domingo, 16 de maio de 2010

"Viver é aprender a viver..."



"Viver é aprender a viver, toda vida vida é ensinada"
Meu querido João Guimarães Rosa ensinou-me muitas coisas ao longo de minha existênca.Atualmente, tenho me dedicado a fazer outras leituras que me possibilitem aprofundar os ensinamentos desse poeta-autor, autor-poeta.Guimarães Rosa traduz na fala de seus personagens muito da sabedoria popular.Quantos vezes ouvi mamãe dizer:
"-Calma filha, a gente aprende. A vida ensina..."

Em 387 a.C., Platão, cujo nome verdadeiro era Arístocles (Platão era um apelido que significava “homem de ombros largos”), fundou uma escola e deu a ela o nome de Academia, já que ficava próxima ao templo do deus Academus.

A Academia estava organizada como uma comunidade constituída pelos membros mais avançados e pelos jovens estudantes. Não se tratava, de modo algum, de um grupo em que um era o sábio e os outros se encontravam à procura das doutrinas ou dos serviços do mestre, mas de uma comunidade de estudiosos com diferentes graus de desenvolvimento. Embora Platão fosse o fundador da escola, parece ter desenvolvido, em relação aos membros mais avançados da sua escola, uma relação do tipo “primeiro entre iguais”, sem nenhum lugar de destaque.

Tendo em vista que o método de ensino era a busca de verdades conceituais e abstratas, próprias do universo da matemática, Platão teria supostamente escrito no frontispício da Academia: não entre aqui aquele que não souber geometria.

Não sabemos ao certo se Platão teria cobrado algum tipo de honorário de seus alunos para ensiná-los. Entretanto, somente aqueles que pudessem ficar anos dedicados aos ensinamentos é que podiam se dar ao luxo de frequentar a academia. Um desses alunos foi Aristóteles.

Filho de Nicômaco – médico da corte de Filipe, rei da Macedônia –, Aristóteles migrou para Atenas, onde se localizava a Academia, por volta dos 17 anos, em 367 a.C. Nela, permaneceu durante 20 anos, até a morte de Platão, em, aproximadamente, 347 a.C. Em seus anos iniciais como aluno de Platão, Aristóteles era apenas um aluno brilhante. Posteriormente, torna-se professor dentro da academia.

Como era estrangeiro em Atenas, Aristóteles não podia herdar o controle da escola de Platão e esse se viu obrigado, então, a passar o comando da Academia para um sobrinho de nome Espeusipo. Como, a partir daí, as coisas não se encaminham da maneira como gostaria, Aristóteles deixa de frequentar a academia platônica, dedicando-se a uma série de viagens pela Grécia, até que Filipe, pai de Alexandre, o convida para ser professor do futuro rei da Macedônia.

O mais curioso de tudo isso está no fato de que, durante esses 20 anos em que Platão e Aristóteles conviveram juntos na Academia, em quase tudo eles discordavam. Aliás, as discordâncias vieram logo cedo, assim que o filósofo macedônio foi aceito como aluno da Academia.

Durante os 20 anos de relacionamento, não há nenhum registro de que Platão tenha censurado Aristóteles, por minimamente que fosse, por pensar diferente dele. Ao contrário, os elementos de que dispomos e que dão conta da relação entre os dois, indicam-nos que a convivência foi pacífica, harmoniosa e de muito respeito de um pela ideia do outro.

Em épocas em que às vezes nos privamos do convívio do outro simplesmente por ele não ler o que eu leio, por não usar o que eu uso ou por não pensar como eu penso, o exemplo desses dois filósofos continua vivo e atual. Que nos sirva de inspiração e que passemos a ser mais tolerantes com aqueles com quem convivemos.

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