sábado, 6 de março de 2010

BBB Valores Éticos Felicidade

Ao ler inúmeras reflexões sobre o BBB dediquei-me a buscar alguma teoria que desse maior clareza ao meu pensamento no qual reside minha preocupação sobre a influência do programa sobre a formação do caráter de nossas crianças e de nossos jovens.O caminho inicial foi pesquisar sobre a ética na formação do ser humano e, sobretudo,como os valores éticos podem levar à verdadeira felicidade.Dizia Aristóteles, no século IV a.c., que o fim último a que todos aspiram é a felicidade. Disso todos concordam, no que há discordância é sobre o que é a felicidade e como chegar a ela. Ele mesmo dá uma resposta a essa questão, dizendo que “feliz é a vida conforme à virtude”. Talvez pareça estranho tratar de virtude hoje em dia, afinal isso parece um tema totalmente ultrapassado. Mas realmente a virtude é algo que pertence ao passado? Realmente ela não está fazendo falta? E a conquista de padrões éticos se torna preocupação relegada, ainda assim temos consciência de que o que procuramos em última instância é a felicidade.
Reporto-me aos contos de fadas.Ao final de cada história o bem sempre vencia o mal e a narrativa encerrava com a célebre frase: "...e foram felizes para sempre”. O que é ser feliz? O que é felicidade para o nosso jovem? Onde ele a busca? Como ele traça seu caminho para alcançá-la? Hoje não há mais mocinhos e vilões. O conceito de certo e de errado é relativo.Nem tudo é lícito no entanto, tudo é permitido.No tear da vida é que se tece o verdadeiro herói com o fino tecido das emoções.Ele se faz dia a dia com as cores e as linhas das relações humanas.E principalmente, com sua essência que é a relação íntima consigo mesmo.Uma batalha heróica vencida entre risos e dores.Os nãos e as perdas, o amor e o reconhecimento é que tecem o herói da vida real.O ser humano que aprende que a verdadeira vitória é aquela que ele vence a batalha com seus próprios medos,suas fragilidades.Ética e política, na visão aristotélica, são práticas, que se definem pela ação. Agindo eticamente é que o homem adquire a prática da virtude. Educado com coerência e amor é que ele se faz melhor e se fortalece.Importante lembrar ainda, que educar supõe a mimesis; imitação de ações exemplares. Para Aristóteles, segundo o caráter, as pessoas são tais ou tais, mas é segundo as ações que são felizes ou o contrário. Portanto, as personagens não agem para imitar os caracteres, mas adquirem os caracteres graças às ações. Assim, as ações dos heróis do BBB, comparada à fábula constituem a finalidade da tragédia, e, em tudo, a finalidade é o que mais importa.Sobre o tema Kenneth McLeish argumenta que a idéia de imitação e de mimesis é o centro da análise estética de Aristóteles; supondo – pelo conceito – uma associação entre o que é apresentado ou representado e a existência prévia da pessoa: espectador ou aprendiz. A noção do imitar tem a ver com a perspectiva da preservação: imita-se o que se louva; louva-se o que é honrado, e, portanto, o que deve ser preservado. Honrado? Essa palavra está perdida na falta de valores éticos de tal modo, que pais e educadores estão desorientados.Os valores que norteiam tanto o dizer quanto o fazer na educação,não valem nada. O BBB, convida o espectador a se envolver com um desempenho, uma mimesis da realidade, e, portanto, por delegação, com a própria realidade. Haveria, por ser assim, algum envolvimento subjetivo no jogo. Este se torna sujeito, para o mestre e para o aprendiz. Daí a urgente necessidade da ação educativa quando assumimos a confluência proposta por Aristóteles dessa imitação/representação do bom, do belo e do bem – tríade necessária para pensar a formação da virtude ao educar. Trata-se de hábitos; no justo meio; pela prudência do discernimento; alicerçados pela equidade das práticas; e de criações de rotinas e de rituais coletivos, públicos e dirigidos ao bem comum; e, portanto, à felicidade. Tudo tendo como princípio o amor do indivíduo por si mesmo.O jovem perdeu a auto-estima e autocrítica? Ele não se sente amado, nem pelos seus pais?Será que ele está perdido em busca de uma felicidade distante e “fantástica”, aquela que nos levava a crer no “ ...e foram felizes para sempre”? Há um vazio, um branco, um nada. Há uma busca desenfreada, desesperada para ser reconhecido, aceito, amado. Para se sentir inteiro, pleno, forte e, por conseguinte,feliz!O BBB escancara para nós uma realidade fabulosa cujos personagens representam os heróis da juventude brasileira.Os personagens foram denominados belos, sarados, coloridos,cabeças.Os cabeças foram os primeiros a serem banidos do jogo pelos adversários porque simbolizavam os que pensam. E quem pensa ameaça.Os valores éticos essenciais à verdadeira felicidade não estão em tela.Não dão ibope!

Rosa Maria Olimpio

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça seu comentário abaixo: