terça-feira, 31 de maio de 2016

Dor da Perda: Desapegue!


Muitos vivenciam o amor como um rasgo a que a alma se submete intencionalmente para exigir que a mão do amado a costure. O problema é que a mão do outro nem sempre está disponível para esse trabalho: a alma sangra, dói, e os rasgos se expandem… A dor, quando bem resolvida, pode ser um prenúncio de beleza. Mas, para que o belo de fato advenha, é preciso viver a dor, senti-la, tocá-la, integrar-se a ela, e transmutá-la, sabedores de que o vivenciar a dor também é parte do exercício de amor.

Já tive muitos castelos desmoronados na poeira dos dias. Quem não os teve? E a dor, nesse caso, é inevitável. Em nossa alma aprendiz, amar é desejar estar ao lado do outro, dentro do outro. É querer ser o outro sem sair de si mesmo. É construir uma redoma de sonho e ali inserir o amado, sob a eterna e vigilante proteção dos nossos olhos. E queremos que o outro caiba exatamente no nosso sonho e viva o nosso projeto de existência. Que ele esteja no cenário que construímos e encene o papel que lhe escrevemos.
E, num repente, algum novo vento nos sopra e mostra que o outro não é exatamente o aquele a quem julgamos amar. Percebemos que ele tem segredos e mistérios maiores que pensávamos e ficamos perplexos ao perceber que ele tem caminhos traçados e que quer percorrê-los, muitas vezes, sem nós. Perdemos a voz ao saber que a alma do outro é hóspede e hospedeira de outras almas. E as nossas pernas tremem ao constatar que a redoma era ilusão. Que todo o castelo de amor era ilusório. E a dor chega e castiga e fustiga a alma com cem mil acusações.
O que nos sangra, num momento como esse, é a obrigação de desamar. Mas será que isso existe? Os poetas, há muito, já apregoaram que o amor é sempre “para sempre”. Questionaremos as verdades poéticas? Banalizaremos o amor? Faremos dele um bibelô barato e quebrável destinado a adornar, por breves dias, as estantes da nossa alma?
Ocorre que somos ainda aprendizes da arte do eterno. O amor não reside senão no desejo da plenitude do outro. Ele não se esmera a não ser no respeito ao outro. Ele não pulsa a não ser para o querer o bem e sonha que o outro, pássaro livre em perfeição de voo, possa vislumbrar, dos cumes de si mesmo, os mais belos sentimentos e paisagens da terra.
E assim, quando o outro não mais deseja estar ao nosso lado, isso nos fere e sangra, mas o que nos massacra não é o outro. É desejo egoístico de aprisionar um espírito que também, assim como nós, tem sede de infinitos.
Tenho comigo que o que mais dói é a obrigatoriedade que nos impomos, quando o castelo desmorona, de desamar o outro. E embora talvez não o tenhamos amado de fato, fizemos um esboço de amor e é desorientador apagá-lo. Desamar é doloroso demais, porque o desfazimento do amor é contrário à nossa natureza etérea, espiritual, eterna.
Devemos, sim, exercitar o desapego; não o desamor. Desejar a liberdade, a integralidade, a plenitude do outro. Compreender que o que dói não é o amor não correspondido, mas a quebra das correntes (talvez até de ouro) com que tentávamos prender alguém. Apenas quando soubermos apreciar com encantamento a liberdade, seja ela nossa ou de um ser amado, teremos conhecido a face invisível e invencível de um amor verdadeiro.
E a alma, outrora rasgada, fará das cicatrizes uma arte emoldurada e rebordada de vida, na certeza de que toda a dor, bem lá no fundo, labora a nosso favor.

domingo, 29 de maio de 2016

Silêncio e Prece.


Há  pessoas tão dissimuladas que destorcem tudo.Não estão preparadas para ouvir a verdade. 
Aprendamos a conviver. Há momentos em que é melhor o silêncio e uma prece.

