quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O amor


















Normalmente, os escritores escrevem para seus leitores. Em consequência, muita coisa escrita é pensada, elaborada, por vezes "floreada" para impressionar ou agradar ao leitor. A verdade verdadeira, aquela íntima e pessoal... fica lá dentro, guardada no tesouro de cada um.

Esta produção filosófica é de minha realidade e observação: eu mesma já escrevi crônicas consideradas interessantes e agradáveis, próprias para uma fase de minha vida e geração. Acontece que os anos passam... e como passam rápidos! Em consequência, a vida é também passageira. Eu e nós todos viajamos por uma estrada cheia de variedades, de surpresas, observações e aprendizados.

Tem gente simples no seu viver, a quem classifico como “rolos de arame farpado morro abaixo”. São pessoas de poucos sentimentos, desinteressadas e desatentas a tudo que não as afeta ou emociona. Sofrem poucas dores, mas aproveitam pouco as emoções e os amores. Quando “vão embora”, deixam pouca lembrança. Não vale escrever nada para elas.

Agora,porque vou chegando ao fim da minha experiência e idade, resolvi escrever esta crônica de revisão sobre o amor, que, apesar de tudo, ainda é a única coisa realmente de valor para a pessoa que tem alma, coração, sentimentos. No mais simples e primitivo, o prazer é a finalidade da existência, desde os animais até a espécie humana.

Começo dizendo que é mentira aquela história de que “eu vivo para os outros, meu prazer é distribuir felicidade...” Esta frase só vale e serve para quem recebe e dá amor, para quem está feliz com a vida. Em meus mais de 20 anos de sala de aula, assisti a todos os filmes das vidas humanas que por ali passaram. Sim, meu amigo, porque um professor não trata só da leitura e da escrita da palavra. Minha profissão tem tudo a ver com a escrita da hstória de vida de cada um de meus alunos. Cada qual a seu modo. Uma história de amor. História de falta de amor, de abandono, de banalização da palavra, tratando-a como sinônimo de paixão, sexo,(que fazem parte do amor, mas não é o amor).Professor de verdade não cuida só de conteúdo programático. À sua frente estão pessoas. Seres humanos, que tem sentimentos importantes na sua vida: o medo, a dor, a insegurança... e coisas de que nem eles suspeitam, mas são importantes, para que eles se construam, ao construirem seus textos.

De passagem: na semana passada, revi uma dessas ex-alunas.Enquanto ela falava, eu revisava suas histórias... Aos vinte anos, uma crise de dor de cabeça com vômitos... Ela tinha arranjado um namorado que a mãe detestava... Após uns cinco anos de casamento, estava feliz, mas com medo de varizes da gravidez, feiúra nas pernas, coisa horrível... Depois de anos, a crise do ciúme e desatenção matrimonial, uma colite rebelde que nada consertava... Depois a sua própria filha, com namorado indesejável; lá vem enxaqueca e dores no coração. E vai por aí afora o ser humano, sempre mistura emoções com as doenças na sua trajetória humana.

Os médicos, com competência, cuidavam de suas doenças físicas, mas poucos a conheciam em sua vida de amores e desamores. Interessante – pensei – como são diferentes os prazeres e objetivos que fazem a felicidade ou a infelicidade na vida. Resumi tudo no título da crônica. Posso escrever um livro sobre estas quatro letras, punhados pessoais da minha vida e outras vidas com que convivi... e convivo. Para ser breve.Hoje,escrevo-lhes que a vida só pode ser feliz se houver amor. Sem amor, ela será sempre drama e infelicidade, sempre uma dor.Psicológica e, frequentemente física.

Acredito que o fator felicidade é totalmente diferente no homem e na mulher – e isto nem sempre é levado em consideração. Resumindo, para a maioria dos homens, é importante ter sucesso, ter fama e fortuna, considerações sociais e superioridade. Para a mulher, isso tem valor, porém menor. O seu mundo está ao seu redor: cuidar de sua beleza, juventude, sua casa, suas roupas e novidades, as compras no shopping, anéis, adereços, ser notícia... Se forem sábios e generosos, casais podem conciliar seus interesses e preservar o amor. Se cada um “ficar na sua” e nas consequentes cobranças da vida, o amor vai empalidecer, adoecer, podendo até morrer.É algo assim!
É o amor.

Rosa Maria Olimpio

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