quinta-feira, 14 de outubro de 2010

PROFESSOR: A utopia somos nós.


A profissão docente há muito foi colocada em segundo plano, enquanto a educação tem sido tema das promessas eleitorais, como sempre. É notório que toda a sociedade passa, necessariamente, pela escola e, consequentemente, pelas mãos dos professores. No entanto, esta honrada profissão é humilhada, subjugada, como se fosse um mero acessório, um bem descartável a serviço da reprodução do capital. Os governos e os “especialistas” dos currículos das escolas, em todos os níveis, vêm substituindo os conteúdos necessários para a compreensão do mundo, para o enfrentamento da vida, por valores superficiais e/ou meramente técnicos. A escola tem sido transformada em mais uma ferramenta que serve apenas para capacitar para o mercado de trabalho. É a “lógica” da técnica substituindo os valores humanos. Esta é a escola do século XXI que se preocupa na formação dos sujeitos apenas para saciar a ganância da mais valia e não para prepará-los para enfrentar sua aventura maior: o mundo, a vida.
Por isso, as disciplinas que tratam das ciências humanas, como a Filosofia, Geografia, Artes, Antropologia e a Sociologia, dentre várias outras, têm sido relegadas a segundo plano. As disciplinas que tratam dos valores humanos são perigosas para os detentores do poder político, pois elas ensinam os sujeitos a pensar e, ao capital, aos donos do poder não interessam formar sujeitos pensantes, pois estes vão questionar seu poder, sua “justiça”, seus valores hipócritas, oriundos da sociedade do consumo e do culto ao supérfluo, ao descartável. Trata-se da relação saber/poder, conforme enfatiza Michel Foucault em sua “Microfísica do Poder”.
Dentro desta lógica, a profissão docente é subjugada aos anseios dos donos do poder. A eles interessam a formação de professores que não pensam, não questionam. Interessam a eles formar professores “enlatados”, “enquadrados”, “acomodados” dentro de seus projetos de perpetuação do modelo de reprodução do capital, de manutenção do status quo da ganância exponencial da mais valia capitalista. Seguindo esta lógica, a formação de professores para atender uma educação que, a cada dia mais, se transforma em mercadoria, também têm que se submeter aos salários aviltantes do mercado da “indústria do vestibular”, dos governos capituladores, ou dos grandes grupos inter/multi/transnacionais que tomam conta das escolas e das universidades brasileiras.
Por fim, neste dia 15 de outubro, mesmo não tendo o que comemorar, fica o convite aos colegas professores: vamos partir para uma séria reflexão sobre a nossa prática em sala de aula e nossa profissão. Faz-se urgente que ergamos a cabeça e comecemos a olhar a escola para além de seus muros, repensando seu papel social. Faz-se urgente que entendamos nosso papel enquanto sujeitos formadores de valores éticos, morais e de sujeitos que podem ser agentes, cidadãos transformadores da dura realidade socioeconômica e cultural em que vivemos. É urgente que percebamos qual é o nosso relevante papel, no interior de uma sociedade cada vez mais carcomida, deteriorada pela imoralidade em todos os níveis e que caminha, a passos largos, para a barbárie. Vamos passar a limpo nossa profissão e a escola no Brasil, visando à formação de sujeitos que sejam agentes de transformação social, ao longo de um processo histórico e cultural. Há que se começar por nós. Professores que já não têm mais respeito e nem direito, perante a sociedade. Nem salário digno, nem afeto de nossos alunos ou da sociedade. Em que esquina ficou perdida nossa dignidade? Há tempo.Há esperança.Vamos em busca de nossos sonhos. A utopia ainda vive.A utopia somos nós.

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