sexta-feira, 18 de junho de 2010

O POETA NÃO MORRE!


O poeta lapida a madeira,transforma mentes e corações,
e faz surgir flores e cores,ursos e pássaros...
Há vida e beleza perene nesse homem que amou e
viveu da palavra.Nesse que fez da palavra
seu canivete,seu pincel!

José Saramago

O escritor José Saramago morreu na manhã desta sexta-feira, 18 de junho, aos 87 anos. O autor de Ensaio sobre a Cegueira, premiado com o Nobel de Literatura, era também doutor Honoris causa pela UnB.

Recebeu o título em 1997, quando veio à universidade a convite do Departamento de Literatura e Teorias Literárias. Na ocasião, fez o discurso transcrito abaixo:

Magnífico Senhor Reitor da Universidade de Brasília, Ilustres Professores, Estimados Alunos, Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Decidiu generosamente a Universidade de Brasília, sob proposta do seu Departamento de Teoria Literária e Literatura, conceder-me o grau de Doutor «Honoris causa», por pensar haver no trabalho literário que venho realizando méritos suficientes para tal, o que, obviamente, não me compete a mim confirmar ou pôr em dúvida, limitando-me tão-só a relativizá-los, não por uma modéstia congênita ou por uma deliberada prudência táctica, mas por uma atitude de espírito que já se me tornou em segunda natureza. Autorizo-me porém a crer que se cheguei a este acto com a legitimidade de quem a ele foi expressamente convocado, não me apresento de mãos vazias. Trouxe comigo algum trabalho, alguns livros, idéias, reflexões, o melhor que em uma vida já longa pude ir inventando e fabricando, uma ponte de palavras por onde intento chegar aos meus leitores e onde desejo que os meus leitores me encontrem, com a confiança, deles e minha, de que lá esteja e saiba estar, não apenas o autor, mas a pessoa real, o homem que sou. Não peço mais porque é o máximo que peço.

É conhecido o caso daquele moço que, sem nunca ter tomado aulas de belas-artes ou aprendido de mestres particulares, e não dispondo de melhor ferramenta que um simples canivete, em pouco tempo transformava um toco de madeira bruta no mais acabado e perfeito urso de que rezariam histórias da escultura se fosse objectivo delas ocupar-se de talentos rústicos e paisanos. Aos que se maravilhavam com a rapidez e o jeito, o rapaz respondia invariavelmente: «Não tem nenhuma dificuldade. Agarro na madeira e fico a olhar para ela até ver o urso. Depois é só tirar o que está a mais.» O nosso escultor ingênuo dava-nos, assim, duas lições: a lição da modéstia e a lição da generosidade. Revelava-nos o seu segredo de oficina e ensinava-nos como deveríamos proceder para criar um urso: olhar para onde ele não está e, apenas com o olhar, fazê-lo aparecer.
Mas, ai de nós, não há perversidade maior que a dos ingênuos. Este amável moço, tão prestante em explicar-nos como fez não deixou que lhe saísse da boca uma única palavra sobre como se faz. O urso está ali, vemo-lo, mas entre ele e as nossas mãos há uma muralha de madeira fechada, com nós duríssimos, veios intratáveis, traiçoeiras maciezas da fibra: é por de mais evidente que será preciso muito engenho e arte para abrir caminho. A arte, afinal de contas, não é fácil, o rapaz dos ursos esteve a divertir-se á nossa custa.

Contudo, bem descuidado seria quem se atrevesse a jurar que no interior de cada pedaço de madeira não há um urso à nossa espera. Há, e há sempre. Ainda que não consigamos vê-lo distintamente, ao menos devemos ser capazes de adivinhá-lo, de intuí-lo, aparece-nos ao longe como uma luz instável e lenta, um vago luzeiro, tão vago que mal chega a iluminar-se a si mesmo.

Assim foi como me apareceu também o que sobre uma presumível relação entre o antigo canto e um novo romance aqui me propus dizer-vos. Julguei perceber-lhe os contornos, tornar-se nítido e preciso o vulto, cheguei mesmo a pensar que me bastaria estender a mão e tomá-lo firme, mas no momento triunfal em que vou exclamar: «Minhas senhoras e meus senhores, aqui está o urso», verifico que tudo não era mais que ilusão e ludíbrio, e apenas tenho para apresentar isto que aqui se vê, um tronco cortado, um cepo, uma raiz torta. E outra vez a luz começa a pulsar, como um coração que chama: «Tirem-me daqui.»

Disse canto, disse romance, e essa relação, esse percurso, essa viagem por espaços, mundos e tempos, desde os poemas homéricos a Marcel Proust ou James Joyce, passando pelas Mil e Uma Noites, pelas epopéias indianas, pelas parábolas dos livros sagrados, pelo Cântico dos Cânticos, pelas fábulas milésicas, pelo Asno de Ouro, pelas canções de gesta, pelos ciclos de Roldão, da Demanda do Graal, de Alexandre, de Robin Hood, pelos Romances da Rosa e da Raposa, por Gargântua, pelo Decameron, por Amadis de Gaula, pelo Quixote, e também por Gulliver e Robinson, por Werther e Tom Jones, por lvanhoe e Cinq-Mars, pelos Três Mosqueteiros, pela Nossa Senhora de Paris, pela Comédia Humana, pelas Almas Mortas, pela Guerra e Paz, pelos irmãos Karamazov, pela Cartuxa de Parma, pelos Maias, por Braz Cubas, até agora, até aqui - essa viagem começou um dia, em voz e em grito, à sombra de uma árvore, ou no interior de uma gruta, ou num acampamento de nómadas à luz das estrelas, ou na praça pública, ou no mercado, e depois houve alguém que escreveu o que tinha ouvido, e a seguir veio alguém que escreveu sobre o que tinha sido escrito antes, ouvindo sempre, escrevendo sempre, dispondo palavras em silêncio, infinitamente repetindo, infinitamente variando.

Importa-me pouco a mais do que provável incoincidência desta visão lírica do trânsito histórico de narrativas entoadas, de melopéias, para uma escrita organizada e disciplinada, obediente a regras, a preceitos, a normas, a convenções que nunca o serão menos pelo facto de serem transitórias, substituídas por outras convenções, condenadas por sua vez em lhes chegando o tempo. A evocação que aí deixei serviu apenas para ilustrar, tão persuasivamente quanto fui capaz, o que teria sido a passagem de um canto narrativo à narração escrita. Bem mais difícil me será propor, como hipótese plausível, que o gênero literário a que damos o nome de romance, tendo chegado ao extremo do arco que, como imaginário pêndulo, traçou, se lança agora, retornando, pelo caminho por onde veio, até chegar outra vez ao canto primordial, donde teria de recomeçar a viagem já conhecida, galgando mais uns quantos séculos para o futuro.

Não sou tão desprovido de senso comum. Dinâmica e cinética são programas de um diferente foro do conhecimento, e a literatura, se infinitamente repete, como já foi dito, também infinitamente varia, como foi dito já. Visto o que, no ponto em que nos encontramos, é irresistível recordar aquele Pierre Menard, autor de um Quixote literalmente idêntico ao de Cervantes, consoante nos informa Jorge Luis Borges nas suas Ficciones, e que, tendo repetido, palavra por palavra, o imortal «Manco de Lepanto» (assim o designamos para não lhe repetir o nome, sina de que por fortuna escapou Camões, pois a ele ninguém, até hoje, ousou chamar «Zarolho de Ceuta»), diz, muitas vezes, coisas bem diferentes, não mais do que por diferentes serem os modos de as entender, neste século XX em que ainda estamos e naquele século XVII em que nunca poderemos estar. Este exemplo mostra-nos que qualquer repetição exacta é impossível e que, na sua viagem de retorno às origens, ao outro extremo do arco, o pêndulo, ainda que percorrendo uma identidade reconhecível, iria deixando atrás de si algo como uma alteridade coincidente, se se pode admitir uma tão grosseira contradição em termos.

Ora, se ao romance não é permitido fazer nenhum percurso inverso, se Pierre Menard, tendo fiel e escrupulosamente copiado o Quixote, acabou por escrever outro livro, como alcançaríamos nós de novo o canto, o desejado canto, e, se lá chegássemos, que canto seria esse que a nossa boca formaria, ainda que fosse igual a música e fossem iguais as palavras? Os homéridas não têm mais lugar neste mundo, o tempo é, de todas as coisas, a única que não se pode emendar. Que restará, então? Como iremos inventar o canto novo, esse a que me estou obrigando? E com que pertinência me proporia eu, se essa fosse de facto a minha intenção, anunciar o advento de novas formas literárias, sem cuidar de saber se isso agradaria ou conviria a quem as tivesse de viver e praticar? Chamar Homero aos nossos dias, «homerizar» o romance, terá sentido? Estas perguntas, em si mesmas, e pelo ordem em que se apresentam, não são inocentes. Autorizam-me, enfim, a trocar o geral pelo particular, penetrando no único universo de que posso falar com a legitimidade que dá o conhecimento de causa, isto é, no meu próprio e pequeno mundo, o do romance que faço, o seu porquê e o seu para quê.

Comecemos por considerar o tempo. Não este em que nos encontramos agora, não aquele outro que foi o do autor quando escrevia o seu livro, mas o tempo contido e encerrado no romance, e que tão-pouco é o das horas ou dias que levará a ser lido, ou uma referência temporal implícita no discurso ficcional, muito menos um tempo explicitado fora do narrativa, por exemplo, o título que recebeu, caso de Cem anos de solidão ou de Vinte e quatro horas na vida duma mulher. Falo, sim, de um tempo poético, feito de ritmos, de suspensões, um tempo simultaneamente linear e labiríntico, instável, movediço, tempo capaz de criar as suas próprias leis, um fluxo verbal que transporta uma duração e que uma duração por sua vez transporta, fluindo e refluindo como uma maré entre dois continentes. Este tempo, repito, é o tempo poético, usa todas as possibilidades expressivas do andamento, do compasso, da coloratura, é melismático e silábico, longo, breve, instantâneo. De um tempo assim entendido tem sido minha ambição que vivam as ficções que invento, consciente de que estou querendo, mais e mais, aproximar-me da estrutura de um poema que, sendo expansão pura, se mantivesse fisicamente coerente.

Afirmam músicos e musicólogos que uma sinfonia, hoje, é algo impossível, como o será também, mas isto digo-o eu, esculpir um capitel coríntio segundo os preceitos clássicos. Claro que qualquer pessoa, desde que dotada de habilidade suficiente, estará em posição de contrariar uma tal interdição de princípio, compondo de facto a sinfonia ou esculpindo de facto o capitel: o que dificilmente poderá é levar-nos a acreditar que, fazendo-o, estaria a responder a uma necessidade autêntica, tanto no plano da sua criação quanto no plano da nossa fruição. Ora, quem sabe se não deveríamos nós próprios confrontar-nos com a responsabilidade de aplicar a mesma sentença ao romance, afirmando, por exemplo, que também ele se tornou impossível na sua forma por assim dizer paradigmática, prolongada até hoje apenas com variações mínimas, só muito raramente radicais e logo assimiladas e integradas no corpo tópico, o que vem permitindo, com a graça de Deus e a benção dos editores, que continuemos a escrever romances como comporíamos sinfonias bramhsianas ou talharíamos capitéis coríntios.

Mas este romance que assim pareço estar condenando contém acaso em si, e já nos seus diferentes e actuais avatares, a possibilidade de se transformar no lugar literário (propositadamente digo lugar, e não gênero) capaz de receber, como um grande, convulso e sonoro mar, os afluentes torrenciais da poesia, do drama, do ensaio, e também da filosofia e da ciência, tornando-se expressão de um conhecimento, de uma sabedoria, de uma mundivisão, como o foram, para o seu tempo, os grandes poemas da antiguidade clássica.

Porventura estarei caindo num erro de perspectiva, se tenho em conta a crescente e parece que irreversível especialização, já quase microscópica, das aptidões humanas. Não é impossível, porém, que essa mesma especialização, por força de mecanismos ou impulsos de compensação, e talvez como condição instintiva de sobrevivência e de reequilíbrio psicológico, nos leve a procurar uma nova vertigem do geral em oposição às aparentes seguranças do particular. Literariamente, porque só de literatura é que estou falando aqui, talvez o romance possa restituir-nos essa vertigem suprema, o alto e extáctico canto duma humanidade que ainda não foi capaz, até hoje, de conciliar-se com a sua própria face.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Decepção não mata, ensina.


Os atuais paradigmas de sucesso tem gerado nas pessoas um medo muito grande de serem enganadas e uma ansiedade voraz para vencer na vida a qualquer custo.Isso acaba gerando um estresse negativo, com forte desgaste energético. No meu ponto de vista, a melhor forma de lidar com essa pressão do dia-a-dia é ampliar nossa autoconfiança e começar a deixar a vida fluir, aumentando também, a confiança na Energia Poderosa que rege o universo.

À medida em que fui aprendendo que tudo o que Deus permite que me aconteça é sempre para o meu bem – mesmo que à primeira vista possa parecer uma tragédia –, me tornei uma pessoa muito mais serena e entendi que o Universo não funciona no ritmo da minha ansiedade. O que move as forças da Vida a meu favor são os meus sonhos bem definidos e datados, bem como o foco que coloco na realização de cada um deles. Dessa maneira, passei a não temer as pessoas melhores do que eu, e sim a tomá-las como exemplo. Aprendi a respeitar os meus limites e a não sofrer mais por perfeccionismo. Aprendi ainda,a não me decepcionar com os planos que não saem exatamente como eu quero, porque sei que tenho um “Sócio” que sabe a hora certa de me colocar nas mãos o que preciso, e não me deixo amedrontar com a raiva ou a inveja dos outros, porque sei que ser invejado é um atestado de competência.

E assim vou vivendo com otimismo, sempre acreditando em dias melhores para a minha vida, preparando-me para eles com muito estudo e trabalho, conhecendo pessoas maravilhosas e inteligentes e, na medida do possível, compartilhando minhas experiências com todos que tenho a alegria de encontrar em minha jornada.
Compreendi que o Universo está vibrando pelo meu sucesso e pela minha prosperidade! Se estou fazendo a minha parte e sou uma pessoa dedicada e entusiasmada, então... deixo a Vida fluir, com toda sua leveza! Vai dar tudo certo!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Portfólio empresarial digital

Caros alunos,

Como havíamos combinado na aula anterior, aqui está o resumo de nossa pesquisa e de nossas conclusões a respeito do tema. Importante ressaltar as relevantes contribuições levadas por vocês para nossas reflexões! Juntos caminhamos melhor e mais confiantes, sempre em busca da excelência em nossos empreendimentos profissionais.

Portfólio empresarial digital: gênero do discurso ou suporte textual?

DEFINIÇÕES DE PORTFÓLIO


Para que pudéssemos relacionar portfólio, gênero do discurso e suporte de textos, inicialmente buscamos os significados dicionarizados do termo portfólio, para, depois, analisar as diversas aplicações, usos e formas de relação do portfólio com o meio profissional e empresarial em que circula. Uma primeira definição de portfólio pode ser encontrada no Cambridge Dictionary of American English (2000): “uma pasta grande utilizada para carregar desenhos grandes, documentos, ou outros papéis. Um portfólio também é uma coleção de desenhos ou outros papéis que representam o
trabalho de uma pessoa”. Outra definição de portfólio é: “uma maneira de você tornar portátil alguma coisa. Portfólio quer dizer portando folhas [...] maneira de levar uma coisa de forma preservada [...] uma coisa física, que preserva um material que será mostrado, mas que também traz um conceito na sua forma de organização.” (Nakagawa, 2008). O fotógrafo, por exemplo, tem que saber o que quer mostrar, por que quer mostrar e para quem quer mostrar, pois o objetivo não é simplesmente arquivar e transportar um dado material. De acordo com Nakagawa, um trabalho do fotógrafo se transforma em um portfólio porque existe a vontade de mostrá-lo para alguém, que tem que estar definido; ou seja, o portfólio é construído segundo as expectativas do interlocutor a que se destina.
Portanto, como podemos observar nas duas fontes citadas, no termo portfólio encontramos a presença de dois significados distintos (embora relacionados): (a) espaço de arquivamento e transporte de textos e (b) conjunto de textos, de trabalhos, organizados por seu autor segundo determinados objetivos e para
determinado interlocutor.


OS SUPORTES DE TEXTOS E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Conforme Marcuschi (2003, p.9), a discussão sobre o suporte dos gêneros se encontra no princípio dessa discussão, parecendo-lhe a situação “curiosa quando se observa que todos os textos [se] ancoram em algum suporte”1. Segundo o autor, por suporte de um gênero podemos compreender “um locus físico ou virtual com formato específico que serve de base ou ambiente de fixação do gênero materializado como texto” (p.8); “uma superfície física em formato específico que suporta, fixa e mostra um texto” (p.8),
expressando, portanto, a noção de um lugar físico ou virtual, de um formato específico e também a noção de uso para fixar e mostrar o texto.
Desse modo, de acordo com Marcuschi (2003, p.8), o “suporte deve ser algo real”, mesmo que seja realidade virtual, como a internet, não podendo um suporte prescindir dessa materialidade.
O autor afirma também que os suportes aparecem sob um formato específico, citando como exemplos o livro, a revista, o jornal, o outdoor, entre outros, e destaca que geralmente foram produzidos “para portar textos”. Por fim, salienta que “a função básica do suporte é fixar o texto e torná-lo acessível para fins comunicativos”
(p.8-9).

ANÁLISE DO PORTFÓLIO EMPRESARIAL

Nesta seção, apresentamos a análise do portfólio empresarial digital, objetivando responder se ele é um gênero do discurso ou um suporte textual. Primeiramente, cotejamos as características do portfólio com as características de enunciado e de gênero do discurso; em seguida, com as de suporte de textos.
A apresentação e a análise de portfólios em particular, cotejando-os como enunciados pertencentes a um dado gênero é importante, porque será o objeto de estudo concreto que permitirá fazer uma análise comparativa entre estes e as características de gênero do discurso e de suporte de textos, buscando identificar se o portfólio pode ser uma forma típica e histórica, relativamente estável e normativa, que compõe uma totalidade discursiva (Bakhtin, 2003), o que o caracteriza como um gênero; ou se o portfólio é apenas uma base física que reúne textos construídos em um determinado formato, o que o caracteriza como suporte de textos e de gêneros, segundo concepção de suporte de Miranda e Simeão (2002) e de Marcuschi (2003).

Podemos afirmar que cada um dos dois portfólios empresariais digitais é um enunciado. Se essas mesmas características são encontradas em outros portfólios empresariais, transformando-se, desta maneira, em formas típicas históricas, relativamente estáveis e normativas para a construção dos portfólios, o portfólio empresarial digital se caracteriza como um gênero do discurso.

O portfólio empresarial digital e os suportes de textos


Analisando os portfólios empresariais digitais podemos dizer que neles encontramos características típicas de suporte de textos: a estrutura física, ainda que virtual, que serve para sustentar o(s) texto(s), o formato específico, com a distribuição harmoniosa dos elementos constitutivos do portfólio (estar inserido.

Portanto, ao identificar o portfólio empresarial digital como um espaço virtual para circular um enunciado, ao considerar que o portfólio apresenta formato específico e que ele serve para fixar e mostrar o enunciado, de acordo com as considerações de Marcuschi (2003), poderíamos definir o portfólio empresarial digital como um suporte de texto e de gênero. Entretanto, se assim o fosse, ou seja, se o portfólio fosse um suporte, especificamente no caso do portfólio empresarial digital, questionamos: Qual(is) seria(m) o(s) gênero(s) do discurso que por ele circularia(m) e nele se inscreveria(m)? E os demais portfólios, como o escolar, o profissional e o pessoal, como se enquadrariam, como gêneros ou como suporte de textosA nossa resposta a essas questões é que as características de suporte de textos que encontramos referem-se não ao portfólio em si, mas a sua mídia de estocagem, difusão e interação, a internet e a tela do computador. Ou seja, consideramos o sítio da internet como suporte textual para o gênero portfólio empresarial digital.

Referência:

http://rle.ucpel.tche.br/php/edicoes/v12n2/02Rosangela.pdf

Autores:

Rosângela Hammes Rodrigues
Universidade Federal de Santa Catarina

Moacir Jorge Rauber
Universidade do Minho Portugal

domingo, 6 de junho de 2010

Gêneros textuais que circulam no ambiente empresarial.

Caros alunos,
É importante que saibam o quanto foi importante conhecê-los e iniciar nossa atividade de aprender a arte de redigir gêneros textuais voltados para as atividades empresariais.
Espero que juntos possamos desenvolver as habilidades de produção textual de atas, memorandos, ofícios...
Tive uma idéia e quero compartilhar com vocês. Pensem com carinho em minha proposta e em nossa próxima aula decidimos, em grupo, a possibilidade de colocá-la em prática.
Criaremos na turma uma empresa fictícia, criaremos um nome interessante e original para “registrá-la”. Vão pensando...
Dividiremos a turma em grupos e cada grupo representa um departamento da empresa, com seus respectivos funcionários ( chefes, secretários, assessores...) e produziremos os textos que irão circular no ambiente empresarial com todas as características que lhe são peculiares e passarão pelo revisor de textos.
Espero que tenham acessado o site sugerido e tenham lido o artigo com atenção e a necessária curiosidade de quem busca excelência em sua atuação profissional. Na próxima aula vou ouvi-los e juntos compreenderemos o que é gênero é o que é suporte textual. Como havia prometido,segue o conteúdo de nossa aula inaugural.
Afetuoso abraço, Rosa Maria

Os gêneros textuais do contexto empresarial.
Aprender é interpretar a cultura, é compreender e apreender a realidade.
Para compreender os gêneros textuais, faz-se necessário reconhecer algumas das situações e conceitos elementares e fundamentais na concepção que adotamos nesta disciplina, entre eles, ressaltamos:

Intergenericidade
Os gêneros se imbricam e interpenetram para constituírem novos gêneros. Ou ainda quando um gênero assume a função ou a forma de outro, tendo em vista o propósito da comunicação. Exemplo: o gênero epígrafe pode ser constituído de um poema, uma frase, um conto. O que vai fazer com que seja considerado uma epígrafe é o lugar em que o texto aparece.

Heterogeneidade tipológica

um gênero com a presença de vários tipos textuais. Como já antes dito, em um gênero podem estar presentes diferentes tipos de textos: narrativo, argumentativo, descritivo, injuntivo, entre outros.

Intertextualidade

Um texto que resgata textos anteriores (de conteúdo e/ou tipológica). É comum no processo de escrita escrevermos um texto recorrendo a outro(s) texto(s). A intertextualidade pode ser explícita, quando há citação da fonte do texto primário, como ocorre nos discursos relatados, nas citações, nos resumos e implícita sem citação expressa da fonte, cabendo ao leitor recuperá-la para construir o sentido do texto. Esse recurso é muito usado na publicidade, no humor, na canção popular...

Suportes
Locais onde os gêneros são veiculados, como um jornal, um livro ou uma revista.
é imprescindível para que o gênero circule na sociedade.
não determina o gênero, mas esse exige um suporte especial.
“entendemos como suporte de gênero um lócus físico ou virtual com formato específico que serve de base ou ambiente materializado como texto”. Exemplos: outdoor, encarte, folder, luminosos, embalagens etc.
( Marcuschi ,2008

Mecanismos linguísticos

Marcas lingüísticas mais ou menos estereotipadas identificáveis em cada gênero.
são marcas, muitas vezes, historicamente, construídas nas práticas sociais que têm características próprias tanto na fala como na escrita.
Exemplos: “Era uma vez...” (abertura de narrativa); “Prezado amigo” (começo de uma carta); “Atenção” (aviso).

Domínios discursivos

contextos e situações (cenários) para as práticas sociodiscursivas.
Constituem práticas discursivas nas quais podemos identificar os gêneros textuais próprios ou específicos como rotinas comunicativas institucionalizadas e instauradoras de relações de poder
(MARCUSCHI, 2008).

Os Gêneros textuais que circulam com mais freguência na empresa:

Ata
Atestado
Aviso
Bilhete
Informativos impressos
Cartas profissionais
Circular
Reuniões presenciais
E-mails
Memorando
Net-meeting
Ofício
Procedimento
Protocolo
Relatório
Requerimento
Telegrama
Videoconferência


Referência:

OS GÊNEROS TEXTUAIS NA ATIVIDADE EMPRESARIAL DA ERA DIGITAL.

Cilda Magaly de Lucena Palma, Dissertação de Mestrado, UFPE
Orientanda de MARCUSCHI, 2004, Recife PE