domingo, 31 de maio de 2015

Casamento:Amor, cultura, dinheiro? O que é mais importante em um casamento?

Casamento feliz? (Foto: Creative Commons)
Opríncipe se apaixona pela plebeia, eles se revoltam contra a sociedade, casam e são felizes para sempre. São mesmo? Depois da euforia do felizes para sempre vem a vida real, com todas as diferenças culturais e econômicas - sem contar os filhos e as famílias. Afinal, o casamento de pessoas de diferentes origens sociais é como nos contos de fadas?
Jessi Streib, professora assistente de sociologia na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, entrevistou 42 casais heterossexuais - 32 deles de classes sociais diferentes. Ela queria aprender mais sobre como o poder social, econômico e cultural influencia um relacionamento.
"Passar a vida toda ao lado de uma pessoa de outra classe social é uma maneira mais completa de cruzamento entre classes"
Jessi Streib
Depois do estudo, ela escreveu um livro sobre casamento entre classes. The Power of the Past: Understanding Cross-Class Marriages (O Poder do Passado: Entendendo Casamentos Entre Classes, em tradução livre) foi lançado nos Estados Unidos no início de março, ainda sem previsão de lançamento em português.
“As pessoas vivem cada vez mais em comunidades separadas por classes sociais. Há também muito preconceito e discriminação entre elas”, explica a autora a GALILEU. “Comprometer-se publicamente a passar a vida toda ao lado de uma pessoa de outra classe social é talvez a maneira mais completa de cruzamento entre classes. Eu queria entender como isso acontece e o que podemos aprender com as pessoas que se dedicam a esses casamentos”.
Os opostos se atraem

Na concepção de Streib, os opostos realmente se atraem. O que acontece, na verdade, é que pessoas de um determinado grupo querem viver experiências de um outro grupo. Os humildes querem o conforto financeiro da elite, enquanto a elite busca a união familiar dos mais humildes.
Muitos podem achar que o principal problema dos casamentos entre classes é externo ao casal - amigos, família e sociedade -, mas Streib conta que não é bem assim: “os casais tendem a se formar durante ou depois da faculdade e, muitas vezes, nem percebem a origem social do parceiro. Os pais então, nem ficam sabendo”.
Quanto mais diferenças pior

Quanto mais diferenças um casal tem, mais difícil pode ser para o relacionamento dar certo. Os opostos se atraem até certo ponto. Manter o casamento que é a parte difícil. “Casais de origens distintas têm uma série de diferenças que precisam ser preenchidas. Eles precisam trabalhar mais para entender as diferenças e se amarem”, explica Streib.
Exigir mudanças do cônjuge à ‘força’ é uma péssima ideia. Segundo Streib, “a forma como nós levamos nossas vidas está enraizada em anos de comportamento repetido. Mesmo quando queremos mudar, não é fácil”.
Diferenças econômicas e culturais

O livro fala sobre um tipo específico de casamento entre classes - casais que hoje têm o mesmo poder econômico, mas que vieram de origens socais diferentes. Por exemplo, uma garota que sempre pertenceu a elite casada com um cara de origem humilde que ascendeu no aspecto socioeconômico, atingindo o mesmo patamar de sua parceira. Desta forma,são levadas em consideração muito mais as diferenças culturais do que as econômicas.
Conto de fada da vida real? (Foto: Reprodução)
A conclusão de Streib é polêmica e gera discussão. Para a autora a grande causa de relacionamentos entre classes não darem certo é justamente por conta da origem distinta do casal. Pessoas que vieram de classes desfavorecidas tendem a gastar dinheiro mais facilmente, ao contrário das pessoas vindas da elite (dinheiro na mão é vendaval - nós sabemos). A cultura de quem não está acostumado com muito dinheiro, quando o tem, é gastar. Isso pode causar desconforto na outra parte mais acostumada com dinheiro e, consequentemente, mais controlada financeiramente.
“Enquanto crianças, os indivíduos de origem humilde não tinham condições de comprar o que queriam ter. Quando adultos, eles sentem-se capazes de fazer o que antes não era possível - gastar por consumismo e não por necessidade”, explica Streib.

sábado, 30 de maio de 2015

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O que aprendi com a desescolarização | Ana Thomaz

Steve Vai - Crossroads guitar duel (HD)







Guitarrista Steve 

Vai apresenta master class em Brasília em 26 de junho.




FLOR DA NOITE . Meninas Cantoras de Petrópolis

NINHO DE LIVRO


Estamos participando de um projeto bem bacana no Rio e convidamos os cariocas a participarem também: o Ninho de livro, iniciativa da Satrapia, instalou pequenas bibliotecas colaborativas pela Zona Sul, criando espaço para que seus livros voltem a voar por aí. Basta pegar um exemplar em uma dessas casinhas e deixar outro no lugar. Em breve outras regiões receberão seus ninhos também. Mais informações na página do projeto

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Editais da FAPDF destinam mais de R$ 10 milhões a pesquisadores

POLÍTICA CIENTÍFICA - 26/05/2015


Editais da FAPDF destinam mais de R$ 10 milhões a pesquisadores

Seleções próprias oferecem recursos a projetos e a promoção e participação em eventos. UnB recebe a maior parte dos investimentos

Hugo Costa - Da Secretaria de Comunicação da UnB


A comunidade científica da Universidade de Brasília pode concorrer aos financiamentos oferecidos por três seleções públicas da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). Os editais 01/2015 e 02/2015 contemplam, respectivamente, a participação em atividades científicas nacionais e internacionais e a promoção de eventos. Calendário define seis datas para submissão de propostas ao longo do ano. O terceiro edital, classificado como de demanda espontânea, é destinado a projetos em todas as áreas de conhecimento e prevê o recebimento de propostas até 8 de julho.
Pesquisadores, estudantes de pós-graduação stricto sensu e de graduação vinculados a programas de iniciação científica são o público-alvo do Edital 01/2015, que também abre espaço para profissionais de ciência, tecnologia e inovação com mestrado ou doutorado. A seleção concede até R$ 3 mil para participação em congressos, cursos e visitas técnicas no Brasil e até R$ 10 mil para a presença nas mesmas atividades no exterior. O valor global dos recursos é de R$ 3,5 milhões.
O financiamento do edital de realização de eventos pode chegar a R$ 60 mil, a depender da abrangência da proposta. O valor total destinado na seleção é de R$ 2,1 milhões. Podem participar pesquisadores com formação e experiência compatíveis com o tema indicado, desde que vinculados a instituições de ensino públicas e privadas do Distrito Federal.
O volume global do Edital 03/2015 é o maior entre os abertos este ano pela fundação: R$ 5 milhões. O valor será distribuído em três faixas de propostas com aporte máximo de R$ 100 mil. O financiamento deve ser empregado para a compra de materiais, viagens e pagamento de serviços relacionados ao desenvolvimento dos projetos. A concorrência é aberta a pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa, de centros de pesquisa e de empresas que atuam no desenvolvimento e na inovação científica.
Mariana Costa/UnB Agência
 Decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, Jaime Santana
"Esses editais são extremamente importantes e eram esperados com ansiedade pela comunidade", afirma o decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, Jaime Santana. O gestor destaca a abrangência do edital de demanda espontânea. "É uma seleção que abre portas também para o jovem pesquisador e contempla todas as áreas de conhecimento", diz.
O decano avalia que os aportes da FAPDF demonstram que a fundação está ativa apesar do atual cenário econômico. "Esses investimentos são animadores, embora ainda sejam insuficientes. Nosso desejo é que a FAPDF se estruture e se torne uma agência de fomento que atenda cada vez mais à comunidade, de forma transparente e com editais expressivos".
MAIOR FATIA – A diretora-presidente interina da FAPDF, Regina Buani, informa que todos os recursos previstos para os editais estão garantidos por repasses já executados pelo governo local. Segundo ela, "a UnB é a grande demandadora da fundação" e costuma captar mais de 70% do volume ofertado nos editais.
A professora e pesquisadora do Instituto de Ciências Biológicas Anamélia Lorenzetti demonstra satisfação com o que chama de "retomada da FAPDF". Integrante da Associação de Pesquisadores, Empresários e Gestores em Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal (Apeg-DF), ela se recorda de dificuldades estruturais recentes da fundação e a falta de repasses a projetos selecionados. "O que nos anima é saber que a atual gestão trabalha com os pés no chão e está consciente das necessidades dos pesquisadores", afirma. Além dos editais próprios, a fundação mantém convênios nacionais e internacionais que oferecem oportunidades para pesquisadores.Saiba mais
Ana Rita Grilo/UnB Agência

RUBEM ALVES OFICIAL


Marilena Chauí (USP) X Olavo de Carvalho

Marilena Chaui -- Roda Viva (1999)

Música e Trabalho: O Meu Guri (Chico Buarque)


A vida que se tece entre Príncipes e Plebeus


                        A  repercussão do crime que tirou a vida do médico na Lagoa Rodrigues de Freitas, no Rio de Janeiro, tem sido expressada pela indignação diante da brutalidade do ato que banaliza a existência. Contudo,  tenho sido tocada pelo subtexto que norteia a informação dos jornalistas e o clamor da população em geral. Vejo ecoar um grito que ressalta, principalmente, o projeto fracassado de se ter uma vida tranquila nas grandes cidades.
                 A urgência em encontrar o culpado que ceifou a vida do nobre cidadão, (nobre por ser um ser humano, e não somente por ser doutor, ou por morar em um bairro requintado)levou os investigadores a uma favela e à prisão de um jovem. A população clama por  mais segurança pública, e bandeiras são erguidas a favor da redução da maioridade penal.Fosse a vítima, o João jardineiro, a população não teria engendrado tamanho alarde em relação a sua morte. Penso ainda  que os investigadores  não lograriam o mesmo êxito na localização e prisão do deliquente.  As atitudes e as falas em torno do fato, suscitam em mim a quase certeza de que a desigualdade social seja de fato, a marca da violência em cada canto do nosso país. Desigualdade e violência andam de mãos dadas e, infelizmente, não é  problema somente das metrópoles.Estamos diante de um estado, que apesar dos esforços, não tem conseguido diminuir a distância entre os príncipes e os plebeus da sociedade  brasileira.
    O discurso da população e da mídia impressa e falada é  legítimo, uma vez que é a expressão da dor, e  representa reações humanas  diante de vidas ceifadas. Discurso que acaba funcionando como catarse e que em nada ajuda em relação ao fato ocorrido, e em nada coopera para a diminuição desses acontecimentos , e faz com que os rancores sociais sejam cada vez mais acirrados.Um perigoso caminho vai sendo tecido junto a  essas falas opostas. O que se vê é,  de  um lado setores mais radicais afirmando que o social é mero engodo para manter os pobres no seu lugar, porque o projeto global, na realidade é a exploração dos pobres nas campanhas eleitorais. E, de outro lado,  há os que afirmam ser perda de tempo e de recursos financeiros  investir nesses pobres irrecuperáveis, cujo destino há de ser a morte ou a prisão. 
  A discussão do tema,aparentemente, politiza e fomenta o diálogo consciente entre as partes. E talvez por receio de meter o dedo na ferida, de se ater às especificidades e pontos sutis que se juntam para tecer uma realidade feia e triste, ou pelo receio de se ater à complexidade da questão humana, faltam atitudes e sobram discursos inflamados. 
  Li o depoimento-postado nas redes sociais neste fim de semana- de Preto Zezé, liderança nacional da Cufa (Central Única das Favelas) que vem das Quadras de Fortaleza, com trajetória de dedicação intelectual e de ações concretas, “Senhoras e Senhores, apresento-lhes nossos meninos-bombas!”.Esse líder lança um olhar atento e sensível  sobre o acontecimento e sua fala vai muito além de um desabafo carregado de desesperança.  Segundo ele, “esses meninos que explodem só são vistos, debatidos e lembrados quando surgem das sombras e tiram vidas que são mais vidas que as suas, aliás, suas vidas são apenas números”.
    Diante de vidas que se teceram na descrença, que nada tem a perder, porque não se sentem donos nem da própria existência, me pergunto: o que pode ser feito a favor desses jovens de modo a criar, para suas vidas, novas  trilhas rumo a novos destinos ? Penso que não podemos abandonar o social. Mas é possível e, urgente, ressignificá-lo. Sugiro que sejam tomadas ações efetivas no sentido de se inserir a criança e o jovem na vida em sociedade por meio de projetos de arte-educação.O reconhecimento do próprio valor, do pertencimento por meio de sua capacidade criadora e de sua sensibilidade. Vidas que desejam ser reconhecidas  aceitas e, principalmente, desejam ganhar visibilidade positiva.
   É sabido que o ensino regular não é suficiente para   o pleno  desenvolvimento humano. Os projetos de vida necessitam ser construídos. Inúmeras promessas foram feitas pelas entidades governamentais. No entanto,educadores, ativistas sociais e pesquisadores apontam sempre a carência  de ações significativas.São muitos os jovens que estão no caminho errado. Encarcerá-los  ou matá-los seria solução provisória, porque outros estão sendo tecidos em seus cantos. Isso mesmo,  outros virão.E não é porque nasceram  assim. O fato é que não foram priorizados no espaço em que  vivem e tecem seus destinos.
     Este não é o desabafo de uma plebeia louca defendendo os seus iguais. Penso e, me compadeço dos príncipes acuados em seus castelos e jardins, com medo dos marginais que os rodeiam.Também eles  são vítimas desse contexto social em que a insegurança e o medo impedem a tessitura de uma vida tranquila.
   Sou a favor da paz tecida e entretecida por atitudes conscientes e eficazes. Ações articuladas entre os governantes e a população em busca do equilíbrio entre as classes sociais em nosso país. É viável a construção de uma sociedade mais humanizada, que não seja enredada entre vilões e mocinhos, herois e bandidos, cidadãos e marginais, cujo antagonismo seja tecido pelo dinheiro.Sabemos que há muito bandido entre os príncipes assim como é possível encontrar herois entre os plebeus. 