Evolução espiritual


sábado, 28 de maio de 2016

Crianças Amadas

http://www.revistapazes.com/criancasamadas/

As crianças amadas se tornam adultos que sabem amar




Nossas primeiras experiências com o mundo marcam o início do nosso desenvolvimento emocional. Na infância se tece uma rede que conectará nossa mente e nosso corpo, o que determinará em grande parte o desenvolvimento da capacidade de sentir e de amar.
Neste sentido, nosso crescimento emocional dependerá dos nossos primeiros intercâmbios emocionais, que nos ensinarão o que ver e o que não ver no mundo emocional e social no qual nos encontramos.
Assim, o campo da nossa infância nos permite semear o amor de maneira natural, o que determinará que a capacidade de amar e de sermos amados cresça de maneira saudável e nos ajude a nos desenvolvermos no futuro.
“Somos seres emocionais que aprendem a pensar, não máquinas pensantes que aprendem a sentir”

Stanisla Bachrach

Se alimentarmos as crianças com amor, os medos morrerão de fome.

As amostras de carinho e afeto elevam a autoestima das crianças e as ajudam a construir uma personalidade emocionalmente adaptada e inteligente. Ou seja, o nosso amor as ajuda a lidar com os medos naturais que surgem nas diferentes idades, fomentando um grau de sensibilidade saudável.

As crianças têm uma confiança natural em si mesmas. De fato, nos surpreende que frente a desvantagens insuperáveis e fracassos repetidos elas não desistam. A persistência, o otimismo, a automotivação e o entusiasmo são qualidades inatas das crianças.
Percebermos isso nos ajuda a sermos conscientes do quão importante é amarmos nossos filhos e educá-los em relação ao respeito, empatia, expressão e compreensão dos sentimentos, controle da impaciência, capacidade de adaptação, amabilidade e independência.© Beata Chipman
O que podemos fazer para criar crianças felizes e saudáveis?


O temperamento de uma criança reflete um sistema de circuitos emocionais inatos específicos no cérebro, um esquema de sua expressão emocional presente e futura, e de seu comportamento. Estes podem ser adequados ou não, por isso a educação deve se tornar um apoio e um guia para elas.
Para alcançar uma saúde emocional ideal, devemos mudar a forma como se desenvolve o cérebro das crianças. A ideia é que através do amor e da educação emocional estimulemos certas conexões neuronais saudáveis.
Ou seja, todas as crianças e todos os adultos partem de certas características determinadas que devem ser administradas em conjunto para que possamos alcançar o bem-estar físico e emocional.
Por exemplo, quando uma criança é tímida por natureza os adultos que se encontram ao seu redor a protegem exageradamente, fazendo com que ela se torne ansiosa com o passar do tempo.
A educação emocional requer uma certa “desaprendizagem” adulta. Uma criança tímida deve aprender a dar nome às suas emoções e a enfrentar o que a perturba, não deve sentir que cortamos suas asas porque ela é vulnerável.

Um adulto deve demonstrar empatia sem reforçar suas preocupações, propondo, por sua vez, novos desafios emocionais que a permitam evoluir. Deve-se proteger a saúde emocional da criança através do desenvolvimento de suas características naturais.amada
As chaves básicas de uma educação emocional saudável

