segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Nascer a cada Manhã.




“Um velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse. ‘Qual é o gosto?’ - perguntou o Mestre. ‘Ruim’ - disse o aprendiz. O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago. Então, o velho disse: ‘Beba um pouco dessa água’. Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou: ‘Qual é o gosto?’ O rapaz respondeu: ‘Bom!’ O Mestre tornou a perguntar: ‘E você sente gosto do sal?’ ‘Não’ - disse o jovem. O Mestre, então, sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse: ‘A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende aonde a colocamos. Por isso, quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é transformar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo. E torne-se um lago!’ ”

Autor desconhecido



Neste final de ano, e sempre, aproveitemos todas as oportunidades que tivermos para perdoar, pedir perdão ou declarar nosso amor. Como disse sabiamente o grande poeta Mário Quintana (1906-1994), “Não faças da tua vida um rascunho. Poderás não ter tempo de passá-la a limpo.”

Não é o erro que mais fere meu coração...


Ainda sonhamos? Onde estamos depositando nossos sonhos? Não é o erro que mais fere meu coração... O que dói é perceber que eu, e tantos outros seres humanos, não conseguimos enxergar que estamos falhando... Estamos deixando de sonhar.
Sonhar, para mim, tem tudo a ver com merecer a realização do meu sonho.
Sonhos... o que seriam os sonhos? No hebraico sonho quer dizer halam, ou seja, o Senhor nos dá sinais ou nos fala de coisas futuras, enquanto que no dicionário, sonho é desejar e almejar algo.
A verdade é que nos dias de hoje a vida está passando tão depressa, que se não separarmos um minuto para sonhar, deixaremos de acreditar que o sonho pode se tornar uma realidade.
Está mais que provado que o homem que não sonha é um homem morto, pois sonhar é muito bom e até hoje não encontrei alguém que não concordasse comigo.
Não existe neste mundo quem nunca sonhou acordado, olhando para o nada em pleno balburdio do dia a dia, com aquele olhar de peixe morto, distraído, imaginando um futuro cheio de ilusões mesclado de realidade.
Alguém se atreveria a afirmar que nunca ficou sonhando em como seria bom se as coisas acontecessem exatamente “ao vivo e a cores”, da forma como gostaríamos que fossem?
O Criador Maior já desenhou e permitiu que eu pudesse vivenciar sonhos que pareciam utópicos,quantas vezes fui presenteada pela relização de meus sonhos.Como sonhei... Sonhei e vivi uma história de amor, o nascimento de meus filhos, vê-los formados, casados e felizes. Sonhei e vivo a realização profissional.Execerço bem e com amor o ato de ensinar.E sempre sonhando acordada, planejando a minha realização, como na forma descrita em uma das músicas de Gilberto Gil que sentencia: “Eleve-se ao céu com seus pés no chão”.
Bem disse Charles Chaplin, “a vida me ensinou: a pedir perdão, a sonhar acordado, a acordar para realidade sempre que fosse necessário; a aproveitar cada instante de felicidade; a chorar de saudade; ensinou-me a ter olhos para ver e ouvir as estrelas, embora nem sempre consiga entendê-las; a ver o encanto do pôr-do-sol; a sentir a dor do adeus, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser; a não temer o futuro; ensinou-me e está me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que eu mesmo tenho que lapidar ou escolher; sou feliz, amo minha vida, minha família, meus amigos, meu amor, meus colegas e meus rivais”.
Assim, vou continuar a sonhar mais um sonho impossível até torná-lo possível; vou continuar lutando, quando é mais fácil ceder; vencendo o inimigo invencível, negando a desilusão e a corrupção, quando a regra é vender a própria alma e o caráter, pois esta é minha lei, é minha questão, virar este mundo, cravar este chão. Será mesmo SONHO? Ou posso dizer que tenho FÉ?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um sentido para existir.

















