quinta-feira, 21 de maio de 2015



   Coral dos Cinquentões da UnB celebra a maturidade em alta voz

Grupo se apresenta nesta quinta no projeto Recital na Reitoria e garante: “cantar é uma terapia”
Angélica Peixoto - Da Diretoria de Esporte, Arte e Cultura
Imagine um coral de quase 3.500 anos. Não, ele não existe há tanto tempo. É que, somadas as idades de seus integrantes, a maioria acima dos 60 anos, o total ultrapassa três milênios. Tanta experiência de vida compõe o Coral dos Cinquentões da Universidade de Brasília, que se apresenta nesta quinta-feira (21), às 16h30, no projeto Recital na Reitoria.
A audição é promovida pela Diretoria de Esporte, Arte e Cultura da UnB e acontece no pátio da Reitoria, campus Darcy Ribeiro. O grupo não tem preconceito com gêneros musicais. O repertório vai do erudito ao sertanejo, dos hits da Jovem Guarda às marchinhas de carnaval.
Em 16 anos de existência, os Cinquentões gravaram três CDs e um DVD. A meta dos participantes não é cantar que nem um Pavarotti. Apenas explorar a música como terapia contra a solidão e a ociosidade advindas da aposentadoria.
Sérgio Kolodziey, regente do coral desde a fundação, estima que mais de 1.500 pessoas já passaram pelo grupo. Hoje são cerca de 50 coralistas. Nenhum é músico profissional. Vários, inclusive, não cantavam nem no chuveiro. Isso porque dominar técnicas vocais não é requisito para ingressar nos Cinquentões. “Cada um ganha afinação e solta a voz a seu tempo”, afirma Kolodziey. E a escolha das músicas? “São canções que mexem com a saudade”, acrescenta.
Prazer é o que atrai os integrantes do grupo. “Cada um vem com um objetivo. Há os que buscam preencher o tempo, os que estão fugindo de problemas, os que procuram novas amizades e até quem se aventura em namoros. Tem de tudo”. Os resultados desta "cantoterapia" são os mais variados. Kolodziey relata que o trabalho quebra barreiras pessoais. “Aqui as pessoas são vistas como são, sem distinção de cargos ou títulos. Muitas vezes os lados profissional e intelectual sufocam sonhos e talentos. A gente se prepara para tudo na vida, mas não para se aposentar. Essa é a oportunidade para deixar aflorar tudo o que foi represado”.
O espírito do coral está registrado em histórias como a de uma coralista diagnosticada com câncer. A doença regrediu até a cura total quando ela começou a participar do grupo. Outra, surpreendeu o grupo ao pedir para ser cremada vestindo o uniforme de gala dos Cinquentões. E foi atendida. “Sabemos que trabalhar as emoções é uma forma de ajudar a tratar algumas doenças. Não fazemos ideia da importância deste trabalho na vida das pessoas”.
Alba Cruz Teixeira, 85 anos, incorporou o canto coral ao cotidiano. “Estou desde o começo do grupo. Cantar é meu motivo para passear, ver as amigas e me divertir. Se não fosse isso, ficaria em casa dormindo”. O casal Estela, 61, e Ricardo Morais, 70 anos, participa há menos de um ano. “Assistimos aos Cinquentões em um encontro de corais e ficamos admirados com a alegria e o vigor do grupo. Viemos atrás de felicidade, acolhimento e sensação de família. A música é só consequência disso tudo”.
Como reconhecimento pelos trabalhos desenvolvidos com os corais de terceira idade no Distrito Federal, o regente Sérgio Kolodziey receberá nesta sexta-feira (22/05), às 19h, o Título de Cidadão Honorário de Brasília, concedido pela Câmara Legislativa do DF.

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