1. Os especialistas costumam recomendar que ajudemos as crianças a falarem de suas emoções como uma maneira de compreender a si mesmas e os demais. Entretanto, as palavras só dão conta de uma pequena parte (10%) do verdadeiro significado que obtemos através da comunicação emocional.
Por essa razão, não podemos ficar só na verbalização; devemos ensiná-las a compreender o significado da postura, das expressões faciais, do tom de voz e de qualquer tipo de linguagem corporal. Isso será muito mais efetivo e completo para o seu desenvolvimento.
2. Há anos vem se promovendo o desenvolvimento da autoestima de uma criança através do elogio constante. Entretanto, isso pode fazer mais mal do que bem. Os elogios só ajudarão as nossas crianças a se sentirem bem consigo mesmas se eles estiverem relacionados a ganhos específicos e ao domínio de novas aptidões.
3. O estresse é um dos grandes inimigos da infância. Entretanto, é um inconveniente com o qual elas têm que conviver, por isso protegê-las em excesso é uma das piores coisas que podemos fazer. devem aprender a enfrentar estas dificuldades naturais de tal forma que desenvolvam novos caminhos neurais que as permitam se adaptar ao meio no qual vivem.
Não podemos tentar criar nossas crianças em um mundo da Disney de inocência e ingenuidade. O estresse e a inquietação fazem parte do mundo real e da experiência humana, tanto quanto o amor e o cuidado.
Se tentarmos eliminar esses obstáculos, impediremos que elas tenham a oportunidade de aprender e desenvolver capacidades realmente importantes que as ajudem a enfrentar desafios e decepções que são inevitáveis na vida.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

terça-feira, 24 de maio de 2016

Nova construção social da aprendizagem- Professor José Pacheco


Doutor em Educação pela Universidade do Porto, José Pacheco compartilha experiências e visões sobre ensino



Auditório lotado para ouvir as vivências de ensino do professor José Pacheco. Na última terça-feira (17), o português idealizador da Escola da Ponte (projeto inovador iniciado na década de 1970 em território lusitano) conversou com estudantes e professores de Pedagogia e de outros cursos relacionados à Educação, no campus Darcy Ribeiro. ODiálogo com José Pacheco foi mediado pelo decano de Ensino de Graduação, Mauro Rabelo; pela professora Nara Maria Pimentel, da Faculdade de Educação; e o professor Ricardo Gauche, do Instituto de Química.

Em sua primeira fala, Pacheco agradeceu a oportunidade de aprender com os presentes. A partir daí, esclareceu-se que a proposta do evento seguiria os próprios princípios basilares da Escola da Ponte: todos aprendem com todos, sem hierarquia ou distanciamento entre o estudante e o professor.

Na primeira pergunta, o professor Ricardo Gauche questionou Pacheco se a Escola da Ponte foi influenciada por Carl Rogers, norte-americano cuja obra propunha uma relação não diretiva entre psicólogo e paciente. Rogers formula uma dinâmica semelhante entre professor e estudante, que se torna responsável pela condução do aprendizado.

Pacheco explicou que a iniciativa foi influenciada por Rogers e por outros pensadores, como Vygotsky. As formulações teóricas, contudo, foram construídas ao longo da trajetória da Escola. “A Ponte é eclética, é multirreferencial. Na época, não tínhamos acesso a estas bibliografias por causa da ditadura em Portugal. Tínhamos uma intuição pedagógica. O que observamos com a Ponte é que, no fazer educacional, raramente a teoria precede a prática”, explicou. “O projeto da Ponte começou com dois parágrafos. Hoje, tem mais de duas mil páginas, porque está se fundamentando.”

“Sabemos que não há dificuldade de aprendizado. O que há são dificuldades de ensino. Dos professores, podemos exigir duas coisas: que sejam competentes (e isso todos somos); e que sejam éticos. Se um professor ensina, o aluno não aprende e o professor que insiste no método de ensino não está sendo ético”, elaborou. Pacheco esclareceu os elementos base da Escola da Ponte: autonomia, responsabilidade, solidariedade. “Desenvolvem-se projetos coletivos, humanos”, disse.

Questionado pela professora Nara Pimentel sobre os grandes desafios das agências formadoras de professores, Pacheco comentou a importância de perceber que os problemas estão no ensino. “Temos muitos estudantes na plateia que, em breve, estarão em sala de aula. E, neste momento, Piaget e Carl Rogers desaparecem e esses professores irão se deparar com a realidade. Quando os alunos não aprendem, elaboramos que é problema do estudante, por dificuldade de aprendizado ou lentidão de raciocínio; por problema social; problema na família; problema de renda. Ninguém fala nada do problema do ensino, que tem base numa estrutura dos séculos XVIII e XIX. O problema é a escola e a ideia de que dá para ensinar todos de uma vez só e de uma maneira só. Percebi que a grande causa da falta de aprendizado está em mim, em nós, professores”, respondeu.

