quinta-feira, 15 de abril de 2010

Educação Inclusiva

A inclusão dos alunos com necessidades especiais nas escolas regulares é um dos assuntos que tem ocupado longas horas de meu tempo de estudos.
Ao escrever sobre liberdade na postagem anterior, não pude deixar de pensar nas limitações físicas ou sociais que nos são impostas e com as quais precisamos aprender a lidar, a superar.
O Projeto de inclusão de crianças e jovens nas escolas regulares, ao meu ver,necessita de uma atenção especial por parte dos gestores da educação.
A preparação dos professores sobre o tema, creio ser necessidade urgente.Boa
vontade, imposição legal, não são suficientes para que crianças e jovens sejam tratados e educados com a necessária competência.É preciso amor para poder mudar, mas amor não basta para provocar uma mudança de fato, real.Estou convicta de que há muita flor colorida camuflando dolorosos espinhos e "folhas secas" que apodrecem inertes porque boa intenção não transforma destinos, é necessário preparo teórico didático e metodológico nesse sentido para que realmente as lagartas se transformem em borboletas.

Copiei aqui um trecho de interessante artigo sobre o tema. Se você se interessa pelo tema, pode lê-lo na íntegra. Basta digitar no Google "Educação Inclusiva" Maria Teresa Eglér Mantoan.



Perspectivas
"Sabemos da necessidade e da urgência de se enfrentar o desafio da inclusão escolar e de colocar em ação os meios pelos quais ela verdadeiramente se concretiza. Por isso, temos de recuperar o tempo perdido, arregaçar as mangas e promover uma reforma estrutural e organizacional de nossas escolas comuns e especiais. Ao conservadorismo dessas instituições precisamos responder com novas propostas, que demonstram nossa capacidade de nos mobilizar para pôr fim ao protecionismo, ao paternalismo e a todos os argumentos que pretendem justificar a nossa incapacidade de fazer jus ao que todo e qualquer aluno merece: uma escola capaz de oferecer-lhe condições de aprender, na convivência com as diferenças e que valoriza o que consegue entender do mundo e de si mesmo.

As práticas escolares inclusivas reconduzem os alunos “diferentes”, entre os quais os que têm uma deficiência, ao lugar do saber, de que foram excluídos, na escola ou fora dela.

A condição primeira para que a inclusão deixe de ser uma ameaça ao que hoje a escola defende e adota habitualmente como prática pedagógica é abandonar tudo o que a leva a tolerar as pessoas com deficiência, nas turmas comuns, por meio de arranjos criados para manter as aparências de “bem intencionada”, sempre atribuindo a esses alunos o fracasso, a incapacidade de acompanhar o ensino comum. Para reverter este sentimento de superioridade em relação ao outro, especialmente quando se trata de alunos com deficiência, a escola terá de enfrentar a si mesma, reconhecendo o modo como produz as diferenças nas salas de aula: agrupando-as por categorias ou considerando cada aluno o resultado da multiplicação infinita das manifestações da natureza humana e, portanto, sem condições de ser encaixado em nenhuma classificação artificialmente atribuída, como prescreve a inclusão.

Em síntese, a inclusão escolar é um forte chamamento para que sejam revistas as direções que em que estamos alinhando nosso leme, na condução de nossos papéis como cidadãos, educadores, pais. Precisamos sair das tempestades, destes tempos conturbados, perigosos e a grande virada é decisiva.

Muito já tem sido feito no sentido de um convencimento das vantagens da inclusão escolar para todo e qualquer aluno. Embora não pareçam, as perspectivas são animadoras, pois as experiências inclusivas vigentes têm resistido às críticas, ao pessimismo, ao conservadorismo, às resistências de muitos. A “Política Nacional de Educação Especial, na perspectiva inclusiva” representa um avanço para que essas perspectivas se reafirmem. A verdade é implacável e o tempo e a palha estão amadurecendo as ameixas."
(Maria Teresa Eglér Mantoan)

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