terça-feira, 7 de julho de 2015

Letrar e alfabetizar

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A necessidade de reconhecer a leitura e a escrita como algo além da capacidade do simples ato de ler e de escrever é o principal desafio da educação atualmente. 
Letramento é aprender a ler e a escrever e é aprender a construir sentido para e por textos escritos. 
Por que a necessidade de diferenciar alfabetização de letramento, se as duas estão interligadas? 
De certo modo não pode existir letramento sem alfabetização, e o processo de evolução da alfabetização é o letramento. A preocupação dos educadores e dos pais, interessados na formação leitora de seus filhos é saber se, de fato, seu filho sabe ler e escrever. A resposta será positiva se o aluno, o filho, for capaz de raciocinar e colocar em ordem as ideias apresentadas no texto. 
Houve a necessidade de diferenciar a alfabetização de letramento para que assim, encontrasse o melhor modo de trabalhar, uma vez que foi constatado que grande parte da população, embora soubesse ler, não tinha o domínio das habilidades de leitura e escrita fundamentais para as práticas sociais que englobam a linguagem e a escrita. 
A alfabetização e o letramento ainda se confundem mesmo a primeira explicitando as suas especificidades. Há pouco tempo considerava-se alfabetizado aquele que soubesse ler e escrever, mas com o tempo seria quem fosse capaz de ler e escrever um bilhete, embora pouco mas existia uma leve diferença entre as duas, possibilitando assim distinguir alfabetizados de letrados, de forma que o segundo já tinha condições de fazer uso da leitura e escrita. Nas escolas brasileiras a alfabetização se traduz em altíssimos índices de desempenhos ruins ou quase nulos quando se aplica provas de leituras, expondo assim alunos que passaram por seis ou oito anos na escola e mesmo assim são considerados não alfabetizados ou semialfabetizados, e dessa forma o fracasso escolar. 
Podemos atribuir as perdas das especificidades diretas da alfabetização, ou seja, trabalhou-se por muito tempo apenas a linguagem escrita, deixando de lado a leitura. Grande parte desse problema está na forma como o material para “aprender a ler” é colocado na sala de aula.A criança é vista como um produto pronto para a alfabetização, ao passo que se fosse trabalhado alfabetização e letramento no mesmo processo, lado a lado, colocaria nas mãos da criança um material “para ler”, e assim aos poucos construiria o conhecimento, pois existiria uma interação com língua escrita a ao mesmo tempo com a leitura. Há a necessidade de reinventar a alfabetização para que possa efetivar essa ligação direta entre escrita e leitura, possibilitando assim a necessidade de introduzir a língua escrita como objeto direto de ensino. 
A princípio nos parece um erro  separar letramento de alfabetização, pois os dois entrelaçam-se no processo de entrada no mundo da leitura e da escrita. Soares cita Ferreiro como opositora da necessidade de existir duas vertentes tão parecidas ao ponto de se confundirem, às vezes, no processo educacional, “uma vez que uma está contida dentro da outra”(Emília Ferreiro, revista nova escola, ano XVIII, n.162). Essas facetas como a imersão na cultura escrita, diferentes tipos e gêneros de material escrito, habilidades de decodificação e decodificação de língua escrita, segundo Soares, se fosse permitida às crianças, não haveria um grande e precário resultado de uma má aprendizagem nas series iniciais se estendendo até o ensino médio.Importante explicitar, de forma clara, a fundamental necessidade de fazer essa interação entre alfabetizar e letrar, cada uma com suas especificidades, mas que não podem agir de forma isolada, como se cada uma tivesse uma vertente e um interesse particular no processo educacional, e uma vez que a alfabetização é uma aquisição e apropriação do sistema da escrita e o letramento é desenvolvimento das habilidades de uso da leitura e escrita, e se ambas convergem para um mesmo paralelo, não podem existir separadas. Concordo com Soares, quanto a urgência de uma grande parte de educadores descobrirem quão grande é a importância de se trabalhar a alfabetização e o letramento em detrimento da renovação ou reinvenção da educação no Brasil, alfabetizar não pode se desassociar nem tão pouco estar sendo trabalhada em formar somente de leitura, assim como o letramento não pode ser trabalhado posteriormente a alfabetização, essa falta de conhecimento dos professores levou a um fracasso escolar gritante na educação brasileira. Mesmo que alfabetizar e letrar tenham suas especificidades, e sendo elas tão parecidas ao ponto de chegar a confundir até os professores que há muito estão na sala de aula, não podemos dissociá-los, segregar as especificidades de uma em detrimento do crescimento da outra, os dois pontos tem suas facetas bem explicitadas a ponto de não existir dúvida sobre o que é letrar e o que é alfabetizar. 
Ainda assim, não podemos dizer que os profissionais da educação estão trabalhando alfabetização e letramento, ao mesmo tempo, prova disto são os altos índices de repetência, fracasso escolar e evasão, além de um grande número de semialfabetizados, e ainda há um grande número de pessoas que não sabem ler e argumentar sobre que estão lendo. 

Rosa Maria Olímpio 
7/7/2015 

***Texto escrito especialmente para dar suporte aos alunos da Especialização em Letramentos-GDF/UnB.
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2 comentários:

Moacir Willmondes disse...

O que acho bonito e mágico na alfabetização é aquele estalo que dá como se da noite pro dia aprendêssemos algo que já estava dentro nós (como queria Platão), mesmo que já tendo percorrendo o caminho das letras e sílabas. Já o letramento segue pela vida toda.
Texto de muita reflexão, Rosa, sobretudo para quem lida com a labuta da sala de aula.

rosadaserra disse...

Meu amigo, é mágico o momento em que aprendemos a juntar as letras e as palavras surgem como luz diante dos olhos e da alma.
Essa geração precisa aprender a ler,é necessário que reconhecem o valor do letramento.Um abraço-amigo.
Rosa Maria

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