segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um sentido para existir.

















Estranhamente me vi pensando nos jovens e adolescentes que fizeram parte da construção do ser humano que hoje sou. Penso sempre se, de alguma forma, terei feito diferença na vida deles. Se consegui mudar o destino de alguns deles. Desejei mostrar-lhes um caminho, uma luz, uma saída! Um sentido para existir.
A leitura que fiz do filme: “Comer, Rezar, Amar,” foi relacionada não à minha experiência pessoal. Pensei nesses jovens que passaram pelas cadeiras das minhas salas de aula. A cada ano percebia um número maior de jovens desinteressados. Desesperanços. Estudar pra quê? Como se quisessem dizer: “Viver pra quê?” Ano após ano, sentia no olhar, e nas atitudes deles que estavam sem esperanças de que a vida pudesse melhorar. Daí muitos deles desleixavam nos estudos, demonstravam falta de interesse pela vida e não poucos acabaram resvalando para o uso de drogas.
Na verdade, atualmente esse estado de coisas é mais amplo e atinge jovens e adultos, de ambos os sexos, que necessitam de modelos que os levem a uma busca de sentido e de uma forma de vida mais significativa. O filme “Comer, Rezar, Amar”, baseado no livro autobiográfico da escritora americana Elizabeth Gilbert, conta sua história em busca de sentido para a sua vida após um divórcio, quando se sentiu vazia, desiludida e sem alegria de viver. Apesar de se tratar de situação semelhante à de muitas mulheres, o filme não chega a empolgar como modelo inspirador, devido à superficialidade dos personagens.
De fato, viajar e conhecer outras cidades e outras culturas é muito gratificante e enriquecedor. Mas, como ficam as pessoas que não podem viajar? Será que não conseguirão encontrar uma saída para suas aflições e a falta de alegria de viver?
Comer é uma necessidade do corpo como outras que precisam ser respeitadas e atendidas. E comer com satisfação, em boa companhia, com gratidão transbordante em alegria pelos frutos que a natureza nos oferece é majestoso, mas não podemos nos esquecer que garimpar obsessivamente pelas cozinhas e adegas não é a principal finalidade da vida.
Amar é o fundamento da nossa essência humana. Mas amar não é só o relacionamento sexual entre o homem e a mulher. Por isso, merece destaque a cena do filme em que Elizabeth, interpretada por Julia Roberts, afasta-se de um homem que tinha acabado de conhecer, o qual foi logo tirando a roupa na praia e oferecendo sexo, mas ela, mesmo estando só e deprimida, rejeitou a proposta do desconhecido, que representaria apenas um ato paliativo, sem sentimentos ou significado. O amor é uma das características que fazem o ser humano, incandescendo-o para atitudes de nobreza e heroísmo, elevando-o. No amor puro, há o desejo de poder fazer algo bem grande para o ser querido, sem ofendê-lo nem magoá-lo, mantendo viva a mais delicada consideração.
A trajetória da personagem no filme é inquietadora, originária da cultura em que “tempo é dinheiro”. Liz foi parar na Itália, onde em companhia de pessoas vazias, sem um querer definido, além de comer, dormir e se divertir, buscou experiências gastronômicas e diversão. Passou pela Índia e suas precariedades humanas, onde se esforçou para manter o silêncio. Indo a Bali, ela conversou sobre a vida com um simpático guru idoso e sem dentes, que recomendava a ela que sorrisse, com o rosto e todo o corpo, incluindo o importante fígado. Lá, ela se apaixonou e encontrou o seu atual marido brasileiro. No entanto, mesmo vivendo aventuras em diferentes países, a história não é contada de forma suficientemente envolvente, e o alongamento das cenas fez com que o público olhasse muito para o relógio e, no final, se levantasse rapidamente das cadeiras.
Apesar disso, observamos que Liz vivenciou boas experiências ao aprender a limpar a mente e reduzir os pensamentos inúteis, procurando sentir com clareza o seu querer mais íntimo. Como esclareceu Abrochem, na Mensagem do Graal, o querer interior é o grande poder inerente ao espírito. A força ou o movimento do querer é que exerce a atração da igual espécie.
Para fugir do desânimo e da depressão, os humanos precisam tornar suas vidas significativas, saber o que querem ter, ser, fazer, enfim, ter propósitos. Quando isso não é cultivado, surge o produto de massa, inculto e sem muito preparo para a vida, que se submete a todo tipo de manipulação externa em suas motivações.
Enfim, o rezar é um querer que vem do íntimo, é a busca pela Luz verdadeira, a iluminação, que fortalece e dá a esperança de que a melhora está a caminho e logo vai nos encontrar para reduzir as aflitivas condições em que nos envolvemos devido às nossas decisões ou omissões. Então, com paz e alegria, preencherão o nosso coração aflito.
Não fui omissa. Compreendo hoje, que aqueles jovens ajudaram-me a crescer. Ajudaram-me a promover o encontro comigo mesma.Minhas rezas, aliadas ao meu querer de iluminar o caminho daqueles jovens, fez acender dentro de mim,a luz.

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