quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Resenha A visita cruel do tempo.



por carolinelines



A visita cruel do tempo. Jennifer Egan. Editora Intrínseca. 335 páginas. Lançado há um ano, em janeiro de 2012.


O aclamado e premiado livro de Jennifer Egan, A visita cruel do tempo, tem 13 capítulos. Consegui ler com certa empolgação, sem parar, até o capítulo 9. Depois, fiquei naquele vai e volta. Vai e volta. Até que o terminei ontem. Sem empolgação. Terminei para poder entender o porquê de não ter gostado. Mas não obtive uma resposta certa. Talvez Sérgio Rodrigues tenha identificado melhor que eu essa sensação: “é o melhor livro americano que leio em um bom tempo, mas deixa um travo meio esquisito”. A Betina também não gostou.
O cenário da narrativa é a cidade de São Francisco, Califórnia. A época vai dos anos 70, surgimento do movimento punk, até os anos 2020, quando da decadência de muitos dos (ex)integrantes da banda The Conduits, já em Nova Iorque.
A história tem como mote a banda punk The Conduits (fictícia?), ‘descoberta’ por Bennie, um produtor musical assessorado por Sasha, uma cleptomaníaca. Os músicos Scotty, Alice, Jocelyn, Rhea, amigos de Bennie, são alguns dos jovens que rodeiam Lou, um típico coroa da indústria musical dos anos 70, pai de seis filhos, ‘pegador’ de adolescentes. A sedução de Lou está justamente em seu modo de vida de pop star regado a sexo, drogas e música.
Outro personagem da história é o repórter Jules Jones, irmão de Stephanie, cunhado de Bennie. Ele ficou preso alguns anos porque tentou estuprar a atriz Kitty Jackson, que é assessorada por Dolly, que se submete a assessorar um general genocida para poder pagar uma boa escola para sua filha esnobe, Lulu, que futuramente será amante de Alex, ex-namorado da cleptomaníaca Sasha.
Esses personagens têm seus sonhos e os caminhos percorridos para atingi-los retratados no livro, assim como os obstáculos enfrentados para tal. Uns tiveram êxito, outros nem tanto. Alguns mudaram (ou foram levados a mudar) seus sonhos. A mensagem que fica é que o tempo é cruel, inclusive com os sonhos.
Uma das características da linguagem do livro é que ele é uma narrativa não linear. Outra é que a autora escreve em primeira, em segunda e em terceira pessoa. Mas algo bastante peculiar à obra, eu diria, é a construção predominantemente visual do capítulo 12 (disponível com áudio aqui), que, confesso, foi um tanto impactante para mim.
Sem dúvida, o livro retrata a inexorabilidade do tempo através da inconstância da vida vivida e vista pelos olhos das próprias personagens.
Esta leitura não me empolgou.

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