sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"Queria ter amado mais..."


À medida que os anos passam em minha vida e eu amadureço, certifico-me, cada vez mais da importância do perdão.
O ser humano é muito carente de reconhecimento e extremamente sensível às críticas.
Perdoar é a única forma de se desapegar da dor, da lembrança, do passado. E perdoar não é escolha do outro. É sua escolha! Perdoar não porque pode ser bom para o outro, mas porque é excelente para você seguir em frente e realizar todos os compromissos que você tem com a vida que lhe foi dada.
Eu sei que falar é muito mais fácil do que praticar. Contudo, pare de querer mudar os outros ou que as pessoas sejam do seu jeito, porque a vida real é bem diferente. Não perca tempo com quem não tem a menor intenção de gostar de você. Jogue fora todos aqueles scripts que você montou em sua mente mostrando como as pessoas deveriam agir com você. Elas são o que são e só irão mudar se quiserem mudar, não porque você está triste, doente ou ofendido com elas.
Dessa forma, deixe o passado como experiência e jamais se sinta vítima dos seus relacionamentos. A autopiedade e o ressentimento são os pais de doenças tais como o câncer e outras que devastam o físico e o emocional das pessoas, depois que se instalam. A possibilidade de cura só aparece quando o doente muda sua postura mental por meio do autoconhecimento, e percebe a força do perdão em sua vida. Quando ao invés de se revoltar, de ficar em busca de defeitos em seus relacionamentos, passa a se amar mais e, consequentemente, a entender que as atitudes das pessoas são compatíveis com a sua forma de ser. Ninguém espera um carinho de um escorpião nem vai odiá-lo por causa de uma picada, pois é essa a sua natureza.

Rosa Maria Olimpio

terça-feira, 26 de outubro de 2010

GESTAR:FRUTOS EM VILA VELHA

Nova forma de ensinar Português e Matemática é destaque no Salão do Livro
Texto: Daniella Ramos
Português e Matemática sob uma nova perspectiva. Esse foi o tema abordado no estande da Secretaria Municipal de Educação (Semed) no 3º Salão do Livro de Vila Velha, nesta quinta-feira, que acontece até o dia 17, no Shopping Praia da Costa.
Professores da rede municipal formados no Gestar – curso semi-presencial de docentes ministrado pela Universidade de Brasília (UnB) – ensinam de forma leve e lúdica as matérias que antes provocavam medo e receio nos alunos. O resultado desse trabalho, desenvolvido em sala de aula com os alunos do 6º ao 9º ano, foi exposto no Salão do Livro e chamou a atenção dos visitantes do evento, principalmente das crianças.
Jogos como quebra-cabeças, cartões, formas com figuras geométricas, releituras de obras famosas, poemas, receitas, vídeos, entre outros, eram uma pequena amostra do exposto no salão e que está sendo diariamente produzido pelos alunos com a orientação dos professores.
Uma das professoras formadoras do Gestar, Raquel Marques, que ministra aula de Português usando a metodologia diferenciada, disse que o interesse e a colaboração dos alunos em sala de aula agora é muito maior. “Essa metodologia é um olhar diferenciado do Português e da Matemática, um olhar mais atrativo, que também pode ser envolvido em outras matérias, como Ciências e História”, avalia.
Ao todo, cerca de 60 professores de Português e 50 de Matemática da rede municipal estão ministrando aulas por meio do Gestar, que usa métodos como diferentes gêneros textuais (receitas, cartões, releituras, biografias) e geométricos. Todas as Unidades Municipais de Ensino Fundamental (Umef) de Vila Velha têm professores que utilizam o método do Gestar.
Lembrando que o estande da Semed no 3º Salão do Livro de Vila Velha muda a cada dia, com apresentações diárias de diversos projetos que estão sendo desenvolvidos em sala de aula.

Resultados Gestar em Vila Velha dia 07/10 - Reportagem Internet

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PARTO SEM DOR

O primeiro parto
Quando é chegada a hora dele sair do meu ventre, onde estava protegido, alimentado, aquecido é o momento em que o elo é partido. Ele terá de sobreviver com meus cuidados constantes, vigilantes e começará o longo caminho de aprendizados.

Segundo parto

Depois de tanto tempo juntos, ensinando, protegendo, alimentando, ele vai embora procurar o seu caminho sem a minha presença. É difícil, doído. A saudade aperta, a preocupação é constante.

Terceiro parto
Esse é definitivo. É quando ele encontra um amor. A partir dai a minha presença já não é mais necessária. Ele seguirá a sua vida e terá a sua própria família.
Então, o ninho fica vazio. Até que venham os netos.

O TEXTO É DE AUTORIA DA BERÊ.
O TÍTULO É DE MINHA AUTORIA.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DIA DO PROFESSOR




O professor, ensina Rubem Alves,é um fundador de mundos, um mediador de esperanças, um pastor de projetos. Parabéns aos que semeiam mundos esperançosos na UnB.
É uma honra tê-los como colegas.

José Geraldo de Sousa Júnior. (REITOR da UnB)


Educar é crescer.E crescer é viver.
Educação é, assim, vida no sentido autêntico da palavra.


Anísio Teixeira

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Existe um chão cor-de-rosa?

Na Primavera (em maio) em alguns parques do norte do Japão, na província de Hokkaido, florescem essas lindas flores cor de rosa de um gramado chamado “gramado sakura” (shiba sakura, porque lembram as flores de cerejeiras), formando um tapete rosa, e uma paisagem deslumbrante.


UM CHÃO COR DE ROSA: MEMORIAL DE LEITURA



“Entre o sono e o sonho/entre mim e o que em mim é o que eu me suponho/
corre um rio sem fim.” (Fernando Pessoa)


As leituras que tenho feito ao longo do caminho é que me possibilitam a escritura desse texto. Quantas vezes temos que nos reportar aos livros para sustentar nosso dizer e nosso fazer como educadores?
Falar de minhas experiências com a leitura é falar de amor e de muita dor. É tocar o dedo nas feridas.
Como começar?
Começo do fim?
Não é melhor começar pelo início. Ao final vejo como amarro esse tecido textual com o tecido da minha vida. Ambos se confundem, enlaçam fios e cores numa tessitura única. Porque assim é cada vida. Assim é cada ser.
Eu fui atrás das letras. Segui uma trilha solitária.
E as encontrei. Elas sorriram para mim e jamais me abandonaram.
Foi por volta dos meus 4 ou 5 anos. Minhas irmãs iam para a escola e eu as acompanhava de longe. Se me vissem não me deixariam ir. A escola era uma casa. A professora era a dona da casa. Aprendera a ler e ensinava as crianças dela e as crianças das fazendas vizinhas. Eu ficava do lado de fora. Tudo que a professora falava lá dentro eu repetia baixinho: ma-ta, ta-tu... O quadro negro era feito de tábuas. Ela copiava lá e eu escrevia no chão duro, de terra batida, com um pedaço de pau. Lembro-me do dia que aprendi o R maiúsculo. O R de Rosa.
Primeira leitura foi em uma lata que minha mãe guardava polvilho. Eu li: “Óleo de amendoim”.Guardei segredo.
Guardar segredo desse momento mágico! Por quê?
É que certo dia estava no quarto folheando os livros de minhas irmãs, as cartilhas, e uma delas viu e saiu correndo e gritando meu pai. Levei uma surra. Estava proibida de mexer nos objetos de escola delas. Objetos de desejo. Como eu os desejava! Chorei muito e não dormi à noite. Eu só queria ver! Pegava escondidos pedaços de jornais e de revistas que vinham embrulhando as compras e levava para o milharal. E lá eu lia. Lia em voz alta, gesticulava. Apontava as montanhas, o céu.
Nessa época morávamos no alto da serra. Alto-Porã, município de Pedregulho, no Estado de São Paulo. Lá do alto avistava o Rio Grande e as montanhas que ficavam do outro lado do rio. Uma paisagem magnífica que jamais saiu de meus olhos e de minha alma.
Corria o ano de 1963, estava com 7 anos, quando atravessamos a ponte. Fomos morar em Uberaba, Minas Gerais. Seis meses depois de nossa mudança papai faleceu.
Fui morar com uma família. Fazia pequenos serviços domésticos em troca de comida, roupa, calçados. Em 1966, estava eu com 10 anos, quando me matricularam no Grupo Escolar.
Já no primeiro dia de aula, a professora nos deu uma cartilha. Novinha. Estava encapada com papel pardo. E eu li. Li em voz alta como se estivesse lendo para o cafezal em flor, para as montanhas. Ignorei a presença da professora, dos alunos. Finalmente eu estava na escola e tinha nas mãos uma cartilha. Foi o dia mais feliz da minha infância.
Quando acabei de ler a professora levou-me para o primeiro ano “adiantado”.
Ao final de cada ano eu ganhava um presente por ser a primeira aluna da sala. Lembro-me apenas de um que ganhei na segunda série: Um livro que veio com dedicatória da professora Áurea Celeste. “A Cabana do Pai Tomaz”. Era a triste história de um escravo em fuga.
Outra lembrança de leitura que me marcou deu-se no quarto ano. Toda sexta-feira, depois do recreio, a professora entrava na sala com um enorme livro vermelho, de capa dura, e lia uma história para nós. Rapunzel, João e o pé de feijão, A bonequinha preta... A voz suave da professora ecoava pela sala e ficou guardada para sempre em minha memória.
Concluí o ensino primário no final de 1969 com direito à solenidades de formatura. Missa, entrega de certificados e discursos políticos.
Fui oradora da turma. No meu texto fiz um breve relato sobre meu ingresso no mundo dos letrados. Lembro-me de que muito dos presentes choraram. Eu estava feliz. Só isso.
Neste momento, a lembrança desse dia dói em minha alma. Aos 13 anos, eu lia as palavras, mas não aprendera ainda a ler a vida.“Na escola primária/Ivo viu a uva/e aprendeu a ler.”
No início do ano seguinte, fui morar e trabalhar em Brasília. Era babá. Foram três anos sem ver minha família, três anos sem férias, três anos fora da escola. Lia muito. Jornais e revistas, e li ainda A moreninha, Meu pé de laranja lima, e Senhora. Escrevia cartas. Muitas cartas.
Retornei a Uberaba no final de 1973 e não cheguei a ficar um mês com a minha família.
Estava com 16 anos, e conheci meu primeiro amor Ao ficar rapaz/Ivo viu a Eva/e aprendeu a amar.
Mudei-me para Presidente Prudente, estado de São Paulo, com outra família. Era um casal e 4 filhos. Fiz o exame de admissão. Retornei à escola. Ficamos em Prudente um ano e nos mudamos para Pariquera-Açu, cidadezinha litorânea próxima a Iguape. Perdi meu grande amor sem ao menos tê-lo namorado. Trocamos centenas de cartas. Devia tê-las guardado, porque eram belíssimos poemas. Eu lia muito.A biblioteca da casa era riquíssima e estava sempre sendo atualizada.
Em meados de 1976, retornei para Uberaba. Fui morar com uma tradicional família da cidade.
Era então dama de companhia de uma senhora acamada. Ela perdera a visão por causa da doença. Das 19 às 23 horas uma funcionária me substituía para eu ir para o colégio. Fiz o colegial no COC. Numa madrugada, a senhora percebeu que estava acordada e perguntou-me o que eu estava fazendo. Disse que estava lendo um livro. Era Grande sertão: Veredas. – Veja que lindo! – eu dissera – e li um longo trecho para ela. Depois daquele dia, tornou-se rotina eu ler para ela os romances, os poemas, indicados pelos professores. Numa fria manhã de abril ela acordou sorrindo e disse que havia sonhado comigo. Perguntei-lhe como eu era em seu sonho. Ela respondeu: – Como você é. Linda! Chorei muito. Poucas horas depois ela dormiria para não mais acordar. Nessa época eu já estava na Universidade e dava aulas no COC no turno matutino. Inúmeros questionamentos foram tornando-se relevantes, fazendo com que buscasse melhor fundamentação para reflexões que, desde o início de minha formação acadêmica, surgiam como fundamentais. Tematizava a importância da linguagem na constituição de formas de significação da existência. Como diz Foucault, “é preciso compreender um acontecimento como uma relação de forças que se inverte, um poder confiscado, um vocabulário retomado e voltado contra seus utilizadores, uma dominação que se enfraquece, se amplia e se envenena e uma outra que faz entrada mascarada”. O ano era 1980. Passei a trabalhar dois períodos no colégio, no período vespertino, eu era professora “eventual”.
Casei-me no início de 1981. Nesse mesmo ano nascera minha filha Sílvia Beatriz e em 1982 nasceu meu filho, Sílvio Diogo.
De 81 a 83 dividia minha vida entre a universidade e a educação dos meus filhos. Comprava muitos livros para eles, mas à noite as histórias vinham de minha memória. E eu as contava dramatizando, cantando...
Meus filhos foram o maior legado que a vida reservou para mim. Com eles e por eles aprendi a arte de viver. Foram eles que despertaram em mim o olhar atento para o grande espetáculo da vida. Aprendi a olhar e aprendi a ver além. Muito além das aparências.
Em 1986 fiz minha primeira Especialização em Língua Portuguesa. Tive a felicidade de conhecer e de aprender com Eni Orlandi, Eduardo Guimarães, Eugênio Estevam, Maria Luiza Braga, Kanavillil Rajagopalan, Silvana Mabel Serrani. Eles vieram da Unicamp para dar as aulas no Curso. Muitas leituras. Aprendizado e vivência.
Nesse mesmo ano retornei à escola como professora do Ensino Médio. Acompanharam-me Paulo Freire, Rubem Alves, Edgar Morin, Moacir Gadotti, Pedro Demo e tantos outros estudiosos, que sustentaram minha prática pedagógica. Considerando que duas características dos discursos são a dispersão e a polissemia, concebo que conceitos e teorias são fenômenos culturais, socialmente construídos e legitimados. Assim, entendo o conhecimento não como algo a ser possuído, mas algo que se constrói de modo dinâmico e processual. Sendo assim, o rigor e a avaliação na aplicação do procedimento metodológico são fenômenos da ordem da intersubjetividade e estão vinculados à possibilidade de socializar o processo interpretativo.

Minha trajetória profissional tem estado vinculada, durante esses 22 anos, na área de educação, tendo trabalhado em todos os níveis educacionais (Educação Básica e Ensino Superior – Graduação, Projetos de Pesquisa e de Extensão). Atuei com coordenadora pedagógica da área de Língua Portuguesa. Minha experiência de docência é basicamente como professora.

A segunda especialização foi em Lingüística Aplicada ao ensino de Língua materna. Mais uma caminhada ao lado de grandes mestres: Doutora Ormezinda Maria Ribeiro, Aya, UnB; Dr. João Bosco e Dr Cleudemar, UFU; Dra Vânia Maria Resende, USP; Dr. Carlos Brandão e tantos outros mestres. Além desses havia Vigotsky, Sírio Possenti, Bakhtin, Barthes, Kleiman...
O trabalho de conclusão foi orientado pela professora Aya. “O texto poético em sala de aula: para além do dizível”. Artigo publicado na Revista Athos&Ethos.
O caminho profissional foi sempre partilhado com a tarefa prazerosa de ser mãe.
Em minha trajetória humana fui Gata Borralheira, Cinderela, Macabéa, Ana Moura, Clarissa, Madalena (Paulo Honório).
Hoje sou mais eu. Eu mesma. A professora Rosa Maria Olimpio. A rosa do alto da serra.
Atualmente trabalho como formadora do GESTAR pela UnB, Brasília. Viajo pelo Brasil levando aos educadores a crença do programa GESTAR, que é chegar aos alunos – crianças como eu fui em minha infância – o acesso ao mundo da cidadania assegurada pela aprendizagem da leitura. Leitura da palavra. Leitura do mundo.
No fino tear do destino, teci um final feliz para a história daquela menina que de sua mais profunda solidão atravessou o rio, as montanhas e se lançou por inteira no mundo da arte, cuja matéria prima está sempre à espera de ser lapidada: a palavra
A poética da palavra como paixão criativa, que gesta discursos provocadores. Recordo-me de uma declaração de Friedrich Nietzsche, em seu livro Humano, demasiado humano: “Há tensão e paixão que caracterizam aqueles que arriscam deslocar-se para lugares desconhecidos, desafiam verdades prontas, movem-se em busca de conhecimentos novos, viajam pelo conhecimento. Aquele que pretende apenas em certa medida alcançar a liberdade da razão não tem durante muito tempo o direito de se sentir sobre a terra, senão como um viajante – e nem sequer como um viajante que se encaminhe para um ponto de chegada; pois este não existe. Terá em vista, isso sim, observar bem e manter os olhos abertos para tudo o que realmente se passa no mundo; [...] é necessário que nele haja sempre algo de viajante, cujo prazer reside na mudança e na passagem”.
Acrescento minha experiência pessoal ao comentário de Nietzsche, com a poesia existencial de Clarice Lispector, e encerro esse memorial.
“Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”
E creio que, nos caminhos por onde andei, o chão ficou cor-de-rosa.






PRIMEIRA LIÇÃO


Na escola primária
Ivo viu a uva
e aprendeu a ler.

Ao ficar rapaz
Ivo viu a Eva
e aprendeu a amar.

E sendo homem feito
Ivo viu o mundo
seus comes e bebes.

Um dia no muro
Ivo soletrou
a lição da plebe.
E aprendeu a ver.

Ivo viu a ave?
Ivo viu o ovo?
Na nova cartilha
Ivo viu a greve
Ivo viu o povo.

PROFESSOR: A utopia somos nós.


A profissão docente há muito foi colocada em segundo plano, enquanto a educação tem sido tema das promessas eleitorais, como sempre. É notório que toda a sociedade passa, necessariamente, pela escola e, consequentemente, pelas mãos dos professores. No entanto, esta honrada profissão é humilhada, subjugada, como se fosse um mero acessório, um bem descartável a serviço da reprodução do capital. Os governos e os “especialistas” dos currículos das escolas, em todos os níveis, vêm substituindo os conteúdos necessários para a compreensão do mundo, para o enfrentamento da vida, por valores superficiais e/ou meramente técnicos. A escola tem sido transformada em mais uma ferramenta que serve apenas para capacitar para o mercado de trabalho. É a “lógica” da técnica substituindo os valores humanos. Esta é a escola do século XXI que se preocupa na formação dos sujeitos apenas para saciar a ganância da mais valia e não para prepará-los para enfrentar sua aventura maior: o mundo, a vida.
Por isso, as disciplinas que tratam das ciências humanas, como a Filosofia, Geografia, Artes, Antropologia e a Sociologia, dentre várias outras, têm sido relegadas a segundo plano. As disciplinas que tratam dos valores humanos são perigosas para os detentores do poder político, pois elas ensinam os sujeitos a pensar e, ao capital, aos donos do poder não interessam formar sujeitos pensantes, pois estes vão questionar seu poder, sua “justiça”, seus valores hipócritas, oriundos da sociedade do consumo e do culto ao supérfluo, ao descartável. Trata-se da relação saber/poder, conforme enfatiza Michel Foucault em sua “Microfísica do Poder”.
Dentro desta lógica, a profissão docente é subjugada aos anseios dos donos do poder. A eles interessam a formação de professores que não pensam, não questionam. Interessam a eles formar professores “enlatados”, “enquadrados”, “acomodados” dentro de seus projetos de perpetuação do modelo de reprodução do capital, de manutenção do status quo da ganância exponencial da mais valia capitalista. Seguindo esta lógica, a formação de professores para atender uma educação que, a cada dia mais, se transforma em mercadoria, também têm que se submeter aos salários aviltantes do mercado da “indústria do vestibular”, dos governos capituladores, ou dos grandes grupos inter/multi/transnacionais que tomam conta das escolas e das universidades brasileiras.
Por fim, neste dia 15 de outubro, mesmo não tendo o que comemorar, fica o convite aos colegas professores: vamos partir para uma séria reflexão sobre a nossa prática em sala de aula e nossa profissão. Faz-se urgente que ergamos a cabeça e comecemos a olhar a escola para além de seus muros, repensando seu papel social. Faz-se urgente que entendamos nosso papel enquanto sujeitos formadores de valores éticos, morais e de sujeitos que podem ser agentes, cidadãos transformadores da dura realidade socioeconômica e cultural em que vivemos. É urgente que percebamos qual é o nosso relevante papel, no interior de uma sociedade cada vez mais carcomida, deteriorada pela imoralidade em todos os níveis e que caminha, a passos largos, para a barbárie. Vamos passar a limpo nossa profissão e a escola no Brasil, visando à formação de sujeitos que sejam agentes de transformação social, ao longo de um processo histórico e cultural. Há que se começar por nós. Professores que já não têm mais respeito e nem direito, perante a sociedade. Nem salário digno, nem afeto de nossos alunos ou da sociedade. Em que esquina ficou perdida nossa dignidade? Há tempo.Há esperança.Vamos em busca de nossos sonhos. A utopia ainda vive.A utopia somos nós.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"É mais belo dar apenas por haver compreendido."


Que se afastem de mim aqueles que sempre precisam dar seu palpite. Que se afaste de mim o conversador, aquele que tem sempre um conselho a dar. Que sabe tudo. Livra-me daqueles que dão respostas a perguntas que nem sequer formulei que têm respostas todas prontas. Livra-me daqueles que nem sequer querem ouvir que não têm paciência para escutar, que não têm amor para compartilhar, que não têm paciência para dialogar, daqueles que julgam ter sabedoria suficiente para distribuir, daqueles que não têm vontade de acolher, de aceitar, de respeitar, de compreender, daqueles que exigem que sejamos como eles. Dos azedos. Livra-me também daqueles que não têm tempo para perder, daqueles que estão preocupados apenas consigo mesmos, o problema dos outros não lhes interessa.
Apesar de tudo, quero um coração que escuta, quero força para acolher o outro, para compreendê-lo, para aceitá-lo. Quero deixar que o outro seja ele mesmo. Que mereça minha confiança, que eu procure junto com ele, uma solução, uma saída, um caminho, uma luz, sem exigir dele uma atitude falsa, farisaica, mentirosa.
Desejo ter compreensão e respeito pelas dificuldades, pelas angústias, pela boa vontade do outro, sem empurrá-lo, sem deixá-lo para trás.
Desejo ter um coração que escuta. Quero o dom de tolerar com paciência aqueles que pensam que somos uns idiotas, de miolos moles. Quero serenidade para ouvir os conselheiros de última hora, dos que dão palpites sobre nossa vida, sobre nosso modo de ser, sobre nossos gostos. Que se afastem de mim aqueles que adorariam que fôssemos todos iguais a eles.
Que eu não seja pedra no caminho de ninguém. Que ninguém se entristeça e sofra por causa de minhas atitudes, ainda que elas estejam cheias de boas intenções.Que eu possa dar apenas por haver compreendido. Assim, quero compreender.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

LEITURA E ESCRITA: O OLHAR DE QUEM APRENDE E ENSINA


"A Menina do Pombo" Tela de Pablo Picasso
Sugestão de Leitura:

Artigo publicado na Revista da Pesquisa & Pós-graduação da Universidade Federal de Ouro Preto‏

Autora: Laureci Ferreira da Silva
Professora Formadora do GESTAR(Salvador Bahia)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

VISÃO OPACA


Quero convidá-lo, hoje, a refletir comigo sobre o otimismo e o pessimismo e como funciona a Lei da Atração em ambos os casos, partindo do princípio de que você vê e vivencia aquilo que você é, aquilo que você acredita.
Como você já sabe, as pessoas negativistas tendem a ver e comentar só o lado ruim dos fatos e das pessoas. Sua vida se resume em queixas e condenações, numa inconsciente tentativa de se isentar das responsabilidades do próprio viver.
Não estou querendo dizer que você deve ser um alienado em relação à realidade e às maldades que o cercam. O que você não pode é se deixar envolver com as negatividades, com pensamentos de medo ou com maledicência, comentando o mal a todo momento. Uma importante prevenção para que o mal não o alcance é você ser mensageiro do bom-humor e das notícias construtivas.
Eis aqui, um caso real para concluirmos a nossa reflexão: Certo dia, o marido chegou em casa mais cedo, arrasado porque havia sido demitido de seu terceiro emprego naquele ano. Jogou a chave na mesa, atirou-se no sofá e esbravejou: “Não sei o que acontece comigo... Tudo que eu quero fazer dá errado, só gente ruim se aproxima de mim, estou cheio de dívidas e agora mais essa: perdi o emprego! Que praga, parece que sou amaldiçoado...” A esposa, cansada de conviver com alguém tão pessimista e revoltado, já nem dava atenção às queixas, porque sabia que não conseguiria mudar seu esposo, e que ele só mudaria seu jeito de ver a vida quando assim quisesse. Ela já tinha aprendido a não se deixar contaminar com o nervosismo dele e, assim, ia levando a sua vida, evitando conflitos maiores. Mas, nesse dia, o homem realmente se sentiu incomodado com o silêncio da esposa e reclamou que ela não o apoiava em seus problemas. Diante da insistência do marido em ouvir a sua opinião, ela lhe disse: “Meu amor, só vou pedir para você observar como anda a minha vida: um emprego maravilhoso, pessoas à minha volta que realmente se importam comigo, e... agora..., um marido que se interessa em saber a minha opinião a seu respeito... Interessante, querido, porque tudo que me acontece é exatamente uma representação daquilo que imagino para mim, daquilo que acredito que pode me acontecer – sempre penso bem a respeito do meu trabalho e dos meus colegas e, quanto a você, tenho repetido diariamente, há alguns meses, esta declaração: ‘Meu marido é maravilhoso, otimista e aberto a tudo aquilo que pode lhe fazer mais feliz! ’ Então, se você quer realmente saber o que eu penso, escute bem: Você só vai encontrar felicidade e realização quando aprender a agradecer ao invés de reclamar e colocar amor e generosidade em seus pontos de vista e comentários. Pense nisso, meu querido, fique de olho nos seus pensamentos e palavras, porque você está exatamente onde você mesmo se colocou!” – concluiu a esposa, envolvendo-o em um caloroso abraço.

Rosa Maria Olimpio

CENSO BRASIL




NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

(Fernando Pessoa)