segunda-feira, 4 de maio de 2015

Por favor, salvem a professorinha!





Quando eu entrei no primeiro ano da escola, um ano mais cedo que a maioria dos meus amiguinhos, lembro-me de chegar numa sala cheia de mesinhas e dando boa tarde na porta, uma senhora de cabelos grisalhos presos num coque, dentes levemente salientes, um pouco corcunda, um vestidinho tipo tubinho marrom-chocolate, cheio de florzinhas brancas - tipo essas estampas que os hipsters de hoje usam nas camisas - e uma sandália de tirinhas que deixava escapar sua joanete.
Ela tinha cara de brava, mas seu olhar era o mesmo de uma mãe/vó boazinha. Tia Regina era como ela se apresentava.
Lembro-me dela nos ensinando o alfabeto desenhando bichos e objetos para cada letra correspondente a sua inicial - adorava fazer o "rato".
Não me lembro exatamente como, mas minha mãe sempre me dizia para respeitar a tia Regina. Eu sabia que aquela senhora que estava lá na frente, com as mãos sempre cheias de pó de giz era tipo minha outra mãe, e eu tinha que obedecê-la.
A tia Regina tinha uma régua enorme de madeira que usava para nos "ameaçar" em casos extremos, mas que nunca tocou em nenhum de nós. O máximo que ela fazia era bater com a régua na mesa ou em nossas carteiras quando estávamos no limite.
Nunca vi ninguém desafiá-la, responder, ou ameaçá-la por qualquer motivo, muito menos pai e mãe irem tirar satisfação pela forma na qual ela nos educava.
Na segunda série quem nos deu aula foi uma senhora também. Tia Cinira. E tinha professora de Educação Artística (tia Beth) e de Educação Física (tio Júnior), esse último amigo da minha família até hoje.
Na terceira série mudei de escola e tive aula com a Tia Laíde. E desde então o número de professores foi aumentando a cada novo ano na escola. Lógico que não me simpatizava com todos os professores na época, muito menos com as disciplinas por eles aplicadas, mas isso nunca diminuiu meu respeito por eles.
Lembro-me da Dona Katia, na 5ª série mostrando minha redação para a escola toda; da Dona Rosilene pegando no meu pé na 7ª série, deixando a Fabiana sair da sala o tempo todo e mandando eu ficar quieto cada vez que eu fazia um simples esboço de pedir algo; lembro-me da Dona Vânia ensinando Ciências (que eu adorava); da Dona Laura me chamando pelo sobrenome - "Eu dei aula pros seus pais, Locci!" -, que aliás, me disse algo que carrego para a vida toda: "Eu só pego no seu pé porque gosto de você. A gente não liga pra quem não gosta." Na época eu não entendia muito bem isso, inclusive achava que a Dona Marcela me odiava, porque qualquer burburinho na sala era um "CAIO, FICA QUIETO!" - e nem sempre era eu, apesar de eu falar muuuuito!
Hoje vejo o quanto cada professor que passou pela minha vida, em 11 anos de escola pública, foram fundamentais para a minha formação. Não só na minha educação, mas também na formação do meu caráter.
Lógico que meus pais não jogaram a responsabilidade toda para a escola, mas o trabalho sempre foi em conjunto. Mamãe sentava do meu lado pra fazer a lição de casa.
Agora vejo um Governo que aumenta os salários dos parlamentares por conta própria e CAGA para professores que são responsáveis pelo futuro de nosso país, tratando-os feito bandidos, e isso me corta o coração. Sinto pena dessa geração que não tem uma educação de qualidade como eu tive, o que é simplesmente um direito nosso, já que pagamos impostos pra tudo que temos em terras tupiniquins.
Aos professores que passaram pela minha vida, meu MUITO OBRIGADO, vocês foram e são maravilhosos. Aos que estão na luta, meu apoio e respeito. Eu estou com vocês.




Caio Locci






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