quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MENINO


O grande pregador Padre Antonio Vieira, cujos sermões em nossa língua são de beleza indescritível, deixou lindas e profundas reflexões sobre o amor divino e o amor humano. Lembra, porém, que o amor pode ser destruído por muitos perigos que ele chama de “remédios” que podem curar o amor.
O que, em primeiro lugar, pode esfriar e até destruir o amor, diz o Padre Vieira, é o tempo que “tudo gasta, tudo digere, tudo acaba”. Compara ele o afeto amoroso com a vida. Quanto mais longa for, é certo de passar a durar menos. É a motivação que levava os antigos, na sua sabedoria que o tempo ensina, a pintar o amor como se fora um menino, “porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho”. Com o correr do tempo o amor cria asas, com que voa e foge.
Mas isto acontece quando, quem ama, não toma os necessários cuidados de fazer de cada dia o primeiro dia.
O amor – se verdadeiro – tem de ser eterno, porque se vier a desaparecer, nunca de fato foi amor. Em tudo mais na vida, quando desaparece, prova que existiu. Só com o amor se dá o contrário: se deixa de ser, é certo que nunca foi. Se desaparecer, esfria e morre. Se fora, nunca deixará de ser...
Esta é a razão pela qual, sempre orientei meus filhos a fazerem de cada dia de suas existências, sempre o primeiro dia. O mesmo vale para o casal. Já que não existe casal infeliz no dia do casamento.
Nem vale querer justificar o fim do amor por motivos que pareçam razoáveis. É só lembrar a sábia advertência de Camões: “É tanto mais o amor depois que amais / quanto são mais as causas de ser menos”.

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