quarta-feira, 10 de março de 2010

Mulher


Li nos jornais, vi e ouvi nas televisões a notícia. Desta vez, querendo dar realce, o dia festivo foi chamado “internacional” – ou seja, o mundo inteiro celebrava a mulher. Aqui nos sertões fiquei encabulado: um dia que o mundo comemorava foi passando quase despercebido. Dia do Carteiro, do Motorista, do Médico, do Enfermeiro, de tudo quanto é gente local foi celebrado – e a mulher nem por isso ou muito menos.
Sou velho pensador e, psicólogo pelo curso vago da vida, fiquei imaginando. Afinal, em nossas casas e infância, a mulher foi sempre comemorada, desde o primeiro leite até a primeira palmada. Bem ou mal, mulheres sempre foram as chefes da casa. Ali o homem era persona mais rara, chefe do tesouro pagador das despesas, mas as ordens e decisões sobre filhos e destinos eram das mães, que nunca chegavam ao patamar internacional. Os tempos foram se passando e chegamos à mulher que aí está hoje.
Por incompetência ou preguiça ou vagabundagem, o homem foi ficando comodista e perdendo seu espaço. Eu já falei do típico jogador de truco, bebedor de cerveja no passeio da rua, enquanto a mulher tinha que se virar para pôr comida na mesa e garantir a escola pros filhos. Deu no que deu: a mulher jovem dos tempos atuais já não é mais a recatada gorda criadeira dos filhos. Ela estuda e trabalha desde cedo, disputa cargos nos concursos públicos, lê muito mais, mete dedos no computador, a cara no trabalho e o olhar alto e futuro.
A “homaiada” jovem se mete num boné ridículo, num tênis e numa calça meia-boca que a mamãe deu, reúne-se em bloco e fica vagueando pelas ruas, tardes e noites, pensando em alguma mina infeliz, em cerveja e droga noite adentro – uma nova e inútil sociedade. A mulher de verdade e destes tempos se agarra aos estudos, vestibulares, cursos superiores, que ela paga com seu magro salário..., mas é independente daqueles homens do passado, alguns que até se casam e são por elas sustentados. Um, que eu conheço, virou a empregada da casa: faz almoço, lava a roupa, leva o menino à escola... só não pariu porque a natureza lhe negou essa competência.
Pois é, meus amigos, nem as mulheres atuais ficam desvanecidas e seduzidas pelo tal “Dia Internacional”. Estão todas no trabalho, ocupando espaço de machos frouxos, subindo cada vez mais na escala social. No simples, vejam as presidentas que vão surgindo – na Alemanha, Chile, Argentina, Inglaterra... e olhem a Dilma, que está trovejando por aqui.
É, minha gente, a mulher não é mais aquela que o Dorival Caimi contou pro Zé Simão, que lhe perguntou o que ele iria ser se fosse mulher – e o bom baiano respondeu: “dadêra!” Nada disso, meu amigo. A mulher de hoje é outra, acrescentou à tradicional parição e criação de filhos o seu trabalho físico e social desta nova sociedade. Realmente, ela não é festejada nem desfruta a fama do seu Dia Internacional que tanto merece. Eu, no meu simples, lhe bato palmas. A nova mulher está construindo um novo mundo.

(*) médico e pecuarista
João Gilberto Rodrigues da Cunha - 10/03/2010

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