sábado, 6 de março de 2010

Uma doutora no BBB ( opinião de Aya Ribeiro)

Sim, vou fazer a minha parte e encaminhar esse texto a todos os meus contatos, mesmo que isso pare também na caixa postal de uma das participantes. O que não me inibe, porque nunca fiz segredo do que penso sobre esse tipo de programa, nem sobre qualquer forma de conduta imoral ou medíocre.
Para minha surpresa, uma das participante, teve a mesma formação acadêmica que eu e trabalhou recentemente comigo em um programa de formação de professores. Isso é mais sério ainda. Não vou falar da pessoa, da sua competência profissional ou de sua condição intelectual, mas não vou omitir minha opinião quanto a sua participação nesse reality show. Infelizmente, uma profissional de minha área e de minhas relações de trabalho está confinada nessa casa que representa o que há de pior na televisão brasileira, que não acrescenta nada na vida das pessoas, mas apenas degrada ainda mais a sociedade frágil exposta a esse circo. Como educadora, mãe e cristã, eu me sinto na obrigação de não me calar diante disso. Sem medo de ser julgada, pois não vou ser hipócrita para defender algo sobre o qual sempre debati, reafirmo minha indignação contra essa podridão que tem se espalhado e tomado conta da mídia. Da mesma forma que penso que todos têm o direito de fazer de suas vidas o que bem quiserem, eu exerço meu direito de me manifestar também contra o que penso ser oposto aos valores morais e éticos os quais defendo. De certa forma me exponho por assumir os ideais que coerentemente sempre defendi diante de meus alunos e o direito de não ser colocada no mesmo nível. Acredito que, quem se expõe aos olhos da midia não pode reclamar da repercussão, nem mesmo dos comentários, na TV ou na Internet. Quem não quer ter sua opção de vida criticada não se expõe publicamente em nenhum meio de acesso público. Acho que dignidade e respeito não têm preço. Nada pode comprar o valor de andar com a cabeça erguida. Nós educadores, principalmente, temos que dar esse exemplo. Eu entro no coro dos que repudiam esse mau exemplo, não só por pessoas sem o menor nível moral, ou intelectual para discutir um assunto que edifique as pessoas na TV, ou na internet, mas, e principalmente, por aqueles que deveriam usar seus conhecimentos para acrescentar valor a esses veículos de comunicação de massa, já dominado pela mediocridade. Somos formadores de opinião e nossa profissão deveria ser fonte de mudança na sociedade, jamais de conivência com tudo isso.
Se todos têm direito de se expor onde quiserem, nós temos obrigação de manifestar nossa indignação contra o que, sob pretexto de ser algo natural, sem maldade, vai se infiltrando e corrompendo sutilmente os valores que defendemos e contra os quais a mídia tem bombardeado numa luta desigual, justamente porque nos calamos.
Por isso, cito Martin Luther King: "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons".
Eu continuo amando minha colega como ser humano e respeitando o seu direito de defender suas ideias e pontos de vista, totalmente opostos ao meu, mas não vou me calar e nem me omitir, diante do meu pequeno público. O espaço que tenho é bem menor e minha "plateia" também, mas faço a minha parte, por mínima que seja e não vou mudar minha forma de pensar ou de agir, porque sou colega de uma "celebridade global".
Heróis somos nós que lutamos (sem recurso e sem exposição midiática) para formar jovens com caráter, tentando nos manter com integridade e sem nos corromper nesse mundo já corrompido pelos valores mais díspares. Em que errados estão os que defendem a moral e a qualidade de uma educação baseada em princípios sólidos, bem como a disseminação de uma cultura genuína.
Espero, sinceramente, que o Pedro Bial não esteja entrando para a história, novamente, por estar cobrindo a queda da sociedade. Espero, com uma torcida muito forte, que homens e mulheres não mudem seus valores e nem seus princípios, como demonstra esse jornalista. E, principalmente, espero que não tenhamos que erguer um muro para separar os "heróis" dos heróis da resistência contra a banalização do entretenimento de massa.

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