quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O TEXTO POÉTICO NA SALA DE AULA: PARA ALÉM DO DIZÍVEL

O TEXTO POÉTICO NA SALA DE AULA: PARA ALÉM DO DIZÍVEL

* Artigo publicado na Revista Especializada Athos e Ethos
Autora: Rosa Maria Olimpio



Lembrete

“Se procurar bem, você acaba encontrando
Não a explicação (duvidosa) da vida
Mas a poesia (inexplicável) da vida.”

(Carlos Drummond de Andrade, 1984, p. 95)




RESUMO: Este ensaio traz como tema a importância de privilegiar os valores estéticos e éticos da poesia trabalhada em sala de aula questionando sua utilização exclusivamente para estudos gramaticais.
PALAVRAS CHAVE: Estética, poesia, ética
ABSTRACT: This essay is aimed at privileging ethical importance of poetrys aesthetical and ethical values which were worked in the classroom as a way of questioning their exclusively use for grammar studies.
KEYWORDS: Aesthetics, poetry, ethics


INTRODUÇÃO

A escolarização da poesia tem sido objeto de reflexão de professores, pedagogos e autores que defendem o texto poético considerando-o em sua função de arte, deleite, sensibilização, emoção.
A desescolarização do texto poético é a solução apontada por esses estudiosos da literatura. Compreendemos que o que eles pretendem, na verdade, é que a poesia não seja usada somente pelo aspecto sintático e semiótico; que a interpretação desses textos contemplem as especificidades que eles contêm e ainda, que a produção poética seja instrumento de aprendizagem do fazer poético com todas as suas singularidades. Assim, não se trata de desescolarizar a poesia, mas de ensiná-la fundamentando-se em estudos teóricos de literatura e com a sensibilidade necessária que a arte requer. Escola é espaço de ensino-aprendizagem da matemática, da geografia...e de poesia. Por que não?
Ensinar e aprender poesia subentende vivenciar a ética, o estético, a emoção que a permeiam.O aluno, leitor em formação, necessita do apoio do professor para intervir de modo a encorajá-lo e a instigá-lo à aptidão necessária que lhe permita alcançar as competências de um bom leitor. Necessita também de um professor que oportunize os princípios organizadores e que o torne capaz de ligar os saberes e lhes dar sentido. Morin (2001, p.101-102) reitera nossa reflexão, ao escrever: “Exige algo que não é mencionado em nenhum manual, mas que Platão já acusava como condição indispensável a todo ensino: o Eros, que é, a um só tempo, prazer, desejo, e amor; desejo e prazer de transmitir, amor pelo conhecimento e amor pelos alunos.”


1. O TEXTO POÉTICO E O ENSINO DA GRAMÁTICA

O ensino da modalidade culta da língua portuguesa deve ser contextualizado, por isso os autores de livros didáticos e os professores de Português têm feito uso constante dos diferentes tipos de textos como suporte para o ensino da gramática. Os textos poéticos têm sido escolhidos, freqüentemente para esse fim.
Para Duarte Jr. (1981, p.80) ”Na poesia as palavras são radicalmente transubstanciadas, adquirindo estatuto totalmente diverso daquele que mantém na linguagem discursiva. Pois o poeta, utilizando-as também e enquanto sonoridade, transgride a sintaxe da língua e nela imprime novos sentidos em cada poema. O verso poético não é jamais uma frase ou uma oração, mas uma imagem, um símbolo, onde o sentido do todo prevalece sobre as partes.” E por isso mesmo, estamos convictos de que a poesia não pode ser objeto exclusivamente de aprendizagem da norma padrão da língua.
O poema “Pardalzinho” de Manuel Bandeira, por exemplo, aparece em um livro didático, orientando a compreensão dos termos essenciais e integrantes da oração e ainda, a transitividade verbal.
O pardalzinho nasceu
livre. Quebraram-lhe a asa.
Sacha lhe deu casa, comida e carinho.
Foram cuidados em vão.
A casa era uma prisão.
O pardalzinho morreu.
O corpo, Sacha enterrou no jardim.
A alma, essa voou para o céu dos passarinhos.
(NICOLA, 1994, p. 182)

O livro traz questões do tipo: Classifique o predicado da primeira oração do texto. “Quebraram-lhe a asa.” Classifique o predicado dessa oração. E a análise sintática segue frase a frase, desconsiderando totalmente a estrutura característica do texto poético. Cabe ao professor, promover o primeiro contato do aluno com o poema. A leitura oral, feita pelo professor, e depois pelo aluno, faz com que a emoção se manifeste e os valores estéticos sejam evidenciados. É necessários que o professor atente para a função da arte, a construção da arte, a beleza, o simbólico, a metáfora e todos os outros mecanismos de linguagem que permeiam a expressão poética. um professor sensível, compromissado é ético, é capaz de seduzir-se e seduzir pelo poder da palavra que se faz arte e vai tecendo a arte da vida Dufrenne (1969, p.53), a respeito da palavra poética, afirma: "Ela será tanto mais signo quanto for coisa, mas esse signo não serve para dizer algo a respeito do objeto, no interior de empreendimento intelectual ou prático, diz o próprio objeto não como o descreve a ciência, mas antes, como o experimenta o sentimento.” Reiterando nossas reflexões nesse sentido, é importante considerar o que escreve Regina Zilberman (1982, p.32) “Se a escola estabelece uma ruptura entre o ludismo infantil e a iniciação no código verbal escrito, a poesia parece oferecer um meio de remediar a brusquidão da passagem de uma experiência a outra.” Aprender a ler e a escrever é o primeiro passo a caminho do saber e do sabor poético. A leitura possibilita o desenvolvimento, o burilamento da emoção e da razão. Que as crianças e os jovens encontrem em sua vida escolar professores sedutores. A sedução poética é construção sintonizada, é atributo que se desenvolve quando compartilhado. Para que essa sintonia possa equilibrar o trabalho da mente com a sabedoria do coração, é imprescindível a intervenção do professor. Um professor que observa suas palavras e faz com que elas se tornem ações. Que observa suas ações pois sabe que elas se fazem exemplos. E esses exemplos é que possibilitam a harmonia entre a poesia da palavra que encanta e emociona e a palavra que liberta e constrói a cidadania. A harmonia na arte resulta da combinação cuidadosa de cores. A harmonia entre a palavra que possibilita a aquisição de conhecimentos lingüísticos e a palavra que constrói o poema é trabalho de mente e coração. É mais que um sentimento, é como ver e ouvir, é um acontecimento. A harmonia no poema resulta da combinação cuidadosa das palavras que lhe dão vida e razão.