Estranhamente me vi pensando nos jovens e adolescentes que fizeram parte da construção do ser humano que hoje sou. Penso sempre se, de alguma forma, terei feito diferença na vida deles. Se consegui mudar o destino de alguns deles. Desejei mostrar-lhes um caminho, uma luz, uma saída! Um sentido para existir.
A leitura que fiz do filme: “Comer, Rezar, Amar,” foi relacionada não à minha experiência pessoal. Pensei nesses jovens que passaram pelas cadeiras das minhas salas de aula. A cada ano percebia um número maior de jovens desinteressados. Desesperanços. Estudar pra quê? Como se quisessem dizer: “Viver pra quê?” Ano após ano, sentia no olhar, e nas atitudes deles que estavam sem esperanças de que a vida pudesse melhorar. Daí muitos deles desleixavam nos estudos, demonstravam falta de interesse pela vida e não poucos acabaram resvalando para o uso de drogas.
Na verdade, atualmente esse estado de coisas é mais amplo e atinge jovens e adultos, de ambos os sexos, que necessitam de modelos que os levem a uma busca de sentido e de uma forma de vida mais significativa. O filme “Comer, Rezar, Amar”, baseado no livro autobiográfico da escritora americana Elizabeth Gilbert, conta sua história em busca de sentido para a sua vida após um divórcio, quando se sentiu vazia, desiludida e sem alegria de viver. Apesar de se tratar de situação semelhante à de muitas mulheres, o filme não chega a empolgar como modelo inspirador, devido à superficialidade dos personagens.
De fato, viajar e conhecer outras cidades e outras culturas é muito gratificante e enriquecedor. Mas, como ficam as pessoas que não podem viajar? Será que não conseguirão encontrar uma saída para suas aflições e a falta de alegria de viver?
Comer é uma necessidade do corpo como outras que precisam ser respeitadas e atendidas. E comer com satisfação, em boa companhia, com gratidão transbordante em alegria pelos frutos que a natureza nos oferece é majestoso, mas não podemos nos esquecer que garimpar obsessivamente pelas cozinhas e adegas não é a principal finalidade da vida.
Amar é o fundamento da nossa essência humana. Mas amar não é só o relacionamento sexual entre o homem e a mulher. Por isso, merece destaque a cena do filme em que Elizabeth, interpretada por Julia Roberts, afasta-se de um homem que tinha acabado de conhecer, o qual foi logo tirando a roupa na praia e oferecendo sexo, mas ela, mesmo estando só e deprimida, rejeitou a proposta do desconhecido, que representaria apenas um ato paliativo, sem sentimentos ou significado. O amor é uma das características que fazem o ser humano, incandescendo-o para atitudes de nobreza e heroísmo, elevando-o. No amor puro, há o desejo de poder fazer algo bem grande para o ser querido, sem ofendê-lo nem magoá-lo, mantendo viva a mais delicada consideração.
A trajetória da personagem no filme é inquietadora, originária da cultura em que “tempo é dinheiro”. Liz foi parar na Itália, onde em companhia de pessoas vazias, sem um querer definido, além de comer, dormir e se divertir, buscou experiências gastronômicas e diversão. Passou pela Índia e suas precariedades humanas, onde se esforçou para manter o silêncio. Indo a Bali, ela conversou sobre a vida com um simpático guru idoso e sem dentes, que recomendava a ela que sorrisse, com o rosto e todo o corpo, incluindo o importante fígado. Lá, ela se apaixonou e encontrou o seu atual marido brasileiro. No entanto, mesmo vivendo aventuras em diferentes países, a história não é contada de forma suficientemente envolvente, e o alongamento das cenas fez com que o público olhasse muito para o relógio e, no final, se levantasse rapidamente das cadeiras.
Apesar disso, observamos que Liz vivenciou boas experiências ao aprender a limpar a mente e reduzir os pensamentos inúteis, procurando sentir com clareza o seu querer mais íntimo. Como esclareceu Abrochem, na Mensagem do Graal, o querer interior é o grande poder inerente ao espírito. A força ou o movimento do querer é que exerce a atração da igual espécie.
Para fugir do desânimo e da depressão, os humanos precisam tornar suas vidas significativas, saber o que querem ter, ser, fazer, enfim, ter propósitos. Quando isso não é cultivado, surge o produto de massa, inculto e sem muito preparo para a vida, que se submete a todo tipo de manipulação externa em suas motivações.
Enfim, o rezar é um querer que vem do íntimo, é a busca pela Luz verdadeira, a iluminação, que fortalece e dá a esperança de que a melhora está a caminho e logo vai nos encontrar para reduzir as aflitivas condições em que nos envolvemos devido às nossas decisões ou omissões. Então, com paz e alegria, preencherão o nosso coração aflito.
Não fui omissa. Compreendo hoje, que aqueles jovens ajudaram-me a crescer. Ajudaram-me a promover o encontro comigo mesma.Minhas rezas, aliadas ao meu querer de iluminar o caminho daqueles jovens, fez acender dentro de mim,a luz.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ÁGUA QUE CORRE LIMPINHA, LIMPINHA


Um dos requisitos para aprimorar nossa evolução espiritual é a assertividade. Essa palavra está ligada à “asserção”, que significa afirmação, alegação, asseveração. Simplificando, é o seguinte: ter um comportamento assertivo é você saber dizer “sim” quando quiser dizer “sim” e dizer “não”, sempre que necessário.
Neste campo, é preciso muito cuidado, porque há muitas pessoas que se denominam assertivas e autênticas, quando na verdade são agressivas, querendo o tempo todo impor suas ideias e seus conceitos.
A assertividade é característica de pessoas autoconfiantes, seguras da sua própria vontade, que sabem defender o seu lugar no mundo, sem agressividade ou prepotência.
Você sabe por que é tão difícil ser assertivo? Porque não foi isso que nós aprendemos , desde criança. Falando de forma generalizada, o que nós vivenciamos, ao longo de nossa vida, é que, para ser aceito pela família ou pela sociedade, precisamos concordar com tudo o que eles querem, ser um “bonzinho” para todos, porque, caso contrário, corremos o risco de perder a atenção destas pessoas. E, como é muito mais confortável balançar a cabeça afirmativamente, e não correr riscos, acabamos aceitando o que não queremos, para evitar brigas e “cara feia”.
Pois é, o lamentável é que a falta de assertividade pode conduzir as pessoas às doenças, porque “viver engasgado”, sem ter coragem de exteriorizar, o que pensamos e o que sentimos dói profundamente. As pessoas que agem assim funcionam como uma panela de pressão, chegando uma hora em que não suportam mais e suas emoções negativas se convertem em dores, doenças cardíacas ou outras, mais sérias ainda.
A falta de assertividade começa na infância, acompanhada pelo medo do abandono, e segue vida afora, afetando os relacionamentos afetivos e profissionais. A pessoa que não consegue, ou melhor, não escolhe exercer o seu direito de assertividade vai, aos poucos, tornando-se desmotivada, sem carisma, totalmente sem objetivos, porque não é capaz de saber o que realmente quer para si, deixando-se conduzir pela opinião daqueles que a cercam. É uma situação lamentável porque é grande o número de indivíduos cheios de talentos que se agarram a situações “mais ou menos” por medo da mudança, por receio de não serem aceitos se agirem diferente.
Procuremos em nossas lembranças as experiências em que conseguimos dizer “não” quando tivemos vontade e vamos perceber como nos sentimos bem e autoconfiantes, nesta situação.
Entretanto, tomemos cuidado: não estou dizendo aqui para negarmos tudo o que nos pedem e cultivar o egoísmo, e sim que aprendamos a escutar, com clareza, o nosso próprio coração.
Desenvolvamos em nós a capacidade de fazer escolhas pelos nossos próprios critérios, sem temer as críticas e as reclamações, e, principalmente, sejamos assertivos sem culpas. Guardemos bem: quanto mais praticarmos a assertividade, com diplomacia e sem agressividade, mais encantadores nos tornaremos, e, melhor ainda, serviremos de exemplo de autovalorização e autoconfiança para todas as pessoas ao nosso redor. Quero ser ÁGUA QUE CORRE LIMPINHA, LIMPINHA...matando a sede de quem está cansado de ser "cordeiro sofredor" ou de quem tem a língua afiada como faca em tempo de laranja madura, ou ainda de quem tem o coração cheio de fel e cada palavra que sai de seus lábios, escorre gotas de amargura.



Rosa Maria Olimpio