Boléro - Meninas Cantoras de Petrópolis

terça-feira, 26 de maio de 2015

Arte em tela -DELICADEZA-

"Faca de Ponta" por Rolando Boldrin - Sr. Brasil - 24/08/14

Oswaldo Montenegro - Travessuras



Osvaldo Montenegro é eterno.


Houve um tempo em que os músicos se estabeleciam pela qualidade sensibilidade de suas canções. 
Oswaldo Montenegro é um artista completo, um dos maiores poetas da nossa música, cria e compõe com a mente e o coração.E é isso que eterniza seu trabalho.sua obra literária.


UAB/UnB

Cespe reabre inscrições para licenciatura a distância
No total, são 120 vagas para Geografia pelo Sistema Universidade Aberta do Brasil. 

Prazo vai até 26 de maio 


A Universidade de Brasília reabriu, nesta sexta-feira (22), as inscrições para o vestibular destinado ao ingresso no curso de licenciatura a distância pelo Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). São ofertadas um total de 120 oportunidades no curso de Geografia, nos polos/municípios de Posse (GO), Diamantino (MT) e Santos (SP).
O novo prazo para confirmar a participação vai até 26 de maio, no linkwww.cespe.unb.br/vestibular/uab_15_licenciatura, e a taxa de inscrição é R$ 100,00. No momento da inscrição, o candidato deverá optar pelo sistema de vagas (Universal ou de Cotas para Escolas Públicas) e pelo polo/município de sua preferência.
O curso possui encontros presenciais quinzenais ou semanais, que incluem atividades de laboratório, tutoria e avaliações. A participação do aluno nessas dinâmicas é obrigatória.
SELEÇÃO – O processo seletivo será composto de prova objetiva nas disciplinas de Língua Portuguesa, Literatura, Artes, Geografia, História, Biologia, Física, Matemática e Química, além de prova de redação em Língua Portuguesa. A data de realização da prova se manteve e está prevista para 28 de junho.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Moda do Invejoso, por Rolando Boldrim - Sr. Brasil - 02/03/14

Palavras...

Para o teórico russo Mikail Bakhtin e seu círculo de estudiosos, a língua tem vida porque é um diálogo contínuo entre os sujeitos sociais. Isso quer dizer que ela é tão viva como eu ou você e está sujeita aos processos normais pelos quais passam todos os seres vivos: palavras nascem, palavras se modificam (tanto no que querem dizer como na forma da escrita), palavras morrem.
Leia mais clicando no link A Língua é viva







A importância do brincar

domingo, 24 de maio de 2015

Transformação Social e Igualdade de Gênero: O Poder da Educação

Emocionada, ofereço esta apresentação a todas os professores-que no anonimato-fazem trabalhos semelhantes ao da professora Gina Vieira-pessoas que vivem a Educação e fazem a diferença na vida das crianças e dos jovens de nosso país. Ainda há esperança. Eu acredito na educação transformando vidas e tecendo novos caminhos.Um abraço,professora Gina-nossa aluna da Pós Graduação em Letramento.


Publicado no You-tube em 08 maio de 2015. 


Transformação Social e Igualdade de Gênero: O Poder da Educação. Em meio a uma difícil realidade da cidade satélite de Ceilândia, a Professora Gina Vieira decidiu revolucionar o ensino da sua comunidade com uma proposta inovadora e eficiente de educação. A aproximação com seus alunos, a habilidade em tornar os problemas em soluções e o incansável desejo em transformar o olhar sobre as mulheres levaram a um resultado espetacular!

Gina Vieira Ponte de Albuquerque é professora efetiva da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal desde abril de 1991 e é especialista em Educação a Distância e em Desenvolvimento Humano, Educação e Inclusão Escolar pela Universidade de Brasília. Pela realização do Projeto Mulheres Inspiradoras ganhou dois prêmios nacionais: primeiro lugar no 4º Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos e no 8º Prêmio Professores do Brasil.

