sexta-feira, 10 de julho de 2015

SETE VIDAS

SETE VIDAS

Meu único escrito sobre novelas globais foi há muitos anos e nunca pensei em fazê-lo novamente, mas, no momento, uma que está terminando chamou minha atenção durante o seu desenrolar.

Trata-se da novela “Sete Vidas”, que antes do seu início já me cativou pela fotografia e pelos cenários da Patagônia, com paisagens indescritíveis e fugindo do lugar comum nas demais novelas.

Seus personagens, a maioria na maturidade pessoal e profissional, assemelham-se a pessoas comuns, como nós, que vivem suas vidas sem prejudicar a ninguém e tentando resolver seus amores e dilemas.

No núcleo adulto central, temos algumas mulheres que não são madames e nem dondocas. Isabel, Irene, Lígia, Marina, Esther e Marlene representam questões contemporâneas, como ter ou não ter filhos, conciliação entre as vidas profissional e familiar, fins e começos de relacionamentos, compulsões e codependências, homoafetividade e tantas outras.

Os homens, por sua vez, também enfrentam questões afetivas próprias da existência. Miguel, que se travou emocionalmente em função da influência de um pai ignorante, grosseiro e infiel; Vicente, que se enviuvou precocemente e criou seu filho sozinho; Lauro, que amarga a separação da esposa, uma psicóloga que se envolveu com um cliente e, de acordo com a ética, interrompeu sua prestação de serviços tão logo isso aconteceu.

Outras questões são tratadas de forma mais sutil, como a Bioética que nos faz refletir sobre as consequências da tecnologia que manipula vidas. No caso, Miguel, quando jovem, comercializou seu sêmen nos Estados Unidos, sem intenção nenhuma de se tornar pai para além do aspecto biológico.
O tempo passa, a vida dá voltas e alguns de seus filhos numa necessidade normal de irem em busca de suas origens, acabam localizando-se via internet e, de livre e espontânea vontade, se constituem como uma família. Assim Pedro, Bernardo, Laila, Luís, Felipe e Joaquim – o único concebido pelo método tradicional – passam a conviver como verdadeiros irmãos.

Uma sétima vida, a de Júlia, que começou a história de localizar os irmãos, descobre que biologicamente não é filha de Miguel, mas se sente parte da família e tece todas as costuras da trama, sempre cheia de boas intenções...

Um pouco de ficção? Sim, mas nada que não pudesse acontecer na vida real! De vez em quando, irmãos desconhecidos não acabam se encontrando nas curvas da vida? Quem não conhece uma história assim?

É por esse pé na realidade que nem sempre precisa ser recheada de maldades e covardias, como nas outras novelas, que “Sete Vidas” mereceu este artigo...

Vera Lúcia Dias (Psicóloga) Uberaba-MG

Sete Vidas é novela das 19h da Rede Globo e hoje apresenta seu último capítulo.
As novelas podem, e devem, servir como reflexão acerca de comportamento humano, relacionamento familiar, e fomentar diálogos entre pais e filhos, homem e mulher...
A psicóloga, Vera Lúcia, escreveu este artigo, publicado no Jornal da Manhã, e eu o publico aqui porque o achei interessante e útil aos meus leitores.



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