacidade de amar e ser amado Que o amor nos torne felizes


Rosa Maria Olimpio

segunda-feira, 26 de julho de 2010

José Saramago!

José Saramago

No dia 18 de junho de 2010, a humanidade perdeu um de seus membros mais ilustres. Morreu José Saramago, escritor português que fazia da pena uma poderosa arma contra as injustiças e em favor dos injustiçados do mundo. Apesar de nascer em Portugal, Saramago era cidadão do mundo. Era um homem para além desse tempo de “barbárie”, era um homem cuja visão simples, própria da origem camponesa, não se concentrava nos detalhes, mas na totalidade da essência do mundo, conseguindo perceber os detalhes e suas ligações com a totalidade do mundo, com a harmonia e desarmonia da vida. Assim era Saramago, assim ele foi durante toda sua existência. Polemizava quando era necessário, brigava quando tinha convicção de sua causa, porém, nunca abandonava uma causa nobre.

Esse adorável escritor passou toda sua existência entre o amor e o ódio. Era amado pelos que possuíam nobreza de caráter e odiado pelos covardes, pelos assassinos, pelos injustos, pelos escravagistas, pelos censores. Saramago examinava o mundo com a lupa da honradez, da retidão de seus valores, da luta contra todas as formas de preconceito e discriminação [das maiorias e das minorias]. Mais que escritor, ele era um militante em favor das causas justas, por isso, ele examinava os fatos e suas consequências e não seus autores. Elogiava quando se merecia e criticava quando necessário. Não importavam a quantos nem a quem eram dirigidas suas críticas ou elogios. Esse era o homem português, escritor, lutador, desbravador, pesquisador, poeta de muitos ou de poucos homens.

Sua obra tinha o traço da crítica severa, mas não da crítica pela crítica, mas da crítica propositiva, que buscava alternativas, que vislumbrava novos horizontes, novos rumos, novos caminhos. Acreditava que “para se descobrir novos caminhos é necessário sair dos trilhos”, pois eles [os trilhos] determinam um único caminho, já conhecido. Sua obra se destaca pela ironia verdadeira, pela contundência de sua crítica, pelo apelo que faz em nome da construção de outro mundo, de outra sociedade. Sua filosofia era a filosofia da liberdade, do amor à vida e aos homens justos, acima de tudo.

Sua obra se destaca, mais que nunca, pela simplicidade de sua escrita. Mas não é uma simplicidade qualquer, é a simplicidade que destaca o complexo, o contexto. É uma simplicidade que se aprofunda desnudando a verdade de suas crenças, metendo medo nos covardes, dando o verdadeiro nome às coisas, não importando a quem ou a quantos iria agradar ou desagradar. Diferente de alguns que se dizem escritores, Saramago não escrevia para vender. Não fazia da literatura mera mercadoria a serviço da mais valia. Sua obra objetivava a construção de uma filosofia de vida, da edificação de um mundo e de uma sociedade mais humanos. Esses traços, contundentes em sua literatura, o assemelham a Paulo Freire.

Ao analisarmos, com profundidade, seus trabalhos, podemos perceber diversos pontos comuns com os trabalhos do professor Paulo Freire. Assim como Freire, Saramago acreditava que a utopia de hoje será a realidade de amanhã, que a esperança é o tênue fio que une o sonho à realidade. Assim como o nosso brilhante Paulo Freire, ele também acreditava na emancipação dos “Demitidos da vida”, dos “Esfarrapados do mundo”. Por isso, defendia os indígenas, os negros, os mendigos, as prostitutas, os homossexuais, enfim, fazia sua a causa dos oprimidos, dos “De baixo”, nas palavras de Freire. Assim como Freire, Saramago acreditava no poder de transformação presente em cada ser humano, acreditava na essência entre a forma e o conteúdo. Enfim, os dois acreditavam com veemência na emancipação dos oprimidos diante dos opressores. A “Pedagogia crítico-libertadora” de Paulo Freire é a mesma “Filosofia da liberdade” de Saramago.

Por fim, a humanidade não perdeu apenas um escritor ilustre. Mais que isso! A humanidade perdeu um militante em favor da justiça, dos oprimidos. Perdeu um homem que desafiava, com a mesma intensidade tanto o Vaticano quanto a Casa Branca. Perdeu um homem que, acima de tudo, nunca se deixou fascinar pelo poder que emana das elites, das falcatruas, das maracutaias, da desonestidade e da injustiça.

Enfim, pelo homem que foi e pelas ideias que construiu, por intermédio de sua escrita simples, cuja obra se assemelha à batuta que rege uma grande sinfonia, em nome da humanidade, eu brado em alto e bom som: sua obra percorrerá a eternidade. Obrigado! Grande José Saramago!

20/07/2010


Valter Machado da Fonseca -
Mestre e doutorando em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU); professor da Universidade de Uberaba (Uniube)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Entre Pontos e vírgulas


Inicio essas reflexões com um singelo - porém marcante - conto de autor desconhecido:

“Um homem rico estava muito doente. Pediu papel e pena e escreveu assim: ‘Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres’. Esqueceu de fazer a pontuação da frase e morreu deixando com ela uma grande pergunta sem resposta: A quem ele deixava a sua fortuna? Eram quatro concorrentes: O sobrinho, a irmã, o alfaiate e os pobres. O sobrinho fez uma cópia e colocou a seguinte pontuação: ‘Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres’. A irmã chegou em seguida. A pontuação dela foi assim: ‘Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres’. O alfaiate pediu a cópia do original e pontuou segundo os seus interesses: ‘Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres’. Então, chegaram os pobres da cidade. Um deles, muito esperto, fez esta interpretação: ‘Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres.”

Gosto dessa história, porque além de fazer dela bom exemplo para o ensino de pontuação em sala de aula, aproveito para repensar minhas atitudes. Todos nós recebemos de Deus a oportunidade da vida, mas a forma como ela será vivida, só nós podemos definir, só nós podemos colocar os pontos certos nos locais adequados. Embora seja muito cômodo colocar a responsabilidade de nossas escolhas nas mãos dos outros, isso é apenas uma perda de tempo, porque a história é escrita com nossas atitudes e com nossa postura diante das atitudes do outro e com o modo como encaramos os espinhos encontrados ao longo do caminho. Sofreremos as conseqüências de nossas atitudes. Não adianta orar, pedir a proteção divina, se não nos propusermos a iniciar a mudança em nós. Aprendamos a pontuar nossa vida com as vírgulas da temperança, da justiça, da verdade, do amor. Afinal somos responsáveis por todos os caminhos que tomamos na vida.
Se cairmos, aprendamos a levantar. Importante ter a humildade de pedir ajuda e nos tornarmos novamente criaturas dignas. Aprendamos as lições que ficam dos tropeços.
Por isso, não deixemos que as mágoas ou a mesquinhez pontue a nossa vida. É a nossa vida, são as nossas emoções! E, mais uma vez, lembremos-: “Não importa o que fizeram conosco, o que realmente importa é o que fazemos com o que fizeram conosco!”
Rosa Maria Olimpio

Rosa Maria Olimpio março de 2019 em Belo Horizonte

 2019 "Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve…" Cecília Meireles