domingo, 31 de maio de 2015

Casamento:Amor, cultura, dinheiro? O que é mais importante em um casamento?

Casamento feliz? (Foto: Creative Commons)
Opríncipe se apaixona pela plebeia, eles se revoltam contra a sociedade, casam e são felizes para sempre. São mesmo? Depois da euforia do felizes para sempre vem a vida real, com todas as diferenças culturais e econômicas - sem contar os filhos e as famílias. Afinal, o casamento de pessoas de diferentes origens sociais é como nos contos de fadas?
Jessi Streib, professora assistente de sociologia na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, entrevistou 42 casais heterossexuais - 32 deles de classes sociais diferentes. Ela queria aprender mais sobre como o poder social, econômico e cultural influencia um relacionamento.
"Passar a vida toda ao lado de uma pessoa de outra classe social é uma maneira mais completa de cruzamento entre classes"
Jessi Streib
Depois do estudo, ela escreveu um livro sobre casamento entre classes. The Power of the Past: Understanding Cross-Class Marriages (O Poder do Passado: Entendendo Casamentos Entre Classes, em tradução livre) foi lançado nos Estados Unidos no início de março, ainda sem previsão de lançamento em português.
“As pessoas vivem cada vez mais em comunidades separadas por classes sociais. Há também muito preconceito e discriminação entre elas”, explica a autora a GALILEU. “Comprometer-se publicamente a passar a vida toda ao lado de uma pessoa de outra classe social é talvez a maneira mais completa de cruzamento entre classes. Eu queria entender como isso acontece e o que podemos aprender com as pessoas que se dedicam a esses casamentos”.
Os opostos se atraem

Na concepção de Streib, os opostos realmente se atraem. O que acontece, na verdade, é que pessoas de um determinado grupo querem viver experiências de um outro grupo. Os humildes querem o conforto financeiro da elite, enquanto a elite busca a união familiar dos mais humildes.
Muitos podem achar que o principal problema dos casamentos entre classes é externo ao casal - amigos, família e sociedade -, mas Streib conta que não é bem assim: “os casais tendem a se formar durante ou depois da faculdade e, muitas vezes, nem percebem a origem social do parceiro. Os pais então, nem ficam sabendo”.
Quanto mais diferenças pior

Quanto mais diferenças um casal tem, mais difícil pode ser para o relacionamento dar certo. Os opostos se atraem até certo ponto. Manter o casamento que é a parte difícil. “Casais de origens distintas têm uma série de diferenças que precisam ser preenchidas. Eles precisam trabalhar mais para entender as diferenças e se amarem”, explica Streib.
Exigir mudanças do cônjuge à ‘força’ é uma péssima ideia. Segundo Streib, “a forma como nós levamos nossas vidas está enraizada em anos de comportamento repetido. Mesmo quando queremos mudar, não é fácil”.
Diferenças econômicas e culturais

O livro fala sobre um tipo específico de casamento entre classes - casais que hoje têm o mesmo poder econômico, mas que vieram de origens socais diferentes. Por exemplo, uma garota que sempre pertenceu a elite casada com um cara de origem humilde que ascendeu no aspecto socioeconômico, atingindo o mesmo patamar de sua parceira. Desta forma,são levadas em consideração muito mais as diferenças culturais do que as econômicas.
Conto de fada da vida real? (Foto: Reprodução)
A conclusão de Streib é polêmica e gera discussão. Para a autora a grande causa de relacionamentos entre classes não darem certo é justamente por conta da origem distinta do casal. Pessoas que vieram de classes desfavorecidas tendem a gastar dinheiro mais facilmente, ao contrário das pessoas vindas da elite (dinheiro na mão é vendaval - nós sabemos). A cultura de quem não está acostumado com muito dinheiro, quando o tem, é gastar. Isso pode causar desconforto na outra parte mais acostumada com dinheiro e, consequentemente, mais controlada financeiramente.
“Enquanto crianças, os indivíduos de origem humilde não tinham condições de comprar o que queriam ter. Quando adultos, eles sentem-se capazes de fazer o que antes não era possível - gastar por consumismo e não por necessidade”, explica Streib.

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