2. A INTERPRETAÇÃO DO TEXTO POÉTICO

Os valores éticos também precisam ser abordados. Continuando o estudo do texto pardalzinho, pode-se discutir questões sobre a liberdade, a morte (inclusive a metafórica viver em vão em troca de bens materiais, por exemplo) e ainda convém questionar porque quebraram a asa do pássaro, a importância de se respeitar os animais no seu habitat, e muito mais... Nesse sentido lemos em Morin (2003, p. 81): "Literatura, poesia e cinema, devem ser considerados, não apenas, nem, principalmente, objetos de análises gramaticais, sintáticas e semióticas, mas também escola de vida, em seus múltiplos sentidos." O texto poético deve ser lido em todos os aspectos: semânticos, estilísticos e estruturais. A relação leitor e texto precisa subsidiar a atividade intelectual, emotiva, sensorial. Precisa orientar e desenvolver o que há de melhor e mais belo na alma humana, evidenciando a capacidade de compreender a vida e vivê-la com amor, encantamento, dignidade, compromisso, ética. Resende (1997, p.167) assim se expressa nessa perspectiva fenomenológica: “A linguagem literária é linguagem de arte, trazendo afinidades estéticas como qualquer produto de criação. Por isso, privilegiar a convivência exclusiva com ela, isolando-a de outras formas de comunicação artística, seria uma atitude restritiva, que fecha limites e provoca o seccionamento de planos. A educação estética deve integrar perspectivas que levem ao mesmo fim: o aprimoramento dos sentidos, da sensibilidade e do senso crítico”. O principal papel da escola é formar leitores que reconheçam a profundidade, as sutilezas e o sentido da linguagem literária.A consciência ética do educador é fundamental para que a educação estética esteja aliada à sensibilidade e ao senso crítico. A seriedade e o comprometimento do educador, se conduzidos pelo senso da justiça, asseguram novos rumos à história.
Zilberman (1982, p.29) acrescenta importantes questionamentos quando se trata do trabalho com a interpretação dos poemas em sala de aula: "O ditadismo que orienta a manipulação dos textos na escola é responsável pela insensibilidade ao poético manifestada na atitude de desinteresse do aluno. Depois da experiência escolar, as crianças, precisam ser reconduzidas ao prazer da espontaneidade poética, perdido entre a aprendizagem da gramática e o exercício interpretativo do tipo o-que-que-o autor-quis-dizer." As palavras de Zilberman vão ao encontro de nossas convicções uma vez que a leitura é um ato solitário, no qual o leitor infere ao texto sua experiência existencial. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, os objetivos do ensino da Língua Portuguesa são: “Adquirir progressivamente uma competência em relação à linguagem que possibilite resolver problemas da vida cotidiana, ter acesso aos bens culturais e a alcançar a participação plena no mundo letrado”. Nessa linha de condução da leitura como capacidade de ler para compreender o que lê, compreender-se, compreender o outro, compreender o mundo; leva-se em conta a mensagem do texto favorecendo a compreensão literária aliada à história de vida de cada leitor. Barthes (1984, p.53) sustenta nossa compreensão ao escrever: “Assim se revela o ser total da escrita: um texto é feito de escritas múltiplas, saídas de várias culturas e que entram uma com as outras em diálogos, em paródias, em contestação, mas há um lugar em que essa multiplicidade se reúne, e esse lugar não é o autor, como se tem dito até aqui, é o leitor: o leitor é o espaço exato em que se inscrevem, sem que nenhuma se perca todas as citações de que uma escrita é feita; a unidade de um texto não está na sua origem, mas no seu destino”.É necessário formar o leitor pela análise discursiva, sem impor a ele a leitura do professor ou a leitura do livro didático.
Jonathan Culler (apud Vitor Manuel, 1976, p.226) denomina "Persona Poética", o que chamamos "Eu-poético." O eu-poético é construído pela linguagem que vai revelando máscaras que o constitui e conseqüentemente revela os Outros, que com ele convivem e constroem o ser poético. Ao tecer o poema cria uma trama que se revela pouco a pouco para o leitor. O movimento perfeito da linguagem é capaz de criticar, revelar, emocionar, seduzir. As máscaras do autor acabam por se confundir com as máscaras dos leitores. À medida que vai desvelando a intrincada rede de significados, o leitor se emociona, se indigna, se descobre, descobre o outro, descobre o mundo. Está seduzido pela trama poética. Caem as máscaras.
Personagem
[...]
Todas as máscaras da vida
Se debruçam para o meu rosto
Na alta noite desprotegida
Em que experimento o meu gosto.
Todas as mãos vindas ao mundo
Desfalecem sobre o meu peito,
E escuto o suspiro profundo
De um horizonte insatisfeito.
(Cecília Meireles, 1982, p.115)
3. A PRODUÇÃO POÉTICA EM SALA DE AULA

A sala de aula também é espaço de criação. Se o professor oportuniza um clima propício e atua como mediador da linguagem do intelecto, do coração, do sonho que nasce da leitura e se transforma em poesia, o fazer poético flui naturalmente. A composição do texto poético traz consigo a vivência e o vivido pelo aluno e dá sentido ao conhecimento, ao saber viver, saber lidar com o outro, com as situações complexas, com suas próprias incertezas. Resende (1997, p.197) afirma: “O caminho básico da livre expressão requer do professor atitudes e meios que estimulem, desinibem, valorizem. Os atos de ler e escrever tem afinidade quando abrem, para as crianças e os jovens caminhos de liberdade, que estão de pleno acordo com a natureza do jogo. Para jogar bem, é preciso participar, com fantasia e sensibilidade, das regras da palavra com suas relações, que criam sentidos e formas inesperados”.
A criação poética em sala de aula tem resultado em alguns questionamentos quanto à sua finalidade e ao modo como os professores, às vezes, conduzem tal atividade. Muitas construções dos alunos evidenciam alguns equívocos cometidos na orientação de produção poética das crianças e dos jovens... Temos visto poemas escritos com linguagem referencial, que em lugar de se remeterem a outras perspectivas de enfoque da realidade, recorrem ao lugar comum, ao usual, ao convencional e ao rotineiro. Essa observação nos faz recorrer ao comentário de Resende (1997, p. 203) “Seria totalmente despropositado pedir aos alunos que tirassem uma folha de papel e escrevessem um poema”. E acrescenta: “A expressão poética através da palavra deve ter a finalidade educativa de proporcionar às crianças e aos jovens oportunidades de manifestação criadora. Preservar a alma poética infantil é papel da educação, que deve ser desempenhado por todos os educadores, respeitando a originalidade do ser e a natureza estética. Originalidade aqui se traduz por: estado de pureza da mente, estado originário que define o ser poético”. (Grifos da autora).
Os educadores precisam estar em constante sintonia com poder da linguagem lúdica, com o jogo de palavras e de idéias que permeiam e sustentam a produção de texto, principalmente, das especificidades do texto poético. É imprescindível a leitura de textos literários e de teorias pertinentes. Há uma extensa e rica bibliografia a respeito do tema. Autores sérios que tratam do assunto com poeticidade, sensibilidade, competência. Lidar com poesia é lidar com a essência humana e isso não é brincadeira. Apesar de que pode e deve ser um exercício de prazer e ludicidade. Duarte Jr. (1981, p. 42-43) teceu o seguinte comentário:
“Como cantou o compositor (Lupicínio Rodrigues): O pensamento parece uma coisa à toa/Mas com é que a gente voa/Quando começa a pensar. A imaginação é o vôo humano desde a facticidade bruta onde estão presos os animais, até a construção de um universo significativo. Portanto, podemos concluir que o ato do conhecimento e da aprendizagem é, em sua essência, dirigido e orientado pela imaginação”. (Grifos do autor)
Os sonhos e os projetos de vida do autor formam o fio que vai tecer o poema. Esse fio remete o leitor às próprias tessituras, organizadas por sua experiência individual. Assim, ao escolher as palavras que vão compor o tecido poético, o escritor há que observar a que se destina, que quer enfatizar, o poder das metáforas, as mensagens explicitadas e as mensagens implícitas e os sonhos de vida a que pode remeter. O ser-humano-leitor pode assumir ou incorporar diversos papéis, ou diversas máscaras, seja pelas relações com o seu dia-a-dia, seja pelo contexto que vai constituindo à medida que convive com os elementos culturais que o cercam.
Parece evidente que não há necessidade de aqui esclarecer que não se cogita a possibilidade de a escola formar poetas. O objetivo da criação poética em sala de aula é promover uma autoridade pessoal. Fazer com que crianças e jovens se conheçam, conheçam o outro, saiba se relacionar com ele mesmo e com o outro. Que ao criar o poema saiba distinguir a realidade literal dos vocábulos e a plurissignificação que individualiza e caracteriza a linguagem literária. Máscaras, redes, fios e tramas são tecidas e destecidas ao longo do processo criativo. Se ao lermos um texto poético levamos em conta as máscaras que o constitui, é forçoso considerar que elas se reconstroem pelo e no texto. Desse modo, a tessitura de um poema contempla as máscaras da vida do autor que o tece. Tecer nos remete a fios. Fios de racionalidade, sensibilidade, razão, emoção, risos, dores... entrelaçando fios do eu-poético a outros fios, tecidos por inúmeros autores que, lidos e compartilhados, vão se formando redes e tecendo tramas inéditas a partir de um campo semântico pré-existente.
Alunos de uma escola pública da periferia da cidade, depois de ouvir canções, assistir a filmes, ler romances, contos, crônicas, poemas, criaram o poema “Caminheiros” inspirados nas seguintes leituras: Brasileiros cem-milhões (crônica) de Carlos Drummond de Andrade, in: De notícias e não notícias, faz-se a crônica, Edição Especial, Fundação Nestlé de Cultura, 2004; A moça tecelã (crônica) de Marina Colassanti, e a Flor no asfalto (crônica) de Otto Lara Resende in: Linguagem Nova. Faraco & Moura, 8ª. Série, Ed. Ática; A flor e a náusea (poema) de Carlos Drummond de Andrade, in: Português – Palavra e Arte de Tânia Pellegrini e Marina Ferreira, Vol. 3, Atual Editora; haicais de Guilherme de Almeida, in: Melhor Poema. Seleção de Carlos Vogt. Edição Especial, Fundação Nestlé de Cultura, 2004; poemas e telas de Portinari, in: Caderno Pedagógico da Viagem Nestlé pela Literatura. Fundação Nestlé de Cultura, 2004; A hora da estrela (romance) de Clarice Lispector, O Carteiro e o Poeta – filme dirigido por Michael Radford, baseado em romance de Antônio Skarmeta, músicas de Chico Buarque e Vinícius de Moraes e vários outros músicos da MPB.
Caminheiros
(fragmentos)
(3.º Colegial - Bruna, Elisabete, Glauber, Juliana, Marlon, Nayara e Raulino Jr.)
Na rua das rimas, à luz da lua,
Caminheiros recolhem um fio de prata e tecem o poema
O carteiro e o poeta traçam a meta
Escolhem a metáfora para a poesia do caminho.
Uma flor nasceu no asfalto
Era notícia, virou crônica
Pode ser ela, a menina brasileira cem milhões
Apolo, deus da força, mostra que a vida é bela
Salpicada de emoções.
[...]
Vamos de mãos dadas, na grande ciranda
Roda-viva, Roda-pião
Brincadeira de criança é jogo de botão,
Pique-pega, Pega -ladrão.
E por falar em criança, nos vem à lembrança
Poetas peregrinos.
Há um que nasceu homem, morreu menino
Chegou a Hora da Estrela para Fernando Sabino.
Drummond encontrou uma pedra no meio do caminho,
O amor bateu na aorta e o levou para o infinito.
Portinari, nosso Candinho,
Virou pintor de estrelas
Guilherme de Almeida nos convida: – Vem vê-las!
[...]