O convidado português prosseguiu comentando que o professor não deve fazer planejamento de aula. Deve ensinar ao aprendiz a planejar, a ter senso crítico. “Precisamos de uma nova construção social da aprendizagem. Se o professor dá aula, não aprende nada. Se faz projeto com o estudante, aprende junto”, afirmou.

Respondendo às perguntas do público, Pacheco comentou o papel de vanguarda do Brasil sobre a Educação no mundo. “Para quem não sabe, o futuro da Educação está no Brasil. Os melhores projetos estão aqui, tanto os que existem, quanto os que acabaram. E os melhores teóricos estão aqui, os que vivem e os que já morreram. O Projeto Âncora é cem por cento brasileiro. A comunidades de aprendizagem, por exemplo, não têm origem anglo-saxã ou catalã. Elas começaram no Brasil, em 1905.”

"Educação é do pré-natal até a morte. Não há idade para ir para uma escola e aprender." Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

Umas das dúvidas mais presentes no encontro era qual estratégia devia ser usada para adequar o método da Ponte ao currículo básico nacional estabelecido pelo MEC. Segundo Pacheco, seria uma educação de comunidade. “E, para isso, é importante criar vínculo com o aprendiz. Sem vínculo não se aprende. As estratégias são adaptadas às situações. Ou seja, não há uma estratégia. O que precisa é cuidar das pessoas e deve-se começar pelos professores”, comentou.

Sobre a importância de a escola promover a inserção social, Pacheco reforçou a ideia de que um criminoso não nasce criminoso. “O criminoso é uma construção social. Os maiores estão em Brasília. Eles tiveram acesso a todos os recursos e educação de qualidade. Só não aprenderam a ser gente”, encerrou, respondendo à provocação de um doutorando em Pedagogia que pediu a Pacheco para correlacionar a atual crise política brasileira com o ensino nacional.

Vítor Virtual, de Regina Rennó

domingo, 22 de maio de 2016

Dia do abraço


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Que seja um dia feito de amor


De abraços, sorrisos e laços

De felicidades guiando os passos.
Compondo esperanças

Cativando os corações.

Trazendo verdadeiras razões
Para tudo ser carinho e flor.
Unindo os corações.

Aquele Abraço - Gilberto Gil

Xilo Batera-Pout Pourri Aquele Abraço-Instrumental WFX.wmv

Poema da Gratidão - Amália Rodrigues/Divaldo Franco

sábado, 21 de maio de 2016

Irena Sendler





Durante a Segunda Guerra Mundial, Irena Sendler conseguiu permissão para entrar no Gueto de Varsóvia como encanadora e para fazer limpeza de esgoto. Toda vez que ela saia do gueto, escondia uma criança no fundo de sua sua caixa de ferramentas, ou em sacos de lixo. Ela adestrou um cão, para fazer barulho quando ela deixava o gueto, e assim atrair a atenção dos guardas nazistas. Ela salvou 2500 crianças da morte. Nos momentos finais da guerra, ela foi descoberta, e os nazistas quebraram as pernas e braços dela. Quando as crianças chegavam ao seu novo lar, recebiam novos nomes a fim de esconder suas verdadeiras identidades judias. Cada criança salva tinha o nome escrito em papel, e escondido em uma jarra enterrada no quintal dela. Após a guerra, ela pegou o registro de cada uma das crianças, e tentou achar os parentes. As crianças que ficaram definitivamente sem parentes vivos foram orientadas para adoção. Em 2007 ela foi indicada ao prêmio Nobel da paz, mas quem ganhou foi o Al Gore, por seu power-point sobre mudanças climáticas... Ela morreu em 2008, e seu trabalho é hoje continuado, em uma organização que se chama "vida numa jarra" (life in a jar).

fonte- história com fotos blog

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Cauby Peixoto morre em São Paulo aos 85 anos