This talk was given at a TEDx event using the TED conference format but independently organized by a local community. Learn more athttp://ted.com/tedx

sábado, 23 de maio de 2015

Café Filosófico: Ética em tempo de mudança - Renato Janine Ribeiro





                                         Nosso Ministro da Educação



Publicado em 7 de jul de 2012
Uma forte característica dos nossos tempos é a mudança. Um indivíduo pode até mais de uma vez mudar de país, mudar de profissão, mudar nos relacionamentos amorosos. Os valores que valiam ontem podem não valer amanhã. No curso de uma vida podemos viver de muitas maneiras diferentes. Como fica a ética diante dessa realidade? Como definir o certo e o errado onde tudo é instável? Renato Janine parte do princípio de que a ética não é um conjunto de regras a serem seguidas. A ética nasce do dilema e implica escolhas a cada momento. Renato Janine Ribeiro: Professor titular de Ética e Filosofia Política na USP, tem se dedicado à análise de temas como o caráter teatral da representação política, a idéia de revolução e a cultura política brasileira. Entre suas obras destaca-se A sociedade contra o social: o alto custo da vida pública no Brasil (Prêmio Jabuti, 2001). O programa Café Filosófico é uma produção da TV Cultura em parceria com a CPFL Energia.

Café Filosófico: A ignorância da diversidade - Muniz Sodré





Uma reflexão sobre uma ignorância que ganhou relevo com a globalização, a ignorância da diversidade. Muniz Sodré mostra como um determinado pensamento abstrato e teórico sobre a diversidade acaba desviando a atenção sobre a fundamental importância da existência da diversidade. Para ele, somente na diversidade e nas relações que se criam a partir dela, é que podemos montar as redes de afeição e relacionamentos que precisamos para a nova realidade mundial. Muniz também faz um breve resumo da importância dos negros para a nossa cultura e para a criação da diversidade brasileira.
Com Muniz Sodré.



SOLIDÃO DE AMIGOS -JESSÉ





Jessé-uma voz linda. Para sempre em minha memória.



Bela composição que faz refletir acerca dascoisas simples da vida, tais como amizade, sinceridade e o amor dos amigos.



Denis Luiz de Souza vive há 15 anos no aeroporto de Guarulhos.

Nos últimos 15 anos, Denis Luiz de Souza, sem sair do aeroporto, viu o Brasil trocar três vezes de presidente e o Corinthians ganhar uma Copa Libertadores, duas Copas do Brasil, dois mundiais de clubes e duas ligas.
Esse rapaz encorpado, com aparência de adolescente, acaba de fazer 32 anos e, desde 2000, mora nos corredores do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Denis nunca subiu em um avião, mas conhece cada esquina e cada trabalhador do maior aeroporto da América Latina: do agente da Polícia Federal, com o qual comenta os gols da rodada, até o empacotador de malas; da coordenadora do terminal 2, que o conhece desde que era apenas um menino, a todos os outros que, como ele, sem casa, moram nesse lugar onde o tempo parece ter parado.difícil entender o que se passa pela cabeça de Denis.
Suas frases são curtas, incompletas, não distingue a diferença entre um mês e uma semana e não sabe ver as horas se não for em um relógio digital. Não sabe ler, embora passeie com um jornal debaixo do braço, e não sabe citar nenhum destino internacional. Não sabe nada sobre o que ocorre fora do aeroporto, exceto as façanhas e desgostos do Corinthians. Pode ser que os supostos maus-tratos, infligidos por sua madrasta e que relatou aos mais próximos, tenham causado sequelas psicológicas, mas ninguém sabe na verdade: o serviço social da prefeitura de Guarulhos nunca o visitou. Diz que não vai ao médico desde que era menino. “Denis precisa de um tratamento psicológico ou psiquiátrico, ele vive em seu mundo, mas precisa de um diagnóstico, de que alguém cuide  dele”, lamenta Flavio Faria, que trabalha numa seguradora do aeroporto há 20 anos.
Órfão, Denis chegou ao aeroporto em um ônibus depois da enésima bronca em casa, em uma manhã indefinida há 15 anos. Pode ser que seja mais. Ou menos. Ele perdeu a noção do tempo, por isso foram os funcionários mais veteranos que calcularam a data aproximada de sua chegada. Um dia decidiu fugir, conta Sheila, uma de suas mães adotivas da loja de celulares Vivo do terminal 2. Nunca mais voltou para casa. As vendedoras lhe dão comida, lavam sua roupa e, quando precisa, guardam suas poucas coisas em uma das cabines de telefone do local.Quase todos os funcionários do aeroporto se dedicaram à proteção do Corintiano, apelido que ganhou por sua paixão pelo time. “De uma forma ou de outra, você acaba se envolvendo. Sempre que me pediu alguma coisa, lhe dei; não pude dizer não”, conta Faria, que leva marmitas para Denis uma vez por semana. “Faz favores para todo mundo, é muito honesto, conversa e brinca com todos”, descreve Talita, garçonete da cafeteria onde ele toma café.Denis vive de caridade, mas também de ajudar aos outros. Os empregados do aeroporto recorrem a ele para pagar as contas de luz, jogar na loteria, comprar remédios e até pagar o aluguel. Em troca, recebe umas moedas que, em outros tempos, quando os preços eram outros, destinava à sua paixão: ver o Corinthians jogar no estádio do Pacaembu.
Apenas quando os últimos voos internacionais decolam, já no começo da madrugada, Denis parece ficar sozinho e vai dormir. A cama é sempre a mesma, um espaço de três assentos na sala de espera do terminal 2, um cobertor azul e um travesseiro desbotado de flores. Sua dieta se resume a arroz com feijão e, com sorte, um café com leite de sete reais, cortesia do McDonald’s. Tomar banho no aeroporto por 47 reais é algo que Denis não pode se dar ao luxo todos os dias, por isso que a higiene pessoal completa, no local ou na casa de algum conhecido, é restrita aos sábados.

“Gostaria de ter uma casa, com um quarto da hora, sair desta vida seria bom”, diz Denis. “Mas aqui estou tranquilo”, acrescenta. “Todo Natal, um comandante paga uma noite em um hotel para que ele durma em uma cama e tome um banho adequado. No ano passado, ao voltar, nos emocionou ao dizer que enquanto comia um frango à milanesa do serviço de quarto, se lembrou da gente, que gostaria de dividi-lo, por tudo o que tínhamos feito por ele”, contam às lágrimas suas madrinhas da loja de celulares.

