segunda-feira, 11 de maio de 2015

Supermães, ativar! A palavra de ordem agora é: incentivar. Por ANA KESSLER

Vem cá, chega mais, vamos ser francas entre nós: não existe essa coisa de supermãe, supermulher, superincrível. Podem nos enaltecer por aí, nas revistas, na mídia em geral, mas a verdade é que somos adoravelmente falíveis. Você sabe, eu sei, a vida real não tem nada de “super”. Quando chega ao fim a segunda jornada, a única coisa “super” em nós é o cansaço. E a vontade de mudar a condição feminina atual. É ou não é?
Mas, sim, com amor e dedicação nos superamos. Todos os dias, em todo momento, damos o nosso melhor pela família e pelos filhotes. Sobretudo, incentivo. Incentivo é a palavra de ordem na vida da mulher moderna. Nunca precisamos tanto dele para ser felizes. Nunca dependemos tanto dele para proporcionarmos felicidade aos outros também.
Quando nossos pequenos estão lá, pedalando firmes, mas ainda inseguros para tirar as rodinhas extras da bicicleta, é a nossa certeza “Você vai conseguir!” que faz com que aceitem ousar e ultrapassar seus limites. Quando os rabiscos das primeiras letras erram os espaços em branco e se chocam descarrilados com as linhas, é nosso sorriso que diz “Você está indo muito bem, continue”. Quando o pratinho de comida é levado até a pia após o jantar é o nosso beijo “Muito obrigada” que transforma a ajuda em rotina.


Agência MBPress

Incentivar é ajudar a transformar um problema em desafio. O medo em superação. O desconhecido em experiência. É deixar cair e levantar sozinho, porque nem sempre haverá uma mão amiga para essas horas e é preciso treino para evitar os tropeços e desviar dos infortúnios da vida. Incentivar é fazer com que a criança acredite que pode, reflita se deve, avalie os riscos. E é também dizer saber “não”.
      

Pode não parecer, mas impor limites é uma forma de incentivo. A criança só assiste à TV se guardar os brinquedos, e aprende que o prazer vem depois do dever. Que amarrar o tênis sem ajuda parece difícil no início, mas com a prática fica fácil, assim como escovar os próprios dentes, esticar a cama pela manhã, guardar o pijaminha no armário. É uma fase de descobertas: não sinta culpa, sinta orgulho pela autonomia do pequeno. Ele também vai sentir de si mesmo.
Se as mães de antigamente colocavam os filhotes sob as asas, as contemporâneas querem criá-los para o mundo. Se um dia fomos educadas para servir, hoje almejamos que nossos filhos e filhas se tornem adultos autossuficientes. De cuidadoras passamos a orientadoras. De donas de casa a gerentes da família. Somos maestrinas de uma equipe onde cada um precisa cumprir um papel para que a música não desafine, no melhor estilo “um por todos e todos por um”.
Mas como fazer o maridão entender que precisa dividir as tarefas domésticas e os filhos a atuarem como um time? Segundo uma Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, de 23 de maio de 2012, ainda é a mulher que lava, passa, dobra, guarda, cozinha, limpa, varre, alimenta, dá banho, bota pra dormir. No Brasil apenas 46,9% dos homens que trabalham fora fazem tarefas dentro de casa, enquanto 89,2% das mulheres inseridas no mercado de trabalho dedicam-se a isso. Até quando?
Não queremos aplausos, queremos igualdade de direitos e deveres. E filhos que cresçam saudáveis com essa consciência. Ao educar as crianças com foco em práticas colaborativas e confiantes em suas capacidades estamos enraizando a noção de interdependência, construindo uma boa autoestima e preparando futuros cidadãos conscientes e proativos.
Sabe aquela frase que diz “Seja a mudança que você quer ver no mundo”? Incentivo já!
E que tal também nós, mães, nos incentivarmos mutuamente?

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