Cauby Peixoto morre em São Paulo aos 85 anos

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/05/1597347-morre-o-cantor-cauby-peixoto.shtml

Cauby Peixoto - Bastidores

João Mineiro e Marciano - Crises de Amor

quarta-feira, 11 de maio de 2016

" GENTE HUMILDE " MARIA BETHANIA

UTOPIA-PADRE ZEZINHO

UTOPIA Padre ZEZINHO


UTOPIA

Padre Zezinho


Das muitas coisas
Do meu tempo de criança
Guardo vivo na lembrança
O aconchego do meu lar
No fim da tarde
Quando tudo se aquietava
A família se ajuntava
Lá no alpendre a conversar

Meus pais não tinham
Nem escola e nem dinheiro
Todo dia o ano inteiro
Trabalhavam sem parar
Faltava tudo
Mas a gente nem ligava
O importante não faltava
Seu sorriso, seu olhar

Eu tantas vezes
Vi meu pai chegar cansado
Mas aquilo era sagrado
Um por um ele afagava
E perguntava
Quem fizera estripulia
A mamãe nos defendia
E tudo aos poucos se ajeitava

O sol se punha
A viola alguém trazia
Todo mundo então pedia
Pro papai cantar com a gente
Desafinado
Meio rouco e voz cansada
Ele cantava mil toadas
Seu olhar no sol poente

Correu o tempo
E hoje eu vejo a maravilha
De se ter uma família
Quando tantos não a tem
Agora falam
Do desquite ou do divórcio
O amor virou consórcio
Compromisso de ninguém

Há tantos filhos
Que bem mais do que um palácio
Gostariam de um abraço
E do carinho entre seus pais
Se os pais amassem
O divórcio não viria
Chame a isso de utopia
Eu a isso chamo paz.

terça-feira, 3 de maio de 2016

A força da oração

http://verdadeluz.com.br/em-casa-comeca-nossa-missao-mundo-scheilla/

Comece orando.


A prece é a luz na sombra em que a doença se instala.

Semeie alegria.

A esperança é alegria no coração.

Fuja da impaciência.

Toda irritação é desastre magnético de consequências imprevisíveis.

Guarde confiança.

Não critique.

A censura é choque nos agentes da afinidade.

Conserve brandura.

A palavra agressiva prende o trabalho na estaca zero.

Não se escandalize.

O corpo de quem sofre é objeto sagrado.

Ajude espontaneamente para o bem.

Simpatia é cooperação.

Não cultive os desafetos.

Aversão é calamidade vibratória.


Toda cura espiritual lança raízes sobre a força do amor.

domingo, 1 de maio de 2016

Musica dos anjos

Gotas de Luz #11 - Aos Anjos Guardiões e Espíritos Protetores

CORRENTE DO DR. BEZERRA DE MENEZES - PEDIDO DE CURA COM ÁGUA

Para os Inimigos e os que nos querem mal (prece)

"Não façais aos outros..."


MAIO-MÊS DE MARIA.


Charles Bukowski



O Pássaro Azul
Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
Charles Bukowski 
BUKOWSKI, C., The Last Night of the Earth Poems, 1992.

"EURÍPEDES BARSANULFO" nasceu em 1º de Maio.








1º de Maio data de nascimento de "EURÍPEDES BARSANULFO"


Nossa gratidão sempre.



( "A vida de Eurípedes Barsanulfo é um fato um tanto raro na história da humanidade. Compenetrado dos elevados sentimentos de caridade e amor ao próximo, só procurou fazer o bem pelo bem, auxiliando sempre os mais necessitados... Esse vulto eminente, essa alma toda cheia de bondade, não teve ódio nem rancor de ninguém... A humildade foi um dos traços predominantes de seu caráter reto, sempre averso aos gozos efêmeros da vida terrena".)



Eurípedes Barsanulfo, um dos mais respeitados nomes do Espiritismo no Brasil, nasceu em 1º de maio de 1880, em Sacramento (MG). Marcamos neste mês, portanto, 124 anos de seu nascimento. Ele foi professor de grande conhecimento, político e espírita convicto, atuando bravamente a favor da divulgação da Doutrina.

Ainda jovem, Eurípedes já se destacava por ser muito estudioso e compenetrado. Foi, por esse motivo, convidado por seu professor para dar aulas aos próprios colegas. Tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, pela facilidade com que se colocava como líder e comunicador, tendo participado ativamente da fundação do jornal Gazeta de Sacramento e do Liceu Sacramentano.
Foi através de um tio que Eurípedes tomou conhecimento dos fenômenos espíritas e das obras de Kardec. Estudando e pesquisando as informações novas, acabou por converter-se totalmente ao Espiritismo. Como continuava a lecionar, decidiu incluir aulas sobre a Doutrina na sua disciplina. O resultado veio de imediato: a reação entre pais de alunos e muitas pessoas da cidade foi de preconceito e intolerância. E, diante de sua relutância em continuar a propagar o Kardecismo, os alunos foram sendo retirados um a um.

Sob pressão, Eurípedes mudou-se para uma cidade vizinha. Justamente nessa época desabrocharam nele várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida missionária. De volta ao trabalho em Sacramento, começou a atrair centenas de pessoas da região. A todos Eurípedes atendia com paciência e bondade, através dos benfeitores espirituais. Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho de médium curador, animado do mais vivo idealismo. Em 1905 Eurípedes fundou o Grupo Espírita Esperança e Caridade, apoiado pelos irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver tanto trabalhos no campo doutrinário, como na assistência social.

Em 1º de abril de 1907 fundou o lendário Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco e ficou conhecido em todo o Brasil. Funcionou ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia em que foi obrigado a fechar devido à epidemia de gripe espanhola.

Conta-se que, certa vez, Eurípedes protagonizou uma cena inesquecível diante de seus alunos: caiu em transe em meio à aula e, voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a Primeira Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre Tratado.

Sua presença fortaleceu de tal forma o movimento espírita que o clero católico, sentindo-se atingido, passou a desenvolver uma campanha difamatória contra ele. A situação chegou a um ponto que, desesperados, mandaram vir de Campinas (SP) o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações, para que houvesse uma discussão em praça pública entre os dois. Eurípedes aceitou, sem perder a confiança e a fé.

No dia marcado, o padre iniciou suas observações diante da platéia de curiosos, insultando o Espiritismo como sendo "a doutrina do demônio", e demonstrando intolerância e sectarismo. Eurípedes aguardou serenamente sua vez. Iniciou sua parte com uma prece, pedindo paz e tranqüilidade, e, em seguida, defendeu os princípios nos quais acreditava com racionalidade, lógica e calma. Ao terminar, Eurípedes aproximou-se do padre e abraçou-o, com sinceridade e sentimento, surpreendendo a todos. A platéia ficou perplexa e o momento entrou para a história.

Eurípedes seguiu com dedicação até o último instante de sua vida, auxiliando centenas de famílias pobres. Desencarnou em 1º de novembro de 1918, com apenas 38 anos, rodeado de parentes, amigos e discípulos. Deixou vastos exemplos de persistência, fé e serviço ao próximo, que para sempre irão nos inspirar.

Sacramento em peso acompanhou seu enterro. Terminamos nossa singela homenagem a Eurípedes Barsanulfo transcrevendo um trecho da nota publicada pelo jornal sacramentano O Bora, alguns dias após seu desencarne: "A vida de Eurípedes Barsanulfo é um fato um tanto raro na história da humanidade. Compenetrado dos elevados sentimentos de caridade e amor ao próximo, só procurou fazer o bem pelo bem, auxiliando sempre os mais necessitados... Esse vulto eminente, essa alma toda cheia de bondade, não teve ódio nem rancor de ninguém... A humildade foi um dos traços predominantes de seu caráter reto, sempre averso aos gozos efêmeros da vida terrena".