“Ele precisaria de um lar, mas não acredito que sairia daqui, entende? Acho que tem medo de ir embora e não poder voltar depois”, afirma a mais jovem das empregadas

sexta-feira, 22 de maio de 2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Joaquim Pessoa - Guardar o fogo (por José-António Moreira)




Peço-te, não pises as violetas que trago no olhar.
Cheiram a ti.São para ti.
Um buquê de palavras que floriram
Nesse tempo de amor.

(Joaquim Pessoa)

LETRAS: 21 de maio Dia do Profissional de Letras







REDAÇÃO NOTA 10 ENEM-2014

O tema da última redação do Enem foi "Publicidade infantil em questão no Brasil". Como nos anos anteriores, para ganhar nota 1.000, um texto deve cumprir bem cinco competências exigidas pelo MEC. O título não é obrigatório. Cada competência tem cinco faixas que vão de 0 a 200 pontos:
Competência 1: Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.
Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários à construção da argumentação.
Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Veja abaixo a TRANSCRIÇÃO LITERAL das redações, sem edições:

Antônio Ivan Araújo, Ceará
Trecho de redação de Antônio Ivan Araújo (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Antônio Ivan Araújo. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"A publicidade infantil movimenta bilhões de dólares e é responsável por considerável aumento no número de vendas de produtos e serviços direcionados às crianças. No Brasil, o debate sobre a publicidade infantil representa uma questão que envolve interesses diversos. Nesse contexto, o governo deve regulamentar a veiculação e o conteúdo de campanhas publicitárias voltadas às crianças, pois, do contrário, elas podem ser prejudicadas em sua formação, com prejuízos físicos, psicológicos e emocionais.

Em primeiro lugar, nota-se que as propagandas voltadas ao público mais jovem podem influir nos hábitos alimentares, podendo alterar, consequentemente, o desenvolvimento físico e a saúde das crianças. Os brindes que acompanham as refeições infantis ofertados pelas grandes redes de lanchonetes, por exemplo, aumentam o consumo de alimentos muito calóricos e prejudiciais à saúde pelas crianças, interessadas nos prêmios. Esse aumento da ingestão de alimentos pouco saudáveis pode acarretar o surgimento precoce de doenças como a obesidade.

Em segundo lugar, observa-se que a publicidade infantil é um estímulo ao consumismo desde a mais tenra idade. O consumo de brinquedos e aparelhos eletrônicos modifica os hábitos comportamentais de muitas crianças que, para conseguir acompanhar as novas brincadeiras dos colegas, pedem presentes cada vez mais caros aos pais. Quando esses não podem compra-los, as crianças podem ser vítimas de piadas maldosas por parte dos outros, podendo também ser excluídas de determinados círculos de amizade, o que prejudica o desenvolvimento emocional e psicológico dela.

Em decorrência disso, cabe ao Governo Federal e ao terceiro setor a tarefa de reverter esse quadro. O terceiro setor – composto por associações que buscam se organizar para conseguir melhorias na sociedade – deve conscientizar, por meio de palestras e grupos de discussão, os pais e os familiares das crianças para que discutam com elas a respeito do consumismo e dos males disso. Por fim, o Estado deve regular os conteúdos veiculados nas campanhas publicitárias, para que essas não tentem convencer pessoas que ainda não têm o senso crítico desenvolvido. Além disso, ele deve multar as empresas publicitárias que não respeitarem suas determinações. Com esses atos, a publicidade infantil deixará de ser tão prejudicial e as crianças brasileiras poderão crescer e se desenvolver de forma mais saudável."
Trecho de redação de Dandara Luíza da Costa. (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Dandara Luíza da Costa. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"Por um bem viver
'O ornamento da vida está na forma como um país trata suas crianças'. A frase do sociólogo Gilberto Freyre deixa nítida a relação de cuidado que uma nação deve ter com as questões referentes à infância. Dessa forma, é válido analisar a maneira como o excesso de publicidade infantil pode contribuir negativamente para o desenvolvimento dos pequenos e do Brasil.

É importante pontuar, de início, que a abusiva publicidade na infância muda o foco das crianças do que realmente é necessário para sua faixa etária. Tal situação torna essas crianças pequenos consumidores compulsivos de bens materiais, muitas vezes desapropriados para determinada idade, e acabam por desvalorizar a cultura imaterial, passada através das gerações, como as brincadeiras de rua e as cantigas. Prova disso são os dados da UNESCO afirmarem que cerca de 85% das crianças preferirem se divertir com os objetos divulgados nas propagandas, tornando notório que a relação entre ser humano e consumo está “nascendo” desde a infância.

É fundamental pontuar, ainda, que o crescimento do Brasil está atrelado ao tipo que infância que está sendo construída na atualidade. Essa relação existe porque um país precisa de futuros adultos conscientes, tanto no que se refere ao consumo, como às questões políticas e sociais, pois a atenção excessiva dada à publicidade infantil vai gerar adultos alienados e somente preocupados em comprar. Assim, a ideia do líder Gandhi de que o futuro dependerá daquilo que fazemos no presente parece fazer alusão ao fato de que não é prudente deixar que a publicidade infantil se torne abusiva, pois as crianças devem lidar da melhor forma com o consumismo.

Dessa forma, é possível perceber que a publicidade infantil excessiva influencia de maneira negativa tanto a infância em si como também o Brasil. É preciso que o governo atue iminentemente nesse problema através da aplicação de multas nas empresas de publicidade que ultrapassarem os limites das faixas etárias estabelecidos anteriormente pelo Ministério da Infância e da Juventude. Além disso, é preciso que essas crianças sejam estimuladas pelos pais e pelas escolas a terem um maior hábito de ler, através de concessões fiscais às famílias mais carentes, em livrarias e papelarias, distando um pouco do padrão consumista atual, a fim de que o Brasil garanta um futuro com adultos mais conscientes. Afinal, como afirmou Platão: “o importante não é viver, mas viver bem”.


Giovana Lazzaretti Segat, Rio Grande do Sul
Trecho de redação de Giovana Lazzaretti Segati, Rio Grande do Sul. (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Giovana Lazzaretti Segati, Rio Grande do Sul. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"Criança: futuro consumidor
A propaganda é a principal arma das grandes empresas. Disseminada em todos os meios de comunicação, a ampla visibilidade publicitária atinge seu principal objetivo: expor um produto e explicar sua respectiva função. No entanto, essa mesma função é distorcida por anúncios apelativos, que transformam em sinônimos o prazer e a compra, atingindo principalmente as crianças.

As habilidades publicitárias são poderosas. O uso de ídolos infantis, desenhos animados e trilhas sonoras induzem a criança a relacionar seus gostos a vários produtos. Dessa maneira, as indústrias acabam compartilhando seus espaços; como exemplo as bonecas Monster High fazendo propaganda para o fast food Mc Donalds. A falta de discussão sobre o assunto é evidenciada pelas opiniões distintas dos países. Conforme a OMS, no Reino Unido há leis que limitam a publicidade para crianças como a que proíbe parcialmente – em que comerciais são proibidos em certos horários -, e a que personagens famosos não podem aparecer em propagandas de alimentos infantis. Já no Brasil há a autorregulamentação, na qual o setor publicitário cria normas e as acorda com o governo, sem legislação específica.

A relação entre pais, filhos e seu consumo se torna conflituosa. As crianças perdem a noção do limite, que lhes é tirada pela mídia quando a mesma reproduz que tudo é possível. Como forma de solucionar esse conflito, o governo federal pode criar leis rígidas que restrinjam a publicidade de bens não duráveis para crianças. Além disso, as escolas poderiam proporcionar oficinas chamadas de “Consumidor Consciente” em que diferenciam consumo e consumismo, ressaltando a real utilidade e a durabilidade dos produtos, com a distribuição de cartilhas didáticas introduzindo os direitos do consumidor. Esse trabalho seria efetivo aliado ao diálogo com os pais.

Sérgio Buarque de Hollanda constatou que o brasileiro é suscetível a influências estrangeiras, e a publicidade atual é a consequência direta da globalização. Por conseguinte é preciso que as crianças, desde pequenas, saibam diferenciar o útil do fútil, sendo preparados para analisar informações advindas do exterior no momento em que observarem as propagandas.
"

Júlia Neves Silva Dutra, Minas Gerais
Trecho de redação de Júlia Neves Silva Dutra, Minas Gerais. (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Júlia Neves Silva Dutra, Minas Gerais. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"A Revolução Industrial, ocorrida inicialmente na Inglaterra durante o século XVIII, trouxe a necessidade de um mercado consumidor cada vez maior em função do aumento de produção. Para isso, o investimento em publicidade tornou-se um fator essencial para ampliar as vendas das mercadorias produzidas. Na sociedade atual, percebe-se as crianças como um dos focos de publicidade. Tal prática deve ser restringida pelo Estado para garantir que as crianças não sejam persuadidas a comprar determinado produto.

A partir da mecanização da produção, o estímulo ao consumo tornou-se um fator primordial para a manutenção do sistema capitalista. De acordo com Karl Marx, filósofo alemão do século XIX, para que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria: constroi-se a ilusão de que a felicidade seria alcançada a partir da compra do produto. Assim, as crianças tornaram-se um grande foco das empresas por não possuírem elevado grau de esclarecimento e por serem facilmente persuadidas a realizarem determinada ação.

Para atingir esse objetivo, as empresas utilizam da linguagem infantil, de personagens de desenhos animados e de vários outros meios para atrair as crianças. O Conselho Nacional de Direitos de Criança e do Adolescente aprovou uma resolução que considera a publicidade infantil abusiva, porém não há um direcionamento concreto sobre como isso vai ocorrer. É imprescindível uma maior rigidez do Estado sobre as campanhas publicitárias infantis, pois as crianças farão parte do mercado consumidor e devem ser educadas para se tornarem consumidores conscientes.

Logo, o Estado deve estabelecer um limite para os comerciais voltados ao público infantil por meio da proibição parcial, que estabelece horários de transmissão e faixas etárias. Além disso, o uso de personagens de desenhos animados em campanhas publicitárias infantis deve ser proibido. Para efetivar as ações estatais, instituições como a família e a escola devem educar as crianças para consumirem apenas o que é necessário. Apenas assim o consumo consciente poderá se realizar a médio prazo."


Lucas Almeida Francisco, Sergipe
Trecho de redação de Lucas Almeida Francisco, de Sergipe. (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Lucas Almeida Francisco, de Sergipe. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"A publicidade infantil tem sido pauta de discussões acerca dos abusos cometidos no processo de disseminação de valores que objetivam ao consumismo, uma vez que a criança, ao passar pelo processo de construção da sua cidadania, apropria-se de elementos ao seu redor, que podem ser indesejáveis à manutenção da qualidade de vida.

O sociólogo Michel Foucault afirma que 'nada é político, tudo é politizável, tudo pode tornar-se político'. A publicidade politiza o que é imprescindível ao consumidor à medida que abarca a função apelativa associada à linguagem empregada na disseminação da imagem de um produto, persuadindo o público-alvo a adquiri-lo.

Ao focar no público infantil, os meios publicitários elencam os códigos e as características do cotidiano da criança, isto é, assumem o habitus – conceito de Pierre Bourdieu, definido como 'princípios geradores de práticas distintas e distintivas' – típico dessa faixa etária: o desenho animado da moda, o jogo eletrônico socialmente compartilhado, o brinquedo de um famoso personagem da mídia, etc.

Por outro lado, a criança necessita de um espaço que a permita crescer de modo saudável, ou seja, com qualidade de vida. Os abusos publicitários afetam essa prerrogativa: ao promoverem o consumo exarcebado, causam dependência material, submetendo crianças a um círculo vicioso de compras, no qual, muitas vezes, os pais não podem sustentar. A felicidade é orientada para um produto, em detrimento de um convívio social saudável e menos materialista.

De modo a garantir o desenvolvimento adequado da criança e diminuir os abusos da publicidade, algumas medidas devem ser tomadas. O governo deve investir em políticas públicas que atuem como construtoras de uma 'consciência mirim', através de meios didáticos a fomentar a imaginação da criança, orientando-a na recepção de informações que a cercam. Em adição, os pais devem estar atentos aos elementos apropriados pelos seus filhos em propagandas, estimulando o espírito crítico deles, a contribuir para a futura cidadania que os espera."


Lucas Santos Barbosa, Alagoas
Trecho de redação de Lucas Santos Barbosa, de Alagoas. (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Lucas Santos Barbosa, de Alagoas. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"Desde o fim da Guerra Fria, em 1985, e a consolidação do modelo econômico capitalista, cresce no mundo o consumismo desenfreado. Entretanto, as consequências dessa modernidade atingem o ser humano de maneira direta e indireta: através da dependência por compras e impactos ambientais causados por esse ato. Nesse sentido, por serem frágeis e incapazes de diferenciar impulso de necessidade, as crianças tornaram-se um alvo fácil dos atos publicitários.

Por ser uma questão de cunho global, as ações de propagandas infantis também são vivenciadas no Brasil. Embora a economia passe por um período de recessão, a vontade de consumir pouco mudou nos brasileiros. Com os jovens não é diferente, influenciados, muitas vezes, por paradigmas de inferioridade social impostos tanto pela mídia, quanto pela sociedade, além de geralmente serem desprovidos de uma educação de consumo, tornam-se adultos desorganizados financeiramente, ao passo que dão continuidade a esse ciclo vicioso.

Diante desse cenário, os prejuízos são sentidos também pela natureza, uma vez que o descarte de materiais gera poluição e mudança climática na Terra. No entanto, o Brasil carece de medidas capazes de intervir em ações publicitárias direcionadas àqueles que serão o futuro da nação, hoje, facilmente manipulados e influenciados por personagens infantis e pela modernização em que passam os produtos. Em outras palavras, é preciso consumir de maneira consciente desde a infância, para que se construam valores e responsabilidade durante o desenvolvimento do indivíduo.

Dessa forma, sabe-se que coibir a propaganda voltada ao público infanto-juvenil não é a melhor medida para superar esse problema. Cabe aos pais, cobrarem ações do governo – criação de leis mais rigorosas – além de agirem diretamente na formação e educação de consumo dos filhos: impondo limites e dando noções financeiras ainda enquanto jovens. Ademais, as escolas têm papel fundamental nesse segmento. É imprescindível, também, utilizar a própria mídia para alertar sobre os problemas ambientais decorrentes do consumo em larga escala e incentivar o desenvolvimento sustentável."


Luis Arthur Novais Haddad, Minas Gerais
Trecho de redação de Luiz Arthur Haddad, Minas Gerais. (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Luis Arthur Haddad, Minas Gerais. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"Mais família e menos mídia
Em Esparta, importante pólis grega, os meninos eram exaustivamente treinados para serem guerreiros que defenderiam sua cidade. Hoje, no Brasil, as crianças não tem essa preocupação: crescem e no futuro, podem escolher suas profissões. Porém, a publicidade infantil tem influenciado, não só este, mais inúmeros outros aspectos dos jovens, e não deveria.

No Brasil, é comum que se ligue a televisão e esteja passando alguma propaganda com teor apelativo aos jovens: publicitários usam de inúmeros meios para atrair a atenção das crianças, e conseguem. Estas, cada vez mais conectadas a todo tipo de mídia, acabam se influenciando pelo que é divulgado na televisão e pedem aos seus pais que compre o que foi ofertado. O problema é que cabe aos pais escolher qual brinquedo o filho deve ter, por exemplo, e não ao grande empresário. Este tem como finalidade o lucro, enquanto aqueles querem o crescimento de seus jovens. Dessa forma, é comum que os donos de empresas criem brinquedos que não têm a menor intenção de ensinar nada às crianças. Os pais, pelo contrário, tendem a escolher, por exemplo, os brinquedos que passem a seus filhos conhecimentos que julguem necessários. Com a publicidade infantil, os empresários tomam para si, funções que cabem aos pais, e por isso este tipo de publicidade deve ter fim.

Muitas pessoas, porém, pensa que esta é uma forma de censura, similar à que Vargas implantou com o Departamento de Imprensa e Propaganda, mas não é. Crianças ainda estão na fase de aprendizado básico e, pela falta de maturidade, não desenvolveram censo crítico: ao verem propagandas fantasiosas, acham que o produto é maravilhoso e desejam adquiri-lo no mesmo instante. Não sabem, porém, que o refrigerante possui muito corante – e pode desencadear uma alergia, ou que o brinquedo é muito frágil, e logo se quebrará. Os pais, por esses motivos, não irão comprar os produtos, o que, em muitos casos, deixará o filho desapontado. Sabendo que as crianças não têm censo crítico para selecionar o que é bom através da publicidade infantil, observa-se que estas devem ser pouco, ou nada, divulgadas.

Vendo a questão publicitária sob esta ótica, um implemente à lei deve ser colocado em prática. Deve partir do Governo uma adequação ao projeto pedagógico brasileiro: aulas de filosofia e sociologia, colocadas na base da escola, ensinariam aos jovens como a mídia de comporta. Com o tempo, e a maturidade, as crianças verão que os pais estão, na maioria dos casos, corretos na formação que lhe deram. Dessa forma, a sociedade irá crescer e se desenvolver de forma mais humana e menos financeira."


Maria Isabel Viñas, Rio de Janeiro
Trecho de redação de Maria Isabel Viñas, do Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Maria Isabel Viñas, do Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"Amor à venda
A vitória do capitalismo na Guerra Fria gerou muitas consequências para o mundo, sendo uma delas a competição desenfreada das multinacionais por novos mercados. Um dos principais alvos desse cenário são as crianças, indivíduos facilmente manipuláveis devido a sua pequena capacidade de julgamento crítico. Sua inocência é, dessa forma, cruelmente convertida em lucro, fato que não deve ser permitido nem tolerado.

A infância é uma fase de formação e aprendizagem, sendo necessário, portanto, que os bons costumes sejam cultivados. É, também, uma fase em que tudo é novo e interessante. Dessa forma, os produtos apresentados em comerciais inevitavelmente seduzirão meninos e meninas que, por sua vez, passarão a pautar sua felicidade naquilo que podem adquirir.

A ausência cada vez maior dos pais na vida dos filhos é outro fator que torna urgente a intervenção do Estado nos meios de comunicação. A presença constante  o carinho paterno são, hoje, raros às crianças e, cientes disso, tentam compensar o desfalque lhes dando tudo o que pedem, desde carrinhos de controle remoto a iPhones. Mal sabem que o que estão fazendo é fomentar uma indústria que, aos poucos, aprisiona seus filhos ao materialismo e escraviza-os aos gostos do capitalismo.

A proteção das crianças brasileiras quanto às investidas do mercado deve, portanto, ser promovida não apenas pelo Estado, mas também por aqueles que são responsáveis por sua formação. Ao primeiro cabe apresentar projetos de lei que limitem o teor persuasivo das propagandas. Sua aprovação contaria com a aprovação da população. Além disso, disciplinas extras poderiam ser criadas com o respaldo na atual LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), para que houvesse a conscientização desses 'pequenos cidadãos' no que se refere a problemática do consumo excessivo. Vale ainda citar o papel dos pais, aos quais cabe a importante função de ser um bom exemplo, afinal, a verdadeira felicidade não pode ser mediada por elementos materiais e sim pelo amor."


Paula Lage Freire, Rio de Janeiro
Trecho de redação de Paula Lage Freire, do Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Paula Lage Freire, do Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"Responsabilidade social
A Revolução Técnico-Científica do século XX inaugurou a Era da Informação e possibilitou a divulgação de propagandas nos meios de comunicação, influenciando o consumo dos indivíduos de diferentes faixas etárias. Nesse contexto, a publicidade destinada ao público infantil é motivo de debates entre educadores e psicólogos no território nacional. Assim, a proibição parcial da divulgação de produtos para as crianças é essencial para um maior controle dos pais e para um menor abuso de grandes empresas sobre os infantes.

Os indivíduos com idade pouco avançada, em sua maioria, ainda não possuem condições emocionais para avaliar a necessidade de compra ou não de determinado brinquedo ou jogo. Isso porque eles não desenvolveram o senso crítico que possibilita uma escolha consciente e não impulsiva por um produto, como já observou Freud em seus estudos sobre os desejos e impulsos do homem. Consequentemente, os pais, principais responsáveis pela educação dos filhos, devem ter o controle sobre o que é divulgado para eles, pois possuem maior capacidade para enxergar vantagens e desvantagens do que é anunciado.

Além disso, pela pouca maturidade, as crianças são facilmente manipuláveis pela mídia. Isso ocorre por uma crença inocente em imagens meramente ilustrativas, que despertam a imaginação e promovem o deslocamento da realidade, deixando a sensação de admiração pelo produto. Como consequência, empresas interessadas na venda em larga escala e no lucro aproveitam esse quadro para divulgar propagandas enganosas, em muitos casos.

Portanto, é fundamental uma regulação da publicidade infantil, permitindo-se o controle de responsáveis e impedindo-se ações irresponsáveis de muitas empresas. Faz-se necessário, então, que propagandas com conteúdo infantil sejam direcionadas aos responsáveis em horários mais adequados, à noite, por exemplo, evitando-se o consumo excessivo dos anúncios pelas crianças. Ademais, o Governo Federal deve promover uma central nacional de reclamações para denúncias de pais, via internet ou telefonema, que avaliem determinada informação como abusiva ou desnecessária na mídia. Assim, infantes viverão com maior segurança e proteção."


Victoria Maria Luz Borges, Piauí
Trecho de redação de Victoria Maria Luz Borges, do Piauí. (Foto: Reprodução/Divulgação)Trecho de redação de Victoria Maria Luz Borges, do Piauí. (Foto: Reprodução/Divulgação)
"Em meio a uma sociedade globalizada, é evidente o crescimento dos recursos capazes de estimular a adesão ao consumo. Em meio a esse contexto, encontram-se as propagandas destinadas às crianças, que, por possuírem seu caráter em processo de formação, tornam-se alvos fáceis desses anunciantes. A regulamentação da publicidade infantil constitui, assim, um fator imprescindível, visando à preservação da integridade mental desse público.
Com o advento do capitalismo e, principalmente, do modelo liberal introduzido pelo pensador iluminista Adam Smith, as pessoas encontram-se inseridas em uma sociedade de consumo, na qual o apelo à adesão popular é realizado de diferentes formas, como, por exemplo, por meio da mídia. Diante disso, estão as crianças, que ao possuírem, muitas vezes, fácil acesso a veículos de comunicação massivos, são estimuladas a construírem um ideal de consumismo desenfreado, tento em vista que não possuem o discernimento entre o que é necessário e o que é supérfluo.
Imersa nessa logística, encontra-se a participação de famosos em propagandas ou mesmo a alusão a desenhos animados, que visam ao convencimento da criança de que aquele produto anunciado é essencial. Isso evidencia a falta de regulamentação no setor de propagandas do país, já que não há sequer determinação de horários para a veiculação delas, proporcionando uma recepção massiva daquilo que é divulgado para o público infantil. A par disso, aqueles que são responsáveis pela promoção de tais propostas de adesão ao consumo mostram-se contrários à concretização da proposta, ratificando a preocupação exclusivamente econômica com a realização de uma publicidade desregulamentada.
É certo que a mídia constitui um instrumento de massificação da sociedade e, por serem indivíduos que ainda estão em processo de construção do caráter, as crianças necessitam de medidas protecionistas, que garantam sua integridade mental. Nessa perspectiva, deve-se proibir a veiculação de propagandas infantis em determinados horários, como naqueles em que há uma programação destinada a esse público; com a instituição de leis federais. Dessa forma, anunciantes e emissoras devem ser fiscalizados e punidos com aplicação de multas em caso de desrespeito ao estabelecido. Além disso, é necessária a introdução de disciplinas de educação financeira e direcionada ao consumo, visando à formação de consumidores conscientes. Assim, a criança deixará de ser alvo dessas práticas apelativas.


FONTE G1, em São Paulo