sábado, 29 de maio de 2010

Os gêneros textuais e o ensino de linguagem

Pensando sobre os gêneros textuais e o ensino de linguagem é importante considerar que há muitos anos tem-se frisado a necessidade de se colocar o aluno em contato com práticas sociais efetivas. As primeiras reflexões de Geraldi sobre o tema, por exemplo, datam dos anos iniciais da década de 80. Nestas duas últimas décadas, tem-se criticado enfaticamente, assim, o trabalho com exercícios de fixação (como é o caso das análises sintáticas) em que o sujeito da linguagem é apagado.
Na década de 90, a publicação dos PCNs (BRASIL, 1998) veio solidificar essa orientação, pois esse documento traz o gênero textual (ou discursivo) como noção central. Além disso, propõe que o ensino-aprendizagem seja realizado em dois eixos: o das práticas de uso e o das práticas de reflexão quanto à língua e a linguagem. Cabe ressaltar, ainda, que os PCNs propõem que professor e alunos desenvolvam as práticas de ensino-aprendizagem mediante projetos e módulos didáticos, orientando para que o professor deixe de trabalhar com conteúdos em programas fechados e passe a valorizar as atividades significativas.
Ainda que haja consenso entre os teóricos quanto à orientação que se deve dar ao ensino-aprendizagem de língua e linguagem, posições que estão sendo divulgadas em diversos suportes (documentos oficiais, palestras, livros e revistas científicas), a entrada dessas noções na escola, contudo, não se dá pacificamente. Uma concepção gramaticalizada do gênero pode ocorrer em função de pelo menos dois aspectos. O primeiro deles é que as pesquisas tendem a mostrar o lado estabilizado do gênero (ou até criar uma atmosfera de estabilidade). O professor precisa ler critica e criativamente esses relatos de pesquisa, procurando entender como o gênero se realiza em práticas sociais (tanto estabilizadas quanto criativas). O segundo aspecto que pode comprometer a transposição didática do gênero é a dificuldade de compreensão inerente à linguagem como objeto de conhecimento, uma vez que ela está sujeita ao paradoxo acional. É preciso realizar um esforço de abstração para se depreender o lado mais importante, mas menos evidente, da linguagem: o fazer em aberto (força centrífuga).
É importante frisar que, ao transpor o gênero para a escola, o/a professor/a estará lidando com práticas e ações sociais inovadoras, pois haverá mudança em várias das características do gênero. Cabe ressaltar também que, ao usar o gênero para criar um enquadre para novas práticas e ações sociais, o professor está trabalhando dentro de um novo modelo de escola voltado para as forças centrífugas da linguagem. Na escola tradicional, havia um conjunto ilimitado de gêneros escolarizados (tipologia) e, portanto, também um conjunto ilimitado de práticas sociais, o que possibilitava um controle e previsão quase que absolutos em relação ao fazer dos alunos e, ao mesmo tempo, uma prática quase passiva do professor como replicador de regras. Na escola, como é atualmente pensada, é incontável o número de gêneros e, portanto, as práticas sociais que podem ser trabalhados. Nesse contexto, não há um controle prescritivo sobre as práticas dos alunos e o professor precisa assumir um papel ativo na operacionalização da “tecnologia de linguagem” relativa aos gêneros.
O trabalho com gêneros não representa uma solução fácil para a escola. Pelo contrário,exige mais trabalho e dedicação por parte do/a professor/a. Minha convicção, contudo, é a que, com o passar do tempo, o professor adquira um conjunto de conhecimentos sobre determinados gêneros que facilitem tanto o trabalho didático quando a aquisição de conhecimentos sobre outros gêneros. A distinção entre gênero e prática é difícil e problemática tanto nas teorias quanto na operacionalização da pesquisa. Aponto como possível causa dessa dificuldade dois paradoxos: o descritivista (o criativo só pode ser descrito como estável) e o acional (apesar de a linguagem se mostrar como forma estável sua razão de ser está no inovador). O problema da distinção entre gênero e prática afeta o ensino negativamente e que, por outro lado, a operacionalização dessa distinção favorece a transposição didática dos estudos de gênero para o ensino. Portanto, pode-se dizer que a reflexão teórica em torno da relação entre gênero e prática ainda tem um longo caminho a percorrer, pois, como a variada terminologia demonstra, o debate ainda está bastante aberto. A distinção entre ambos os objetos, contudo, me parece proveitosa para se pensar a pesquisa em gêneros associada à pesquisa sobre o ensino de linguagem.

Rosa Maria Olimpio

(Gênero carta) Uma atividade de Produção Textual

Uberaba,12 de maio de 2010

Prezado amigo TEÓFILO OTONI.

Nesta VIÇOSA manhã de primavera, de onde se contempla um BELO HORIZONTE, um CAMPO BELO e MONTES CLAROS, e, ainda, neste ambiente FORMOSO de nossa terra, quando se pode contemplar também, pela madrugada, a ESTRELA DALVA, escrevo-lhe para colocá-lo a par dos últimos acontecimentos.
No âmbito familiar, a nossa prima LEOPOLDINA, ESPERA FELIZ dar a LUZ a seu primeiro filho que, se for homem, se chamará ASTOLFO DUTRA e JANUÁRIA, se mulher. Para cuidar do rebento, ela contará com abnegação da sua governanta MOEMA. Mas, enquanto ela aguarda seu bebê, lava roupa tranqüilamente nas BICAS existentes em um RIO NOVO, afluente do RIO ACIMA, que passa pelas terras de DONA EUZÉBIA, naquele LARANJAL, perto da CAPELA NOVA, onde, na hora do RECREIO, a meninada sobe na PONTE NOVA, para pescar LAMBARI e PIAU e soltar PAPAGAIOS.
A prima NATÉRCIA comprou uma casa na rua ANTONIO DIAS, perto da casa do ANTÔNIO CARLOS. Você já sabia? Orou a Jesus de NAZARENO em agradecimento, ajoelhada aos pés da SANTA CRUZ DO ESCALVADO no alto do MONTE SIÃO, que fica lá para as bandas da GALILEIA, às margens do MAR DE ESPANHA.
Lembra-se daquelas pedras da tia MARIA DA CRUZ que você queria comprar? Ela resolveu vendê-las, menos a PEDRA AZUL, porque ela diz ser a mais bonita e valiosa.

Quanto aos aspectos sociais e religiosos, temos novidades.
Na próxima semana, o CÔNEGO MARINHO, da diocese de VOLTA GRANDE, vai fazer a Festa de SÃO TOMAS DE AQUINO. Se você quiser aparecer será um grande prazer. A nossa prima VIRGINIA é quem será a responsável pelo evento. Vai ter missa celebrada pelo reverendo local, CÔNEGO JOÃO PIO, em honra ao Santíssimo SACRAMENTO. De manhã, o bispo DOM SILVÉRIO irá crismar as crianças.
Depois haverá um show com o Agnaldo TIMOTEO e também com as TRÊS MARIAS. Em seguida, a Banda Musical SANTA BÁRBARA, sob a regência do maestro BUENO BRANDÃO, executará o GUARANI, de Carlos Gomes. Depois o Barão de COROMANDEL fará a saudação ao aniversariante. A festa era para ser no mês que vem, mas todas as datas do cantor estavam preenchidas. As primas SERICITA e AZURITA vão fazer a comida. Como prato principal teremos PERDIGÃO e PERDIZES à milanesa e PATOS DE MINAS ao molho pardo. De sobremesa teremos compota de MANGA, tendo sido escolhida a UBÁ, por ser mais saborosa, pêssego em CALDAS e, ainda, licor de PEQUI.
À noite, haverá um baile no OLIVEIRA Country Clube, ao som da orquestra do maestro MATIPÓ, tendo como principais solistas os renomados músicos IBIRACI ao saxofone e NEPOMUCENO ao trompete. Será uma boa ocasião para os convidados exercitarem os seus PASSOS ao ritmo de boleros e rumbas.
Mudando de assunto, na fazenda, fizemos algumas reformas.
O CURRAL DE DENTRO estava com o telhado estragado, com problemas no madeirame e tivemos que trocar as vigas. Desta vez colocamos CANDEIAS, por ser madeira de muita durabilidade, todas compradas do CORONEL XAVIER CHAVES. Com a sobra da madeira ainda reformei a PORTEIRINHA que dá entrada para o quintal. Estou também reformando a CAPELINHA de SENHORA DE OLIVEIRA, para comemorar o aniversário de LIMA DUARTE. Na festa estarão presentes o CORONEL MURTA, o PRESIDENTE WENCESLAU, o JOÃO MONLEVADE, o CORONEL FABRICIANO, o CAPITÃO ENÉAS, o BARÃO DE COCAIS, o Barão de BARBACENA, e várias outras personalidades. Dizem que até o TIRADENTES pretende comparecer. Mas ele ficou meio aborrecido, porque queria que a festa fosse em SÃO JOÃO DEL REI. Só não poderá comparecer o VISCONDE DO RIO BRANCO porque ele está em CAMPANHA política. Iremos cobrar um valor simbólico como entrada, para reverter em benefício dos desabrigados da chuva, mas apenas uma MOEDA de PRATA.
Vou lhe dar outra grande notícia.
Perto do ENGENHO NOVO, naqueles barrancos cheios de FORMIGA, um empregado nosso descobriu MINAS NOVAS de OURO BRANCO, OURO PRETO, ESMERALDAS e TOPAZIO, portanto será uma NOVA ERA e uma BOA ESPERANÇA para todos nós. Infelizmente, por causa dessa riqueza, a violência já começou a aparecer na região. Um homem de TRÊS CORAÇÕES foi morto por um garimpeiro, usando uma faca de TRÊS PONTAS, porque ele havia descoberto uma enorme TURMALINA e também uma pedra de RUBIM, de menor tamanho, mas muito valiosa.
Na área do desenvolvimento, a dona CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO, proprietária da usina açucareira de URUCÂNIA, quer aumentar a fábrica e incrementar a produção de açúcar, mas para isso precisará de mais energia elétrica. Assim, tem um projeto de construir uma usina hidroelétrica aproveitando as quedas dágua da CACHOEIRA DO CAMPO, formada pelo rio PIRANGA, mas o senhor RESENDE COSTA, que é o chefe do IBAMA na região, quer embargar a obra, alegando impacto ambiental.
Falarei agora da nossa justiça.
Chegou um JUIZ DE FORA, chamado EWBANK DA CÂMARA, para ocupar o lugar de BIAS FORTES, que terminou o seu mandato. Mas o CONSELHEIRO LAFAYETE, acompanhado de RAUL SOARES, pediu ao GOVERNADOR VALADARES para interceder junto ao PRESIDENTE BERNARDES para efetivar naquele cargo o SENADOR FIRMINO, que muito fez por nós. Ele foi DESCOBERTO ainda novo, tanto que sequer usava sapatos, usava ALPERCATAS, quando estava na companhia do CORONEL PACHECO, na famosa LAGOA DA PRATA, depois daquela GOIABEIRA e daquela árvore de JANAÚBA da fazenda POUSO ALEGRE, onde tem aquela VARGINHA, às margens do RIBEIRÃO VERMELHO.
Ele se tornou um homem sério e honesto, sendo de muito valor para a nossa causa.
Quanto à lagoa a que me referi, dizem que ela contém ÁGUA BOA, tanto que o Aleijadinho teria se curado dos seus males tomando banho nela, por isso passou a ser chamada de LAGOA SANTA. Dizem que um cego também lavou os olhos naquelas águas e voltou a enxergar, mas ele atribuiu esse milagre a SANTA LUZIA.
Outro dia encontrei o BETIM, a MARIA DA FÉ e a ALMENARA nadando nas ÁGUAS FORMOSAS da LAGOA DOURADA, e lhe mandaram lembranças. A lagoa fica nas terras de PEDRO LEOPOLDO, onde ainda tem mais SETE LAGOAS.
Avisam que estarão viajando para ALÉM PARAÍBA no próximo feriado de SANTOS DUMONT.
Também lhe mandam um grande abraço o DIOGO VASCONCELOS e o JACINTO.
Agora, vou lhe contar as fofocas.
O FRANCISCO SÁ teve um desentendimento com o JOÃO PINHEIRO por causa daquela LAJINHA que faz o SALTO DA DIVISA das terras dos dois fazendeiros com as terras da MARIANA, às margens do Rio PARACATU, porque dizem que ali tem muita MALACACHETA.
A coisa andou quente. Um deles, não sei qual, queria agredir o outro com um MACHADO. Ainda bem que o coronel MATEUS LEME chegou na hora e evitou o PATROCÍNIO de uma morte desnecessária, e, ainda, promoveu uma NOVA UNIÃO dos dois.
Os índios AIMORÉS tentaram invadir a reserva dos índios MAXACALIS, armados de ARCOS e flechas, por causa daquela reserva de JEQUITIBÁ existente no PÂNTANO DE SANTA CRUZ, mas, felizmente, foram contidos pelas tropas da Polícia FLORESTAL comandadas pelo MAJOR EZEQUIEL, evitando um massacre sem precedentes. Os presos foram levados para o QUARTEL GERAL.
E tem mais.
O ELOI MENDES me contou, confidencialmente, que o Dr. CARLOS CHAGAS está de caso com a CONCEIÇÃO DAS ALAGOAS. A CÁSSIA, que é muito linguaruda, contou para a mulher dele, dona CRISTINA, que, imediatamente queria a separação e iria mudar-se para DIAMANTINA. Mas a dona MERCÊS, que é muito benquista por todos, conseguiu convencê-la a não tomar essa medida EXTREMA, e lhe propôs que aguardasse a chegada do seu primo, MARTINHO CAMPOS, que é um homem de mãos de FERROS, para ouvir o seu conselho. Ele achou que seria uma missão muito ESPINOSA, mas, ainda assim, aceitou o desafio. Sendo ele também um homem ponderado, sugeriu ao marido que pedisse PERDÕES à sua esposa, na presença do PADRE PARAÍSO, e assim foi feito e tudo teve um BONFIM.
Depois desta CONTAGEM dos fatos, damos graças a SENHORA DOS REMÉDIOS, SANTO ANTÔNIO DO AMPARO, SANTO ANTÔNIO DO GRAMA e SÃO TIAGO, que têm sempre protegido a nossa família, para que nossas lutas tenham sempre um BOM SUCESSO.
Terminando, receba um forte abraço do seu primo,
MATIAS BARBOSA.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Palavras de Sabedoria

Bateu saudade das frases do Barão de Itararé, personagem-pseudônimo criado pelo jornalista Apparício Torelly (1895-1971), gaúcho, radicado no Rio de Janeiro. Humorista de invejável talento deixou-nos máximas através de frases geniais que misturavam sagacidade, ironia, irreverência, protesto, ideal e muita sabedoria popular.

O Barão era um crítico mordaz do comportamento humano. Um intérprete analítico das variadas linguagens e expressões utilizadas pela sociedade. Ele insistia em contrariar a ordem estabelecida tida como padrão a ser seguido. Era, sem dúvida, um dos bravos combatentes da hipocrisia.

Assim como Itararé, tantos outros deixaram frases emblemáticas. Existem também as anônimas. Enfim, uma gama infinda de conhecimento traduzida em poucas palavras que contemplam a existência humana. Óbvio, e nesse sentido é muito bom, que outras tantas frases serão criadas, tanto por literários, poetas, políticos, celebridades e gente do povo. É evidente que existem os pretensiosos que criam e vociferam metáforas de gosto discutível, contando com os aplausos dos áulicos prontos a reverenciar patacoadas, bem como lampejos de alguma inspiração. É como Nero, que cantava mal e mal, tocava lira para a plateia de súditos, obrigados a ovacioná-lo. Num desses concertos, Roma foi incendiada.

Bom, deixemos de lado as parvoíces, o tempo se encarrega de torná-las medíocres. Exemplo: “se a Terra fosse quadrada ou retangular, não haveria problema; como ela é redonda temos de passar embaixo da poluição que é produzida a 14 mil km”. Esta pérola foi dita recentemente para explicar os problemas climáticos que o planeta está sofrendo.

Voltemos ao talento de Itararé, que, embora tenha falecido solitário aos setenta e cinco anos, nos deixou belas companhias de seus pensamentos, que servem como reflexão para o tempo que vivemos. Do repertório do Barão, selecionei: * Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo. * Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato. * De onde menos se espera, daí é que não sai nada.* O feio da eleição é se perder. * O tambor faz um grande barulho, mas é oco por dentro.

Dias atrás, vi entrevista do escritor e poeta Ferreira Gullar. Ele disse que uma das frases que mais lhe marcaram é de autor ignorado. Acho que cairia muito bem em Barão de Itararé: * Eu não quero ter razão, eu quero ser feliz.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Biblioburro na Colômbia

As grandes idéias são simples, humanas e belas!
Não deixe de assistir ao vídeo na íntegra.
É um excelente exemplo de como se construir o letramento.

domingo, 16 de maio de 2010

Conhecer as manhas, curtir as manhãs





"Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir." (Almir Satter e Renato Teixeira)


Um dos grandes desafios existenciais do ser humano é aprender a lidar com os seus problemas, tão naturais e necessários para a sua evolução, e, ao mesmo tempo, tão temidos e evitados por todos. Têm pessoas que passam a vida inteira tentando correr dos problemas, muitas vezes até os escondendo dos outros, ou fazendo “vista grossa” diante deles, numa vã ilusão da vida perfeita, sem aborrecimento algum. Entretanto, qualquer um pode perceber que as fases da vida em que é mais possível crescer emocionalmente são aquelas que sucedem aos desafios e conflitos, porque trazem amadurecimento e autoconfiança.

E, sabendo que dificuldades fazem parte do viver, procuremos mudar a nossa visão a respeito, olhando cada problema não com negativismo, e sim como alertas para nos tornar seres melhores, como sementes de um benefício que vai chegar, ou oportunidades sob uma máscara de dificuldade, ou seja, darmos sempre aos nossos aborrecimentos uma visão positiva, uma rápida solução, olhando tudo com olhos bem humorados.

Conta uma velha lenda que um monge, próximo de se aposentar, precisava encontrar um sucessor. Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um poderia substituí-lo. Para sanar as dúvidas, o mestre lançou um desafio, para por a sabedoria dos dois à prova: ambos receberiam alguns grãos de feijão, que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreender a subida de uma grande montanha. Dia e hora marcados, começa a prova. Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista. Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio. Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos. E a resposta dele é surpreendente: - Ora..., antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei!

Na vida também é assim: os problemas sempre existem, uns maiores, outros menores, mas sempre há uma forma mais leve e inteligente de lidar com eles. Nós escolhemos, nós decidimos!

"Viver é aprender a viver..."



"Viver é aprender a viver, toda vida vida é ensinada"
Meu querido João Guimarães Rosa ensinou-me muitas coisas ao longo de minha existênca.Atualmente, tenho me dedicado a fazer outras leituras que me possibilitem aprofundar os ensinamentos desse poeta-autor, autor-poeta.Guimarães Rosa traduz na fala de seus personagens muito da sabedoria popular.Quantos vezes ouvi mamãe dizer:
"-Calma filha, a gente aprende. A vida ensina..."

Em 387 a.C., Platão, cujo nome verdadeiro era Arístocles (Platão era um apelido que significava “homem de ombros largos”), fundou uma escola e deu a ela o nome de Academia, já que ficava próxima ao templo do deus Academus.

A Academia estava organizada como uma comunidade constituída pelos membros mais avançados e pelos jovens estudantes. Não se tratava, de modo algum, de um grupo em que um era o sábio e os outros se encontravam à procura das doutrinas ou dos serviços do mestre, mas de uma comunidade de estudiosos com diferentes graus de desenvolvimento. Embora Platão fosse o fundador da escola, parece ter desenvolvido, em relação aos membros mais avançados da sua escola, uma relação do tipo “primeiro entre iguais”, sem nenhum lugar de destaque.

Tendo em vista que o método de ensino era a busca de verdades conceituais e abstratas, próprias do universo da matemática, Platão teria supostamente escrito no frontispício da Academia: não entre aqui aquele que não souber geometria.

Não sabemos ao certo se Platão teria cobrado algum tipo de honorário de seus alunos para ensiná-los. Entretanto, somente aqueles que pudessem ficar anos dedicados aos ensinamentos é que podiam se dar ao luxo de frequentar a academia. Um desses alunos foi Aristóteles.

Filho de Nicômaco – médico da corte de Filipe, rei da Macedônia –, Aristóteles migrou para Atenas, onde se localizava a Academia, por volta dos 17 anos, em 367 a.C. Nela, permaneceu durante 20 anos, até a morte de Platão, em, aproximadamente, 347 a.C. Em seus anos iniciais como aluno de Platão, Aristóteles era apenas um aluno brilhante. Posteriormente, torna-se professor dentro da academia.

Como era estrangeiro em Atenas, Aristóteles não podia herdar o controle da escola de Platão e esse se viu obrigado, então, a passar o comando da Academia para um sobrinho de nome Espeusipo. Como, a partir daí, as coisas não se encaminham da maneira como gostaria, Aristóteles deixa de frequentar a academia platônica, dedicando-se a uma série de viagens pela Grécia, até que Filipe, pai de Alexandre, o convida para ser professor do futuro rei da Macedônia.

O mais curioso de tudo isso está no fato de que, durante esses 20 anos em que Platão e Aristóteles conviveram juntos na Academia, em quase tudo eles discordavam. Aliás, as discordâncias vieram logo cedo, assim que o filósofo macedônio foi aceito como aluno da Academia.

Durante os 20 anos de relacionamento, não há nenhum registro de que Platão tenha censurado Aristóteles, por minimamente que fosse, por pensar diferente dele. Ao contrário, os elementos de que dispomos e que dão conta da relação entre os dois, indicam-nos que a convivência foi pacífica, harmoniosa e de muito respeito de um pela ideia do outro.

Em épocas em que às vezes nos privamos do convívio do outro simplesmente por ele não ler o que eu leio, por não usar o que eu uso ou por não pensar como eu penso, o exemplo desses dois filósofos continua vivo e atual. Que nos sirva de inspiração e que passemos a ser mais tolerantes com aqueles com quem convivemos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O amor?Felizmente uma curta loucura.É o amor?

Autora: Ilcéa Borba Marques

O amor, enquanto filho da paixão, e para existir, é também a idealização do outro. Os pais idealizam seus filhos projetando sobre eles seus próprios ideais, criando assim um circuito narcisista imperecível. Por narcisismo entendemos o amor a si mesmo: ser de novo, como na infância e especialmente no que concerne às tendências sexuais, seu próprio ideal, eis a felicidade que o homem quer alcançar. Em princípio, a realidade e o narcisismo opõem-se quando não se excluem – é a principal contradição do Eu, ser ao mesmo tempo instância que deve entrar em contato com a realidade e se investir narcisicamente, ignorando a própria realidade para conhecer apenas a si mesmo.

Ter a si como ideal, amar-se como se fosse um outro, é também fechar-se numa bolha que deixa do lado de fora qualquer coisa ou pessoa diferente de si. A única forma de quebrar esta prisão em si é ser capaz de amar um outro por suas características diferentes, mas como o imaginário é líder no espaço psíquico este outro nada mais é do que projeções maciças do Eu.

Enamorar-se de alguém é fruto de uma coincidência perceptiva – achar alguém que estimule alguma lembrança importante afetivamente e assim ser possível perceber este outro como partes do próprio Eu. Alguém que nos lembre um avô muito amado na infância faz renascer todo o sentimento vivido e este novo ser passa a ser amado como o avô fora no passado distante. Evidentemente aquele traço de igualdade ou semelhança acaba recriando sobre a situação atual o antigo e criando uma ilusão capaz de afastar da realidade este Eu em busca de afeto. Evidentemente as desilusões amorosas irão acontecer, mas, a maturidade sustenta o amor apesar de tudo.

Voltando ao título: O amor? Felizmente uma curta loucura; podemos agora compreender seu significado: uma das condições vitais para sentir paixão é a coincidência entre uma marca positiva existente na memória e algo que se apresenta no externo; a igualdade pode ser apenas um traço, mas a força sentimental será total, plena e ilusória – por isso mesmo uma verdadeira loucura. O importante é sua reduzida duração, pois o relacionamento irá desfazendo o bloco projetado impondo gradualmente a realidade.
No entanto, existe a possibilidade de permanecer na ilusão quando este outro amado reproduz realmente o próprio Eu do sujeito e, neste caso, pensando que está amando um outro se ama ainda, somente, a si mesmo.

(*) psicóloga e psicanalista
ilcea@terra.com.br

segunda-feira, 3 de maio de 2010

cariri gestar/ Ceará

joanagestar.blogspot.com

Se você é educador, irá apreciar esse blog. Acesse!

sábado, 1 de maio de 2010

A vida não é um conto de fadas



O amor é o sentimento que dá sentido a nossa vida, uma vez que para vivermos bem e sermos felizes necessitamos de nos relacionar com o outro.
O primeiro amor que conhecemos é o amor da família. Essencialmente, o amor da mãe. Depois vem o relacionamento afetivo. A paixão. Sentimento que nos arrebata e nos faz sonhar com o príncipe encantado, com uma história de amor cheia de encantamento e de felicidade perene. Um relacionamento intensamente amoroso, terno, belo e romântico. Em resumo: sem problemas.
É extremamente doloroso perceber que não é exatamente assim que acontece. A maturidade nos faz entender, à duras penas, que iniciar um relacionamento pode até ser fácil. Difícil será mantê-lo. Manter um relacionamento saudável tem tudo a ver com escolha de nossas próprias atitudes diante das naturais dificuldades que surgem ao longo do caminho. Por mais que nos identifiquemos com o ser amado, em relação aos gostos e preferências. Sei hoje, que ninguém é igual a ninguém e são as diferenças que fazem com que a arte de relacionar com o outro se transforme em um desafio deliciosamente interessante.
Infelizmente, não aprendemos a ser sinceros. Não aprendemos a dizer “não”.Temos medo de enfrentar a verdade. De olhar nos olhos do ser amado e dizer que estamos tristes, ou que, nos perdoe por alguma palavra dita de mau jeito. O que é pior: temos imensa dificuldade de perdoar. E queremos ser perdoados a todo instante.
Acumulamos nossas mágoas e às vezes, desastrosamente, tomamos atitudes impensadas de agressão física, quando não, dissimulamos que “está tudo bem” e buscamos na traição a saída para o sufoco da vida a dois. Uma vida de amor é trocada por uma vida de ilusão. Muito importante, na arte de viver melhor, é lembrar que quando escolhemos um determinado comportamento, estamos também escolhendo as conseqüências desse comportamento assumido. Precisamos desenvolver nossa capacidade de enxergar o outro além da aparência, e estarmos convencidos de que nós também erramos e também magoamos.
O que morre junto com o relacionamento é o fogo da paixão. O amor não acaba. Aquele arrebatamento inicial se transforma, com o tempo, em ternura, compreensão, tolerância e compaixão. E claro, que o desejo sexual há de ser alimentado e vivido com toda intensidade. E isso não é fantasia, é real. Tudo o que sempre sonhamos pode se tornar realidade. É possível viver o amor em toda sua poesia e encantamento, sem estar em um conto de fadas, ou na pele dos mocinhos e mocinhas dos filmes românticos. Nossa história é escrita com palavras e gestos, sorrisos e olhares, uma tarefa prazerosa de aprender a ser e aprender a viver. Viver com amor e por amor.
A vida não é um conto de fadas,mas é muito mais intensa e bela que qualquer obra de ficção.

Rosa Maria Olimpio