terça-feira, 28 de julho de 2015

Benzedeira





infelizmente as benzedeiras estão acabando, pois elas tem que passar os seus ensinamentos a outra pessoas, se possível da família, mas essa pessoa não pode ter sentimentos ruins, como raiva, ira, inveja, e quem nesses tempos, está pronta....

A atividade é antiga, sem validação científica, mas segue procurada para trazer calma e curar dores. Benzer é uma prática muito antiga – ganhou força no período da colonização com a chegada de imigrantes. Com o tempo, perdeu a popularidade que tinha, mas até hoje ainda é presente em pequenas cidades
Desde muito pequena meus pais me levavam para benzer. Na minha primeira experiência, eu tinha apenas um mês de vida. Meu pai e minha mãe benziam. Mas, quando morávamos na roça, nos levava para benzer com os amigos.l
Já fui benta por várias senhoras, cheias de uma sabedoria rica, passada a cada geração. Benzer vem de fazer a cruz, e os motivos de quem recorre à prática são diversos. Dos males que a benzedura promete curar ou apaziguar estão desde picada de insetos, cobreira, passando pela tradicional reza contra o mau-olhado e quebranto, chegando a preces para sarar do estresse e aliviar dores. Os instrumentos para isso são simples: ervas, uma bíblia, sal, velas e, às vezes, alguns elementos inusitados, como ovos. 
Meses atrás eu não conseguia dormir bem. Estava aflita e nervosa – não sei dizer o motivo, mas foram dias de certa angústia. Recorri à benzedura.fui a casa de Tianinha (Sebastiana).Ea vive em uma residência humilde, cria galinhas, perus e patos, e tem uma clientela enorme e fiel. Ela me leva para um cômodo, que parece uma sala. Pede que eu fique de pé enquanto segura algumas folhas de arruda. Mantenho os olhos abertos enquanto ela faz algumas rezas e gesticula com movimentos que não me parecem lógicos, mas que são próprios dessa prática. Pergunta o que eu estava sentindo nos últimos dias. Em seguida, pega uma linha e, enquanto segura os ovos, me mede. Estranho, mas me mantenho firme na crença. Ela diz: “você está bem carregada”. Entendi o recado: a minha energia não estava nada boa. 
Meu tratamento durou três dias. No primeiro, ela explicou que, para realmente funcionar, eu precisava voltar mais duas vezes. Jogou os ovos fora e nos despedimos. Eu havia chegado lá cansada, para baixo, e agora saia mais disposta. Naquela noite, já senti uma melhora no sono. No final do terceiro dia, ela disse: “Pronto, você está limpa”, depois de repetir o mesmo ritual. Por mais que a ciência não encontre explicação para essa atividade tão antiga e popular, muitos – inclusive eu – continuam fiéis à benzedura pelos benefícios sentidos na prática. Eu fiquei mais leve, e meu sono teve muito mais qualidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça seu comentário abaixo: