quinta-feira, 30 de abril de 2015

Todos os dias deveriam ser de Educação

Todos os dias deveriam ser de Educação
Célio da Cunha








Ao ensejo das comemorações de mais um Dia Internacional de Educação, a primeira ideia que me ocorre é a de que todos os dias deveriam ser de educação. E porque isso? Como certa vez afirmou o historiador Arnold Toynbee, esta é a primeira geração, desde o início da história, na qual a humanidade ousa acreditar na possibilidade de colocar os benefícios da civilização ao alcance de todas as pessoas.
Porém, ao mesmo tempo em que é possível imaginar essa utopia, constata-se a primazia de um modelo de desenvolvimento que gera e amplia a exclusão. Um modelo de desenvolvimento que separa o mundo em “duas humanidades” para usar a oportuna expressão de Souza Martins. Por um lado, uma humanidade constituída de integrados; por outro, uma sub-humanidade, penalizada por insuficiências e privações. As pessoas dessa sub-humanidade, continua Martins, são tratadas como cidadãos de segunda classe e para eles a justiça não existe.
É diante desse quadro que sobressai a importância da educação, não somente para ser comemorada numa data específica, mas que se faça presente todos os dias em todos os lugares e situações, seja por intermédio de processos formais, com o também pelas vias não formais e informais.
Nesse sentido, procede a proposta de Brasil Pátria Educadora, como um lema sem fronteiras que possa gradativamente tornar-se lugar comum para na vida das  pessoas e instituições, sobretudo as instituições públicas que tem o dever ético e moral  de serem exemplos de atuação em prol do bem coletivo.
Bons exemplos, nos planos individual e público continuam a ser instrumentos valiosos para a formação de mentes lúcidas, tão necessárias para a construção de cenários mais justos de equitativos.
Por esse caminho, os dois mundos da humanidade incluída e excluída poderão reduzir as barreiras que os separam, cabendo a educação em sentido amplo e pelas vias regulares e formais, preparar uma nova geração dotada de ideais éticos e morais para enfrentar os desafios do nosso tempo, destacando-se entre eles o imperativo da luta por modelos de desenvolvimento inclusivos que sejam reconhecidos e tenham credibilidade em todos os segmentos sociais.
Desse cenário derivam a relevância das políticas de estado. Só o Estado tem condições de reduzir as desigualdades e derrubar o muro que separam as duas humanidades. A educação pode ajudar, mas por si só ela não opera milagres. Os milagres dependem de uma visão sistêmica do desenvolvimento.
Desse modo, no Dia Internacional da Educação, importa chamar a atenção para o fato de que uma educação de boa qualidade para todos depende de uma visão integrada dos vários “brasis”.  Como salientou o sociólogo argentino Juan Carlos Tedesco, a equidade é um fenômeno sistêmico. A educação não poderá promover a equidade, se o restante das variáveis promoverem a iniquidade.
Portanto, é preciso inverter a equação e não somente pensar a educação como um fator de equidade, como também colocar em discussão qual o mínimo de equidade necessária para que haja educação de boa qualidade.
Todavia, mesmo que a educação por si só não possa produzir milagres, ela pode contribuir para o fortalecimento da luta contra as desigualdades e assimetrias. Seu efeito redistributivo não é desprezível. Ela pode contribuir para a instauração de um clima de renovação, tornando-se imperativo nessa direção que todos os ocupam postos de responsabilidade na área da educação coloquem em suas agendas diárias a prioridade da educação e, por conseguinte, a prioridade das metas previstas pelo Plano Nacional de Educação.

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