sábado, 6 de março de 2010

Uma doutora no BBB ( opinião de Carol)

Até agora eu não havia me manifestado sobre a presença de Elenita no BBB. Mas, após saber por colegas da UnB que a Veja fez uma matéria sobre ela, li a bendita matéria e não pude deixar de comentar.
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Desde que começou toda essa história da Elenita, quando ela me contou que ia se inscrever no BBB, considerei o que sempre considero: cada um sabe bem o que faz da própria vida porque é a própria pessoa que responderá por seus atos. Muitos acadêmicos se quedaram chocados com a "coragem" da jovem Doutora e, ao mesmo tempo, sentiram suas reputações ameaçadas (mas aposto que não perdem um capítulo do BBB!). E a imprensa...
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Depois de ler o texto de Marcelo Marthe na Veja, começo a considerar que até há um pouco de fundamento nesse medo acadêmico de ver a reputação dos Doutores, não só em linguística, ameaçada. Até comentários ("pendor esotérico vigente nos departamentos de ciências humanas") rasos sobre a tese de doutorado de Elenita esse jornalista fez! Só para lembrá-lo, Senhor Marcelo, Comunicação Social, sua área, é do ramo das Ciências Humanas e Sociais, viu?
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O problema todo dessa história não é a Elenita ou a personalidade dela que, diga-se de passagem, é forte mesmo (e daí? O que o temperamento de uma pessoa tem a ver com a formação acadêmica dela? Muitas vezes até ajuda! Ser Doutor em Linguística não exime ninguém de falar palavrão ou de gritar e brigar, especialmente quando se acredita naquilo por que se está brigando.). O problema é o local e a hora - e, minha gente, o BBB é local para barracos! Outro problema é a forma como a imprensa exalta ou denigre uma pessoa ao seu bel prazer. No caso de Elenita, as palavras da imprensa têm sido mais para denegrir do que para outra coisa.
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A começar pelo título da matéria, "Doutora em barracos", a Revista Veja presta um desserviço, ao meu ver, à Educação. Quer dizer, a revista não é lá muito confiável mesmo, mas o público a que se destina, A e B, inclui doutores nas mais diversas áreas, obviamente. Me indigna que esse público não se manifeste contrariamente a essa imagem de que doutores são descontrolados e perturbados que a revista constrói, estabelecendo conexão direta entre ser doutor e ser especialista em baixaria. Me indigna que a imprensa, em vez de explicar o que é o grau de doutor, o que um doutor faz, o que se tem de fazer para ser doutor, o que é linguística, enfim, prefere usar o lado pessoal de uma moça que conquistou tudo isso muito competentemente (porque a Elenita é competente!) contra toda uma categoria social que inclui desde gente temperamental, como a Elenita, até gente muito contida.
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E o que a imprensa não sabe, por isso mesmo não divulga, é que na Academia existem muitos barracos sim, porque, assim como no meio artístico, há reputações e egos em jogo. Em congressos e afins, acontece barraco. Nos escurinhos das reuniões de departamentos de universidades de todo o país, acontece barraco. Quem disse que Doutores não brigam e não falam palavrão? Se o Senhor Marcelo Marthe for investigar, vai descobrir.
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Para finalizar, quero dizer que admiro a coragem da Elenita, não porque ela é a Doutora em Linguística no BBB, mas porque ela teve coragem de se expor. Ir para a TV é uma exposição muito grande, seja lá em que circunstância for. Ela teve coragem. Talvez ela não tenha pensado tanto nisso antes de ir, mas ela é polêmica, articulada e determinada, então vai saber o que fazer com os julgamentos que está sofrendo, com os resultados da extrema exposição, com o depois do programa. Vai saber, com certeza, colher bons frutos. Eu, sinceramente, torço por ela. Torço para que essa experiência traga maturidade e humildade para ela. Ela é, antes de Doutora ou qualquer outra coisa, muito humana. E estou mesmo é com saudade das filosofias dela no seu Acasos Afortunados.

Carol

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