terça-feira, 24 de agosto de 2010

Educação e formação de homens de bem.



Escultura: "Homem sentado" Cândido Portinari)
A Filosofia, assim como a Sociologia, foi banida das escolas, tanto do Ensino Básico, como do Superior. Quando voltou aos currículos dos cursos superiores, com a volta da democracia, encontrou ambiente pouco propício. Não só faltavam professores, como faltava, o que é pior, a consciência dos gestores em educação sobre a sua importância na formação dos profissionais.

Para muitos, a formação que interessa é a técnica, aquela que municia o estudante com conhecimentos que o habilitam a exercer sua profissão de forma mais ou menos competente. Olvida-se, então, que este profissional é um ser humano e um cidadão antes de ser profissional. Que somente será um bom profissional quando souber refletir sua prática e tiver instrumentos conceituais que lhe permitam fazer perguntas e lançar-se na aventura de buscar novas respostas.

Este papel, inegavelmente e historicamente, compete à Filosofia, porque uma atitude filosófica é aquela que pensa nos fundamentos, reclama os princípios, analisa as consequências, destaca as origens, resgata as incongruências. Quem afirmaria que esta atitude não é importante na formação da juventude?

Infelizmente, percebemos que, em alguns cursos superiores, a Filosofia somente consta na grade curricular com função estética. As disciplinas filosóficas (que têm outros nomes, mas conteúdo filosófico, inclusive a ética) não são levadas a sério, porque professores de qualquer formação são chamados a ministrá-la. Encontramos professores com formação em História, Pedagogia, Letras, Direito etc., considerando-se habilitados a ensinar aquilo que não constava de sua área de formação. Talvez 60 horas-aula ou um pouco mais na sua graduação já são considerados o suficiente para torná-lo "professor".

Façamos uma analogia, aqui, para compreendermos o que isso significa: se no curso de Medicina encontra-se uma disciplina que exige conhecimento de Biologia, o seu coordenador procurará um biólogo, e não uma pessoa que, quando fez a graduação em Medicina, estudou esta disciplina. Caso este coordenador não encontre um profissional na cidade, irá procurá-lo em outros centros. Se na grade curricular do curso de Engenharia Ambiental há uma disciplina do tipo "Legislação Ambiental", o coordenador deste curso chamará um professor com formação em Direito. E poderíamos nos estender nos exemplos.

Os gestores dos cursos superiores sempre procuram os melhores profissionais para ser professores e cuidam para que tenham a formação necessária. Isto, porém, não acontece quando a disciplina é filosofia ou sociologia. Há um descaso, um desrespeito para com o aluno. Alguém poderia afirmar que se pode aprender Filosofia de forma autodidata, sem necessariamente cursar um Bacharelado ou Licenciatura em Filosofia. É verdade que isto pode ocorrer, mesmo com outras áreas do conhecimento, como direito, história, geografia, biologia etc. Mas ninguém contrataria, a nível de Ensino Superior, um autodidata para outras disciplinas consideradas técnicas.

Um professor que teve uma formação inicial em outra área realmente e é um apaixonado pela Filosofia teria procurado pelo menos fazer uma Pós-graduação nessa área. Vejam o caso de Wittgenstein (ele era engenheiro de formação inicial) e de Russel (era matemático), entre tantos exemplos de filósofos que começaram sua vida acadêmica por outra porta e depois foram seduzidos pela filosofia.

Como se pode transmitir um conhecimento não assimilado, utilizando manuais, sem ter lido o pensamento dos filósofos nos seus originais? Lamentavelmente, presenciamos disciplinas filosóficas sendo tratadas em cursos superiores, sem o mínimo rigor. O que confirma nossa tese inicial: a desimportância da filosofia no Ensino Superior praticado nas instituições de Ensino Superior particulares de Uberaba.

A Filosofia representa o potencial de libertação racional do homem, porque lhe oferece instrumentos que lhe permitem, por meio de ligações lógicas, estabelecer relações e atribuir sentido aos fenômenos por ele estudados. Estamos incorrendo no pecado de formar bons técnicos, mas péssimos homens. Acredito que os estudantes têm direito de conhecer o pensamento filosófico acumulado durante séculos, para, a partir dele, se lançar em sua própria aventura de produzir conhecimento.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CAUSA E EFEITO

A cada dia fico mais convencida de que nem felicidade nem sucesso permanentes são alcançados se não houver merecimento.Podemos até conhecer muitas pessoas bem-sucedidas, ou que aparentam felicidade e que, na verdade, não são pessoas de bem, e e compreendemos, pela nossa evolução espiritual, que toda essa prosperidade que mostram ao mundo são simplesmente castelos de areia, sem a menor consistência e que, mais dia menos dia, vão desabar e deixar apenas poeira no ar.

O que nos torna merecedores da felicidade e do sucesso duradouros é a nossa conduta reta, a postura de compaixão diante da dor do outro, a forma honesta de nos relacionar com as pessoas. Neste mundo ainda imperfeito em que vivemos, é deplorável constatar quantas pessoas há que se mostram mascaradas de amigas, companheiras e incentivadoras, mas que, ao menor deslize, são descobertas em suas mentiras e ações de má-fé.

As pessoas desonestas não percebem que mesmo que ninguém esteja presenciando suas trapaças, o Universo e sua própria consciência sabem de tudo e dia virá em que a vida lhes trará de volta tudo aquilo que elas transmitiram, através dos fracassos e das decepções com outros embusteiros, e a própria consciência lhes punirá através das doenças que vão surgindo, sem nenhuma explicação aparente.

Dias atrás, no aeroporto, escutei o seguinte depoimento de uma moça para uma amiga que estava com ela: -"Não sei o que acontece comigo, mas sou alvo de ladrões ou de gente querendo me passar para trás. Na minha última viagem, acredita que aqui, no aeroporto, mexeram em minha mala e roubaram um estojo de bijuterias? Reclamei na companhia aérea e eles, depois de comprovarem que o peso da mala chegou menor do que estava quando pesaram na saída, disseram que iam me ressarcir o valor do conteúdo do estojo. Na verdade, eu não tinha coisas de valor, não, mas aproveitei a chance e declarei que tinha seiscentos reais em bijuterias perdidas. É desaforo, não é? Como é que mexem assim nas minhas coisas?” Então, depois de ouvir essa lamentável declaração, fiquei refletindo comigo mesma: Infelizmente, ela vai continuar passando por golpes e decepções, porque ela não foi honesta quando deveria ter sido. Ela poderia ter feito a reclamação à companhia aérea e declarado o valor real do conteúdo daquele estojo. Dessa forma, ela estaria sinalizando ao Universo que é uma pessoa merecedora de prosperidade.

Por isso, observemos, dia-a-dia, as nossas atitudes, lembrando-nos de que a vida é um eterno dar e receber.Atraímos para nós exatamente aquilo que pensamos, falamos ou fazemos.

Rosa Maria Olimpio

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

TRISTE RETROCESSO


É grande equívoco querer separar totalmente a vida pessoal da vida profissional. É uma grande teia, na verdade. Pessoal e profissional estão interligados e não há como negar isso. Também, é verdade, não há como um não influenciar no outro.
Certa vez, uma beata viu o sacristão da igreja tomando cerveja com o amigo em um barzinho perto da casa dela. Nada de errado, não é mesmo?
No entanto, para ela, aquilo era um verdadeiro sacrilégio, um absurdo, um pecado com direito a excomunhão.
Tomando conhecimento do caso, o padre acabou não mandando o sacristão embora. Ele, sensato e justo, escutou a versão do rapaz. No fim, o sacristãozinho continuou empregado e feliz. Porém, nervoso demais com a beata fofoqueira...
Ora, é assim também no futebol. Por mais que muitos digam que a vida pessoal do cara é dele e só dele, é preciso uma discussão mais abrangente sobre o assunto.
Jogadores, além de milionários, também são ídolos. Na grande maioria, são ídolos de crianças. Crianças pobres, sem um plano na vida, a não ser... tornarem-se jogadores de futebol.
Entende a seriedade desse assunto? Há milhares de crianças e jovens, por exemplo, que adoram ser o goleiro quando brincam de jogar bola. “Bruuuuuuno!!!”, gritavam, ou ainda gritam muitos deles, a cada defesa feita. Agora, o ídolo deles, o maior goleiro do mundo – para eles – é apontado como suspeito de participar de um crime macabro.
No entanto, infelizmente, o caso do goleiro Bruno é só mais um entre tantos casos parecidos. Já tivemos casos de atletas batendo em namorada; jogador negociando com traficante; boleiro saindo com prostitutas adolescentes, artilheiros alcoólatras e viciados em outras drogas...
Tudo bem que é preciso entender que estamos falando de seres humanos. Humanos erram. É normal. Não sou moralista, nem juíza da humanidade, porém, certos erros são perfeitamente evitáveis. Achar que por ser ídolo se pode fazer tudo é um erro. Achar que dinheiro compra tudo, é outro erro ainda maior.
É preciso que o jogador entenda que muitos órfãos, por exemplo, se espelham neles! Houve um tempo em que o garoto escutava que seu ídolo cresceu na favela e venceu na vida, apesar de todas as dificuldades. Naquele tempo, contudo, não se ouvia dizer que depois de ficar rico e famoso, o jogador, que fora pobre, voltou para ajudar traficantes, assassinos e ladrões. Lembro de já ter lido e visto reportagens em que os craques abrem instituições de apoio aos menores em situação de risco; compram comida, dão roupas e oferecem educação. Hoje, para tristeza de muitos e decepção da maioria, o dinheiro que poderia ser gasto com atitudes nobres e de caridade está sendo colocado nas mãos de advogados de defesa...
Triste, muito triste. Em muitos casos, o homem caminha para trás, regride, quando o que se espera é o progresso. Eu ainda acredito na evolução humana a caminho do bem.

Rosa Maria Olimpio