sábado, 15 de agosto de 2015

Trabalhadores...

 Foto: Sebastião Salgado

“As dificuldades orçamentárias que atingem o governo incidem de forma direta na Universidade, que tem nos repasses federais a sua principal fonte de recursos. Por isso, tem sido necessário reavaliar todos os gastos da instituição. A administração está empenhada em definir com clareza as prioridades e aumentar a fiscalização de contratos. Esse é um esforço enorme, indispensável para garantir o funcionamento dos serviços acadêmicos.
Vale ressaltar que dois terços das verbas de custeio da UnB são utilizados no pagamento das empresas que prestam serviços terceirizados. Precisamos alterar esse quadro, sob o risco de estagnarmos os investimentos necessários para o dia a dia de nossas atividades.
Ainda no projeto de acolhimento, buscamos inspiração em trajetórias de sucesso. Logo na recepção de boas-vindas, teremos a aula magna do desenhista e empreendedor Mauricio de Sousa. As histórias do criador da Turma da Mônica encantaram a minha geração, a dos meus filhos e netos. Mauricio tem o mérito de transformar a sua arte em uma indústria de sonhos com reconhecimento internacional.

Para a aula inaugural dos cursos noturnos, teremos a apresentação do cineasta Marcelo Díaz. Com sensibilidade, o ex-aluno da UnB retratou em documentário as questões sociais e o cotidiano do Lixão da Estrutural. Entrevistada no filme, a ex-catadora e agora pedagoga Dyarley Viana estará presente para compartilhar passagens de sua batalha para superar adversidades. Graduado em História pela UnB, o fotógrafo João Paulo Barbosa completa a composição da mesa de palestrantes com depoimentos sobre a atuação em territórios extremos, como a Antártida e a Floresta Amazônica.   
Em agosto, também teremos a palestra Como formar um time campeão com Zico, um dos maiores jogadores da história do futebol. Referência dentro e fora dos campos, ele continua a encantar não apenas os torcedores do Flamengo, como eu, mas todos os admiradores do esporte. Dono de reputação íntegra, o ex-atleta traz na bagagem, por exemplo, a honra de ter sido protagonista na popularização do futebol no Japão.

Diante de um cenário difícil, receber essas pessoas ilustres tem tudo para ser empolgante. São brasileiros célebres que construíram suas carreiras independentemente de governos e alcançaram êxitos sem desanimar com as adversidades. Sigamos os bons exemplos em nossa missão transformadora. Desejo a todos um excelente semestre!”

*Reitor da UnB  Dr.Ivan Camargo



Missão transformadora do digníssimo Reitor da UnB segue bons exemplos de pessoas ilustres para reverter a crise orçamentária da Universidade. A principal atitude é desempregar milhares de trabalhadores terceirizados. O dinheiro é gasto com as empresas terceirizadas omitindo nessa colocação milhares de trabalhadores. Profissionais das mais diversas áreas que-eles sim- funcionários dessas empresas prestam serviços à UnB.
Segue-se a máxima "A corda sempre arrebenta do lado mais fraco". Os trabalhadores terceirizados trabalham arduamente para manter de pé a Universidade de Brasília.
São os contínuos-que levam e trazem documentos por todos os campos e unidades externas da UnB. As copeiras que fazem os cafezinhos. Os serventes de limpeza que mantém a universidade limpa. Os jardineiros que criam e conservam os jardins e cuidam de toda área verde dos campus. Os motoristas que levam e trazem professores e servidores para os eventos e ainda há os que transportam materiais de consumo e de manutenção dos prédios da UnB. Os almoxarifes que controlam todo esse material. Os técnicos em manutenção -eletricistas-pintores -pedreiros.que zelam da estrutura física de todas as salas. As recepcionistas-que não somente recepcionam, como também executam grande parte dos serviços de tramitação de documentos. Os vigilantes que zelam pela segurança dos servidores, professores e alunos, além de zelar pelo patrimônio.

Neste cenário, diante do agravante da política econômica, cortar os  terceirizados apresenta-se como opção extremamente viável  e incisivamente destrutiva sobre o trabalhador. Os terceirizados pertencem a uma categoria marginalizada cujos direitos trabalhistas são diferenciados. Podemos destacar, entre eles, a redução e eliminação de direitos sociais dos trabalhadores formais e terceirizados, rebaixamento de seus salários, insegurança, instabilidade, enfim toda série de intempéries que se relaciona à problemática. A questão aqui posta, tangencia a questão da exclusão, que se torna alarmante. Como coloca Martins apud Juncá (2000) Os trabalhadores expulsos do mercado de trabalho são ceifados cotidianamente da possibilidade de serem novamente incluídos, ou quando se dá, se efetiva nos moldes de uma inclusão perversa. Paralelo a estas mutações de ordem técnica e organizacional está a concepção ideológica que fomenta as diretrizes da regulação sob a via do mercado, qual seja: o paradigma do neoliberalismo, que tem difundindo ideais outrora suprimidos que emergem contra o Estado Intervencionista (SALAMA, 2003).
Os trabalhadores se submetem a essas condições de trabalho para fugir do desemprego e de suas consequências. São vítimas da violência social, a qual por sua vez consiste em todo um arranjo ideológico em que o pobre é vinculado a uma imagem negativa de desqualificado e promotor da desordem e consequente males da sociedade, levando-o a rejeição e exclusão dos processos produtivos, bem como ao isolamento social, extermínio e até genocídio cultural. "os pobres são vistos como “[...] desnecessários do ponto de vista econômico, “incômodos” para a convivência social, pela degradação urbana que provocam, constituindo-se ainda em um risco político [...]”(JUNCÁ, 2000, pág. 133)
Triste realidade que se acentua ao passo que, os diretos sociais seguem uma inobservância inquestionável num país em que o trabalhador não é considerado humano, mas força de trabalho. Inclusive, a UnB ou qualquer outro órgão, ao contratar o trabalhador terceirizado, não contrata pessoas, e sim "mão de obra"
O querido Mauricio de Sousa,. o cineasta Marcelo Díaz. o fotógrafo João Paulo Barbosa e o  campeão  Zico são pessoas ilustres, profissionais e seres humanos que merecem todo nosso respeito e claro, podemos ter nesses homens espelho de profissionalismo e de caráter. É necessário trazer pessoas ilustres para abrir o ano letivo na universidade de Brasília. Elas virão falar de dignidade por meio da educação e do empreendedorismo. Sim, é louvável que se busque inspiração em trajetórias de sucesso. Percebo tristemente, no entanto que falta  coerência na fala e senso de justiça nas atitudes uma vez que considero os trabalhadores pessoas honradas e carentes de mais respeito e de mais, muito mais dignidade.

Rosa Maria Olímpio

Brasília, 12 de agosto de 2015.


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