4.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Espírito da gente, dizia Guimarães Rosa, é cavalo que escolhe estrada, quando ruma para a tristeza e morte, vai não vendo o que é bonito e bom.
Fechamos nossas reflexões sobre esse tema recorrendo aos versos do prosador poeta, Guimarães Rosa.
Primeiro, porque desejamos que os educadores e os educandos caminhem pela estrada do bem e do belo. Que não fechem os olhos para a violência, a injustiça, o preconceito, o desamor, a indiferença... Por outro lado, que não sigam feito cavalo desembestado, para o pessimismo, a tristeza, a morte.
Segundo, porque desejamos que o texto poético seja o fio forte e belo de um texto entrelaçado de amor, conhecimento, cognição e afetividade. Que o educador-artesão, com arte e competência, siga tecendo novos rumos para a história.
Educar por meio da poesia supõe interação, clareza da realidade, ousadia para provocar mudanças necessárias e significativas, tendo a justiça e a ética como eixos norteadores. Assim, o educador há de fazer do cotidiano um processo que favoreça ao educando, buscar com doçura e coragem os verdadeiros sentidos e significados de uma vida plena. Plena de atitudes coerentes na qual todos tenham igual direito à felicidade. Que a poética da vida seja uma leitura crítica, para fazer com que a criança e o jovem sejam capazes de construir com poesia, novos caminhos.
Poesia é obra-prima de complexidade, que implica uma equivalência semântica e acompanha o desenvolvimento lingüístico do aluno aliado à sua experiência pessoal, ao vivido e ao vivenciado. O trabalho com o texto poético em sala de aula prevê essa complexidade da língua, deve ir além do dizível e captar a essência, o sutil, que nos leva à dimensão poética da existência humana.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Carlos Drummond de Andrade. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984.
BARTHES, Roland. O rumor da língua. Trad. de Mário Laranjeira. São Paulo: Brasiliense. 1988.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: temas transversais.
DUFRENNE, Mikel. O Poético. Trad. de Luiz Arthur Nunes e Reasylvia Kroeff de Souza. Porto Alegre: Globo, 1969.
DUARTE JR., João-Francisco. Fundamentos estéticos da educação. São Paulo: Cortez/Autores Associados; Uberlândia: Universidade de Uberlândia, 1981.
MEIRELES, Cecília. Viagem e vaga música. Edição especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
MORIN, Edgard. A cabeça bem-feita. Trad. de Eloá Jacobina. 5.Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
________________ Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8. Ed. São Paulo: Cortez, 2003.
NICOLA, José de. e INFANTE, Ulisses. Gramática essencial. 8.ed. São Paulo: Scipione, 1994.
RESENDE, Vânia Maria. Literatura infantil & Juvenil-vivências de leitura e expressão criadora. 2. Ed. São Paulo: Saraiva, 1997.
ROSA, João Guimarães. Grande sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
ORLANDI, Eni Pulcinelli et.al.. Leitura: perspectivas interdisciplinares. 4.Ed. São Paulo: Editora Ática, 1998.
SILVA, Vítor Manuel de Aguiar e. Teoria da literatura. São Paulo: Martins Fontes, 1976.
ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil: autoritarismo e emancipação. São Paulo: Ática, 1982.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça seu comentário abaixo: